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<journal-title><![CDATA[América Latina en la historia económica]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte dos negócios: saberes, práticas e costumes mercantis no império luso-brasileiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study intends to approach the methods and the practices of the mercantíle professional teaching íntroduced in the Luso-Brazilian Empire, starting from the Illustrated Reforms. The creation of the Junta de Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação, in 1788, turned possible to institutionalize the national merchants' professionalization and in the Portuguese América. Inside of that process the trade classes are introduced in Portuguese América starting from 1809. As well as it happened at other commercial squares of Europe, the mercantíle teaching took to the decline of the Jesuit methods of humanistic teaching, allowing adoption of the technical and vocational methods that they emphasized the practical approach and the mutual teaching.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Art&iacute;culos</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="4">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Arte dos neg&oacute;cios: saberes, pr&aacute;ticas e costumes mercantis no imp&eacute;rio luso&#150;brasileiro</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Cl&aacute;udia Maria das Gra&ccedil;as Chaves</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Doutora pela Universidade Federal Fluminense em Historia Social e graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente &eacute; professora adjunta da Universidade Federal de Ouro Preto na &aacute;rea de Historia da Am&eacute;rica. Endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico para contato:</i> &lt;<a href="mailto:claudiachaves@ichs.ufop.br">claudiachaves@ichs.ufop.br</a>&gt;.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: abril de 2008    <br> Fecha de aceptaci&oacute;n: mayo de 2008</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Abordagem dos m&eacute;todos e das pr&aacute;ticas do ensino mercantil profesionalizante introduzidas no Imperio Luso&#150;brasileiro a partir das reformas ilustradas. Com a cria&ccedil;&atilde;o da Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o em Portugal, em 1788, iniciamse um processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o e de prof&iacute;ssionaliza&ccedil;&atilde;o dos negociantes e mercadores nacionais e na Am&eacute;rica portuguesa. Dentro desse processo est&atilde;o as aulas de com&eacute;rcio que sao introduzidas na Am&eacute;rica portuguesa em 1809. Assim como acontec&iacute;a em outras pra&ccedil;as comerci&aacute;is da Europa, o ensino mercantil levava ao decl&iacute;nio dos m&eacute;todos jesu&iacute;ticos de ensino human&iacute;stico, permitindo ado&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos t&eacute;cnicos e profesionalizantes que enfatizassem a abordagem pr&aacute;tica e o ensino m&uacute;tuo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#150;chave: </b>Ensino mercantil, Am&eacute;rica portuguesa, profissionaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">This study intends to approach the methods and the practices of the mercant&iacute;le professional teaching &iacute;ntroduced in the Luso&#150;Brazilian Empire, starting from the Illustrated Reforms. The creation of the Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, in 1788, turned possible to institutionalize the national merchants' professionalization and in the Portuguese Am&eacute;rica. Inside of that process the trade classes are introduced in Portuguese Am&eacute;rica starting from 1809. As well as it happened at other commercial squares of Europe, the mercant&iacute;le teaching took to the decline of the Jesuit methods of humanistic teaching, allowing adoption of the technical and vocational methods that they emphasized the practical approach and the mutual teaching.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Key words: </b>Mercantile teaching, Portuguese America, professionalization.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A difus&atilde;o das id&eacute;ias econ&ocirc;micas no final do s&eacute;culo XVIII em Portugal passa, sem d&uacute;vida, pelos projetos reformistas e mais espec&iacute;ficamente pela instru&ccedil;&atilde;o formal. Francisco Ant&oacute;nio Vaz<sup><a href="#notas">1</a></sup> nos apresenta um instigante trabalho sobre esse tema ao analisar a produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o do conhecimento econ&ocirc;mico a partir dos estudos de econom&iacute;a civil de Ant&oacute;nio Genovesi, passando pelas li&ccedil;&otilde;es de com&eacute;rcio &agrave;s aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas do ensino de econom&iacute;a pol&iacute;tica. S&atilde;o poucos os estudos que se dedicaram a esse tema em Portugal e no Brasil Urna vez que as reformas tiveram a Am&eacute;rica portuguesa como campo pr&aacute;tico de aplica&ccedil;&atilde;o dos novos saberes econ&ocirc;micos, sobretudo os estudos de economia pol&iacute;tica. Os trabalhos de Jos&eacute; Luiz Cardoso<sup><a href="#notas">2</a></sup> sobre a hist&oacute;ria do pensamento econ&ocirc;mico em Portugal t&ecirc;m contribu&iacute;do bastante para elucidar a pesquisa hist&oacute;rica, sobretudo no que diz respeito ao g&ecirc;nero de relato memorialista &#150;principal ve&iacute;culo difusor das id&eacute;ias econ&ocirc;micas no final do s&eacute;culo XVIII. Este g&ecirc;nero baseava&#150;se em estudos t&eacute;cnicos que, a partir da observa&ccedil;&atilde;o e da experimenta&ccedil;&atilde;o, apresentavam a realidade de forma pr&aacute;tica e objetiva. Os problemas expostos e analisados vinham acompanhados de urna proposta para sua resolu&ccedil;&atilde;o. Sua metodolog&iacute;a baseava&#150;se no emprego de principios racion&aacute;is e cient&iacute;ficos para os projetos de regenera&ccedil;&atilde;o e reforma pol&iacute;tica e administrativa do imp&eacute;rio luso&#150;brasileiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>A CI&Ecirc;NCIA E OS NEG&Oacute;CIOS: NOVOS SABERES MERCANTIS</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimentos espec&iacute;ficos baseados na id&eacute;ia de uma "ci&ecirc;ncia" mercantil foi a t&ocirc;nica no processo de distin&ccedil;&atilde;o e reconhecimento profissional para mercadores e negociantes. Aprender matem&aacute;tica, pr&aacute;ticas cont&aacute;beis, l&iacute;nguas estrangeiras, geograf&iacute;a e sistemas monetarios tornaram&#150;se as formas de inserir o grupo mercantil portugu&ecirc;s num novo padr&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o comercial na Europa do s&eacute;culo XVIII.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A preocupa&ccedil;&atilde;o com a instru&ccedil;&atilde;o comercial e com a forma&ccedil;&atilde;o de negociantes em Portugal estava em sinton&iacute;a com uma tend&ecirc;ncia europ&eacute;ia de organiza&ccedil;&atilde;o e divulga&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos mercantis. As aulas de com&eacute;rcio j&aacute; existiam em outros pa&iacute;ses da Europa desde meados do s&eacute;culo XVII, embora tenha adquirido maior for&ccedil;a e visibilidade a partir de meados do s&eacute;culo XVIII. No livro <i>Cultures et formations negociantes, </i>de Franco Angiolini e Daniel Roche,<sup><a href="#notas">3</a></sup> podemos perceber um apanhado das diversas formas de representa&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o e aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas das atividades comerci&aacute;is atrav&eacute;s do ensino e da profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos negociantes na Fran&ccedil;a, Inglaterra, Alemanha, It&aacute;lia e Espanha. Segundo esses autores, o estudo da forma&ccedil;&atilde;o de negociantes &eacute; uma boa maneira de compreender as formas de integra&ccedil;&atilde;o dos grupos mercantis ao meio social, ou sua rejei&ccedil;&atilde;o por setores dessa mesma sociedade, uma vez que as institui&ccedil;&otilde;es educacionais constituem um meio de reprodu&ccedil;&atilde;o social, assim como as institui&ccedil;&otilde;es sociais podem refletir os resultados da educa&ccedil;&atilde;o desses grupos. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute;, portante, segundo Angiolini e Roche,<sup><a href="#notas">4</a></sup> uma forma de mensurar os meios e a capacidade dos homens de profiss&atilde;o para assumir a retransmiss&atilde;o de saberes e de valores retidos nos instrumentos intelectuais e &ntilde;as pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o. Entre as habilidades gerais requeridas, estavam: aritm&eacute;tica e pr&aacute;tica de c&aacute;lculo; conhecimentos em l&iacute;nguas estrangeiras; conhecimentos geogr&aacute;ficos, e uso do direito. J&aacute; entre as habilidades espec&iacute;ficas exigidas, estavam: a contabilidade e o conhecimento dos meios de troca &#150;como as letras de c&acirc;mbio, por exemplo.<sup><a href="#notas">5</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As "escolas de com&eacute;rcio" proliferaram na Inglaterra, Holanda e Fran&ccedil;a, constituindose, a partir de ent&atilde;o, num novo ramo de conhecimentos espec&iacute;ficos, os quais requeriam tratados e manuais de com&eacute;rcio a&iacute;nda inexistentes ou de circula&ccedil;&atilde;o restrita, em alguns casos, fruto de exp&ecirc;riencias particulares destas na&ccedil;&otilde;es. Segundo Jochen Hoock,<sup><a href="#notas">6</a></sup> apesar da educa&ccedil;&atilde;o comercial ser praticada desde o s&eacute;culo XVII na Inglaterra, curiosamente a obra mais importante no s&eacute;culo XVIII n&atilde;o era inglesa, mas, sim, francesa. Tratava&#150;se do famoso <i>Dictionnaire universelde commerce, </i>dejaeques Savary d&ecirc;s Br&uacute;lons, publicado em 1723, o qual relaciona em ordem alfab&eacute;tica todas as informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e administrativas comerci&aacute;is. Essa forma de apresenta&ccedil;&atilde;o por ordem alfab&eacute;tica era considerada pelos mestres que utilizavam esse manual como urna maneira mais r&aacute;pida de memoriza&ccedil;&atilde;o dos t&oacute;picos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O dicion&aacute;rio de Savary foi traduzido<sup><a href="#notas">7</a></sup> para diversos idiomas, inclusive para o portugu&ecirc;s, como veremos a seguir, e tornou&#150;se obra de refer&ecirc;ncia obligat&oacute;ria para os cursos destinados &agrave;s atividades mercantis at&eacute; fins do s&eacute;culo XIX. O ponto alto desta obra foi, sem d&uacute;vida, a sua maleabilidade interpretativa a partir de exp&ecirc;riencias espec&iacute;ficas do mundo comercial, isto &eacute;, a cren&ccedil;a de que a "a natureza flutuante do com&eacute;rcio" exigia respostas para problemas espec&iacute;ficos de cada mercado e sociedade. Assim, a educa&ccedil;&atilde;o mercantil deveria basear&#150;se na teor&iacute;a e na pr&aacute;tica, sendo essa necess&aacute;ria para a aprendizagem das habilidades requeridas. Esta era urna abordagem que se diferenciava do sistema educacional tradicional, pois, para al&eacute;m das materias te&oacute;ricas, o aluno deveria analisar quest&otilde;es comerci&aacute;is em contextos distintos, o que, por sua vez, exigia dele habilidades interpretativas e din&acirc;micas. Outra quest&atilde;o importante, em se tratando da emergencia dos Estados nacionais modernos, era a diferencia&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas e costumes comerci&aacute;is nacionais, sistemas cambi&aacute;is, direito e conhecimento sobre as produ&ccedil;oes e pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas nacionais. &Egrave; neste ponto que o conhecimento mercantil tamb&eacute;m convergia para urna disciplina que n&atilde;o faz&iacute;a parte dos programas mais tradicionais at&eacute; o final do s&eacute;culo XVIII: a econom&iacute;a pol&iacute;tica.