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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A materialização do Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), Colombo-PR: verticalidades, horizontalidades e intencionalidades]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este artículo aporta algunas consideraciones teóricas de Milton Santos que han servido a esta investigación, y también la búsqueda por explicar empíricamente los conceptos de verticalidades, horizontalidades e intencionalidades debatidos por el autor. Teniendo como tema de investigación una ruta turística llamada Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), con sede en la ciudad de Colombo-PR y la inclusión de los agricultores familiares en el mismo, se habla acerca de las verticalidades, horizontalidades e intencionalidades en la génesis y la implementación del CITUR. Con base en la manifestación empírica de estos tres conceptos, se procura conocer e interpretar las acciones y las personas interesadas en el lugar y sus habitantes, a través de las horizontalidades; las acciones de interés para los actores hegemónicos y las personas que difunden éstos a través de las verticalidades; y los objetivos (intencionalidades) que están implícitos en estas acciones y que a menudo no se producen en la simple retórica de los sujetos sociales. Con el fin de presentar algunos resultados de la investigación, se han identificado los actores y las acciones que condicionaron la materialización del Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR). Por tanto, se explican aquí las principales verticalidades y horizontalidades presentes en la génesis e implantación del CITUR, así como las intenciones de los actores e instituciones involucrados.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Geograf&iacute;a humana</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>A materializa&ccedil;&atilde;o do Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), Colombo&#151;PR: verticalidades, horizontalidades e intencionalidades</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>La materializaci&oacute;n del Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), Colombo&#150;PR: verticalidades, horizontalidades e intencionalidades</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Luciano Zanetti Pess&ocirc;a Candiotto*</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>* Rua Londrina, 355, Bairro Vila Nova, Francisco Beltr&atilde;o &#150; Paran&aacute;, Brasil, CEP 85605&#150;030. E&#150;mail: <a href="mailto:%20lucianocandiotto@%20yahoo.com.br">lucianocandiotto@yahoo.com.br</a>.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Recibido: 26 de agosto de 2008.    <br> Aceptado en versi&oacute;n final: 30 de septiembre de 2008.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esse artigo traz algumas considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de Milton Santos que fundamentaram nossa pesquisa de doutoramento em Geograf&iacute;a, bem como a tentativa de empiriciza&ccedil;&atilde;o dos conceitos de verticalidades, horizontalidades e intencionalidades, debatidos pelo autor. Tendo como objeto de pesquisa um roteiro de turismo rural, denominado Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), situado no munic&iacute;pio de Colombo&#150;PR e a inser&ccedil;&atilde;o de agricultores familiares no mesmo, procuramos discorrer sobre as verticalidades, horizontalidades e intencionalidades presentes na g&ecirc;nese e na implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR. A partir da manifesta&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica destes tr&ecirc;s conceitos, pudemos apreender as a&ccedil;&otilde;es e os sujeitos preocupados com o lugar e com seus habitantes, atrav&eacute;s das horizontalidades; as a&ccedil;&otilde;es que interessam aos atores hegem&ocirc;nicos e os sujeitos que disseminam estas, atrav&eacute;s das verticalidades; bem como objetivos (intencionalidades) que est&atilde;o impl&iacute;citos nessas a&ccedil;&otilde;es e que muitas vezes n&atilde;o se manifestam na simples ret&oacute;rica dos sujeitos sociais. Com o intuito de apresentar alguns resultados da pesquisa, procuramos identificar os atores e as a&ccedil;&otilde;es que condicionaram a materializa&ccedil;&atilde;o do Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR). Por conseguinte, explanamos aqui, o que consideramos serem as principais verticalidades e horizontalidades presentes na g&ecirc;nese e na implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR, e, de forma mais t&iacute;mida, as intencionalidades dos atores/institui&ccedil;&otilde;es envolvidos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#150;chave: </b>Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), verticalidades, horizontalidades, intencionalidades, Milton Santos, Colombo&#150;PR.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumen</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este art&iacute;culo aporta algunas consideraciones te&oacute;ricas de Milton Santos que han servido a esta investigaci&oacute;n, y tambi&eacute;n la b&uacute;squeda por explicar emp&iacute;ricamente los conceptos de verticalidades, horizontalidades e intencionalidades debatidos por el autor. Teniendo como tema de investigaci&oacute;n una ruta tur&iacute;stica llamada Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), con sede en la ciudad de Colombo&#150;PR y la inclusi&oacute;n de los agricultores familiares en el mismo, se habla acerca de las verticalidades, horizontalidades e intencionalidades en la g&eacute;nesis y la implementaci&oacute;n del CITUR. Con base en la manifestaci&oacute;n emp&iacute;rica de estos tres conceptos, se procura conocer e interpretar las acciones y las personas interesadas en el lugar y sus habitantes, a trav&eacute;s de las horizontalidades; las acciones de inter&eacute;s para los actores hegem&oacute;nicos y las personas que difunden &eacute;stos a trav&eacute;s de las verticalidades; y los objetivos (intencionalidades) que est&aacute;n impl&iacute;citos en estas acciones y que a menudo no se producen en la simple ret&oacute;rica de los sujetos sociales. Con el fin de presentar algunos resultados de la investigaci&oacute;n, se han identificado los actores y las acciones que condicionaron la materializaci&oacute;n del Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR). Por tanto, se explican aqu&iacute; las principales verticalidades y horizontalidades presentes en la g&eacute;nesis e implantaci&oacute;n del CITUR, as&iacute; como las intenciones de los actores e instituciones involucrados.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palabras clave: </b>Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), verticalidades, horizontalidades, intencionalidades, Milton Santos, Colombo&#150;PR.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esse artigo traz algumas considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de Milton Santos, que fundamentaram nossa pesquisa de doutoramento em Geograf&iacute;a, bem como a tentativa de aplicar os conceitos de verticalidades, horizontalidades e intencionalidades em uma realidade emp&iacute;rica estudada. Tendo como objeto de pesquisa o Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), situado no munic&iacute;pio de Colombo&#150;PR e a inser&ccedil;&atilde;o de agricultores familiares no mesmo, procuramos discorrer sobre as verticalidades, horizontalidades e intencionalidades presentes na g&ecirc;nese e na implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR. Finalizada em 2007, a pesquisa sobre o CITUR nos deu elementos para discorrer sobre o processo de inser&ccedil;&atilde;o e/ou refuncionaliza&ccedil;&atilde;o de objetos e a&ccedil;&otilde;es no munic&iacute;pio de Colombo, estado do Paran&aacute;, Brasil.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Buscando realizar uma abordagem comprometida em entender a partir do lugar, suas conex&otilde;es com outras escalas geogr&aacute;ficas (regional, nacional, global, etc.), urge verificar qual a influencia de outras escalas espaciais na materializa&ccedil;&atilde;o do turismo rural em Colombo. Para o recorte da pesquisa, utilizamos a proposta te&oacute;rico&#150;metodol&oacute;gica de Milton Santos (1996), onde consideramos o Circuito Italiano de Turismo Rural como <i>evento materializado </i>no lugar. Ademais, Santos atribui igual import&acirc;ncia para a escala de <i>manifesta&ccedil;&atilde;o do evento </i>(global), que nessa pesquisa, se constitui na dissemina&ccedil;&atilde;o global da id&eacute;ia de que o turismo rural &eacute; uma modalidade sustent&aacute;vel de turismo, sendo, portanto, uma atividade que pode contribuir para o desenvolvimento sustent&aacute;vel.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com o intuito de apresentar alguns resultados da pesquisa, procuramos identificar os sujeitos e as a&ccedil;&otilde;es que condicionaram a g&ecirc;nese e a implanta&ccedil;&atilde;o do Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR). Por conseguinte, apresentamos aqui, o que consideramos serem as principais verticalidades (respons&aacute;veis pela origem do evento) e horizontalidades (correspondentes &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do evento no lugar), presentes na g&ecirc;nese e na implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR, e, de forma mais t&iacute;mida, as intencionalidades dos atores/institui&ccedil;&otilde;es envolvidos. Por conseguinte, faz&#150;se necess&aacute;rio mostrar o que Milton Santos entende por verticalidades, horizontalidades e intencionalidades, para posteriormente, aplicar tais conceitos na realidade emp&iacute;rica estudada.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>VERTICALIDADES E HORIZONTALIDADES</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Milton Santos, a racionalidade hegem&ocirc;nica global<sup><a href="#notas">1</a></sup> se apresenta como uma ideologia comandada pelos atores hegem&ocirc;nicos do capitalismo, sobretudo as macroempresas. Essa racionalidade &eacute; transmitida para a sociedade atrav&eacute;s das verticalidades, que se espacializam no territ&oacute;rio como um conjunto de pontos formando um espa&ccedil;o de fluxos, e que est&aacute;o profundamente adequados &agrave;s tarefas produtivas hegem&ocirc;nicas. Nas verticalidades predomina o tempo r&aacute;pido/universal, e os interes&#150;ses corporativos sobressaem&#150;se sobre os interesses p&uacute;blicos.<sup><a href="#notas">2</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O sistema de produ&ccedil;&atilde;o que se serve das verticalidades &eacute; constitu&iacute;do por redes, estas a servi&ccedil;o daqueles atores que, de fora da &aacute;rea, determinam as modalidades internas de a&ccedil;&atilde;o nos lugares, organizando o trabalho de todos os outros atores. "As decis&otilde;es essenciais, concernentes aos processos locais s&atilde;o estranhas ao lugar e obedecem a motiva&ccedil;&otilde;es distantes", tendo como conseq&uuml;&ecirc;ncia a aliena&ccedil;&atilde;o das pessoas presentes nos lugares (Santos, 2000:107).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Sob essa perspectiva, a dial&eacute;tica no/do territ&oacute;rio se afirma mediante um controle local da parcela t&eacute;cnica da produ&ccedil;&atilde;o e um controle remoto (global) da parcela pol&iacute;tica da produ&ccedil;&aacute;o. Assim, h&aacute; um confuto que se agrava entre um espa&ccedil;o local e um espa&ccedil;o global, este &uacute;ltimo com um conte&uacute;do ideol&oacute;gico de origem distante, que chega em todos os lugares (Santos, 2002).