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<journal-title><![CDATA[América Latina en la historia económica]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cafeicultores e lavradores de roças de alimentos na transição do trabalho escravo ao livre (Campinas, 1850-1888)]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Estadual Paulista Programa de Pós-Graduação em História ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article treats about the form like foods plantations countryman integrated the work market of plantation of coffee exportation, at the district of Campinas, São Paulo, among 1850-1888. The combination of sociologies researches and studies done to folk memory about the universe social-cultural of the social group with the investigation in discourses pronounced in the Legislative Assembly from São Paulo, propaganda of job publicized in the newspaper and in civil inquiry of the Court Justice from same city indicate a tense adjustement among sectors with differents systematics of work. The strong demand of the workers in the coffee plantations forced plantation-owner negotiated agreements of job with countryman, adjust with the traditional agrarian cicle of theirs food plantation, what created a relation of give service irregular, accept, but frustrated for the expectation of the sector agrarian exportation.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Art&iacute;culos</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Cafeicultores e lavradores de ro&ccedil;as de alimentos na transi&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo ao livre (Campinas, 1850&#45;1888)</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Denise A. Soares de Moura<a name="n0b"></a><a href="#n0a">*</a></b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: junio de 2006    <br> 	Fecha de aceptaci&oacute;n: octubre de 2006</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este artigo trata da forma como lavradores de ro&ccedil;as de alimentos se integraram ao mercado de trabalho da lavoura de exporta&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;, no munic&iacute;pio de Campinas, S&atilde;o Paulo, entre 1850&#45;1888. O cruzamento de pesquisas sociol&oacute;gicas e estudos produzido por folcloristas sobre o universo s&oacute;cio&#45;cultural deste grupo social com a investiga&ccedil;&atilde;o em discursos pronunciados na Assembl&eacute;ia Legislativa de S&atilde;o Paulo, anuncios de trabalho publicados no jornal <i>Gazfita de Campinas</i> e em autos&#45;c&iacute;veis do Tribunal de Justi&ccedil;a da mesma cidade indicaram um tenso ajustamento entre setores com sistem&aacute;ticas diferentes de trabalho. A alta demanda de m&atilde;o&#45;de&#45;obra das fazendas cafeeiras obrigou fazendeiros a negociarem acordos de trabalho com os lavradores, ajustados ao ciclo agr&iacute;cola tradicional de suas ro&ccedil;as, o que gerou uma rela&ccedil;&atilde;o de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os irregular, aceita, mas frustrante para as expectativas do setor agro&#45;exportador.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chave:</b> mercado de trabalho; economia cafeeira; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">The article treats about the form like foods plantations countryman integrated the work market of plantation of coffee exportation, at the district of Campinas, S&atilde;o Paulo, among 1850&#45;1888. The combination of sociologies researches and studies done to folk memory about the universe social&#45;cultural of the social group with the investigation in discourses pronounced in the Legislative Assembly from S&atilde;o Paulo, propaganda of job publicized in the newspaper and in civil inquiry of the Court Justice from same city indicate a tense adjustement among sectors with differents systematics of work. The strong demand of the workers in the coffee plantations forced plantation&#45;owner negotiated agreements of job with countryman, adjust with the traditional agrarian cicle of theirs food plantation, what created a relation of give service irregular, accept, but frustrated for the expectation of the sector agrarian exportation.