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O ensino profissionalizante para negociantes, era, portanto, bastante difundido na Europa no s&eacute;culo XVIII, mas s&oacute; ganhou espa&ccedil;o no reino portugu&ecirc;s, a partir da segunda metade do s&eacute;culo. Certamente isso se deveu conjuntamente a um processo de "laiciza&ccedil;&atilde;o" do ensino em Portugal e da valoriza&ccedil;&atilde;o social e enobrecimento dos "homens de neg&oacute;cio".<sup><a href="#notas">8</a> </sup>Em Portugal, como referimos, essa forma de instru&ccedil;&atilde;o foi regulada pela Junta de Com&eacute;rcio e teve inicio em 1759. Esse novo campo de conhecimento profissionalizante obrigou ao conhecimento e &agrave; circula&ccedil;&atilde;o das princip&aacute;is obras sobre com&eacute;rcio escritas na Europa e &agrave; produ&ccedil;&atilde;o ou adapta&ccedil;&atilde;o de obras para a l&iacute;ngua portuguesa.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vejamos alguns exemplos das obras e abordagens feitas em Portugal a partir da segunda metade do s&eacute;culo xvill. Segundo o livro <i>Arte e diccionario do commercio e econom&iacute;a portugueza</i><a href="#notas"><sup>9</sup></a> "todo o comerciante deve saber reduzir os pesos, medidas e dinheiros porque h&aacute; de comprar aos pesos, medidas e dinheiros porque h&aacute; de vender, pois, alias, &eacute; imposs&iacute;vel que acerte no c&aacute;lculo mercantil". Aconselhava&#150;se a leitura da "enciclop&eacute;dia" de Savary, do "tratado" sobre partidas dobradas de Garrido e o livro de geografia de "Manuel &amp; c.", pois: "Pela geograf&iacute;a (que nenhum comerciante pode deixar de saber) e pelo pre&ccedil;o dos fretes que sabe por dist&acirc;ncias, volumes e pesos semelhantes, atendida a qualidade de caminhos. E retornos, pode calcular pouco mais ou menos o custo das condu&ccedil;&otilde;es. E sabida pelas taboas das alf&acirc;ndegas as imposi&ccedil;&otilde;es, que lhe &eacute; preciso saber? Que Ihe falta?"<sup><a href="#notas">10</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O <i>savoir&#150;faire </i>do negociante era, al&eacute;m de urna forma de fazer fortuna e conseguir reconhecimento social, o meio de se manter dentro de um restrito grupo de "perfeitos negociantes", como dir&iacute;a Jacques de Savary.<a href="#notas"><sup>11</sup></a><sup> </sup>O bom negociante era aquele que detinha os conhecimentos espec&iacute;ficos requeridos pela profiss&atilde;o, portanto era necess&aacute;rio conhecer os manuais e dicion&aacute;rios sobre os temas correntes e as princip&aacute;is d&uacute;vidas sobre a profiss&atilde;o. O mais famoso dicion&aacute;rio de com&eacute;rcio, como j&aacute; dissemos, foi editado, pela primeira vez, <i>no </i>inicio do s&eacute;culo XVIII, entre 1723 e 1730: <i>Dictionnaire universel du commerce, d'histoire naturelle et d&ecirc;s arts et metieres </i>por Jacques Savary d&ecirc;s Br&ucirc;lons. Essa obra foi traduzida e adaptada para o portugu&ecirc;s em 1813 pelo segundo lente da aula de com&eacute;rcio em Lisboa, Alberto Jacqueri de Sales. Este era um procedimento comum, como podemos verificar, na Inglaterra, com a publica&ccedil;&atilde;o da obra de Malachy Postlethwayt, <i>Universal Dictionary oflrade and Commerce, </i>que era urna adapta&ccedil;&atilde;o do dicion&aacute;rio de Savary. Na adapta&ccedil;&atilde;o de Sales, foram tratadas quest&otilde;es relativas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e comerci&aacute;is de Portugal, contendo, em seus quatro volumes manuscritos, regras gerais do com&eacute;rcio interno e, principalmente, externo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao longo do trabalho de tradu&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o realizado por Sales, encontramos aconselhamentos para negociantes e mercadores em geral sobre a legisla&ccedil;&atilde;o mercantil das princip&aacute;is na&ccedil;&otilde;es com as quais Portugal mantinha rela&ccedil;&otilde;es comerci&aacute;is; instru&ccedil;&otilde;es sobre moedas, pesos e medidas; princip&aacute;is produtos manufaturados e agr&iacute;colas do mercado internacional; no&ccedil;&otilde;es gerais sobre geograf&iacute;a e sobre safras agr&iacute;colas; instru&ccedil;&otilde;es sobre formas de cr&eacute;ditos e as melhores condi&ccedil;&otilde;es de compra e venda de mercadorias; estruturas, hierarquias e organiza&ccedil;&atilde;o institucional dos grupos mercantis; al&eacute;m de regras de comportamento e conduta do bom negociante no mercado. Esse &uacute;ltimo tema era comum em quase todas as obras destinadas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos homens de neg&oacute;cio. Exatid&atilde;o, honra e confiabilidade eram caracter&iacute;sticas requeridas para aqueles que queriam se estabelecer em urna pra&ccedil;a de com&eacute;rcio.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A segunda metade do s&aacute;culo XVIII foi particularmente ben&eacute;fica para as classes mercantis portuguesas do ponto de vista do reconhecimento social. A cria&ccedil;&atilde;o da Junta de Com&eacute;rcio (1755)<sup><a href="#notas">12</a></sup> &#150;durante o reinado de D. Jos&eacute;&#150;, a subordina&ccedil;&atilde;o da Mesa do Bem Comum dos Mercadores a esta institui&ccedil;&atilde;o, a cria&ccedil;&atilde;o dos Estatutos de Mercadores de Retalho (1757) e, finalmente, a introdu&ccedil;&atilde;o de aulas de com&eacute;rcio (1759) representaram mudan&ccedil;as que deram nova visibilidade para o variado grupo mercantil do Reino de Portugal. Essas mudan&ccedil;as, conduzidas pela pol&iacute;tica reformista e ilustrada do marqu&eacute;s de Pombal, foram fundament&aacute;is para integrar mercadores e negociantes ao seio da sociedade setecentista e retirou deles a macula de pertencer a extratos sociais inferiores, marcados pelo "defeito" dos oficios mec&acirc;nicos. Tratava&#150;se de definir novos voc&aacute;bulos sociais que, ao mesmo tempo em que colocava mercadores e negociantes em escalas sociais distintas, dignificava, atrav&eacute;s de urna nova racionalidade, a atividade e o papel social de ambos. O novo <i>status </i>social conferia aos "homens de neg&oacute;cio" a id&eacute;ia de pertencimento &agrave; &eacute;lite econ&ocirc;mica e social, Jorge Pedreira<sup><a href="#notas">13</a></sup> lembra que esse voc&aacute;bulo atinge, atrav&eacute;s dos atos de institucionaliza&ccedil;&atilde;o de Pombal, um grau m&aacute;ximo de distin&ccedil;&atilde;o dos neg&oacute;cios de grosso trato das atividades a varejo, atribuindo aos negociantes prestigio e poder. As concess&otilde;es das dis&uuml;n&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas a negociantes influentes, como o h&aacute;bito de cavaleiro da Ordem de Cristo e da Ordem de Santiago, refletem a ascens&atilde;o da escala social e hier&aacute;rquica deste grupo dentro da sociedade portuguesa.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O ato de cria&ccedil;&atilde;o da Junta de Com&eacute;rcio em 1755, em substitui&ccedil;&atilde;o a Confraria do Espirito Santo, tornou&#150;se, portanto, um primeiro ato de institucionaliza&ccedil;&atilde;o e de profissionaliza&ccedil;&atilde;o mercantil, ja sinalizando a futura cria&ccedil;&atilde;o das aulas de com&eacute;rcio. Sua a&ccedil;&atilde;o, todav&iacute;a, &eacute; ratificada so&#150;mente em 1770. Em Carta de Lei, D. Jos&eacute; resolve disciplinar os mecanismos de acesso &agrave;s atividades comerci&aacute;is, tornando obligatorio aos "homens de neg&oacute;cio" o registro na Junta de Com&eacute;rcio. Da mesma maneira, adota providencias para transformar as aulas de com&eacute;rcio em formas restritas de acesso &agrave; profiss&atilde;o de caixeiros e guarda&#150;livros. Esse refor&ccedil;o &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; pr&otilde;fissionaliza&ccedil;&atilde;o foi um meio de garantir a matr&iacute;cula dos "homens de neg&oacute;cio" na Junta e a aprendizagem das "ci&ecirc;ncias" mercantis para todos os mercadores:</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Que todos os mercadores, para gozarem das Hberdades e privilegios, que como tais lhe competiam, fossem assentados e matriculados em um livro grande, formado para os ditos assentos e matr&iacute;culas; fora tal a desordem que as injurias dos calamitosos tempos que depois decorreram, causaram ao dito respeito, que (contra toda for&ccedil;a da raz&atilde;o natural e das leis, e louv&aacute;veis costumes destes reinos) se viu neles de muitos anos a esta parte o absurdo de se atrever qualquer individuo ignorante e abjeto a denom&iacute;nar&#150;se a si homem de neg&oacute;cio, n&atilde;o s&oacute; sem ter aprendido os principios da probidade e da boa f&eacute; e do c&aacute;lculo mercantil, mas muitas vezes at&eacute; sem saber ler nem escrever; irrogando assim ignominia e preju&iacute;zo a t&atilde;o proveitosa, necess&aacute;ria e nobre profiss&atilde;o.<sup><a href="#notas">14</a></sup></font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em 1759, quatro anos depois da cria&ccedil;&atilde;o da Junta de Com&eacute;rcio e ano de cria&ccedil;&atilde;o dos Estatutos das aulas de com&eacute;rcio, foi publicada, em Lisboa, a obra de Joz&eacute; Maregelo de Osan sobre as melhores condutas nos neg&oacute;cios. Trazia o imenso t&iacute;tulo de: <i>Arte verdadeira para homens de neg&oacute;cio, mercadores, art&iacute;fices, tendeiros, taberneiros, e para toda a qualidade de pessoas que trat&atilde;o, e contrat<i>&atilde;</i>o: A qual ensina a governar a consci&ecirc;ncia, e declara qual he a verdadeira gan&acirc;ncia, e o modo de refletir o mal levado, ou o mal ganhado.</i><a href="#notas"><sup>15</sup></a> Em seguida, trazia o informativo de ser urna obra oferecida ao p&uacute;blico, "em beneficio do vivente racional". Nessa obra, seu autor define o "verdadeiro" significado de "gan&acirc;ncia" e de "interesse", como ensinava Sao Tom&aacute;s e "outros muitos doutores".