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entendendo que as redes est&atilde;o a servi&ccedil;o dos atores hegem&ocirc;nicos do capital, sendo territ&oacute;rios das formas e normas a servi&ccedil;os de alguns, Milton Santos (2002) usa o conceito de espa&ccedil;o banal para contrapor ao conceito de redes, entendendo&#150;o como o territ&oacute;rio de todos. "As redes constituem uma parte do espa&ccedil;o e o espa&ccedil;o de alguns. J&aacute; o espa&ccedil;o banal<sup><a href="#notas">3</a></sup> &eacute; o espa&ccedil;o de todos, todo o espa&ccedil;o" (p. 16). Na vis&atilde;o de Santos (1996), as redes est&atilde;o profundamente ligadas ao poder, e "s&atilde;o os mais eficazes transmissores do processo de globaliza&ccedil;&aacute;o a que assistimos" (p. 212), pois "s&atilde;o globais, e transportam o universal ao local" (p. 268).<sup><a href="#notas">4</a> </sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Segundo Saquet, uma rede &eacute;</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#91;...&#93; resultado n&atilde;o apenas da rela&ccedil;&atilde;o capital&#150;trabalho e da circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias, mas &eacute; fruto de rela&ccedil;&otilde;es sociais, objetiva e subjetivamente, na territorialidade cotidiana. &#91;...&#93; A forma&ccedil;&atilde;o de redes de circula&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o contribui para o controle <i>do </i>e <i>no </i>espa&ccedil;o; elas agem como elementos mediadores da re&#150;produ&ccedil;&atilde;o do poder da classe hegem&ocirc;nica e interligam o local, o singular, ao global, ao universal, interferindo diretamente na territorialidade cotidiana dos indiv&iacute;duos e grupos sociais (Saquet, 2003:26).</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por serem produzidas em rede, as verticalidades nao dependem de um territorio f&iacute;sico espec&iacute;fico para serem criadas. Contudo, as verticalidades<sup><a href="#notas">5</a> </sup>somente se manifestam concretamente no espa&ccedil;o geogr&aacute;fico atrav&eacute;s de sua irradia&ccedil;&aacute;o nos lugares. E no cotidiano dos lugares, no espa&ccedil;o banal, que as verticalidades s&atilde;o incorporadas e at&eacute; contrapostas pela sociedade local. Assim, para Santos (2000:113), a "possibilidade de cidadania plena das pessoas depende de solu&ccedil;&otilde;es a serem buscadas localmente."</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Como contraponto &agrave;s verticalidades, Milton Santos utiliza o conceito de horizontalidades, referindo&#150;se &agrave; contig&uuml;idade dos lugares, ao espa&ccedil;o banal. Enquanto as verticalidades se caracterizam pela a&ccedil;&atilde;o dos atores hegem&ocirc;nicos em redes, e por um tempo &uacute;nico (r&aacute;pido), nas horizontalidades todos os agentes s&atilde;o implicados, e os respectivos tempos, mais r&aacute;pidos ou mais vagarosos, s&atilde;o imbricados.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nesse sentido, as horizontalidades correspondem ao cont&iacute;nuo, enquanto as verticalidades s&atilde;o eventos separados no espa&ccedil;o, que asseguram, por meio de normas r&iacute;gidas, o funcionamento global da sociedade e da economia. As verticalidades "aparecem como vetores da modernidade mais moderna, transportadores de uma racionalidade superior, ve&iacute;culos do discurso pragm&aacute;tico dos setores hegem&ocirc;nicos" (1996:105). Elas s&atilde;o controladas pelas macroempresas, juntamente com o apoio/subordina&ccedil;&atilde;o dos Estados. Essas verticalidades formam um espa&ccedil;o de fluxos, que ordenam o espa&ccedil;o total (Santos, 2002).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao contr&aacute;rio das verticalidades, as horizontalidades carregam diversas temporalidades, e o meio geogr&aacute;fico tem um papel central. "As horizontalidades ser&atilde;o os dom&iacute;nios da contig&uuml;idade, daqueles lugares vizinhos reunidos por uma continuidade territorial, enquanto as verticalidades seriam formadas por pontos distantes uns dos outros, ligados por todas as formas e processos sociais" (Santos, 2002:16). Ocorre, contudo, que as verticalidades penetram nas horizontalidades, de modo que ambas s&atilde;o confrontadas no lugar.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Al&eacute;m das racionalidades t&iacute;picas das verticalidades que as atravessam, as horizontalidades admitem a presen&ccedil;a de outras racionalidades, denominadas contra&#150;racionalidades. Santos (2000) acredita que as contra&#150;racionalidades permitem a expans&atilde;o da consci&ecirc;ncia.</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">As contra&#150;racionalidades s&atilde;o formas de conviv&ecirc;ncia e de regula&ccedil;&atilde;o criadas a partir do pr&oacute;prio territ&oacute;rio e que se mant&ecirc;m nesse territ&oacute;rio a despeito da vontade de unifica&ccedil;&aacute;o e homogeneiza&ccedil;&atilde;o, caracter&iacute;stica da racionalidade hegem&ocirc;nica t&iacute;pica das verticalidades (p. 110).</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Desta forma, as horizontalidades "&#91;...&#93; podem ser o lugar da flnalidade imposta de fora, de longe ou de cima" e/ou o da contraflnalidade, onde haveria um forte protagonismo da sociedade local (Santos, 1996:105). Nas horizontalidades &eacute; poss&iacute;vel, portanto, confrontar os valores globais hegem&ocirc;nicos (verticalidades) com aspectos de aceita&ccedil;&atilde;o e/ou resist&ecirc;ncia locais.</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com a presente democracia de Mercado, o territ&oacute;rio &eacute; suporte de redes que transportam as verticalidades, isto &eacute;, regras e normas ego&iacute;sticas e utilit&aacute;rias (do ponto de vista dos atores hegem&ocirc;nicos), en&#150;quanto as horizontalidades levam em conta a totalidade dos atores e das a&ccedil;&otilde;es (Santos, 1996:207).</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A uni&atilde;o vertical traz desordem &agrave;s regi&otilde;es, pois busca seu pr&oacute;prio benef&iacute;cio. J&aacute; a <i>coes&atilde;o horizontal que se d&aacute; ao servi&ccedil;o do mercado </i>tende a corroer a <i>coes&atilde;o horizontal que est&aacute; a servi&ccedil;o da sociedade. </i>A efic&aacute;cia dessa uni&atilde;o vertical s&oacute; sobrevive, por&eacute;m, com normas r&iacute;gidas, adotadas por governos nacionais e seguidas atrav&eacute;s do sacrif&iacute;cio da na&ccedil;&atilde;o, como no caso do Brasil (Santos, 2002). Vale ressaltar a id&eacute;ia de dois tipos de coes&aacute;o horizontal confutantes, sendo urna a servi&ccedil;o do mercado, e outra a servi&ccedil;o da sociedade. Quanto menos atuante e coesa for determinada sociedade, mais f&aacute;cil ser&aacute; para o mercado predominar sobre estas horizontalidades e suprimi&#150;las.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No uso do territ&oacute;rio, as verticalidades s&atilde;o mais fortes do que as horizontalidades. A for&ccedil;a das verticalidades se d&aacute; em fun&ccedil;&atilde;o das normas determinadas por firmas transnacionais e aceitas pelos governos nacionais, e das redes de circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es, mercadorias e pessoas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar de concordarmos que as redes est&atilde;o a servi&ccedil;o de uma racionalidade controlada pelos atores hegem&ocirc;nicos do capital, &eacute; preciso ressaltar a exist&ecirc;ncia de redes contra&#150;racionais, criadas com o objetivo de resistir &agrave;s determina&ccedil;&otilde;es da racionalidade hegem&ocirc;nica e fortalecer a participa&ccedil;&atilde;o social no processo de tomada de decis&otilde;es.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mesmo com o controle do meio t&eacute;cnico&#150;cient&iacute;fico&#150;informacional pelas firmas transnacionais, pelo mercado e, mais timidamente, pelos Estados, os frutos das inova&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas (internet, sat&eacute;lites, etc.) acabam beneficiando a comunica&ccedil;&atilde;o entre grupos de resist&ecirc;ncia e questionamento &agrave; ordem global instaurada.<sup><a href="#notas">6</a></sup> Todavia, as verticalidades e as redes, respons&aacute;veis pela dissemina&ccedil;&atilde;o da ordem global, s&atilde;o profundamente dependentes dos avan&ccedil;os da t&eacute;cnica. Por sua vez, a t&eacute;cnica &eacute;, para Santos (1996), o principal fen&ocirc;meno de produ&ccedil;&atilde;o/ transforma&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A difus&atilde;o global das t&eacute;cnicas e sua incorpora&ccedil;&atilde;o nos lugares dependem intimamente do que os atores (globais, loc&aacute;is ou com influencia em outras escalas geogr&aacute;ficas) pretendem com a propaga&ccedil;&aacute;o de determinada a&ccedil;&atilde;o. Esses objetivos, que muitas vezes n&atilde;o s&atilde;o manifestados na ret&oacute;rica, mas que se constituem &ntilde;as finalidades das diversas a&ccedil;&otilde;es que acabem afetando os lugares, s&atilde;o chamados por Santos de intencionalidades, como veremos a seguir.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>IINTENCIONALIDADES</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Santos (1996), a no&ccedil;&atilde;o de <i>intencionalidade </i>permite avan&ccedil;ar nas rela&ccedil;&otilde;es entre objeto e a&ccedil;&atilde;o, haja vista que "&agrave; intencionalidade da a&ccedil;&atilde;o se conjuga &agrave; intencionalidade dos objetos e ambas s&atilde;o, hoje, dependentes da respectiva carga de ci&ecirc;ncia e t&eacute;cnica presente no territ&oacute;rio" (p. 76). Apreender as intencionalidades &eacute; fundamental para entender como se d&aacute; a produ&ccedil;&atilde;o dos lugares. Santos adverte, todavia, para o fato de que a&ccedil;&otilde;es intencionadas podem conduzir a resultados n&atilde;o intencionados. "Uma raz&atilde;o pela qual n&atilde;o se pode prever completamente o resultado da a&ccedil;&atilde;o vem do fato de que a a&ccedil;&atilde;o sempre se d&aacute; sobre o meio, que tem o poder de deformar o impacto da a&ccedil;&atilde;o." (p. 76). Este meio seria o lugar, isso &eacute;, o <i>locus </i>da materializa&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es intencionais atrav&eacute;s dos objetos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O conceito de intencionalidade traduz a busca ou a proje&ccedil;&atilde;o de um futuro, pensado por qualquer ator ou grupo social. Santos e Silveira (2001) afir&#150;mam que o presente n&atilde;o &eacute; s&oacute; o resultado do passado, mas tamb&eacute;m da intencionalidade (que projeta o futuro). Existem, contudo, intencionalidades que predominam sobre outras, e que geralmente, n&atilde;o s&atilde;o explicitadas nas ret&oacute;ricas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O poder diferenciado dos sujeitos influencia na aceita&ccedil;&atilde;o e na materializa&ccedil;&atilde;o das intencionalidades, pois &eacute; comum que as intencionalidades da maioria da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o consigam predominar sobre as intencionalidades dos atores dominantes. A pr&oacute;pria racionalidade hegem&ocirc;nica vigente no meio t&eacute;cnico&#150;cient&iacute;flco&#150;informacional serve para a efetiva&ccedil;&aacute;o e o &ecirc;xito de intencionalidades dos macroatores do capitalismo global.