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Key&#45;words:</b> work market; coffee economy; give service.</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este artigo enfoca uma das faces do processo de transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho numa &aacute;rea s&oacute;cio&#45;econ&ocirc;mica espec&iacute;fica da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo atrav&eacute;s de algumas reflex&otilde;es sobre o segmento dos pequenos lavradores de ro&ccedil;as de alimentos da regi&atilde;o de Campinas, na segunda metade do s&eacute;culo XIX. A an&aacute;lise baseou&#45;se em dados qualitativos levantados em documentos oficiais, tais como discursos de deputados, artigos de jornais e processos judiciais, cujos conte&uacute;dos revelaram uma rela&ccedil;&atilde;o de tenso consenso entre este segmento e os produtores de caf&eacute; que necessitavam de seu potencial de trabalho.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na segunda metade do s&eacute;culo XIX, em Campinas, pr&oacute;spero munic&iacute;pio produtor de caf&eacute; do chamado oeste hist&oacute;rico paulista,<sup><a name="n1b"></a><a href="#n1a">1</a></sup> lavradores de ro&ccedil;a de alimentos eram vistos pelos fazendeiros como potenciais trabalhadores para as lavouras cafeeiras, especialmente em per&iacute;odos de maior demanda da produ&ccedil;&atilde;o. Contudo, a diferen&ccedil;a entre o ciclo de trabalho nas ro&ccedil;as e o exigido pela grande lavoura, foi motivo de muitos conflitos entre lavradores, sitiantes e fazendeiros de caf&eacute;, como sugere a documenta&ccedil;&atilde;o produzida pela imprensa da &eacute;poca e pela Assembl&eacute;ia Legislativa de S&atilde;o Paulo. Como este per&iacute;odo foi marcado pelo longo processo de desagrega&ccedil;&atilde;o do sistema escravista, tais conflitos mobilizaram fazendeiros de regi&otilde;es em expans&atilde;o e crise de produ&ccedil;&atilde;o.<sup><a name="n2b"></a><a href="#n2a">2</a></sup> V&aacute;rias id&eacute;ias foram cogitadas quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de um mercado de trabalhadores livres e remunerados e algumas experi&ecirc;ncias foram realizadas com imigrantes europeus.<sup><a name="n3b"></a><a href="#n3a">3</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Quanto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o nacional livre ou liberta, as propostas envolveram desde a viabilidade do seu aproveitamento nas lavouras cafeeiras at&eacute; a sua relativa ou completa rejei&ccedil;&atilde;o, a partir de argumentos que apontavam sua incapacidade de inser&ccedil;&atilde;o em regime de trabalho disciplinado como era o da lavoura agro&#45;exportadora. Mas nas fases de maior demanda de trabalho, como as da colheita de caf&eacute;, os propriet&aacute;rios de fazendas viram&#45;se obrigados a recorrer ao contingente de moradores locais, que viviam de v&aacute;rios expedientes e de suas pr&oacute;prias ro&ccedil;as de alimentos. Para estes moradores, o trabalho tempor&aacute;rio nas fazendas era uma oportunidade de ganhos, tendo em vista o car&aacute;ter vol&aacute;til das possibilidades de trabalho e ganho no Brasil do s&eacute;culo XIX.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No processo de compatibiliza&ccedil;&atilde;o entre regimes de trabalho t&atilde;o diferentes, como o das ro&ccedil;as e o da lavoura agro&#45;exportadora, estabeleceu&#45;se uma rela&ccedil;&atilde;o de conflitos e consensos. A an&aacute;lise desta rela&ccedil;&atilde;o permite a reflex&atilde;o sobre o interesse do setor cafeeiro pelo potencial e forma de trabalho dos pequenos lavradores, tratados no discurso dos cafeicultores e seus representantes, na imprensa e na pol&iacute;tica, como criminalidade e ociosidade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Conjunturas