</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por suas distin&ccedil;&otilde;es existia a gan&acirc;ncia segura, boa e l&iacute;cita, desde que n&atilde;o se excedessem os limites das leis e pragm&aacute;ticas estabelecidas por "pr&iacute;ncipes justos". Assim, "gan&acirc;ncia" n&atilde;o era nada mais que a quantidade que se aumentava, ou melhorava, no que se comprava, vend&iacute;a, arrendava, dava ou se recebia. Os"interesses" derivavam das perdas por d&iacute;vidas, riscos e perigos do neg&oacute;cio e que deviam ser compensasados. Eram tamb&eacute;m chamados, segundo Osan, de "da&ntilde;o emergente" &#150;que se levava pelo que se perdeu&#150; e "lucro cessante" &#150;que se levava pelo que se deixou de ganhar. Segundo o dicion&aacute;rio de Mor&aacute;is Silva,<sup><a href="#notas">16</a></sup> "gan&acirc;ncia" e "interesse" t&ecirc;m exatamente essas defini&ccedil;&otilde;es, sendo que a primeira tem significado de ganho, e a segunda de lucro, proveito e utilidade. N&atilde;o existem aqui registros de um sentido ruim ou pejorativo dessas a&ccedil;&otilde;es, as quais sao totalmente l&iacute;citas e requeridas na arte de negociar. Entretanto, o bom negociante deveria estar atento aos maus procedi&#150;mentos, tais como: vender urna coisa por outra; conservar mercadorias provenientes de furto ou enga&ntilde;o; ou praticar pre&ccedil;os majorados sob o pretexto de estarem tabelados.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Segundo Osan, existiam dois tipos de pre&ccedil;os: os leg&iacute;timos e os naturais.<sup><a href="#notas">17</a></sup> Os primeiros eram os valores m&aacute;ximos de urna mercadoria e que eram estabelecidos; os naturais, por sua vez, eram voluntarios e arbitrarios. Definiam&#150;se segundo a abundancia ou carest&iacute;a e se dividiam em; supremo, medio e &iacute;nfimo. Por isso, o pre&ccedil;o supremo pod&iacute;a estar abaixo do pre&ccedil;o leg&iacute;timo e, portante, n&atilde;o seria l&iacute;cito, digamos, numa fase de abundancia, vender pelo maior pre&ccedil;o quando se podia vender pelo pre&ccedil;o medio.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Osan tenta demonstrar que era poss&iacute;vel ser um bom negociante e ao mesmo tempo ter urna boa conduta e consci&ecirc;ncia tranq&uuml;ila, demonstrando tamb&eacute;m que existiam os bons e saud&aacute;veis lucros, interesses e gan&acirc;ncias, bastava, para isso, ter a ci&ecirc;ncia necess&aacute;ria para o desempenho de suas fun&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Escrevi em <i>estilo </i>humilde para chegar &agrave; compreens&atilde;o de todos, especialmente daqueles que tem menor ci&ecirc;ncia e esfera de entendimento; e para que nenhum tenha desculpa, lhe dou o m&eacute;todo, e doutrina para o seu desenga&ntilde;o, aconselhando&#150;o do que deve fazer, e fugir em todos os seus neg&oacute;cios, para segurar a sua consci&ecirc;ncia. Suplico&#150;te, finalmente, que te lembres de guardar estes brev&iacute;ssimos e proveitosos avisos que te fa&ccedil;o, trazendo sempre na memoria, que de obrares o contrario se seguir&aacute; a irremedi&aacute;vel perda da tua alma, que &eacute; a condena&ccedil;&atilde;o eterna.<sup><a href="#notas">18</a></sup></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">No final do s&eacute;culo XVIII e inicio do s&eacute;culo XIX, as obras destinadas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do grupo mercantil n&atilde;o possu&iacute;am um apelo t&atilde;o forte aos principios religiosos, mas a boa conduta e a retid&atilde;o no desempenho dos neg&oacute;cios continuavam sendo consideradas valores importantes para aqueles que queriam ser destacados como membros importantes de uma boa familia e de uma boa sociedade. Em 1817, a obra <i>Postilla do commercio </i>define os princip&aacute;is requisitos para o bom negociante:</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os predicados de que se forma a estima&ccedil;&atilde;o do comerciante s&atilde;o: a verdade, a boa f&eacute;, a pontualidade, a prud&ecirc;ncia, a economia, a aplica&ccedil;&atilde;o ao neg&oacute;cio, a intelig&ecirc;ncia do neg&oacute;cio mercantil e a exatid&atilde;o dos seus livros de contas, O conjunto dessas virtudes forma o maior cr&eacute;dito, e a menor falta em algumas d&eacute;las o diminui: desta nasce o preju&iacute;zo dos negociantes, a sua ruina, e o da&ntilde;o geral da sociedade. &#91;...&#93; Um bom negociante, se chega a ter diferen&ccedil;as com um homem de m&aacute; f&eacute;, antes perder que litigiar &#91;...&#93; N&atilde;o h&aacute; neg&oacute;cio seguro, por maiores as precau&ccedil;&otilde;es que se tomem para o assegurar. As mais necess&aacute;rias s&atilde;o: n&atilde;o arriscar tanto em um s&oacute; neg&oacute;cio, que o mau sucesso dele possa causar uma grande ruina, do mesmo modo, n&atilde;o fiar demasiado em um s&oacute; homem, por grande que seja a sua reputa&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o poupar a comiss&atilde;o, a corretagem, o premio do seguro, ou qualquer salario conveniente, com a cobi&ccedil;a de um pequeno aumento de ganho, que as mais das vezes, vem a produzir a diminui&ccedil;&atilde;o dele, se n&atilde;o chega a causar a perda do principal; n&atilde;o tomar grande interesse num neg&oacute;cio do qual se n&atilde;o tem uma inteira exp&ecirc;riencia; preferir os peque&ntilde;os ganhos repetidos e liquidados em breve tempo, a outros mais crescidos, os quais, por dilatados, s&atilde;o sujeitos a perigosas conting&ecirc;ncias: vender e arrepender &eacute; axioma vulgar, e mais bem prudente. Por outra parte uma excessiva timidez no negociante lhe pode ser bem nociva, e quanto menos, lhe impedir&aacute; de se aproveitar das ocasi&otilde;es em que prudentemente deve ser resoluto: determinar&#150;se a perder dez quando as circunst&acirc;ncias indicam a perda de vinte, &eacute; lucrar dez.<sup><a href="#notas">19</a></sup></font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>A TRANSFER&Ecirc;NCIA DA CORTE PARA O BRASIL: AS AULAS DE COM&Eacute;RCIO NA AM&Eacute;RICA</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esses mesmos predicados eram requeridos de um bom negociante em qualquer parte do reino. No caso da Am&eacute;rica o processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o e de profissionaliza&ccedil;&atilde;o s&oacute; aconteceu depois da transferencia da Corte em 1808. Neste contexto o Brasil teve seus portos franqueados &agrave;s na&ccedil;&otilde;es aliadas, principalmente &agrave; Inglaterra. Essa nova situa&ccedil;&atilde;o para os negociantes residentes na Am&eacute;rica impunha, por sua vez, urna maior necessidade de instru&ccedil;&atilde;o mercantil. Isso n&atilde;o passou despercebido ao redator do <i>Correio Braziliense, </i>Hip&oacute;lito Jos&eacute; da Costa. Esse jornal, impresso em Londres e que circulou entre os anos de 1808 a 1822, trazia no ano de 1809 urna observa&ccedil;&atilde;o sobre a falta de exp&ecirc;riencia dos negociantes do Brasil nos mercados ingleses. Para Hip&oacute;lito da Costa, as boas qualidades exigidas dos homens de neg&oacute;cio faltavam aos negociantes brasileiros. Segundo seu entendimento, os governados e, principalmente, a classe mercantil eram respons&aacute;veis pelos males do Brasil, pois podendo assurnir um papel destacado nos neg&oacute;cios do Estado, preferiam ficar &agrave; sombra "esperando tranquilamente o futuro, para depois lamentar em segredo os males que o tempo lhe descobrir, e que talvez sejam sem remedio".<a href="#notas"><sup>20</sup></a> Assim, para o redator do jornal, o negociante brasileiro era indolente e t&iacute;mido na conducto de seus neg&oacute;cios. Naquele momento, isto &eacute;, no ano de 1809, os comerciantes brasileiros seriam "tapeados" por instruidos negociantes ingleses. Por isso, nada melhor que ensinar a classe mercantil brasileira, estimulando sua forma&ccedil;&atilde;o e sua a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste contexto em que a Am&eacute;rica ganhou destaque pela sua posi&ccedil;&atilde;o privilegiada dentro dos dominios portugueses, a atividade mercantil passou a receber tratamento semelhante ao de Portugal. No mesmo ano de 1809 s&atilde;o criados: Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o do Reino do Brasil e seus Dominios e as aulas de com&eacute;rcio, incluindo o curso de econom&iacute;a pol&iacute;tica. A nova Junta funcionou paralelamente &agrave; Junta de Lisboa, mas d&eacute;la emanavam as diretrizes comerci&aacute;is para todo o imperio portugu&ecirc;s por estar em sua nova sede, a Corte do Rio de Janeiro. Ela foi criada com a mesma estrutura da nova Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o instituida em 1788 em Portugal. As aulas de com&eacute;rcio criadas no Brasil foram, em principio, instituidas com o mesmo formato das aulas de Portugal, mas logo de inicio elas ganham urna caracter&iacute;stica nova: a introdu&ccedil;&atilde;o da econom&iacute;a pol&iacute;tica em suas disciplinas. Inicialmente haveria um curso separado de econom&iacute;a pol&iacute;tica que seria ministrado por Jos&eacute; da Silva Lisboa, mas a sua n&atilde;o concretiza&ccedil;&atilde;o resultou na incorpora&ccedil;ao de seu curr&iacute;culo &ntilde;as aulas de com&eacute;rcio. Segundo Lenira Martinho,<sup><a href="#notas">21</a></sup> o curso oficial criado pela Junta tinha urna pesada carga de materias a serem estudadas, sendo a obra de Jos&eacute; da Silva Lisboa <i>Principios de economia pol&iacute;tica </i>urna das obras de refer&ecirc;ncia. A autora tamb&eacute;m observa que al&eacute;m do curso oficial, foram criados in&uacute;meros cursos particulares que eram regularmente anunciados em jornais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Brasil, o incentivo &agrave;s aulas de com&eacute;rcio com a aprendizagem de no&ccedil;&otilde;es gerais de contabilidade, direito mercantil e condutas de mercado aconteceu num momento em que se difundiam, em Portugal, os principios de economia pol&iacute;tica com tradu&ccedil;&otilde;es e adapta&ccedil;&otilde;es de importantes obras, como a de Adam Smith. Por isso, apesar de n&atilde;o ter sido inaugurada a cadeira de economia pol&iacute;tica, seu estudo foi incorporado as aulas de com&eacute;rcio, como foi dito &aacute;cima. Para Jos&eacute; Lu&iacute;s Cardoso e Ant&oacute;nio Almod&oacute;var,<sup><a href="#notas">22</a></sup> a preocupa&ccedil;&atilde;o em incentivar os estudos de economia pol&iacute;tica no Brasil estava ligada &agrave;s transforma&ccedil;&otilde;es que ocorriam &ntilde;as rela&ccedil;&otilde;es entre colonia e metr&oacute;pole e &agrave; tentativa de criar um espa&ccedil;o de experimen&#150;ta&ccedil;&atilde;o de medidas de liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. Portanto, "nada melhor do que procurar instituir e formalizar a aprendizagem e a divulga&ccedil;&atilde;o dos principios que deviam orientar a nova administra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica sediada no Brasil". Observa&#150;se, assim um primeiro campo de diferencia&ccedil;&atilde;o com a institui&ccedil;&atilde;o portuguesa. Entretanto, percebemos que esta diferencia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se restringiu &agrave; &ecirc;nfase no ensino de economia pol&iacute;tica.