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Santos (1996:73):</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">ano&ccedil;&aacute;o de intencionalidade &eacute; eficaz na contempla&ccedil;&atilde;o do processo de produ&ccedil;&atilde;o e de produ&ccedil;&atilde;o de coisas, considerados como um resultado da rela&ccedil;&atilde;o entre o homem e o mundo, entre o homem e o seu entorno.</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As intencionalidades s&atilde;o muito mais amplas e complexas que os objetivos presentes na ret&oacute;rica, nos discursos dos sujeitos, e, revel&aacute;&#150;las, &eacute; algo dif&iacute;cil e desafiador para o ge&oacute;grafo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos (1997) ainda entende que a intencionalidade pode ser mercantil e/ou simb&oacute;lica, isto &eacute;, os objetivos de determinada a&ccedil;&atilde;o &#151;que pode levar a re&#150;formula&ccedil;&otilde;es na composi&ccedil;&atilde;o e disposi&ccedil;&atilde;o dos objetos&#151; podem estar vinculados &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de lucro ou &agrave; cristaliza&ccedil;&atilde;o de concep&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas. Sabemos, no entanto, que ambas as intencionalidades est&atilde;o vinculadas &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o ou &agrave; conquista de poder.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ap&oacute;s apresentarmos os tr&ecirc;s conceitos pilares deste artigo, partimos para uma caracteriza&ccedil;&atilde;o do Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), para ent&atilde;o, relacionar os conceitos de verticalidades, horizontalidades e intencionalidades ao desenvolvimento do CITUR.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>G&Ecirc;NESE DO CIRCUITO ITALIANO DE TURIMSO RURAL</b></font><font face="verdana" size="2"><b> (CITUR)</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O munic&iacute;pio de Colombo, que abriga os atrativos do Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR), localiza&#150;se na Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba (RMC), a mais din&acirc;mica do Estado do Paran&aacute;. A concentra&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, ind&uacute;strias, infraestrutura, com&eacute;rcio, servi&ccedil;os, e o grande n&uacute;mero de habitantes (1.797.408), fazem de Curitiba a cidade mais estruturada e com maior poder de consumo. Em contrapartida, os munic&iacute;pios adjacentes &agrave; Curitiba, s&atilde;o pequenos, com pouca densidade t&eacute;cnica, e, dependentes da circula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica proveniente da capital.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em raz&atilde;o da import&acirc;ncia da conserva&ccedil;&atilde;o ambiental dos mananciais de abastecimento de &aacute;gua e das &aacute;reas geologicamente fr&aacute;geis (que se apresentam como fatores limitantes das atividades econ&ocirc;micas a serem implantadas na Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba), bem como devido &agrave; necessidade de gera&ccedil;&atilde;o de alternativas de emprego e renda nos munic&iacute;pios da RMC, o turismo vem sendo considerado uma atividade promissora para Colombo e para outros munic&iacute;pios. Ademais, devido &agrave; alta circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, de capital, de mercadorias e de meios de transporte e comunica&ccedil;&atilde;o em Curitiba, existe uma grande demanda populacional em potencial para atividades de lazer e turismo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Considerando a iniciativa de cria&ccedil;&atilde;o e de implanta&ccedil;&atilde;o de um "Anel de Turismo da Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba"<sup><a href="#notas">7</a></sup> pela EMATER (Empresa Paranaense de Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural) regional Curitiba; COMEC (Coordena&ccedil;&atilde;o da Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba); ECOPARAN&Aacute; e Paran&aacute; Turismo (institui&ccedil;&otilde;es de turismo do governo estadual), o <i>Circuito Italiano de Turismo Rural </i>surge como a experi&ecirc;ncia pioneira do referido anel, contando com apoio da Prefeitura Municipal de Colombo. Como mostra Nitsche (2000), o CITUR foi o primeiro roteiro de turismo da RMC lan&ccedil;ado ao p&uacute;blico. A EMATER Paran&aacute;, atrav&eacute;s do escrit&oacute;rio regional de Curitiba, foi a principal respons&aacute;vel pelo projeto piloto de turismo rural no Paran&aacute;. Por sua vez, o interesse da prefeitura de Colombo tamb&eacute;m foi fundamental para que esse projeto fosse implantado no munic&iacute;pio.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tendo como exemplo uma experi&ecirc;ncia da EMATER do estado do Esp&iacute;rito Santo com turismo rural, a EMATER do estado do Paran&aacute; elaborou um projeto piloto para o desenvolvimento de turismo rural enfocando um roteiro &eacute;tnico no munic&iacute;pio de Almirante Tamandar&eacute; (localizado tamb&eacute;m na RMC), por&eacute;m este n&atilde;o foi executado na &eacute;poca. Logo depois, os trabalhos sobre turismo se voltaram para Colombo devido ao interesse da Prefeitura Municipal em elaborar tamb&eacute;m um roteiro tur&iacute;stico tem&aacute;tico, surgindo a proposta do "Circuito Italiano de Turismo Rural" (Nitsche, 2000).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nesse contexto, o Circuito Italiano de Turismo Rural (CITUR) foi concebido em 1998, e oficialmente inaugurado em 5 de fevereiro de 1999, por meio de uma a&ccedil;&atilde;o conjunta entre a Prefeitura Municipal de Colombo, EMATER (Empresa Paranaense de Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural); COMEC (Coordena&ccedil;&atilde;o da Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba); ECOPARAN&Aacute; (autarquia de apoio ao turismo no Paran&aacute;) e Paran&aacute; Turismo. Nitsche (2000) afirma que o projeto do CITUR foi elaborado pela EMATER/PR e Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Agricultura de Colombo (SEMAA) de Colombo, que contaram com o apoio da COMEC. J&aacute; as a&ccedil;&otilde;es da ECOPARAN&Aacute; e Paran&aacute; Turismo foram mais pontuais e operacionais, sendo concentradas na etapa de divulga&ccedil;&atilde;o do CITUR.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Percebemos, no entanto, que as institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pelo CITUR nao fizeram mais do que organizar um produto tur&iacute;stico a partir de uma oferta j&aacute; existente, pois quase todos os empreendimentos j&aacute; existiam, ou j&aacute; ofereciam e comercializavam produtos (refei&ccedil;&otilde;es, vinhos, frutas, doces, entre outros), antes da cria&ccedil;&atilde;o do CITUR. Esse fato demonstra que a maior parte dos empreendimentos que comp&otilde;em a oferta tur&iacute;stica do circuito j&aacute; fazia parte do cotidiano dos empreendedores e de parte da popula&ccedil;&atilde;o local, apresentando&#150;se como horizontalidades no espa&ccedil;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Sabendo da exist&ecirc;ncia de uma oferta end&oacute;gena de lazer e turismo, que, apesar de fragmentada, apresentava potencial, e das limita&ccedil;&otilde;es de Colombo para receber atividades econ&ocirc;micas de alto impacto ambiental, como ind&uacute;strias poluentes, a Prefeitura Municipal de Colombo, atrav&eacute;s do Departamento de Turismo, vinculado &agrave; Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente (SEMAA), passa a acreditar no desenvolvimento do turismo, e assume o comando da gest&atilde;o do CITUR a partir de sua cria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em entrevista realizada em 2004 com A. M. M.,<sup><a href="#notas">8</a></sup> uma das respons&aacute;veis pela gest&atilde;o do CITUR at&eacute; 2005, fomos informados que, para implantar o Circuito, a prefeitura e a EMATER fizeram um levantamento pr&eacute;vio das potencialidades tur&iacute;sticas das propriedades (rurais e urbanas), das propriedades que j&aacute; ofertavam produtos e atrativos que poderiam ser direcionados para o turismo, e, chamaram aqueles com maior potencial para participar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Desta forma, entendemos que a id&eacute;ia n&atilde;o foi end&oacute;gena nem democr&aacute;tica, pois, como j&aacute; colocado, partiu de cima para baixo (&oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos), e pr&eacute;&#150;selecionou aqueles com condi&ccedil;&otilde;es de desenvolver o turismo na propriedade. Essa pr&eacute;&#150;sele&ccedil;&atilde;o demonstra a intencionalidade da prefeitura e da EMATER em concentrar as decis&otilde;es referentes ao desenvolvimento do CITUR e em escolher as propriedades e os propriet&aacute;rios que, segundo alguns t&eacute;cnicos, estariam mais aptos para receber visitantes. Como entendemos ser fundamental uma ampla participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o local no planejamento e na gest&atilde;o do turismo, levantamos as seguintes quest&otilde;es: &#151;Por que n&atilde;o foi realizado um estudo pr&eacute;vio sobre a opini&atilde;o das pessoas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; proposta do Circuito de Turismo?&#151; Por que n&atilde;o foi feito um trabalho de base nas comunidades rurais de Colombo, envolvendo a maior parte dos agricultores na identifica&ccedil;&aacute;o do potencial tur&iacute;stico e da oferta existente?</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As propriedades e os empreendimentos selecionados como de maior potencial foram basicamente aqueles que j&aacute; ofereciam algum produto que poderia ser aproveitado como atrativo ou equipamento tur&iacute;stico. No que tange &agrave;s propriedades rurais, foram selecionadas aquelas que j&aacute; possu&iacute;am vin&iacute;colas, &aacute;reas de lazer, produtos org&acirc;nicos e produtos processados. Na verdade, tais propriedades j&aacute; recebiam visitantes que iam comprar os produtos e usufruir o local.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outra a&ccedil;&atilde;o importante da prefeitura e de outros idealizadores do CITUR foi a utiliza&ccedil;&atilde;o de um apelo &eacute;tnico/cultural para diferenciar o Circuito dentro dos v&aacute;rios circuitos tur&iacute;sticos planejados no Anel de Turismo da RMC. Isso se deu em virtude de Colombo ser colonizado por imigrantes italianos, e ainda guardar alguns tra&ccedil;os da cultura italiana (arquitetura de algumas constru&ccedil;&otilde;es, festas, dan&ccedil;as, jogos, produ&ccedil;&atilde;o de vinhos) na paisagem e nas territorialidades de seus habitantes mais antigos. Assim, o logotipo do CITUR e todo o seu <i>marketing </i>foram baseados em aspectos culturais da It&aacute;lia.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Caracteriza&ccedil;&atilde;o do CITUR</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Nitsche (2000:12):</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">o <i>Circuito Italiano de Turismo Rural </i>&eacute; um roteiro de car&aacute;ter institucional, com pontos tur&iacute;sticos distribu&iacute;dos em um itiner&aacute;rio, cujo percurso &eacute; de escolha do usu&aacute;rio, pois se constitui em um roteiro do <i>tipo fa&ccedil;a voc&ecirc; mesmo.