de expans&atilde;o do caf&eacute; e de reordenamento das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora o caf&eacute; tenha sido introduzido no Brasil desde meados do s&eacute;culo XVIII, somente no final deste s&eacute;culo atingiu grande import&acirc;ncia comercial, devido a alta dos pre&ccedil;os provocada pela desestrutura&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cafeeira da col&oacute;nia francesa do Haiti. Na d&eacute;cada de 1820, o produto respondia por 18% das exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras, ficando atr&aacute;s do algod&atilde;o e do a&ccedil;&uacute;car, mas entre 1830&#45;1840 passou a ocupar o primeiro lugar, representando mais de 40% das exporta&ccedil;&otilde;es.<sup><a name="n4b"></a><a href="#n4a">4</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em meados do s&eacute;culo XIX o mercado norte americano absorvia 50% do caf&eacute; brasileiro. Em 1851 eram exportadas 27 339 milh&otilde;es de sacas do produto, em 1861 este valor subiu para 29 103, elevando para 32 509 em 1871 e em 1881 para 51 631.<sup><a name="n5b"></a><a href="#n5a">5</a></sup> O pre&ccedil;o do caf&eacute; no mercado internacional sofreu oscila&ccedil;&otilde;es conjunturais, declinando entre 1850&#45;1860, recuperando&#45;se em 1870 e caindo novamente de 3.11 libras para 2.15 por saca,<sup><a name="n6b"></a><a href="#n6a">6</a></sup> sendo que o aumento da produ&ccedil;&atilde;o foi um mecanismo de compensa&ccedil;&atilde;o desta queda.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O processo de forma&ccedil;&atilde;o de um mercado de trabalhadores livres e remunerados do setor, tamb&eacute;m obedeceu a v&aacute;rias e diferentes conjunturas, atingindo ainda desdobramentos espec&iacute;ficos, de acordo com as condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio&#45;econ&ocirc;micas de cada regi&atilde;o produtora de caf&eacute;. A suspens&atilde;o definitiva do tr&aacute;fico negreiro atl&acirc;ntico, em 1850, foi um momento crucial neste processo, desencadeando a consolida&ccedil;&atilde;o do escravismo em bases nacionais.<sup><a name="n7b"></a><a href="#n7a">7</a></sup> Essa supress&atilde;o, que somou&#45;se ao hist&oacute;rico problema da deficiente reprodu&ccedil;&atilde;o natural da escravatura<sup><a name="n8b"></a><a href="#n8a">8</a></sup> coincidiu com a expans&atilde;o das lavouras cafeeiras na zona da mata mineira, no Vale do Para&iacute;ba fluminense e paulista.<sup><a name="n9b"></a><a href="#n9a">9</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A expans&atilde;o do caf&eacute; como produto de exporta&ccedil;&atilde;o desencadeou um processo ascensional de demanda de m&atilde;o&#45;de&#45;obra no centro&#45;sul do Brasil, especialmente em S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, que se tornaram os principais centros de com&eacute;rcio de trabalhadores escravos e p&oacute;lo de atra&ccedil;&atilde;o de trabalhadores livres. A popula&ccedil;&atilde;o geral &#45;livre e escrava&#45; de dois estados antigos produtores de caf&eacute; (Rio de Janeiro e Minas Gerais) cresceu em torno de 1.6% e as regi&otilde;es de S&atilde;o Paulo e Esp&iacute;rito Santo, que se expandiam na produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;, tiveram uma eleva&ccedil;&atilde;o de popula&ccedil;&atilde;o em torno de 3,6%, ou seja, desenvolvimento da cafeicultura nesta regi&atilde;o gerou transfer&ecirc;ncia de m&atilde;o&#45;de&#45;obra de uma regi&atilde;o a outra.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A popula&ccedil;&atilde;o escrava, que compunha a base do mercado de trabalho do per&iacute;odo era formada, em 1872, por um total de 1 500 000.<sup><a name="n10b"></a><a href="#n10a">10</a></sup> Entre 1823 e 1872 esta popula&ccedil;&atilde;o multiplicou&#45;se na prov&iacute;ncia paulista cerca de oito vezes. Quanto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o nacional livre, estima&#45;se que por todo o territ&oacute;rio do Imp&eacute;rio, englobasse um total de 6 000 000 de pessoas.