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No que se referia &agrave;s pr&aacute;ticas e costumes os dois territorios do reino eram muito distintos, tornando dif&iacute;cil a tarefa de se governar com as mesmas leis e principios. Transformar a Am&eacute;rica em sede deste imperio n&atilde;o amenizou as diferen&ccedil;as e, pelo contrario, acentuou a desigualdade de tratamento dado aos vassalos nos dois lados do Atl&acirc;ntico. Os negociantes e, principalmente, os mercadores queriam se beneficiar dos privilegios garantidos aos portugueses no que diz respeito aos privilegios dados &agrave;s cinco classes de mercadores que garant&iacute;a o exerc&iacute;cio restrito da profiss&atilde;o. O armamento e a aposentadoria das lojas eram outros beneficios que os comerciantes no Brasil requeriam para si. O armamento garant&iacute;a o espa&ccedil;o p&uacute;blico a ser ocupado pelas diversas categor&iacute;as de mercadores em suas ocupa&ccedil;&otilde;es distintas e a aposentadoria das lojas consist&iacute;a no direito de se tomar urna morada ou estabelecimento comercial de seu propriet&aacute;rio para o estabelecimento de um arruamento, isto &eacute;, um ponto comercial espec&iacute;fico de um determinado grupo de mercadores. Seria uma forma de confisco que poderia ser ativa &#150;o ato de pessoas privilegiadas tomarem para si o im&oacute;vel desejado&#150; ou passiva &#150;privilegio dado a algumas pessoas de n&atilde;o poderem jam&aacute;is ser despejadas de seus im&oacute;veis, nem mesmo pelos que tinham a aposentadoria at&iacute;va.<sup><a href="#notas">23</a></sup> Esse era um tema de constantes pedidos dos mercadores no Brasil para a Junta de Com&eacute;rcio, que ao mesmo tempo queriam o direito &agrave;s aposentadorias, mas temiam que mercadores portugueses, com seus direitos garantidos pudessem, por sua vez, requerer aposentadorias sobre as lojas j&aacute; existentes. Em 1818, o D. Jo&atilde;o VI se definiu em favor dos mercadores da Corte do Rio de Janeiro e garantiu&#150;lhes, desde que devidamente matriculados na Junta, o direito de gozar dos benef&iacute;cios das aposentadorias passivas. Entretanto, nesse alvar&aacute; ficou definido que, devido &agrave;s circunst&acirc;ncias espec&iacute;ficas, n&atilde;o haveria armamento e nem preju&iacute;zo para os propriet&aacute;rios dos referidos im&oacute;veis.<sup><a href="#notas">24</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para al&eacute;m das quest&otilde;es relativas ao armamento e &agrave;s aposentar&iacute;as, comerciantes de grosso trato e &agrave; varejo residentes nos &ntilde;as princip&aacute;is &aacute;reas portuarias do Brasil como a Corte do Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco, responderam satisfatoriamente ao processo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o e de profissionaliza&ccedil;&atilde;o. Negociantes se matricularam na Junta de Com&eacute;rcio e matricularam&#150;se nas aulas de com&eacute;rcio, entretanto consideravam que o grupo mercantil de Portugal continuava a ter maiores privil&eacute;gios. O alvar&aacute; de cria&ccedil;&atilde;o da Junta do Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o deste Estado do Brasil e Dom&iacute;nios Ultramarinos de 23 de agosto de 1808 Darecia demarcar a uniformidade dentro do reino, mas, na pr&aacute;tica, n&atilde;o foi o que aconteceu. A Junta foi criada com poderes de tribunal, como j&aacute; era feito desde a reforma de 1788 em Portugal, inclusive com poderes sobre as pra&ccedil;as mercantis portuguesas, mas continuava a estabelecer um corte de diferencia&ccedil;&atilde;o entre os dois lados do Atl&acirc;ntico. O alvar&aacute; de 1808 afirmava que se criava um tribunal "semelhante" ao de Portugal e cuja finalidade era promover, com a maior brevidade, o florescimento da manufatura, agricultura e com&eacute;rcio para os "vassalos deste vasto e feliz continente". Por isso, o pr&iacute;ncipe determinava que fosse ampia a liberdade do com&eacute;rcio e das manufaturas. Essa tend&ecirc;ncia se confirmou com a publica&ccedil;&atilde;o do alvar&aacute; de 27 de mar&ccedil;o de 1810, que derrogava as leis de 1751, as quais estabeleceram a proibi&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio ambulante.<sup><a href="#notas">25</a></sup> Assim, permitia&#150;se que qualquer pessoa, desde que pagasse os respectivos direitos, pudesse vender livremente, sem a necessidade dos estabeleci&#150;mentos comerci&aacute;is fixos e dos sistemas de armamentos. Isso n&atilde;o transformava os ambulantes em mercadores de oficio regularmente matriculados na Junta, mas pressupunha que o princ&iacute;pio da concorr&ecirc;ncia aberta, segundo as m&aacute;ximas da econom&iacute;a pol&iacute;tica, s&oacute; ir&iacute;a fazer aumentar o com&eacute;rcio. Este alvar&aacute; causou grande pol&ecirc;mica entre os mercadores a retalho de Portugal e Brasil, pois os primeiros viam&#150;se amea&ccedil;ados em seus privil&eacute;gios, os segundos viam&#150;se impedidos definitivamente de vir a ter os mesmos privil&eacute;gios que os portugueses tinham.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Frente a essa situa&ccedil;&atilde;o, como explicar as exig&ecirc;ncias de matr&iacute;culas e instru&ccedil;&atilde;o para todos aqueles que desejavam se estabelecer se isso aumentava os seus gastos com alugu&eacute;is, impostos e taxas e mesma exig&ecirc;ncia n&atilde;o era feita para os ambulantes? A pronta resposta da Junta explica&#150;va que as pra&ccedil;as comerci&aacute;is de Portugal foram constitu&iacute;das frente &agrave; necessidade de se estabelecer privilegios para a prote&ccedil;&atilde;o dos mercadores e reconheciam que esse mecanismo n&atilde;o se adequava aos novos tempos de liberdade. Entretanto, j&aacute; eram pra&ccedil;as estabelecidas em sua antiguidade e costones. Esse n&atilde;o era o caso das pra&ccedil;as comerci&aacute;is do Brasil, pois, aqui, a liberdade de com&eacute;rcio poderia ser praticada sem preju&iacute;zo para aqueles que se estabelecessem. Acreditavam que a institucionaliza&ccedil;&atilde;o e a profissionaliza&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;am urna tendencia natural e meritoria; por&#150;tanto, todos aqueles que se iniciavam como ambulantes naturalmente iriam desejar o estabelecimento fixo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim a instru&ccedil;&atilde;o na "ci&ecirc;ncia" nos neg&oacute;cios continuar&iacute;a a ser urna forma de capacita&ccedil;&atilde;o e reconhecimento social. De fato, o alvar&aacute; de 1810 n&atilde;o diminuiu a procura pelas aulas de com&eacute;rcio que se multiplicaram para al&eacute;m das aulas p&uacute;blicas oferecidas pela Junta.<sup><a href="#notas">26</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>OS USOS E COSTUMES DA AM&Eacute;RICA E A INTRODU&Ccedil;&Atilde;O DA ECONOM&Iacute;A POL&Iacute;TICA</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O curso de com&eacute;rcio aprovado pela Junta em 1809 teve in&iacute;cio em 1810, sendo Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa o seu primeiro lente. Filho de capit&atilde;o&#150;mor, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa nasceu no Rio de Janeiro de 1777 e formou&#150;se no Col&eacute;gio dos Nobres em Portugal. Em 1802, viajou a Londres para continuar seus estudos, retornando ao Brasil em 1809. Foi professor da aula de com&eacute;rcio at&eacute; o ano de 1820, quando foi jubilado por merc&ecirc; de D. Jo&atilde;o VI para que pudesse ocupar novos cargos p&uacute;blicos, isto &eacute;, deputado da Junta de Com&eacute;rcio e inspetor geral das f&aacute;bricas nacionais. Morreu em 1850 ap&oacute;s elaborar sucessivos planos para a aula de com&eacute;rcio, inclusive da proposta da Escola Central de Com&eacute;rcio em 1846.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tendo sido criadas no Rio de Janeiro, na Bah&iacute;a e em Pernambuco, as aulas de com&eacute;rcio, no Brasil, deveriam seguir os estatutos aprovados em Portugal em 1759, mas seu curr&iacute;culo foi submetido a revis&otilde;es na Junta de Com&eacute;rcio por Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa, no Rio de Janeiro, e por Euz&eacute;bio Van&eacute;rio, na Bahia. Essas revis&otilde;es pretendiam atualizar e adaptar o programa &agrave;s circunst&acirc;ncias diferenciadas do Brasil e das novas rela&ccedil;&otilde;es que os tratados comerci&aacute;is impunham. Sem d&uacute;vida nenhuma o franqueamento dos portos do Brasil e o Tratado de Com&eacute;rcio e Amizade entre Brasil e Inglaterra em 1810 aproximaram os interesses mercantis do Brasil com a pra&ccedil;a comercial de Londres. Isso implicava tamb&eacute;m a aquisi&ccedil;&atilde;o de maiores conhecimentos sobre a l&iacute;ngua, as leis e os costumes mercantis dos ingleses. Talvez por essa raz&atilde;o <i>os </i>planos de aula tenham seguido urna forma semelhante ao do m&eacute;todo de ensino m&uacute;tuo de Lancaster (1803), em que o mestre &eacute; auxiliado por seus disc&iacute;pulos mais adiantados, facilitando o trabalho com turmas maiores e divididas de acord&oacute; com o grau de conhecimentos adquiridos. Para Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa, ao refletir retrospectivamente sobre o m&eacute;todo de ensino das aulas de com&eacute;rcio, dizia que os estatutos foram redigidos de acord&oacute; com o seu tempo, mas a materia do com&eacute;rcio era eminentemente mut&aacute;vel e pr&aacute;tica. Para ele, os ingleses, ao adotarem o m&eacute;todo mutuo de ensino, no qual o aluno aprend&iacute;a na pr&aacute;tica com seu mestre, possu&iacute;am urna forma de ensinar mais adequada &agrave; &iacute;ndole do comerciante.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em 1816, Manuel Luis da Veiga enviou para a Junta de Com&eacute;rcio o seu plano de aula para Pernambuco.<sup><a href="#notas">27</a></sup> Ele, assim como Ant&ocirc;nio Lisboa, reafirmava os principios caracter&iacute;sticos dos estatutos no que dizia respeito &agrave;s disciplinas b&aacute;sicas. As aulas deveriam ser indispens&aacute;veis para todos aqueles que queriam adquirir conhecimentos espec&iacute;ficos e que quises&#150;sem se credenciar como "perfeitos negociantes". Os alunos deveriam entrar j&aacute; sabendo ler, escrever e com conhecimentos de c&aacute;lculo aritm&eacute;tico. Como exig&ecirc;ncia, tamb&eacute;m os lentes deveriam saber bem as materias que iriam ensinar: historia do com&eacute;rcio e todas as fontes do com&eacute;rcio como agricultura e artes da manufatura; escritura&ccedil;&atilde;o dobrada e singela; c&acirc;mbios; direito mercantil; geograf&iacute;a comercial e n&aacute;utica; e, finalmente, o conhecimento, pelo menos rudimentar das l&iacute;nguas vivas mais utilizadas &ntilde;as pra&ccedil;as mercant&iacute;s, sobretudo o ingl&ecirc;s e o franc&ecirc;s. Todos esses conhecimentos que seriam ensinados aos disc&iacute;pulos seriam as fontes indispens&aacute;veis dos "m&eacute;todos l&iacute;citos" de enriquecimento.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O conhecimento sobre as materias de direito mercantil &#150;como os sistemas de seguros e as possibilidades de avarias&#150; eram fundament&aacute;is para os jovens negociantes que pretendiam atuar nos mercados externos. No caso do Brasil, os recentes tratados de com&eacute;rcio deveriam ser materias de estudo, sobretudo por que n&atilde;o havia no imperio portugu&ecirc;s um c&oacute;digo comercial, como existia em outras na&ccedil;&otilde;es com as quais comerciava.