</i></font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os empreendimentos do CITUR est&atilde;o espaciali&#150;zados em diversos bairros do munic&iacute;pio de Colombo, seja no n&uacute;cleo urbano (sede), nas margens da Rodovia da Uva, nos bairros de Guaraituba e Col&ocirc;nia Faria (ao sul), seja nas &aacute;reas ruralizadas, como Bacaetava, Capivari, Roseira e Santa Gema.<sup><a href="#notas">9</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O <a href="/img/revistas/igeo/n69/a8f1.JPG" target="_blank">Figura 1</a> ilustra os empreendimentos do CITUR em Colombo. Ele representa o mapa tem&aacute;tico do CITUR, distribu&iacute;do como um guia para os visitantes. Inserimos com um c&iacute;rculo preto os empreendimentos de propriedade de agricultores familiares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cerca de dois ter&ccedil;os do trajeto &eacute; asfaltado. O restante s&atilde;o estradas de saibro regulares, com condi&ccedil;&otilde;es de tr&aacute;fego. O CITUR &eacute; composto por dois trajetos interligados:</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#150;&nbsp;O trajeto principal, na parte oeste do munic&iacute;pio, tem in&iacute;cio na Rodovia da Uva, atravessa a sede do munic&iacute;pio e engloba os bairros/comunidades de Ro&ccedil;a Grande, Embu, Sapopema, Campestre, S&atilde;o Jo&atilde;o, Fervida, Po&ccedil;o Negro, Ribeir&atilde;o das On&ccedil;as, Capivari e Bacaetava. Na Rodovia da Uva, existem diversos empreendimentos, al&eacute;m do posto de informa&ccedil;&otilde;es do CITUR. Esse trajeto concentra os restaurantes e as vin&iacute;colas.</font></p>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#150;&nbsp;O segundo trajeto situa&#150;se a leste do munic&iacute;pio, tendo como eixo principal a Estrada da Ribeira, e circunda os bairros/comunidades de Guaraituba, S&atilde;o Gabriel, Col&ocirc;nia Faria, Itajacuru, Santa Gema e Roseira.</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No que diz respeito aos atrativos de turismo rural, Lannes (2003) cita a viticultura e a produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, as vin&iacute;colas, o artesanato, a hospedagem, o lazer e a alimenta&ccedil;&atilde;o. Silveira (2001) afirma que o Circuito de Colombo tem um percurso de 32 km, com igrejas, cantinas de vinho artesanal, propriedades que cultivam org&acirc;nicos, produ&ccedil;&atilde;o de flores, pesque&#150;pague, grutas e cavernas, rios, &aacute;reas de floresta, etc.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre os atrativos do CITUR, destaca&#150;se a Gruta de Bacaetava, situada a 13 km do centro, sentido norte, no bairro de Bacaetava. A gruta apresenta dois sal&otilde;es, sendo um com 205 metros de extens&atilde;o, cortado por um c&oacute;rrego e aberto &agrave; visita&ccedil;&atilde;o, e outro superior, fechado &agrave; visita&ccedil;&atilde;o. Visando preservar a gruta, a prefeitura, com apoio do governo do Estado, criou, no ano de 2000, o Parque Municipal da Gruta da Bacaetava. O parque &eacute; administrado pela Secretaria de Turismo da prefeitura, e possui funcion&aacute;rios que recebem e acompanham os visitantes.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Verticalidades, Horizontalidades e Intencionalidades na G&ecirc;nese e Desenvolvimento do CITUR</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Considerando os referenciais utilizados e a an&aacute;lise do CITUR &#150; composto por entrevistas com os respons&aacute;veis pela gest&atilde;o e com empreendedores do Circuito, avalia&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es do Conselho Municipal de Turismo por meio do livro ata, e trabalhos de campo &#150; percebemos que, nas a&ccedil;&otilde;es dos atores end&oacute;genos no lugar, h&aacute; uma tend&ecirc;ncia em predominar horizontalidades. Essas a&ccedil;&otilde;es horizontais (no lugar) podem, por&eacute;m, ser influenciadas por verticalidades, disseminadas pelos atores ex&oacute;genos ao lugar, ou mesmo por atores locais, que, ao incorporar valores verticais globais, passam a agir em prol da racionalidade hegem&ocirc;nica, acreditando que tais a&ccedil;&otilde;es conduzir&atilde;o ao crescimento econ&ocirc;mico e ao desenvolvimento.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Desta forma, apesar de atuarem concretamente no lugar, os atores ex&oacute;genos tendem a disseminar verticalidades, fortemente vinculadas &agrave; l&oacute;gica mercantil e &agrave;s intencionalidades do <i>trade </i>tur&iacute;stico. Estas ir&aacute;o influenciar &ntilde;as suas a&ccedil;&otilde;es individu&aacute;is e, conseq&uuml;entemente, nas horizontalidades. Assim, quanto maior a inser&ccedil;&atilde;o de atores ex&oacute;genos, maior tende a ser a influencia das verticalidades na produ&ccedil;&aacute;o do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; g&ecirc;nese do CITUR, entendemos que a oferta de lazer e turismo j&aacute; existente antes da institucionaliza&ccedil;&atilde;o do Circuito &eacute; decorrente de horizontalidades, pois s&atilde;o atividades concebidas e desenvolvidas no lugar, no espa&ccedil;o banal. As a&ccedil;&otilde;es horizontais dos empreendedores, sejam eles aut&oacute;ctones ou de "de fora", podem, contudo, tanto ter intencionalidades horizontais, como intencionalidades verticais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os empreendimentos de propriedade de agricultores familiares, como as vin&iacute;colas e a produ&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica, s&atilde;o horizontalidades que fazem parte do cotidiano destas fam&iacute;lias, pois todos j&aacute; desenvolviam tais atividades antes da exist&ecirc;ncia do CITUR. No caso das vin&iacute;colas, a produ&ccedil;&atilde;o de vinhos &eacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias de imigrantes italianos, sendo um aspecto de horizontalidade, que tamb&eacute;m representa uma ruralidade local e uma rugosidade.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os empreendimentos de agricultores familiares poderiam ter elementos de contra&#150;racionalidades, pois s&atilde;o formas artesanais e n&atilde;o&#150;convencionais de produ&ccedil;&atilde;o e consumo, que contribuem para uma relativa autonomia dos agricultores. Esses agricultores familiares n&atilde;o praticam, por&eacute;m, uma agricultura eminentemente de subsist&ecirc;ncia, e possuem diversas rela&ccedil;&otilde;es capitalistas, direcionadas &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de insumos, comercializa&ccedil;&atilde;o dos produtos agropecu&aacute;rios, consumo familiar, bem como &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da propriedade para recep&ccedil;&atilde;o e atendimento dos visitantes. Por sua vez, as rela&ccedil;&otilde;es capitalistas tamb&eacute;m disseminam verticalidades, por meio da racionalidade mercantil/econ&ocirc;mica dos atores hegem&ocirc;nicos, que pregam a competitividade, a individualidade e a rigidez.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do CITUR, surgem novos atores no territ&oacute;rio, que passam a estabelecer rela&ccedil;&otilde;es com os agricultores familiares e outros atores j&aacute; instalados. Al&eacute;m do predom&iacute;nio da l&oacute;gica mercantil, muitos destes novos sujeitos est&atilde;o vinculados ao <i>trade </i>tur&iacute;stico (empres&aacute;rios do setor, planejadores, consultores, operadoras, ag&ecirc;ncias, guias, turistas). A maior parte destes s&atilde;o disseminadores de verticalidades e agem a partir de diretrizes formuladas pelos agentes hegem&ocirc;nicos globais. Esses novos sujeitos e suas a&ccedil;&otilde;es &#151;pautadas na busca de crescimento econ&ocirc;mico ilimitado, profissionaliza&ccedil;&aacute;o e competitividade&#151; sao verticais, e podem alterar a percep&ccedil;&atilde;o e os pr&oacute;prios objetivos dos agricultores em rela&ccedil;&atilde;o ao seu empreendimento e seu modo de vida.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outros empreendimentos, como restaurantes, hot&eacute;is, pousadas, estabelecimentos comerciais tamb&eacute;m j&aacute; existiam antes da forma&ccedil;&atilde;o do CITUR, fazendo parte das horizontalidades do lugar. Todavia, al&eacute;m de serem gerenciados dentro da l&oacute;gica do mercado, alguns destes s&atilde;o de propriedade de atores ex&oacute;genos. Nesses empreendimentos h&aacute; grande influencia das verticalidades e, geralmente, predomina o que Santos (1996) chama de coes&atilde;o horizontal a servi&ccedil;o do mercado.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O invent&aacute;rio da oferta tur&iacute;stica do munic&iacute;pio de Colombo (2003) aponta que a id&eacute;ia de cria&ccedil;&atilde;o do <i>Circuito Italiano de Turismo Rural </i>iniciou&#150;se a partir</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#91;...&#93; da discuss&atilde;o de trabalhar uma proposta de desenvolvimento rural compat&iacute;vel com a regi&atilde;o, onde a preserva&ccedil;&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais fosse prioridade, pois o munic&iacute;pio est&aacute; em &aacute;rea de manan ciais, e ao mesmo tempo esta proposta fosse geradora de emprego e renda nas propriedades e comunidades agr&iacute;colas, aumentando a auto&#150;estima do agricultor e dos mun&iacute;cipes, garantindo qualidade de vida (Invent&aacute;rio da oferta tur&iacute;stica de Colombo, 2003:63).</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A ret&oacute;rica da prefeitura municipal indica que a proposta de desenvolvimento do turismo rural se constitui em uma a&ccedil;&atilde;o horizontal (horizonta&#150;lidade), pois tem como objetivos a conserva&ccedil;&atilde;o ambiental e a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda nas propriedades agr&iacute;colas envolvidas. Na vis&atilde;o do poder p&uacute;blico municipal, essa gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda levaria ao desenvolvimento rural e garantiria a qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o rural. Analisando a fragilidade ambiental do munic&iacute;pio de Colombo, unida &agrave; necessidade de novas alternativas de sobreviv&ecirc;ncia no campo para os agricultores, e ao pr&oacute;prio potencial tur&iacute;stico j&aacute; existente (propriedades rurais que comercializam produtos <i>in natura </i>e processados, constru&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, restaurantes e a gruta de Bacaetava), o turismo rural parece surgir como uma op&ccedil;&atilde;o interessante para Colombo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Conforme afirma o ent&aacute;o t&eacute;cnico da EMATER (Empresa Paranaense de Assist&ecirc;ncia T&eacute;cnica e Extens&atilde;o Rural) regional Curitiba, E. B. N., e a ent&atilde;o t&eacute;cnica da COMEC (Coordena&ccedil;&atilde;o da Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba), I. C. B., o CITUR tem por objetivo estabelecer uma pol&iacute;tica de desenvolvimento econ&ocirc;mico com a preserva&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os rurais, profissionalizando os peque&ntilde;os propriet&aacute;rios agr&iacute;colas e gerando empregos e renda para o munic&iacute;pio (Nascimento; Beltr&atilde;o, 2002).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entendendo que a realiza&ccedil;&atilde;o do evento CITUR se d&aacute; no lugar e se apresenta como horizontalidade, percebemos aqui mais urna influencia de verticalidades no espa&ccedil;o banal. A &ecirc;nfase desses dois atores externos no desenvolvimento econ&ocirc;mico municipal indica o objetivo de expans&atilde;o do capitalismo em Colombo. A id&eacute;ia de preserva&ccedil;&atilde;o do rural conduz a outra verticalidade, que diz respeito &agrave; idealiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural e &agrave; sua transforma&ccedil;&atilde;o em mercadoria atrav&eacute;s do seu uso tur&iacute;stico. A propagada revaloriza&ccedil;&atilde;o do rural tamb&eacute;m &eacute; fruto do interesse da sociedade por consumir elementos materiais e simb&oacute;licos do meio rural, onde a m&iacute;dia tem um papel de suma import&acirc;ncia na cria&ccedil;&atilde;o e no direcionamento dos desejos dos consumidores. Al&eacute;m disso, questionamos se o turismo nao modifica ao inv&eacute;s de preservar o espa&ccedil;o rural, pois traz consigo uma nova din&acirc;mica econ&ocirc;mica, e, portanto, novas rela&ccedil;&otilde;es socioespaciais/territoriais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A id&eacute;ia de profissionaliza&ccedil;&aacute;o dos peque&ntilde;os agricultores pode ser vista como outra verticalidade, pois o empreendedorismo e a competitividade s&atilde;o exig&ecirc;ncias propagadas pela racionalidade hegem&oacute;nica para qualquer profissional ou empresa. Aqui nos remetemos novamente aos conceitos de coes&atilde;o horizontal a servi&ccedil;o do mercado e coes&atilde;o horizontal a servi&ccedil;o da sociedade, apresentados por Santos (2000). A profissionaliza&ccedil;&atilde;o/capacita&ccedil;&atilde;o dos pequenos agricultores seria uma horizontalidade que poderia contribuir para maior autonomia deste e para melhoria de sua qualidade de vida, levando a uma coes&atilde;o horizontal a servi&ccedil;o da sociedade. A forma como os organismos empresariais (SEBRAE, Associa&ccedil;&otilde;es Comerciais, entre outras) trabalham a concep&ccedil;&atilde;o de profissionaliza&ccedil;&atilde;o se adequa, no entanto, muito mais aos interesses do capitalismo global do que aos interesses e anseios dos agricultores, sobretudo os familiares, pois objetiva o crescimento econ&ocirc;mico, e tende a levar o agricultor a depender das rela&ccedil;&otilde;es com o mercado, e n&atilde;o a fortalecer sua autonomia pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica. Assim, essa profissionaliza&ccedil;&atilde;o se apresenta como uma coes&atilde;o horizontal a servi&ccedil;o do mercado.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outro aspecto a enfatizar na cita&ccedil;&atilde;o de Nascimento e Beltr&atilde;o (2002) diz respeito ao p&uacute;blico&#150;alvo dessa pol&iacute;tica p&uacute;blica, que s&atilde;o os pequenos propriet&aacute;rios agr&iacute;colas. Nitsche (2000) tamb&eacute;m destaca o CITUR como algo ben&eacute;fico para as peque&ntilde;as propriedades, e a prefeitura de Colombo v&ecirc; os pequenos agricultores como os maiores beneficiarios do CITUR.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa &ecirc;nfase aos agricultores familiares/tradicionais como maiores beneficiarios do CITUR demonstra que a proposta do turismo nas propriedades poderia ser vista como uma contra&#150;racionalidade, e como uma horizontalidade a servi&ccedil;o da sociedade. Apesar de essa ret&oacute;rica (de benef&iacute;cios para a popula&ccedil;&atilde;o local) ser amplamente utilizada, as verticalidades t&ecirc;m forte influencia na forma de gest&atilde;o do CITUR, sobretudo nas intencionalidades do setor empresarial frente ao turismo. Como existem apenas 8 empreendimentos de agricultores familiares entre os 30 existentes, n&atilde;o s&atilde;o somente suas intencionalidades que ir&atilde;o prevalecer sobre outras intencionalidades.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com base em documento da Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Meio Ambiente e Turismo de Colombo, Lannes (2003:111) afirma que o CITUR tem por objetivo:</font></p>     <blockquote>       <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#91;...&#93; a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, e gera&ccedil;&atilde;o de empregos e renda no meio rural, iniciando assim um processo de desenvolvimento atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es de comercializa&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os na pequena propriedade, evitando o &ecirc;xodo rural, a agrega&ccedil;&atilde;o de renda ao agricultor, o resgate e preserva&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es culturais, arquitet&ocirc;nicas e gastron&ocirc;micas dos imigrantes italianos.</font></p> </blockquote>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O objetivo do documento da prefeitura &eacute; mais amplo que o apresentado por Nascimento e Beltr&atilde;o (2002), pois, al&eacute;m do desenvolvimento econ&ocirc;mico por meio da gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda e da comercializa&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os na propriedade, faz ressalva &agrave; quest&atilde;o ambiental e sociocultural, incorporando valores b&aacute;sicos do desenvolvimento sustent&aacute;vel institucionalizado pela ONU. A ado&ccedil;&atilde;o da ret&oacute;rica da sustentabilidade no lugar, mesmo apresentando&#150;se como horizontalidade, atende, contudo, aos interesses verticais, pois o desenvolvimento sustent&aacute;vel oficial, al&eacute;m de nao questionar o crescimento econ&ocirc;mico, incorpora&#150;o em sua ret&oacute;rica. Outro aspecto a destacar nesse objetivo diz respeito &agrave; &ecirc;nfase nas pequenas propriedades rurais, geralmente de agricultura familiar, como beneficiar&iacute;as do turismo. O discurso dos beneficios do turismo para a popula&ccedil;&atilde;o local tamb&eacute;m atinge as horizontalidades, por&eacute;m &eacute; preciso verificar empiricamente quais s&atilde;o esses benef&iacute;cios e quem sao os reais beneficiados. As informa&ccedil;&otilde;es coletadas sobre o CITUR e discutidas em Candiotto (2007) indicam que os maiores beneficiarios do CITUR n&atilde;o v&ecirc;m sendo os agricultores familiares.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Podemos afirmar que a id&eacute;ia de criar um Anel de Turismo na RMC impulsionou a implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR, mas foi a partir da constata&ccedil;&atilde;o de uma oferta j&aacute; existente no munic&iacute;pio de Colombo que o Anel de Turismo da RMC passa a se materializar no espa&ccedil;o atrav&eacute;s do CITUR. Assim, coube ao Estado (sobretudo &agrave; EMATER e &agrave; Prefeitura Municipal de Colombo) organizar um produto tur&iacute;stico &uacute;nico (CITUR) que aglutinasse e promovesse tais empreendimentos. N&atilde;o obstante, o Estado, por meio de seus &oacute;rg&atilde;os e empresas, se apresenta como o principal idealizador da proposta, direcionando recursos e pol&iacute;ticas para a expans&atilde;o do turismo em Colombo, e outros munic&iacute;pios da RMC.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar do direcionamento do Estado, &eacute; preciso levar em considera&ccedil;&atilde;o as intencionalidades das institui&ccedil;&otilde;es e atores envolvidos, bem como o papel dos indiv&iacute;duos respons&aacute;veis pela elabora&ccedil;&atilde;o dos projetos, pois, mesmo atuando segundo as diretrizes dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, estes s&atilde;o sujeitos executivos importantes, pois suas intencionalidades coletivas e individu&aacute;is influenciam as a&ccedil;&otilde;es em torno do CITUR.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">As firmas, sejam p&uacute;blicas ou privadas, possuem suas intencionalidades. Mesmo atuando de forma horizontal e incluindo em sua ret&oacute;rica a busca de benef&iacute;cios para a coletividade (sobretudo as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas), geralmente as firmas est&aacute;o vinculadas &agrave;s verticalidades propagadas pelos atores hegem&ocirc;nicos do capitalismo global. Assim, &eacute; preciso considerar as intencionalidades de cada individuo empregado nessas firmas, pois estas sao heterog&ecirc;neas, de modo que podemos encontrar indiv&iacute;duos agindo conscientemente para fortalecer as horizontalidades do lugar.<sup><a href="#notas">10</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No que tange ao CITUR e aos objetivos presentes em sua g&eacute;nese, procuramos identificar as intencionalidades das institui&ccedil;&otilde;es e firmas envolvidas, bem como de alguns indiv&iacute;duos com forte participa&ccedil;&atilde;o nesse processo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Dadas as informa&ccedil;&otilde;es da funcion&aacute;ria A. M. M. e os objetivos do CITUR apontados pela prefeitura e por Nascimento e Beltr&atilde;o (2002), percebemos que, apesar da ret&oacute;rica de melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos pequenos agricultores e da sustentabilidade, a maior intencionalidade da prefeitura na implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR reside em viabilizar atividades econ&ocirc;micas que sejam permitidas nas &aacute;reas de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental (mananciais h&iacute;dricos), e que aumentem a receita do munic&iacute;pio. Como os usos de algumas partes do munic&iacute;pio s&atilde;o restritos, o turismo pode ser uma atividade lucrativa para Colombo, pois gera menos impactos ambientais que as ind&uacute;strias, as atividades mineradoras e as pr&aacute;ticas agr&iacute;colas convencionais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A atua&ccedil;&atilde;o da funcion&aacute;ria A. M. M., indica, todavia, uma forte preocupa&ccedil;&atilde;o com o resgate da cultura italiana e com a qualidade de vida dos agricultores familiares envolvidos no CITUR. Ela sempre acompanhou os empreendimentos, dando aten&ccedil;&atilde;o especial aos pequenos agricultores, pois sabia das peculiaridades destes e das maiores diflculdades em se adaptar ao atendimento dos visitantes. Al&eacute;m do curso de italiano dado aos empreendedores interessados, A. M. M. procurou valorizar elementos da cultura dos &iexcl;migrantes, e, sendo fllha de &iexcl;migrantes e nascida em Colombo, atuou objetivando contribuir para as horizontalidades do lugar, ou seja, para o fortalecimento do espa&ccedil;o banal. A funcion&aacute;ria tamb&eacute;m organizou dados de demanda, identiflcou os maiores problemas do CITUR, e procurou capacitar os empreendedores. Nas avalia&ccedil;&otilde;es que os empreendedores flzeram sobre o CITUR, A. M. M. foi v&aacute;rias vezes citada como a pessoa mais atuante e preocupada com o desenvolvimento do Circuito.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com a mudan&ccedil;a na gest&atilde;o do munic&iacute;pio e do CITUR, o secret&aacute;rio municipal de Agricultura e Meio Ambiente, sr. A. M. e a funcion&aacute;ria A. M. M. s&atilde;o substitu&iacute;dos pela secret&aacute;ria M. M. e a funcion&aacute;ria D. G.. Por conseguinte, muda a atua&ccedil;&atilde;o da prefeitura com o CITUR, pois M. M. adota uma vis&atilde;o empresarial mais agu&ccedil;ada, deixando de acompanhar o dia&#150;a&#150;dia dos empreendedores e de identificar seus problemas e anseios. Essa transi&ccedil;&atilde;o e a falta de aten&ccedil;&atilde;o com os empreendedores, sobretudo a partir da sa&iacute;da de A. M. M., levam a uma perda de credibilidade dos empreendedores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; equipe da prefeitura.