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Segundo Rodolfo Savelli,<sup><a href="#notas">28</a></sup> o nascimento do direito comercial na Europa &eacute; datado do final do s&eacute;culo XV de maneira, mais ou menos, aut&oacute;noma das ci&ecirc;ncias jur&iacute;dicas e seu processo se acelerou a partir de meados do s&eacute;culo XV. Na verdade, de acord&oacute; com Savelli, foi sendo criado, ao longo da historia europ&eacute;ia moderna, um conjunto de regras distintas em cada pa&iacute;s, os quais tentavam ajustar normas e pr&aacute;ticas mercantis. Por isso, grande parte dos tratados e manuais sobre regras e procedimentos comerci&aacute;is trazia como princ&iacute;pios os usos e costumes de mercado.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Brasil, por exemplo, um projeto para a cria&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo de com&eacute;rcio<sup><a href="#notas">29</a></sup> foi feito apenas em 1826, ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, apesar de ser urna antiga solicita&ccedil;&atilde;o da classe mercantil.<sup><a href="#notas">30</a></sup> Esse projeto foi elaborado pelo "Bar&atilde;o de Cairu" e representava a tentativa de estabelecer uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para o com&eacute;rcio interno e externo do rec&eacute;m criado imperio.<sup><a href="#notas">31</a></sup> Em seu relat&oacute;rio preliminar, o autor lembrava que a Fran&ccedil;a j&aacute; tinha estabelecido o seu c&oacute;digo e a Inglaterra ainda n&atilde;o tinha o seu, mas era urna na&ccedil;&atilde;o experiente que se regia por seus s&oacute;lidos estatutos. Portugal, por sua vez, n&atilde;o tinha um c&oacute;digo de com&eacute;rcio, sendo "suas leis pouco claras sobre esse objeto". D.Jos&eacute; teria sido o rei, segundo o Bar&atilde;o de Caira, que mais se preocupou em promover o com&eacute;rcio dentro e fora do reino, mas, no entanto, ele havia deixado a desejar no que dizia respeito &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o das leis referentes a essa mat&eacute;ria. Assim Cairu dizia que D.Jos&eacute;:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">deixou vaga e arbitraria a jurisprud&ecirc;ncia nacional pel&oacute; &sect; 9 da lei de 18 de agosto de 1769 com que se ordenou que nos casos omissos na legisla&ccedil;&atilde;o patria se recorresse as leis das na&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s; e pelo alvar&aacute; de dezembro de 1771 em que se declarou que as decis&otilde;es mercantis dependiam muito menos da ci&ecirc;ncia especulativa das regras de direito e das doutrinas dos jurisconsultos, do que do conhecimento pr&aacute;tico das m&aacute;ximas, usos e costumes das pra&ccedil;as e, da&iacute; resultaria a incerteza do direito comercial e as contradit&oacute;rias senten&ccedil;as dos tribunais.<sup><a href="#notas">32</a></sup></font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A geograf&iacute;a mercantil era outra disciplina indispens&aacute;vel para que o negociante soubesse tudo sobre os paises com que mantinha com&eacute;rcio. O tamanho e as potencialidades de mercado, os portos mar&iacute;timos existentes e sua capacidade, os costumes e h&aacute;bitos, a existencia de r&iacute;os internos naveg&aacute;veis e o clima, assim como as leis deveriam ser bem compreendidas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os rudimentos de l&iacute;ngua estrangeira eram necess&aacute;rios tanto para a pr&oacute;pria operacionalidade do curso, urna vez que boa parte da literatura estava escrita em franc&ecirc;s, ingl&ecirc;s ou italiano, quanto para se dispensar os "nocivos" int&eacute;rpretes.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A estrutura do curso era simples. Os alunos deveriam come&ccedil;ar por aprender principios de &aacute;lgebra e geometr&iacute;a. Para n&atilde;o perderem tempo, os alunos n&atilde;o deveriam postilar, isto &eacute;, anotar todas as explica&ccedil;&otilde;es or&aacute;is ditadas pelos professores, pois esse m&eacute;todo seria injustific&aacute;vel, urna vez que varios manuais, inclusive tradu&ccedil;&otilde;es, j&aacute; se poderiam encontrar impressos. Os alunos poderiam estudar suas li&ccedil;&otilde;es pelos traslados da Escola Mercantil e pelo Novo M&eacute;todo das partidas dobradas e Historia do Com&eacute;rcio. Estas eram obras em l&iacute;ngua portuguesa e eram acess&iacute;veis aos alunos. Recomendavam&#150;se tamb&eacute;m obras estrangeiras. Manuel Luis da Veiga indicava "Principios de direito mercantil" obra escrita em l&iacute;ngua portuguesa para aprender direito mercantil sem precisar "mendigar" por obras estrangeiras. Geograf&iacute;a deveria ser ensinada pelos manuais com aux&iacute;lio de cartas geogr&aacute;ficas e mapas&#150;m&uacute;ndi. "Em tudo o mais", deveriam ser seguidos os estatutos das aulas de Lisboa, segundo Veiga.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No caso de Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa, seu plano era mais ousado. Assim como o professor da Bahia, Euz&eacute;bio Van&eacute;rio, que primeiro prop&ocirc;s a redu&ccedil;&atilde;o do curso de tr&ecirc;s para dois anos, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa concordava em utilizar os tres anos regulamentares, mas mudar o planejamento e a distribui&ccedil;&atilde;o das disciplinas.<sup><a href="#notas">33</a></sup> Em carta enviada ao conselheiro desembargador do pa&ccedil;o e inspetor geral dos estudos, Ant&ocirc;nio Lisboa explicava a redu&ccedil;&atilde;o pela aus&ecirc;ncia da necessidade dos alunos de postilar as aulas, um argumento que Manuel Luis da Ve&iacute;ga j&aacute; havia apresentado. Desde o inicio de sua reg&ecirc;ncia na Corte, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa havia seguido outro plano, que lhe parec&iacute;a ter mais vantagem. Obedecendo &agrave; obrigatoriedade de seguir os estatutos de Portugal, ele tinha "aproveitado" o tempo livre de um ano para ensinar mais do que era obligado. Ens&iacute;nava no terceiro ano disciplinas relativas &agrave; economia pol&iacute;tica. Diz que fazia isso por duas raz&otilde;es fundament&aacute;is: a primeira se justificava pelo fato de que n&atilde;o havia no reino aulas espec&iacute;ficas p&uacute;blicas de geograf&iacute;a e economia; a segunda raz&atilde;o era porque pod&iacute;a dar uma instru&ccedil;&atilde;o adicional para alunos que sairiam do curso para empregos p&uacute;blicos, casas de neg&oacute;cios e sobrecargas de navios. Iriam utilizar aquele conhecimento para a melhoria da sociedade.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Normalmente abriam&#150;se concursos para um lente e os edit&aacute;is eram divulgados em Portugal para aproveitar os rec&eacute;m aprovados nos cursos de com&eacute;rcio. Em 1812, quando foi aprovada a abertura das aulas para a Bah&iacute;a e Pernambuco, Accursio das Neves enviou copias dos edit&aacute;is publicados em Lisboa.<sup><a href="#notas">34</a></sup> Como n&atilde;o conseguiram preencher os cargos naquele ano, Acc&uacute;rsio sugeriu a dilata&ccedil;&atilde;o do prazo para o ano seguinte, 1813. Nos edit&aacute;is exigia&#150;se a forma&ccedil;&atilde;o completa &ntilde;as &aacute;reas das materias que seriam lecionadas. O concurso constitu&iacute;a em uma prova p&uacute;blica de habilidades e receberiam 500$000 r&eacute;is anuais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O curso de Euz&eacute;bio Van&eacute;rio em Salvador n&atilde;o era p&uacute;blico, mas, sim, particular, como tantos cursos que se abriram na Corte.<sup><a href="#notas">35</a></sup> Ele defend&iacute;a a dura&ccedil;&atilde;o de apenas dois anos para as aulas de com&eacute;rcio. Seu plano compreendia uma carga horaria pr&aacute;tica e outra te&oacute;rica. Apesar de n&atilde;o enfatizar, como Ant&ocirc;nio Lisboa, o curso de economia pol&iacute;tica, ele inovou muito mais na forma e nos conte&uacute;dos, diferenciando bastante seu programa dos Estatutos. Seu Plano impresso foi enviado para a Junta no ano de 1815. O curso tinha a aprova&ccedil;&atilde;o do conde dos Arcos, governador da Capitan&iacute;a da Bah&iacute;a, e Euz&eacute;bio se intitulava "Diretor atual da Casa de Educa&ccedil;&atilde;o para a mocidade de ambos os sexos". A casa de Educa&ccedil;&atilde;o era denominada: "Desejo da Ci&ecirc;ncia" e contava com a participa&ccedil;&atilde;o da esposa de Van&eacute;rio em cursos elementares para meninas. Ela tamb&eacute;m auxiliava Van&eacute;rio &ntilde;as aulas de com&eacute;rcio no quesito de moda. Na apresenta&ccedil;&atilde;o do prospecto do curso, Van&eacute;rio dizia que a ci&ecirc;ncia do com&eacute;rcio era mais complicada do que normalmente se imaginava. Dizia que era necess&aacute;rio ter os conhecimentos de geograf&iacute;a e hist&oacute;ria moderna para saber dos tratados e alian&ccedil;as existentes entre todas as na&ccedil;&otilde;es. Bem como era necess&aacute;rio saber sobre a moda dos vizinhos, dos caprichos, das guerras e previsoes de fome. Enfatizava que seu m&eacute;todo baseava&#150;se na pr&aacute;tica, pois de nada serv&iacute;a a teor&iacute;a se n&atilde;o fosse acompanhada de at&iacute;vidades pr&aacute;ticas. Iniciar&iacute;a seu curso ensinando franc&ecirc;s e ingl&ecirc;s para que se pudessem ler as obras mercantis nestas l&iacute;nguas: Magens, Savary, Millar, Blucher, Emerigon, Allan&#150;Park, Helly e Peres de Mil&atilde;o. Entre os autores em l&iacute;ngua portuguesa, utilizar&iacute;a as obras de Jos&eacute; da Silva Lisboa e de Manuel Veiga. Assim como os demais, ensinaria geograf&iacute;a e direito mercantil. A segunda parte, considerada mais importante e, sem d&uacute;vida mais inova&#150;dora, era a das aulas pr&aacute;ticas. Sua id&eacute;ia era trabalhar com urna sociedade fict&iacute;cia entre comerciantes ingleses e baianos. Os primeiros deveriam utilizar partidas dobradas e, os outros, partidas singelas. Os alunos representariam o papel dos negociantes, sendo que os melhores seriam os negociantes ingleses e os demais, negociantes baianos, os quais fariam depois um rod&iacute;zio. Os alunos deveriam simular saques e remessas. Haveria dois conjuntos de livros: os melhores alunos seriam os caixas, seguidos dos guarda&#150;livros e depois dos caixeiros. Seria decorada para lembrar um verdadeiro escritorio de um negociante, incluindo gazetas com informes sobre cambios e amostras de tecidos e todos os produtos coloniais. "Eis aqui o plano que tenho imaginado para dar li&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas de com&eacute;rcio e blazono que um aluno inteligente em tres anos de estudos pr&aacute;ticos poder&aacute; sair um h&aacute;bil caixeiro, que possa f&aacute;cilmente vencer todos os embara&ccedil;os que a cada passo se encontr&atilde;o no com&eacute;rcio e finalmente poder&#150;se lhe encarregar urna casa de neg&oacute;cio."