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fica claro que as intencionalidades de M. M. e D. G. s&atilde;o estritamente pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas, enquanto A. M. M. tinha outras preocupa&ccedil;&otilde;es, como o resgate e valoriza&ccedil;&atilde;o cultural, a melhoria de qualidade de vida dos agricultores, a melhoria da imagem do munic&iacute;pio, e a amplia&ccedil;&atilde;o da oferta de lazer e turismo em Colombo. J&aacute; o ex&#150;secret&aacute;rio A. M. tamb&eacute;m tinha uma atua&ccedil;&atilde;o mais pol&iacute;tica e agia de forma similar &agrave; M. M.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outra institui&ccedil;&atilde;o fundamental para a exist&ecirc;ncia do CITUR foi a EMATER, que tradicionalmente atua com a extens&atilde;o rural, e, hoje, percebe o turismo como alternativa de emprego e renda para os agricultores, de modo que vem incentivando a atividade em todo Paran&aacute;. Em sua miss&atilde;o,<sup><a href="#notas">11</a></sup> a EMATER incorpora o conceito de desenvolvimento rural sustent&aacute;vel, enfatizando a cidadania e a qualidade de vida no campo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar de a EMATER ter como foco central a melhoria da qualidade de vida dos agricultores familiares e a valoriza&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar, o direcionamento das a&ccedil;&otilde;es referentes ao turismo rural vem ocorrendo no sentido de transformar o agricultor familiar em um empreendedor do turismo. Mesmo n&atilde;o sendo objetivo da EMATER, essa transforma&ccedil;&atilde;o acaba se dando em virtude da press&atilde;o de outras entidades &#151; sobretudo as ligadas ao <i>trade </i>tur&iacute;stico &#151; por profissionaliza&ccedil;&aacute;o e enquadramento dos agricultores dentro de uma l&oacute;gica eminentemente capitalista.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No plano local, a atua&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos da EMATER, L. P. e A. N. foi importante para o acompanhamento direto nas unidades de produ&ccedil;&atilde;o e vida familiares envolvidas com o CITUR, e para o atendimento das necessidades destes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; assist&ecirc;ncia t&eacute;cnica e extens&atilde;o rural. A sa&iacute;da desses t&eacute;cnicos de Colombo teve impactos negativos na gest&atilde;o do CITUR, sobretudo das propriedades de agricultores familiares, e hoje, mesmo com a entrada de novos funcion&aacute;rios para acompanhar estabelecimentos rurais ligados ao CITUR, a EMATER de Colombo n&atilde;o tem a mesma import&acirc;ncia que tinha no in&iacute;cio do Circuito.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vale ressaltar que, no caso do CITUR, o sr. E. B. N., t&eacute;cnico da EMATER da regional de Curitiba e um dos idealizadores do CITUR e do Anel de Turismo da RMC, tamb&eacute;m possui uma propriedade rural que est&aacute; inserida no CITUR, sendo assim, um empreendedor do turismo. Junto com ele outro ex&#150;funcion&aacute;rio da EMATER, o sr. V. B., tamb&eacute;m &eacute; propriet&aacute;rio do mesmo empreendimento. Outro aspecto a constatar &eacute; que ambos tornaram&#150;se importantes atores na dissemina&ccedil;&atilde;o do turismo rural na agricultura familiar em todo o Brasil, seja atuando na rede TRAF (Turismo Rural na Agricultura Familiar), seja como representantes do governo federal que lideraram a cria&ccedil;&atilde;o do Programa Nacional de Turismo Rural na Agricultura Familiar (PNTRAF).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A COMEC tem seu foco na gest&atilde;o da RMC, e objetiva realizar a&ccedil;&otilde;es de abrang&ecirc;ncia regional, que integrem seus munic&iacute;pios, minimizem os impactos socioambientais regionais, e que orientem, mas tamb&eacute;m promovam o crescimento econ&ocirc;mico, no entanto, como coloca Corona (2006), as preocupa&ccedil;&otilde;es da COMEC est&atilde;o centradas no espa&ccedil;o urbano.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As intencionalidades da COMEC est&atilde;o ligadas a formas de uso do territ&oacute;rio da RMC, que induzam o crescimento econ&ocirc;mico, mas tamb&eacute;m contribuam para a preserva&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais da regi&atilde;o, sobretudo os mananciais de abastecimento h&iacute;drico. Tendo no turismo uma dessas formas de uso, a COMEC teve importante atua&ccedil;&atilde;o no planejamento e na materializa&ccedil;&atilde;o do CITUR e do Anel de Turismo da RMC. A funcion&aacute;ria I. C. B. foi a pessoa mais atuante da COMEC na g&ecirc;nese do CITUR, atuando em parceria com E. B. N. da EMATER.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">J&aacute; a Paran&aacute; Turismo e a ECOPARAN&Aacute;, &oacute;rg&atilde;os vinculados &agrave; Secretaria do Estado do Turismo (SETU), atuam na l&oacute;gica do <i>trade </i>tur&iacute;stico, incorporando o discurso da sustentabilidade do turismo, mas primando pela expans&atilde;o do turismo no Estado, conforme a receita da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo (OMT) e os interesses dos atores hegem&ocirc;nicos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na ret&oacute;rica do atual governo estadual, "a SETU e suas vinculadas t&ecirc;m como grande desafio desenvolver o turismo de forma sustent&aacute;vel, ou seja, de forma a gerar benef&iacute;cios sociais, econ&ocirc;micos, culturais, pol&iacute;ticos e ambientais nos n&uacute;cleos em que se desenvolve". (<a href="http://www.turismo.pr.gov.br/" target="_blank">www.pr.gov.br/turismo</a>).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A Paran&aacute; Turismo tem como objetivos o planejamento e a execu&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica Estadual de Turismo e a implanta&ccedil;&atilde;o de programas e projetos de incentivo, de desenvolvimento e de fomento ao turismo, executando a&ccedil;&otilde;es que buscam promover o turismo no Estado do Paran&aacute; (<a href="http://www.turismo.pr.gov.br/" target="_blank">www.pr.gov.br/turismo/prtur</a>).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A ECOPARAN&Aacute; (autarquia de apoio ao turismo no estado do Paran&aacute;) tem por objetivo pensar o turismo de uma forma integrada e estrat&eacute;gica, como alternativa econ&ocirc;mica sustent&aacute;vel e consistente que, adequadamente implantada, constitui&#150;se numa importante aliada da preserva&ccedil;&atilde;o da cultura e do meio ambiente. Al&eacute;m do apoio ao CITUR, desenvolve o projeto de Recupera&ccedil;&atilde;o e Preserva&ccedil;&atilde;o da Cultura Italiana no Munic&iacute;pio de Colombo, que consiste na restaura&ccedil;&atilde;o e realoca&ccedil;&atilde;o de uma casa antiga, e na constru&ccedil;&atilde;o de uma r&eacute;plica da Escola Societ&agrave; Italiana Crist&ograve;foro Colombo, que foi a primeira escola constru&iacute;da pelos imigrantes (<a href="http://www.ecoparana.pr.gov.br/" target="_blank">www.ecoparana.pr.gov.br</a>).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">De forma geral, a Paran&aacute; Turismo e a ECOPARAN&Aacute; e, por conseguinte, o governo do estado do Paran&aacute;, objetivam o crescimento e o desenvolvimento do turismo, pois entendem a atividade como um neg&oacute;cio lucrativo. Ambas n&atilde;o apresentam maiores questionamentos quanto &agrave; depend&ecirc;ncia e ao v&iacute;nculo do turismo aos ditames do capitalismo globalizado.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar de se manifestar como horizontalidade na RMC, atrav&eacute;s da tentativa de diversificar e dinamizar a economia regional com o turismo, as a&ccedil;&otilde;es da EMATER e da COMEC, em parceira com a ECOPARAN&Aacute; e a Paran&aacute; Turismo, parecem seguir a <i>receita </i>global de expans&atilde;o territorial do turismo por meio de sua segmenta&ccedil;&atilde;o (turismo rural, ecoturismo, turismo hist&oacute;rico&#150;cultural, etc.) e de investimentos p&uacute;blicos e privados no turismo dom&eacute;stico/local. Com a incorpora&ccedil;&atilde;o da ret&oacute;rica da sustentabilidade, mas tendo como objetivo impl&iacute;cito ampliar a territorializa&ccedil;&atilde;o do capitalismo dentro do regime de acumula&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel, essa <i>receita, </i>disseminada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Turismo (OMT) e outras firmas e institui&ccedil;&otilde;es, constitu&iacute; urna verticalidade, que interessa &agrave;s micro e &agrave;s pequenas empresas locais, mas, sobretudo, aos agentes hegem&ocirc;nicos do capital, pois a expans&atilde;o territorial do turismo, seja ele internacional ou dom&eacute;stico, &eacute; crucial para a afirma&ccedil;&atilde;o e fortalecimento do capitalismo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ainda no contexto do Estado do Paran&aacute;, Silveira (2002) aponta como grandes objetivos da pol&iacute;tica paranaense de turismo a melhoria da capacidade do Estado na atra&ccedil;&atilde;o e na recep&ccedil;&atilde;o dos fluxos de turistas nacionais e internacionais; o aumento do volume do turismo interno; e a amplia&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o do setor tur&iacute;stico na expans&atilde;o da economia, de modo que a pol&iacute;tica de turismo no Paran&aacute; busca, sobretudo, a inser&ccedil;&atilde;o do Estado na globaliza&ccedil;&atilde;o. Por conseguinte, tais objetivos se encontram vinculados &agrave;s verticalidades, pois est&atilde;o relacionados &agrave; competitividade e ao consumismo, disseminados como ideologia global, e considerados por Santos (2000), as fontes de novos totalitarismos.<sup><a href="#notas">12</a></sup></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">N&atilde;o obstante, o Estado do Paran&aacute; segue as diretrizes e normas de desenvolvimento do turismo propagadas pelo governo federal, que, a partir da d&eacute;cada de 1990, passa a incentivar a descentraliza&ccedil;&atilde;o do turismo e o estabelecimento de parcerias entre o setor p&uacute;blico e o privado. Por meio do Plano Nacional de Municipaliza&ccedil;&atilde;o do Turismo (PNMT), da d&eacute;cada de 1990, e, mais recentemente, do Plano Nacional de Regionaliza&ccedil;&atilde;o do Turismo, o governo federal vem direcionando as a&ccedil;&otilde;es no setor tur&iacute;stico brasileiro. Sabendo que os Estados nacionais encontram&#150;se subordinados aos interesses verticais/globais das firmas transnacionais e de institui&ccedil;&otilde;es supranacionais como a OMT e o Banco Mundial, as pr&oacute;prias pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de turismo, seja a n&iacute;vel federal, estadual ou municipal, clamam pelo crescimento econ&ocirc;mico do turismo,<sup><a href="#notas">13</a></sup> apesar da ret&oacute;rica da sustentabilidade e da qualidade de vida. Assim, tais pol&iacute;ticas p&uacute;blicas s&atilde;o condutoras de verticalidades nos lugares.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">O turismo rural na agricultura familiar vem sendo considerado uma op&ccedil;&atilde;o complementar de emprego e renda para os agricultores familiares em v&aacute;rios pa&iacute;ses, de modo que o turismo &eacute; cada vez mais associado ao desenvolvimento, sobretudo ao desenvolvimento sustent&aacute;vel. Percebendo o potencial da agricultura familiar para o turismo rural, bem como a necessidade de novas atividades para a agricultura familiar, o governo federal lan&ccedil;ou, em 2004, o Programa Nacional de Turismo Rural na Agricultura Familiar (PNTRAF).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar de se manifestar como horizontalidade nos lugares, os projetos do PNTRAF demonstram a &ecirc;nfase do governo federal no turismo rural como op&ccedil;&atilde;o para a agricultura familiar, fato que, por sua vez, prov&eacute;m de organismos internacionais como a FAO (Food and Agriculture Organization), vinculada &agrave; ONU (Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas), e interessa aos atores do capitalismo global, pois amplia as rela&ccedil;&otilde;es capitalistas dos agricultores familiares, considerados por muitos cientistas sociais, como aqueles com condi&ccedil;&otilde;es de ter uma relativa autonomia frente o mercado. O PNTRAF &eacute;, portanto, influenciado por verticalidades e, apesar de conter elementos de contra&#150;racionalidade na ret&oacute;rica, contribui de certa forma para a reafirma&ccedil;&atilde;o da racionalidade hegem&oacute;nica. O Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio (MDA), &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel pelo PNTRAF, pode at&eacute; ter como intencionalidade disponibilizar uma nova op&ccedil;&atilde;o de emprego e renda para os agricultores familiares. Questionamos, por&eacute;m, se essa atividade n&atilde;o passa de mais uma forma de depend&ecirc;ncia e de subordina&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar ao capital, ao inv&eacute;s de fortalecer a agricultura familiar.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Seguindo as diretrizes do governo federal, diversos Estados brasileiros v&ecirc;m criando pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e projetos de desenvolvimento do turismo rural na agricultura familiar, por meio de circuitos, rotas, roteiros, etc. O Paran&aacute; se destaca nesse contexto, pois, al&eacute;m de conceber diversos projetos tur&iacute;sticos, sobretudo na Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba, tem no <i>Circuito Italiano de Turismo Rural </i>de Colombo, um projeto considerado piloto, que passa a ser refer&ecirc;ncia nacional de turismo rural na agricultura familiar.<sup><a href="#notas">14</a></sup> Cabe ressaltar que o pr&oacute;prio CITUR &eacute; anterior &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do PNTRAF, sendo uma das experi&ecirc;ncias consideradas de sucesso, que justificaram a expans&aacute;o do incentivo ao turismo rural na agricultura familiar atrav&eacute;s do PNTRAF.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A complexidade econ&ocirc;mica do turismo, envolvendo m&uacute;ltiplos setores da economia, certamente favorece a acumula&ccedil;&atilde;o de riqueza por parte dos macroatores (firmas transnacionais), e de outros atores econ&ocirc;micos. Os empr&eacute;stimos destinados ao desenvolvimento do turismo em diversos pa&iacute;ses, por parte das institui&ccedil;&otilde;es financeiras globais, como o Banco Mundial, tamb&eacute;m se apresentam como verticalidades.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por fim, a dissemina&ccedil;&atilde;o da id&eacute;ia do turismo como alternativa de emprego, renda, e como atividade sustent&aacute;vel, pois traria benef&iacute;cios ambientais, socioculturais e econ&ocirc;micos, &eacute; outra verticalidade, apoiada no discurso, pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e pela OMT. Vale ressaltar que, apesar da ret&oacute;rica de sustentabilidade adotada por tais institui&ccedil;&otilde;es, as intencionalidades destas tamb&eacute;m se encontram vinculadas &agrave; racionalidade hegem&ocirc;nica e &agrave; expans&atilde;o territorial do capitalismo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINALIS</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Considerando o debate sobre a influencia de verticalidades e horizontalidades na produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico, e aplicando tais conceitos na realidade emp&iacute;rica da pesquisa, entendemos que, antes da cria&ccedil;&atilde;o do CITUR, predominavam as horizontalidades na produ&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio tur&iacute;stico local, pois os empreendedores locais eram os principais protagonistas do desenvolvimento do turismo em Colombo, e a influencia de normas e a&ccedil;&otilde;es ex&oacute;genas, sejam elas globais, nacionais ou regionais, n&atilde;o era t&atilde;o intensa. A partir da implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR em 1999, novos atores p&uacute;blicos e privados, passam a realizar a&ccedil;&otilde;es importantes, fazendo com que se ampli&eacute; a influencia de normas e a&ccedil;&otilde;es verticais nas horizontalidades, ou seja, no lugar. Assim, diversas a&ccedil;&otilde;es provenientes dos atores vinculados ao <i>trade </i>tur&iacute;stico e/ou &agrave; l&oacute;gica de expans&atilde;o do turismo, conduzem &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de verticalidades nos lugares.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Conforme verificamos no desenvolvimento do CITUR, alguns cursos de capacita&ccedil;&atilde;o foram oferecidos aos empreendedores. A EMATER e a Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR) ofereceram cursos ligados &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o e da propriedade para o turismo rural. O Servi&ccedil;o de Apoio &agrave; Pequena e Micro Empresa (SEBRAE), al&eacute;m de consultorias nos empreendimentos do CITUR, tamb&eacute;m ministrou cursos sobre empreendedorismo. A a&ccedil;&atilde;o da UFPR, da EMATER local e do SEBRAE v&ecirc;m se instalar nas horizontalidades/no lugar, por&eacute;m chamamos a aten&ccedil;&atilde;o para o SEBRAE, que, al&eacute;m de atuar em diversos projetos tur&iacute;sticos em todo o Brasil, trabalha na l&oacute;gica do mercado, priorizando os resultados econ&ocirc;micos frente aos sociais e aos ambientais. Assim, o SEBRAE se apresenta como outro ator disseminador de verticalidades, pois, apesar da ret&oacute;rica da sustentabilidade e da &ecirc;nfase nas pequenas e microempresas, prima pela competitividade, pela padroniza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o das empresas e pelo crescimento econ&ocirc;mico constante.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A vis&atilde;o mercadol&oacute;gica do SEBRAE (Servi&ccedil;o de Apoio &agrave; Pequena e Micro Empresa) e o incentivo para que os agricultores envolvidos com o turismo tenham uma vis&atilde;o empresarial e formalizem a abertura de uma empresa, s&atilde;o indicadores das verticalidades impl&iacute;citas nas intencionalidades do SEBRAE. Isso pode at&eacute; comprometer a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de agricultor familiar daqueles agricultores envolvidos com o turismo, pois, se o mesmo se tornar um empres&aacute;rio, este poder&aacute; deixar de ser oficialmente considerado um agricultor familiar. Acontecendo isso, o turismo deixaria de ser uma atividade voltada a fortalecer a agricultura familiar, para se tornar uma atividade estranha &agrave; agricultura familiar, que, al&eacute;m de modificar as a&ccedil;&otilde;es e estrat&eacute;gias das fam&iacute;lias rurais envolvidas, pode at&eacute; enfraquecer e comprometer a condi&ccedil;&atilde;o destas como representantes da agricultura familiar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o aos empreendedores, verificamos que todos entraram no CITUR com o objetivo direto ou indireto de aumentar sua renda, fato que indica o predom&iacute;nio de intencionalidades econ&ocirc;micas entre os empreendedores. Aqueles que administram o empreendimento a partir de uma l&oacute;gica eminentemente mercantil, como os restaurantes, pousadas, hot&eacute;is, e estabelecimentos comerciais, s&atilde;o, contudo, os maiores vetores de verticalidades no lugar. Com a incorpora&ccedil;&atilde;o ou intensifica&ccedil;&atilde;o dessa racionalidade econ&ocirc;mica, os agricultores familiares t&ecirc;m suas intencionalidades afetadas pela racionalidade economicista/mercantil vertical.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A maior parte dos agricultores familiares envolvidos j&aacute; tinha rela&ccedil;&otilde;es com os mercados, seja nas atividades agr&iacute;colas ou mesmo na comercializa&ccedil;&atilde;o dos produtos, por&eacute;m sua inser&ccedil;&atilde;o no CITUR intensificou suas rela&ccedil;&otilde;es capitalistas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A id&eacute;ia de abrir a propriedade para a comercializa&ccedil;&atilde;o de seus produtos se constitui em uma horizontalidade, proveniente da a&ccedil;&atilde;o dos agricultores familiares objetivando melhorias na renda e na qualidade de vida da fam&iacute;lia, por&eacute;m o caso do Anel de Turismo da RMC e do CITUR demonstra que, ao tentar organizar a oferta e criar um produto tur&iacute;stico, o Estado, por meio de seus &oacute;rg&atilde;os, investe em projetos de turismo que continuam sendo concebidos e implantados <i>de cima para baixo, </i>ou seja, por t&eacute;cnicos do poder p&uacute;blico e por empres&aacute;rios da iniciativa privada, e que acabam afetando as horizontalidades e as intencionalidades dos pr&oacute;prios agricultores familiares.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Concluindo, podemos afirmar que essa an&aacute;lise da g&ecirc;nese e do desenvolvimento do CITUR demonstra que as horizontalidades s&atilde;o extremamente influenciadas pelas verticalidades, apesar de nao serem totalmente determinadas por estas. A cria&ccedil;&atilde;o do CITUR se apresenta como um evento horizontal, e parte de horizontalidades pr&eacute;&#150;existentes, traduzidas nas a&ccedil;&otilde;es daqueles que organizaram e abriram sua propriedade para visita&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o. Todavia, a implanta&ccedil;&atilde;o do CITUR por parte do Estado, apesar de se manifestar localmente como horizontalidade, se mostra profundamente influenciada por normas e a&ccedil;&otilde;es verticais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por conseguinte, a implanta&ccedil;&atilde;o e a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do CITUR, atrav&eacute;s da a&ccedil;&atilde;o do Estado, desencadeiam um choque entre as horizontalidades dos agricultores familiares, manifestadas em ruralidades como o modo de vida e suas atividades agr&iacute;colas e paraagr&iacute;colas cotidianas; com as verticalidades globais, trazidas &agrave; tona por agentes p&uacute;blicos (prefeituras, &oacute;rg&atilde;os estaduais e federais) e privados (diversas empresas ligadas ao <i>trade </i>tur&iacute;stico, SEBRAE, etc.), ge ralmente provenientes do meio urbano, e manifestadas no planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o do "produto tur&iacute;stico" CITUR.