<sup><a href="#notas">36</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Van&eacute;rio tamb&eacute;m estipulava condi&ccedil;&otilde;es para o funcionamento do curso. Ele n&atilde;o abrir&iacute;a urna turma sem um m&iacute;nimo de 20 alunos &#150;isto tamb&eacute;m estava estipulado nos estatutos. Todos os alunos deveriam saber ler, escrever e ter conhecimentos de aritm&eacute;tica e cada aluno pagar&iacute;a 4$800 r&eacute;is por m&ecirc;s, mais as despesas dos dois jogos de livros que o diretor mandar&iacute;a fazer "ao seu gosto". Os alunos tamb&eacute;m pagariam as despesas diarias com pap&eacute;is, l&aacute;pis, borrachas, jom&aacute;is, etc., as quais seriam rateadas no final de cada m&ecirc;s. Van&eacute;rio propunha que tr&ecirc;s alunos fossem admitidos gratuitamente, um &agrave; escolha do governador, outro do inspetor da mesa, e o terceiro &agrave; escolha do diretor, no caso, o pr&oacute;prio Van&eacute;rio. A programa&ccedil;&atilde;o previa aulas de 9:00 &agrave;s 12:00 e de 15:00 &agrave;s 17:30. Em todas as quintas&#150;feiras haveria descanso e se ensinaria geograf&iacute;a apenas na parte da manh&atilde;. As li&ccedil;&otilde;es deveriam ser preparadas em casa para n&atilde;o tomar tempo das aulas. A maior inova&ccedil;&atilde;o estava &ntilde;as aulas extraclasse, pois <i>os </i>alunos deveriam freq&uuml;entar trapiches, alf&acirc;ndegas e casas de negociantes para recolherem documentos ou amostras para serem utilizados na simu&#150;la&ccedil;&atilde;o da sociedade de com&eacute;rcio fict&iacute;cia. Os alunos manteriam os seus livros, pagos &agrave;s suas custas, dentro de urna gaveta fechada &ntilde;as respectivas salas de aula. As avalia&ccedil;&otilde;es semestrais aconteceriam publicamente, com convite ao governador, aos pais e parentes dos alunos. Nesses exames, os alunos poderiam ser arg&uuml;idos pelos visitantes. Em cada aniversario da abertura das aulas, haveria premia&ccedil;&otilde;es para os melhores; a n&atilde;o premia&ccedil;&atilde;o seria o castigo dos menos esfor&ccedil;ados, alias, segundo Van&eacute;rio, este seria o &uacute;nico castigo imposto no curso. Aqu&iacute;, encontramos outro ponto semelhan&#150;te &agrave; proposta lancasteriana de n&atilde;o infringir castigos f&iacute;sicos aos alunos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O &uacute;nico plano de curso completo a que tivemos acesso foi enviado &agrave; Junta de Com&eacute;rcio por Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa.<sup><a href="#notas">37</a></sup> Em 1820, ano em que conseguiu seu jubilamento, Ant&ocirc;nio Lisboa enviou urna carta ao Tribunal da Junta, detalhando os procedimentos de seu curso e solicitando depositar o material por ele utilizado &ntilde;as aulas como comp&ecirc;ndios e apostilas. Pedia tamb&eacute;m avalia&ccedil;&atilde;o e sugest&otilde;es sobre seu curso &agrave; Junta. Enfatizava, mais urna vez, que ensinava al&eacute;m das materias b&aacute;sicas: isto &eacute;, lecionava tamb&eacute;m geometr&iacute;a plana e economia pol&iacute;tica (<a href="#t1">tabela 1</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font face="verdana" size="2"><a name="t1"></a></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><img src="/img/revistas/alhe/n31/a6t1.jpg"></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O livro de Jos&eacute; da Silva Lisboa, <i>Principios de economia pol&iacute;tica, </i>e o livro de Manuel Teixeira Cabral de Mendon&ccedil;a, <i>O guarda livros moderno, </i>eram as duas refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas, mais importantes para o curso e em l&iacute;ngua portuguesa. No caso da primeira obra, &eacute; importante lembrar que &eacute; um trabalho de refer&ecirc;ncia dentro do pensamento econ&oacute;mico luso&#150;brasileiro. A obra, publicada em 1804 em Lisboa e escrita pelo futuro visconde de Caira, ja revelava suas perspectivas de &iacute;rrestritas Iiberdades comerci&aacute;is para a ent&atilde;o col&ocirc;nia americana. Com a transf&ecirc;rencia da Corte para o Rio de Janeiro, Jos&eacute; da Silva Lisboa sai do seu cargo na Mesa de Inspe&ccedil;&atilde;o da Bahia, extinta com a cria&ccedil;&atilde;o da Junta de Com&eacute;rcio no Brasil, para assumir cargos importantes de administra&ccedil;&atilde;o mercantil e de divulga&ccedil;&atilde;o do pensamento liberal para a l&iacute;ngua portuguesa.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa tamb&eacute;m era um defensor acirrado do pensamento liberal baseado &ntilde;as doutrinas do que se chamava de "ci&ecirc;ncia aut&ocirc;noma" da economia pol&iacute;tica. Como j&aacute; dissemos, ele exerceu importantes cargos pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos durante a primeira metade do s&eacute;culo, atuando ativamente na consolida&ccedil;&atilde;o desse pensamento liberal entre a &eacute;lite mercantil na fase de forma&ccedil;&atilde;o do novo Imperio do Brasil. Sua atua&ccedil;&atilde;o como professor das aulas de com&eacute;rcio durou onze anos, de 1809 a 1820, quando conseguiu ser jubilado. Seu estreito v&iacute;nculo com os dirigentes da Junta de Com&eacute;rcio, principalmente com o visconde de Cairu, nos leva a estranhar a oposi&ccedil;&atilde;o daquele grupo ao seu pedido de aposentadoria. Alias, este processo de jubila&ccedil;&atilde;o nos tras mais elementos para o entendimento dos mecanismos pol&iacute;ticos e pedag&oacute;gicos das institui&ccedil;&otilde;es de ensino mercantil luso&#150;brasileiro. Vale a pena, portanto, nos referirmos a ele.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ap&oacute;s o seu jubilamento, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa enviou requerimento aos deputados da Junta para solicitar o seu ordenado de lente jubilado, como seria de praxe.<sup><a href="#notas">38</a></sup> Ele argumentava, em seu requerimento, que tinha o direito a continuar recebendo seu ordenado, pois havia recebido merc&ecirc; de D. Jo&atilde;o VI pelos bons servi&ccedil;os prestados. Entretanto, os deputados da Junta alegavam que n&atilde;o havia leis espec&iacute;ficas para os casos de jubila&ccedil;&atilde;o de lentes nos cursos de com&eacute;rcio e que sua solicita&ccedil;&atilde;o, de continuar a receber os 500$000 r&eacute;is anuais, s&oacute; poderia ser deferida pelo rei, que lhe concedeu a merc&ecirc;. Os deputados da Junta, no entanto, eram contra o jubilamento e contra o pagamento pretendido. Eles alegavam que, apesar dos bons servi&ccedil;os prestados, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa havia trabalhado por apenas onze anos e a&iacute;nda tinha boa sa&uacute;de e mocidade. Por isso n&atilde;o precisava e n&atilde;o fazia jus ao ordenado. Para os deputados, o fato de Lisboa haver sa&iacute;do por sua pr&oacute;pria vontade, e pela bondade do rei, n&atilde;o lhe garant&iacute;a direitos. Al&eacute;m disso, conclu&iacute;am que Ant&ocirc;nio Lisboa estava interessado em se desembara&ccedil;ar de suas obriga&ccedil;&otilde;es para se envolver com seus interesses particulares. No entendimento dos deputados, um lente n&atilde;o deveria afastarse de suas fim&ccedil;&otilde;es, pois assim como n&atilde;o poderia ser removido sem urna justa indeniza&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m ele n&atilde;o poderia resilir para procurar empregos mais vantajosos. Diziam que o requerente havia dado "ferias" aos seus deveres para empregar&#150;se nos neg&oacute;cios lucrativos de capitalista que era. Recorriam aos estatutos da Universidade de Coimbra para lembrar que l&aacute; os lentes s&oacute; eram jubilados com salario integral quando haviam prestado largos anos de servi&ccedil;o e por molestia. Eles lembravam o famoso dito popular que dizia: "quem lhe comeu a carne que lhe roa os ossos". Por uso, estipulava&#150;se que "largos anos" compreendessem 20 anos seguidos de servi&ccedil;os prestados. O afastamento deveria ser dado por premio e merecimento para descanso e n&atilde;o para o ocio ou mero apan&aacute;gio. Eram de parecer que ele recebesse apenas metade do ordenado e por conta do subsidio literario. Esse documento foi assinado por todos os deputados da Junta, inclusive por Jos&eacute; da Silva Lisboa. Ir&oacute;nicamente, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa tornou&#150;se deputado da mesma Junta de Com&eacute;rcio apenas tr&ecirc;s anos depois.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FIN&Aacute;IS</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Todas essas quest&otilde;es sobre os procedimentos de instru&ccedil;&atilde;o e de profissionaliza&ccedil;&atilde;o dos grupos mercantis no imperio luso&#150;brasileiro, sobretudo as aulas de com&eacute;rcio e seus curr&iacute;culos diferenciados no Brasil nos levam a refletir sobre um momento de transforma&ccedil;&otilde;es sociais importantes. As novas pr&aacute;ticas de ensino e a cultura mercantil que se estabelecia na nova sede do imperio portugu&ecirc;s parecia se dist&acirc;nciar dos costumes e tradi&ccedil;&otilde;es portuguesas, no entanto, como grupo corporativo e institucionalizado mercadores e negociantes requeriam cada vez mais as estruturas de privilegios que fortaleciam um ideal de antigo regime. Os interesses dos grupos mercantis, ao contr&aacute;rio do que se ensinava e se difund&iacute;a &ntilde;as aulas sobre os principios saud&aacute;veis dos mercados abertos da econom&iacute;a pol&iacute;tica, passavam pelo desejo de introdu&ccedil;&atilde;o ou manuten&ccedil;&atilde;o de privilegios em um mercado protegido.