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O predom&iacute;nio da l&oacute;gica do mercado sob influencia das verticalidades transforma o espa&ccedil;o, o lugar, e, conseq&uuml;entemente, as pr&oacute;prias horizontalidades dos atores locais, tornando&#150;os mais aptos &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o da racionalidade hegem&ocirc;nica do que ao surgimento de contra&#150;racionalidades. Poss&iacute;veis a&ccedil;&otilde;es de resist&ecirc;ncia a essa globaliza&ccedil;&atilde;o perversa, chamada por Santos (1996) de contra&#150;racionalidades, acabam sendo apropriadas por outros atores, e modificadas a partir de intencionalidades dos atores hegem&ocirc;nicos. Assim, ao mesmo tempo em que o global se fortalece atrav&eacute;s da dissemina&ccedil;&atilde;o das verticalidades no lugar, as horizontalidades v&atilde;o sendo cada vez mais influenciadas pela din&aacute;mica global, de modo que as intencionalidades da maioria da popula&ccedil;&atilde;o local acabam sendo ignoradas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Candiotto, L. Z. P. (2007), <i>Turismo rural na agricultura familiar: urna abordagem geogr&aacute;fica do Circuito Italiano de Turismo Rural, munic&iacute;pio de Colombo </i>&#151; <i>PR, </i>tese (Doutorado em Geograf&iacute;a), Universidade Federal de Santa Catarina, Florian&oacute;polis, Santa Catarina, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691025&pid=S0188-4611200900020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Corona Hieda, M. P. (2006), <i>As multidimens&otilde;es da reprodu&ccedil;&atilde;o social da agricultura familiar na Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba, </i>tese de doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Paran&aacute;, Curitiba, Paran&aacute;, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691026&pid=S0188-4611200900020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Lannes, J. (2003), "Turismo rural e agricultura susten&#150;t&aacute;vel: a experi&ecirc;ncia do circuito italiano de Colombo &#151; PR", en Ramos, J. M., M. L. Castilho, <i>Agroneg&oacute;cio e desenvolvimento sustent&aacute;vel, </i>Unioeste, Francisco Beltr&atilde;o, Paran&aacute;, Brasil, pp. 105&#150;120.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691027&pid=S0188-4611200900020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nascimento Ednei, B. e I. Beltr&atilde;o (2002), <i>Implanta&ccedil;&atilde;o de circuitos de turismo em &aacute;reas rurais nos mananciais da regi&atilde;o metropolitana de Curitiba </i>(Relat&oacute;rio T&eacute;cnico), Curitiba, Paran&aacute;, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691028&pid=S0188-4611200900020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nascimento Ednei, B. e I. Beltr&atilde;o (2004), <i>Turismo sustent&aacute;vel na Regi&atilde;o Metropolitana de Curitiba, </i>UFPR/SAF&#150;MDA, Curitiba, Paran&aacute;, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691029&pid=S0188-4611200900020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nitsche, L. B. (2000), <i>Circuito Italiano de Turismo Rural em Colombo e Bocai&uacute;va do Sul: um enfoque avaliativo </i>(Especializa&ccedil;&atilde;o em Planejamento e Gest&atilde;o do Turismo) &#151; Setor de Ci&ecirc;ncias Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paran&aacute;, Curitiba, Paran&aacute;, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691030&pid=S0188-4611200900020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Prefeitura Municipal de Colombo&#150;PR (2003), <i>Invent&aacute;rio da oferta tur&iacute;stica, </i>Colombo, Paran&aacute;, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691031&pid=S0188-4611200900020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. e M. L. Silveira (2001), <i>Brasil: territ&oacute;rio e sociedade no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, </i>Record, Rio de Janeiro, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691032&pid=S0188-4611200900020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (1996), <i>A natureza do espa&ccedil;o, </i>Hucitec, S&atilde;o Paulo, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691033&pid=S0188-4611200900020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (1997), <i>T&eacute;cnica, espa&ccedil;o, tempo: globaliza&ccedil;&atilde;o</i> <i>e meio t&eacute;cnico&#150;cient&iacute;fico&#150;informacional, </i>Hucitec, S&atilde;o Paulo, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691034&pid=S0188-4611200900020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (2000), <i>Por uma outra globaliza&ccedil;&atilde;o: do pen<i>samento &uacute;nico &agrave; consci&ecirc;ncia universal, </i>Record, Rio de</i> Janeiro, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691035&pid=S0188-4611200900020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Santos, M. (2002), "O retorno do territ&oacute;rio", en Santos, M., M. A. de Souza, M. L. Silveira (orgs.), <i>Territ&oacute;<i>rio: globaliza&ccedil;&atilde;o e fragmenta&ccedil;&atilde;o, </i>ANPUR/Hucitec/Annablume, S&atilde;o Paulo, Brasil, pp. 15&#150;20.</i></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691036&pid=S0188-4611200900020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Saquet, M. (2003), <i>Os tempos e os territ&oacute;rios da coloniza&ccedil;&atilde;o </i><i>italiana, </i>EST Edi&ccedil;&otilde;es, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691037&pid=S0188-4611200900020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Schneider, S. e R. Blume (2005), "Ensaio para uma abordagem territorial da ruralidade: em busca de <i> </i>uma metodologia", <i>Revista Paranaense de Desenvol</i><i>vimento, </i>(prelo).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691038&pid=S0188-4611200900020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silveira, M. T. (2002), <i>Turismo, pol&iacute;ticas de ordenamento </i><i> </i><i>territorial e desenvolvimento: um foco no estado do </i><i>Paran&aacute; no contexto regional </i>(tese de doutorado), FFLCH/USP, S&atilde;o Paulo, Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691039&pid=S0188-4611200900020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silveira, M. T. (2001), "Pol&iacute;tica de turismo: oportunidades ao desenvolvimento local", en Rodrigues, A. B.  (org.), <i>Turismo rural: pr&aacute;ticas e perspectivas, </i>Contexto, S&atilde;o Paulo, Brasil, p. 1.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4691040&pid=S0188-4611200900020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a name="notas"></a><b>Notas</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1</sup>&nbsp;Existe uma racionalidade sist&ecirc;mica nas a&ccedil;&otilde;es e nos objetos (Santos, 1996).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>2</sup>&nbsp; As fra&ccedil;&otilde;es do territ&oacute;rio que constituem esse espa&ccedil;o de fluxos &#91;verticalidades&#93; constituem o reino do tempo real, subordinando&#150;se a um rel&oacute;gio universal, aferido pela temporalidade globalizada das empresas hegem&ocirc;nicas presentes. (Santos, 2000:107).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>3</sup>&nbsp; Santos usa o conceito de espa&ccedil;o banal, proposto por Perroux, onde o espa&ccedil;o banal se constitui como oposi&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o econ&ocirc;mico. O espa&ccedil;o banal, entendido tamb&eacute;m como espa&ccedil;o total, caracteriza&#150;se por sua extens&atilde;o continuada, em que os atores s&atilde;o considerados na sua contig&uuml;idade. Para Santos (2000), a tend&ecirc;ncia de difus&atilde;o da racionalidade hegem&ocirc;nica faz com que o espa&ccedil;o banal seja residual. O fortalecimento do espa&ccedil;o banal seria, por&eacute;m, fundamental para a emerg&ecirc;ncia de mudan&ccedil;as profundas na organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade e do espa&ccedil;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>4</sup>&nbsp; Mediante as redes, h&aacute; urna cria&ccedil;&atilde;o paralela e eficaz da ordem e da desordem no territ&oacute;rio, j&aacute; que as redes integram e desintegram, destroem velhos recortes espaciais e criam outros (Santos, 1996:222).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>5</sup> Santos (1996), cita como exemplos de verticalidades, o com&eacute;rcio internacional, as demandas da grande ind&uacute;stria, as necessidades de abastecimento metropolitano, e as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ditadas nas metr&oacute;poles nacionais e estrangeiras.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>6</sup> Alguns exemplos s&atilde;o as redes formadas por movimentos sociais, grupos religiosos, camponeses, etc., al&eacute;m das redes ilegais, de terroristas, traficantes de drogas e armas, entre outros.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>7</sup> O Anel de Turismo da RMC &eacute; composto por diversos roteiros e circuitos tur&iacute;sticos localizados em munic&iacute;pios da Regi&atilde;o, sendo alguns j&aacute; implantados, e outros em processo de materializa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>8</sup> Ex&#150;funcion&aacute;ria do setor de turismo da prefeitura municipal de Colombo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>9</sup> Considerando que o municipio de Colombo &eacute; classificado por Schneider e Blume (2005) como munic&iacute;pio urbano, a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo "&aacute;reas ruralizadas" se d&aacute; em virtude de a maior parte do munic&iacute;pio de Colombo combinar, de forma diferenciada, objetos t&eacute;cnicos e a&ccedil;&otilde;es de origem e caracter&iacute;sticas urbanas e rurais, ou seja, urbanidades e ruralidades. Al&eacute;m dos empreendimentos do CITUR, os espa&ccedil;os periurbanos e rurais de Colombo abrigam mineradoras, v&aacute;rias segundas resid&ecirc;ncias e estabelecimentos comerciais, respons&aacute;veis por uma tecniciza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, e por novas rela&ccedil;&otilde;es sociais entre uma minoria composta pela popula&ccedil;&atilde;o rural, e a maioria da popula&ccedil;&atilde;o, de origem urbana.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>10</sup> Ao contr&aacute;rio da atual equipe respons&aacute;vel pelo turismo e pelo CITUR em Colombo, a funcion&aacute;ria A. M. M. apresentava claramente uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o fortalecimento das horizontalidades, atrav&eacute;s do incentivo ao resgate da cultura italiana, e do acompanhamento in loco da realidade dos agricultores familiares envolvidos no CITUR.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>11</sup> "Contribuir, de forma educativa e participativa, para o desenvolvimento da agricultura, para o desenvolvimento rural sustent&aacute;vel e para a promo&ccedil;&atilde;o da cidadania e da qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o rural" (<a href="http://www.emater.pr.gov.br/" target="_blank">www.emater.pr.gov.br</a>).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>12</sup>&nbsp;Consumismo e competitividade levam ao emagrecimento moral e intelectual da pessoa, &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da personalidade e da vis&atilde;o do mundo, convidando, tamb&eacute;m, a esquecer a oposi&ccedil;&atilde;o fundamental entre a figura do consumidor e a figura do cidad&atilde;o. (Santos, 2000:49).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>13</sup>&nbsp; Cazes (1989 apud Silveira, 2002) coloca que existe um Sistema Tur&iacute;stico Internacional, composto pelas empresas de transportes (a&eacute;reo, ferrovi&aacute;rio e rodovi&aacute;rio), as cadeias de hot&eacute;is, os clubes de f&eacute;rias, os operadores e agentes de viagens, e os organismos multilaterais de financiamento como o Banco Mundial, que controlam a demanda e os servi&ccedil;os tur&iacute;sticos, os pa&iacute;ses emissores e receptores, bem como as pol&iacute;ticas nacionais e regionais de turismo.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>14</sup> O CITUR vem receben do visitas t&eacute;cnicas provenientes de v&aacute;rios munic&iacute;pios brasileiros, sobretudo nos primeiros anos de sua exist&ecirc;ncia. Organizadas por extensionistas rurais, tais visitas s&atilde;o direcionadas a agricultores e outros empreendedores que j&aacute; recebem turistas ou que est&atilde;o se preparando para o atendimento aos visitantes.</font></p>     ]]></body>
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