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vejamos um exemplo que contrasta com essa realidade luso&#150;brasileira, voltando ao contexto de transforma&ccedil;&otilde;es capitalistas europ&eacute;ias. Dominique Julia,<sup><a href="#notas">39</a></sup> ao analisar o recrutamento social das escolas para negociantes na Fran&ccedil;a do s&eacute;culo XVIII, depara&#150;se com urna transforma&ccedil;&atilde;o radical. Do recrutamento restrito feito no seio da pr&oacute;pria &eacute;lite mercantil para um recrutamento massivo e aburguesado de mercadores durante a expans&atilde;o comercial p&oacute;s&#150;revolu&ccedil;ao francesa. Julia afirma que, no inicio do s&eacute;culo XVIII, a obra de Jacques Savary, <i>Parfait n&eacute;gociant </i>(1673), marcou gera&ccedil;&otilde;es de filhos de negociantes, os quais eram inscritos nos cursos de com&eacute;rcio. Os disc&iacute;pulos deveriam ser matriculados com a idade de catorze anos e deveriam passar por um processo rigoroso de aprendizagem para definir suas habilidades dentro de boa conduta para se transformarem em negociantes diligentes e ativos. Os alunos compartilhavam os mesmos espa&ccedil;os dos internatos destinados &agrave; sua instru&ccedil;&atilde;o e isso, segundo Julia, lhes conferia urna caracter&iacute;stica familiar, sendo o ensino de conte&uacute;do marcadamente human&iacute;stico. Ao final do s&eacute;culo, no entanto, proliferavam os internatos privados e de recrutamento mais alargado na sociedade, para todos aqueles que desejavam se profesionalizar e o conte&uacute;do tornou&#150;se cada vez mais t&eacute;cnico. Essa caracter&iacute;stica mais t&eacute;cnica e profissionalizante, como foi visto &aacute;cima, tamb&eacute;m foi urna realidade para o imperio luso&#150;brasileiro, iniciada em Portugal desde a segunda metade do s&eacute;culo XVIII. Entretanto ela n&atilde;o pareceu levar a urna vulgariza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o e ao alargaxnento social de seus quadros; ao contrario, ela foi urna forma de distin&ccedil;&atilde;o social e de hierarquiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste sentido, a situa&ccedil;&atilde;o no imp&eacute;rio Luso&#150;brasileiro era bastante diferente. Como dissemos, por mais que os cursos no Brasil &#150;o que n&atilde;o acon&#150;tecia em Portugal&#150; se empenhassem em incutir as id&eacute;ias liber&aacute;is capitalistas, os membros das classes mercantis de recrutamento social diversificado pretendiam enobrecer atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o formal. Esse ser&aacute; o comportamento predominante de mercadores e negociantes frente &agrave; Junta de Com&eacute;rcio em suas representa&ccedil;&otilde;es. A perman&ecirc;ncia de caracter&iacute;sticas sociais de antigo regime, durante ainda na primeira metade do s&eacute;culo XIX, limitar&aacute; a influ&ecirc;ncia cultural burguesa entre os membros da &eacute;lite consolidada e entre os seus aspirantes. Os princ&iacute;pios de hierarquia e a estrutura de privil&eacute;gios s&atilde;o fortemente defendidos pelo grupo mercantil dos dois lados do Atl&acirc;ntico como forma de acesso pol&iacute;tico e social. No caso do Brasil, sua independencia levou &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o de um imperio baseado nos mesmos valores sociais e marcadamente influenciado pela ascend&ecirc;ncia da &eacute;lite mercantil nos quadros pol&iacute;ticos de maior import&acirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim, a cultura mercantil a partir da introdu&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o profissional no imp&eacute;rio luso&#150;brasileiro concretizou as formas de acesso a patamares hier&aacute;rquicos superiores. As modifica&ccedil;&otilde;es introduzidas por Pombal foram importantes para amenizar os preconceitos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; inferioridade social do grupo mercantil em sua acep&ccedil;&atilde;o mais ampla, a profissionaliza&ccedil;&atilde;o e a educa&ccedil;&atilde;o formal obrigat&oacute;ria deram o verniz social que faltava &agrave; maioria deste grupo. Com a cria&ccedil;&atilde;o de estatutos e das aulas de com&eacute;rcio, e com a amplia&ccedil;&atilde;o de f&oacute;runs representativos, mercadores e negociantes puderam partilhar de espa&ccedil;os pol&iacute;ticos e sociais anteriormente vedados. As escolas das aulas de com&eacute;rcio foram tamb&eacute;m espa&ccedil;os para a socializa&ccedil;&atilde;o desses grupos e para a difiis&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas e costumes da atividade mercantil. Na Am&eacute;rica portuguesa, essa mudan&ccedil;a refletiu&#150;se &ntilde;as reivindica&ccedil;&otilde;es de mercadores e de negociantes para serem tratados com iguais privilegios concedidos aos mercadores das pra&ccedil;as de Portugal. &Agrave; maior profissionaliza&ccedil;&atilde;o, seguia&#150;se tamb&eacute;m a elitiza&ccedil;&atilde;o das categor&iacute;as mercantis, que rejeitavam todas as formas de com&eacute;rcio ambulante, mesmo que elas desejassem ascender socialmente e se fixarem como mercadores de lojas. Dessa maneira, o <i>savoir&#150;faire </i>dos homens de neg&oacute;cio e dos mercadores tornou&#150;se n&atilde;o apenas urna forma de fazer fortuna, mas tarnb&eacute;m dist&iacute;n&ccedil;&atilde;o e reconhecimento social. O bom negociante passou a ser aquele que detinha os conhecimentos espec&iacute;ficos requeridos pela profiss&atilde;o, tornaram&#150;se "perfeitos negociantes".</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>BIBLIOGRAFIA</b></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">ANGIOLINI, FRANCO e DANIEL ROCHE, <i>Cultures et formations n&eacute;gociantes dans l'Europe moderna </i>Paris, Editions EHESS, 1995 (Civilisations et Soci&eacute;t&eacute;s, 91).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683069&pid=S1405-2253200900010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Arte e diccionario do commercio e econom&iacute;a portugueza </i>Lisboa, Officina Domingos Gon&ccedil;alves, 1784 (Se&ccedil;&atilde;o de Reservados da Biblioteca Nacional em Lisboa),</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683070&pid=S1405-2253200900010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">"Aula de com&eacute;rcio por Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa", <i>Revista do Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico Brasileiro, </i>anexo IV, v. 208, pp. 172&#150;185, jul&#150;set. 1950.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683071&pid=S1405-2253200900010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">BRIZZI, GIAN PAOLO, "L&ecirc; marchand italien &agrave; l'ec&oacute;le entre Renaissance et Lumi&egrave;res" in Angiouni e Roche, <i>Cultures, </i>1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683072&pid=S1405-2253200900010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">CARDOSO, JOS&Eacute; LUIS, <i>0 pensamento econ&oacute;mico em Portugal, </i>Lisboa, Estampa, 1989.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683073&pid=S1405-2253200900010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#150;&#150;&#150;&#150;&#150;&#150;&#150;&#150;&#150;&#150; &amp; ALMOD&Oacute;VAR, ANTONIO, "D. Rodrigo de Souza Coutinho e administracao econ&ocirc;mica do Brasil: no territ&oacute;rio da economia pol&iacute;tica", texto apresentado no Tenth International Congress on The Enlightenment, Dublin, Irlanda, 25&#150;31 de julho de 1999.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683074&pid=S1405-2253200900010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">CARVALHO, DARCY, "Desenvolvimento e livre com&eacute;rcio. As id&eacute;ias econ&ocirc;micas e sociais do visconde de Caira. Um estudo de hist&oacute;ria do pensamento econ&ocirc;mico brasileiro", <i>tese </i>de doutoramento, S&atilde;o Paulo, Instituto de Pesquisas Econ&ocirc;micas, 1985. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683075&pid=S1405-2253200900010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">CHAVES, CLAUDIA, "Melhoramentos no Brazil: integra&ccedil;&atilde;o e mercado na Am&eacute;rica portuguesa (1780&#150;1822)", tese de doutoramento, Niter&oacute;i, Universidade Federal Fluminense, 2001. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683076&pid=S1405-2253200900010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Elementos de rhetorica para uso dos alunos do commercio theorico epratico, </i>Lisboa, Imprensa R&eacute;gia, 1829. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683077&pid=S1405-2253200900010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">HOOCK, JOCHEN, "L'enseignement commercial anglais au 18e si&egrave;cle" in ANGIOLINI e ROCHE, <i>Cultures, </i>1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683078&pid=S1405-2253200900010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">J. M. P. e S. <i>Postilla do commercio, </i>Par&iacute;s, Officina Typographica de Firmin Didot, 1817. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683079&pid=S1405-2253200900010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">JEANNIN, PIERRE, "Distinction d&ecirc;s compet&eacute;nces et niveaux de qualification: l&ecirc;s savoirs n&eacute;gotiants dans l'Europe moderne" in ANGIOLINI e ROCHE, <i>Cultures, </i>1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683080&pid=S1405-2253200900010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">JULIA, DOMINIQUE, "L'&eacute;ducation d&ecirc;s n&eacute;gociants fran&ccedil;ais au 18 si&egrave;cle" in ANGIOLINI e ROCHE, <i>Cultures, </i>1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683081&pid=S1405-2253200900010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">MARTINHO, LENIRA &amp; GORENSTEIN, RIVA, <i>Negociantes e caixeiros na sodedade da independ&ecirc;ncia, </i>Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, 1993 (Biblioteca Carioca, 24).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683082&pid=S1405-2253200900010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">MORAIS SILVA, ANT&Oacute;NIO DE, <i>Diccionario da l&iacute;ngua portuguesa, </i>Lisboa, Typographia Lac&eacute;rdina, 1813.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683083&pid=S1405-2253200900010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">NEVES, JOS&Eacute; ACCURSIO DAS, <i>Variedades sobre objetos relativos as artes comerci&aacute;is, manufaturas, consideradas segundo os princ&iacute;pios da econom&iacute;a pol&iacute;tica, </i>Lisboa, Imprensa Regia, 1814,2 vols.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683084&pid=S1405-2253200900010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">OSAN, JOZ&Eacute; MAREGELO DE, <i>Arte verdadeira para homens de neg&oacute;cio, mercadores, art&iacute;fices, tendeiros, taberneiros, epara toda a qualidade depessoas, que trat&atilde;o, e contrat&atilde;o: a cual ensina a governar a consci&ecirc;ncia, e declara qual he a verdadeira gan&acirc;ncia, e o modo de refletir o mal levado, ou mal ganhado, </i>Lisboa, Officina de Francisco Borges de Souza, 1761.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683085&pid=S1405-2253200900010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">PEDREIRA, JORGE MIGUEL, "Os negociantes de Lisboa na segunda metade do s&eacute;culo XVIII: padr&otilde;es de recrutamento e recursos sociais", <i>An&aacute;lise Social, </i>voL 27 (116&#150;117), 1992 (2a., 3a.), pp. 407&#150;440.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683086&pid=S1405-2253200900010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">PEREIRA, JOS&Eacute; MANUEL RIBEIRO, <i>Elementos do com&eacute;rcio, </i>Lisboa, Officina de Ant&oacute;nio Rodrigues Galhardo, 1766.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683087&pid=S1405-2253200900010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">PONTE, MR DE LA, <i>Guia de negociantes e de guarda livros, ou novo contrato sobre livros de contas em partidas dobradas, </i>trad. Jos&eacute; Joaquim S. P. Mil&atilde;o, Lisboa, Regia Officina Typographica, 1794.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683088&pid=S1405-2253200900010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">SALES, ALBERTO JAQUERI DE, <i>Dicionario Universal de Commercio, </i>trad. e adapta&ccedil;&atilde;o manuscrita do <i>Dictionnaire Universel de Commerce, </i>de Jaques Savary d&ecirc;s Br&ucirc;lons, 4 vols., 1813 (Se&ccedil;&atilde;o de Reservados da Biblioteca Nacional em Lisboa).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683089&pid=S1405-2253200900010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">SMITH, ADAM,<i> A riqueza das na&ccedil;&otilde;es, </i>Investiga&ccedil;&atilde;o sobre sua natureza e suas causas, trad. Luiz Jo&atilde;o Bara&uacute;na, S&atilde;o Paulo, C&iacute;rculo do Livro, 1996,</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683090&pid=S1405-2253200900010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">VAZ FRANCISCO A., <i>Instru&ccedil;&atilde;o e econom&iacute;a, </i>Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibr&iacute;, 2002.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=683091&pid=S1405-2253200900010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><a name="notas"></a>NOTAS</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1</sup> Vaz, <i>Instru&ccedil;&atilde;o, </i>2002.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>2</sup> Cardoso, <i>Pensamento, </i>1989.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>3</sup> Angiolini e Roche, <i>Cultures, </i>1995.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>4</sup> <i>Ibid, </i>p. 24.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>5</sup> <i>Cf </i>Jeannin, "Distinct&iacute;on", 1995.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>6</sup> Hoock, "Enseignement<sup>"</sup>, 1995.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>7</sup> Entre seus tradutores/adaptadores encontramos G. G. Ludovici, Malachy Postlethwayt e Morellet. <i>Cf. ibid.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>8</sup> Sem d&uacute;vida, a expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas dos dominios portugueses e de suas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas foram elementares para essa mudan&ccedil;a. Sobre esse assunto ver, de maneira comparativa, o caso italiano analisado por Brizzi, "Marchand", 1995. O autor argumenta que a crise geral do modelo escolar jesu&iacute;ta na segunda metade do s&eacute;culo XVIII abriu espa&ccedil;o na escola latina para a reafirma&ccedil;&atilde;o de valores sociais de instru&ccedil;&atilde;o elementar para as classes sociais ativas. Portanto, do ensino de caracter&iacute;stica human&iacute;stica e de recrutamento restrito para um ensino que valorizava a forma&ccedil;&atilde;o profissional.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>9</sup> <i>Arte, </i>1784, p. 28.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>10</sup> <i>Ibid</i>., p. 29.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>11</sup> O Pai de Jacques de Savary d&ecirc;s Br&ucirc;lons (1759&#150;1716), tamb&eacute;m Jacques de Savary (1622&#150;1690) produziu, a&iacute;nda no s&eacute;culo XVII, uma grande obra refer&ecirc;ncial sobre a arte do com&eacute;rcio: <i>Le Parfait n&eacute;gociant ou instruction g&eacute;n&eacute;rale pour ce qui regarde l&ecirc; commerce de &iacute;oute sorte de marchandises tant de France que d&ecirc;s pays &eacute;trangers, </i>Par&iacute;s, 1675.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>12</sup> Os estatutos da Junta fcram criados no ano de 1756 e j&aacute; fazem alus&atilde;o &agrave; necessidade de se criar as "aulas de com&eacute;rcio".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>13</sup> Pedreira, "Negociantes", 1992, pp. 407&#150;440.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>14</sup> Carta de Lei de 30 de agosto de 1770 in Marcos Carneiro de Mendon&ccedil;a, <i>Aula de com&eacute;rcio, </i>Rio de Janeiro, Xerox do Brasil, 1982, ARQ, 1151, Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (doravante ANRJ).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>15</sup> Osan, <i>Arte, </i>1761. Biblioteca Nacional de Lisboa, Se&ccedil;&atilde;o de manuscritos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>16</sup> Mor&aacute;is, <i>Diccionario, </i>1813.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>17</sup> Essa def&iacute;ni&ccedil;&atilde;o assemelha&#150;se aos conceitos de pre&ccedil;o efetivo e pre&ccedil;o natural descritos posteriormente por Adam Smith. Por pre&ccedil;o efetivo, compreende&#150;se o pre&ccedil;o de mercado pelo qual &eacute; vendida urna determinada mercadoria. O pre&ccedil;o efetivo pode estar &aacute;cima, abaixo ou mesmo coincidir com o pre&ccedil;o natural. Quando a quant&iacute;dade de <i>mercadur&iacute;a, </i>ofertada for menor que a demanda efetiva &#150;consumidores potenci&aacute;is&#150; o pre&ccedil;o efetivo estar&aacute; &aacute;cima do pre&ccedil;o natural; quando a quantidade de mercadoria coincide com a demanda efetiva, haver&aacute; tamb&eacute;m urna coincid&ecirc;ncia entre pre&ccedil;o efetivo e natural; no entanto, quando a quantidade de mercadoria supera a demanda efetiva, o pre&ccedil;o efetivo ficar&aacute; abaixo do pre&ccedil;o natural. Portanto, "o pre&ccedil;o natural &eacute; como que o pre&ccedil;o central ao redor do qual continuamente est&atilde;o gravitando os pre&ccedil;os de todas as mercadorias. Conting&ecirc;ncias diversas podem, &agrave;s vezes, mant&ecirc;&#150;los bastante &aacute;cima deles, e noutras vezes, for&ccedil;&aacute;&#150;lo para abaixo desse n&iacute;vel. Mas, quaisquer que possam ser os obst&aacute;culos que os impe&ccedil;am de fixar&#150;se nesse centro de repouso e continuidade, constantemente tenc&iacute;er&atilde;o para ele" (Smith, <i>Riqueza, </i>1996, 111&#150;112). Note&#150;se, no entanto, que neste caso, os pre&ccedil;os leg&iacute;timos est&atilde;o mais pr&oacute;ximos dos pre&ccedil;os naturais definidos por Smith e, os pre&ccedil;os naturais de osan, mais pr&oacute;ximos dos pre&ccedil;os efetivos de Smith. Osan tende a entender por natural o pre&ccedil;o que &eacute; voluntariamente ou arbitrariamente definido e n&atilde;o os que est&atilde;o mais ajustados (equilibrados) entre a oferta e a demanda efetiva.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>18</sup> Osan, <i>Arte, </i>1761, p. 8.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>19</sup> J. M. P. e S., <i>Postilla, </i>1817.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>20</sup> <i>Correio Braziliense, </i>rolo 1723, p. 526, 1809. Se&ccedil;&atilde;o de peri&oacute;dicos microfilmados da Biblioteca Nacional de Lisboa.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>21</sup> Martinho &amp; Gorenstein, <i>Negociantes, </i>1993, pp. 53&#150;54.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>22</sup> Cardoso &amp; Almod&oacute;var, "Rodrigo", 1999, p. 17.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>23</sup> <i>Cf. </i>Mor&aacute;is, <i>Diccionario, </i>1813.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>24</sup> Direito de aposentadoria &#150;c&oacute;dice 205, v. 1, fundo 7x fl 14&#150;15. Junta do Com&eacute;rcio, Agricultura F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, ANRJ.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>25</sup> <i>Cf. </i>Chaves, "Melhoramentos", 2001, pp. 173&#150;217.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>26</sup> Os n&uacute;meros apresentados por Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Lisboa, o primeiro lente das aulas de com&eacute;rcio no Brasil, para a primeira metade do s&eacute;culo XIX revelam urna tend&ecirc;ncia de crescimento das matriculas e aprova&ccedil;&otilde;es. Ver Quadro de matr&iacute;cula &#150;ca&iacute;xa 452 pe 1, fundo 7x, ANRJ.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>27</sup> Plano de aula &#150;caixa 452, pe 1, <i>fundo </i>7x, Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, ANRJ.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>28</sup> <i>Mod&egrave;les juridiques et culture marchande entre 16&deg; et 17&deg; si&egrave;cles, </i>in Angiolini e Roche, <i>Cultures, </i>1995, pp. 403&#150;420.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>29</sup> <i>Projeto de C&oacute;digo do Com&eacute;rcio </i>pelo senador Bar&atilde;o de Cairu, 24 de abril de 1826. C&oacute;dice 700 da Junta do Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, do AN. O C&oacute;digo do Com&eacute;rcio no Brasil, no en tanto, s&oacute; foi criado em 1850 pela Lei n. 556, depois da extin&ccedil;&atilde;o da Junta do Com&eacute;rcio.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>30</sup> Jos&eacute; Bonif&aacute;cio, em seu <i>Elogio </i>a D. Mar&iacute;a I, refere&#150;se a malograda tentativa de cria&ccedil;&atilde;o de um <i>c&oacute;digo </i>comercial em 1778: "Havendo&#150;se mudado o estado da na&ccedil;ao, tendo&#150;se alterado o modo de pensar, os costumes e as id&eacute;ias, era preciso tamb&eacute;m que se mudasse e alterasse a legisla&ccedil;&atilde;o". <i>Apud </i>Carvalho, "Desenvolvimento", 1985, p. 80.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>31</sup> Segundo Carvalho ("Desenvolvimento", 1985, p. 168), um "Plano" de C&oacute;digo de Com&eacute;rcio &eacute; esbo&ccedil;ado por Jos&eacute; da Silva Lisboa em 1809, quando solicitado pela Junta do Com&eacute;rcio. Em 1826, data do "Projeto" do C&oacute;digo, Jos&eacute; da Silva Lisboa teria publicado no op&uacute;sculo <i>Regras da Pra&ccedil;a </i>urna justificativa para a demora de tal projeto, que finalmente come&ccedil;ava a se delinear. Como vimos, o projeto de fato s&oacute; vira a termo em 1850, quando &eacute; extinta a Junta de Com&eacute;rcio.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>32</sup> <i>Projeto de C&oacute;digo do Com&eacute;rcio </i>pelo Senador Bar&atilde;o de Cairu, 24 de abril de 1826. C&oacute;dice 700 da Junta do Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, do AN. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>33</sup> Caixa 452, pe 1, fundo 7x, Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, ANRJ.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>34</sup> <i>Ibid.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>35</sup> <i>Ibid.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>36</sup> <i>Ibid.,</i> fl. 7.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>37</sup> Carta dej&oacute;se Ant&ocirc;nio Lisboa e estrutura do curso, caixa 452, pe 1, fundo 7x, Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;ao, ANRJ.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>38</sup> Requerimento de um lente &#150;c&oacute;dice 811 fundo 7x (91 &#150;93 v), Junta de Com&eacute;rcio, Agricultura, F&aacute;bricas e Navega&ccedil;&atilde;o, ANRJ.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>39</sup> Julia, "&Eacute;ducation", 1995.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>INFORMA&Ccedil;&Otilde;ES SOBRE A AUTORA</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>CL&Aacute;UDIA MARIA DAS GRA&Ccedil;AS CHAVES. </b>Desenvolve pesquisas nas seguintes &aacute;reas: Minas Gerais, Imp&eacute;rio Luso&#150;brasileiro, com&eacute;rcio colonial e economia e pol&iacute;tica na Am&eacute;rica portuguesa. Autora do livro <i>Perfeitos negociantes: mercadores das Minas setecentistas </i>(Annablume, 1999); organizadora dos livros: <i>Territ&oacute;rio, conflito e identidade </i>(Argvmentvm, 2007), e <i>Casa de verean&ccedil;a de Mariana: 300 anos de hist&oacute;ria da C&acirc;mara Municipal </i>(Editora UFOP, 2008). Tamb&eacute;m &eacute; autora de v&aacute;rios artigos especializados na &aacute;rea.</font></p>     ]]></body>
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