<sup><a name="n11b"></a><a href="#n11a">11</a></sup></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pouco antes de 1850, quando ocorreu a extin&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico negreiro atl&acirc;ntico, em munic&iacute;pios da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, foram empreendidas iniciativas particulares para trazer imigrantes europeus que trabalhassem nas lavouras de caf&eacute; em forma&ccedil;&atilde;o. Se at&eacute; ent&atilde;o, em outras prov&iacute;ncias, iniciativas como estas foram orientadas com prop&oacute;sitos de coloniza&ccedil;&atilde;o, contando com est&iacute;mulos da iniciativa oficial, nas regi&otilde;es do oeste hist&oacute;rico o objetivo era outro, ou seja, trazer o imigrante europeu para ser trabalhador livre nas lavouras de caf&eacute; numa conjuntura de expans&atilde;o inicial que coincidiu com a suspens&atilde;o do tradicional meio de reprodu&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o&#45;de&#45;obra, ou seja, o tr&aacute;fico atl&acirc;ntico.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Antes mesmo da independ&ecirc;ncia, Antonio Rodrigues Velloso de Oliveira, jurisconsulto e magistrado paulista eleito para a primeira Assembl&eacute;ia Constituinte brasileira, atrav&eacute;s de sua "Mem&oacute;ria sobre os melhoramentos da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo" mostrou&#45;se atento a esta problem&aacute;tica, sugerindo a implanta&ccedil;&atilde;o do regime de trabalho sob parceria na agro&#45;produ&ccedil;&atilde;o. Tal proposta materializou&#45;se posteriormente na iniciativa do senador Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, ao introduzir 90 fam&iacute;lias de camponeses do Minho, numa fazenda de sua propriedade, pr&oacute;xima &agrave; cidade de Limeira (Ibicaba), em 1840, na condi&ccedil;&atilde;o de trabalhadores. Em 1847 fundou uma companhia de imigra&ccedil;&atilde;o, a Vergueiro &amp; Companhia, e com o aux&iacute;lio de um empr&eacute;stimo de tr&ecirc;s anos, tomado ao governo, contratou 364 fam&iacute;lias alem&atilde;s, que passaram a trabalhar sob o sistema de parceria.<sup><a name="n12b"></a><a href="#n12a">12</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1850, fazendeiros impressionados com o aparente sucesso da experi&ecirc;ncia de Vergueiro e tamb&eacute;m dispostos a experimentar a m&atilde;o&#45;de&#45;obra livre e estrangeira obtiveram trabalhadores imigrantes atrav&eacute;s da Vergueiro &amp; Cia, o que onerou ainda mais os custos de seus contratos e consequentemente, suas condi&ccedil;&otilde;es de vida e trabalho no interior das col&ocirc;nias.<sup><a name="n13b"></a><a href="#n13a">13</a></sup> Assim, em 1855, havia em torno de 3 500 trabalhadores imigrantes em trinta fazendas da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo,<sup><a name="n14b"></a><a href="#n14a">14</a></sup> sendo 2 000 destes de origem alem&atilde; e sui&ccedil;a.<sup><a name="n15b"></a><a href="#n15a">15</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora a historiografia atribua car&aacute;ter pragm&aacute;tico a esta atitude do senador Vergueiro, impulsionada pela press&atilde;o da perspectiva futura de fim do sistema escravista,<sup><a name="n16b"></a><a href="#n16a">16</a></sup> tamb&eacute;m pode ter sido motivada pela combina&ccedil;&atilde;o entre infla&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o da m&atilde;o&#45;de&#45;obra escrava, provocada pela extin&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico atl&acirc;ntico e baixo capital de giro pr&oacute;prio de uma frente de expans&atilde;o do caf&eacute; em fase inicial, como era a do oeste hist&oacute;rico paulista do per&iacute;odo, que impossibilitava a aquisi&ccedil;&atilde;o de bra&ccedil;os que satisfizessem a demanda de trabalho na cafeicultura. Conforme sugeriu o pioneiro estudo de Sebasti&atilde;o Witter, de 1825 a 1840 a col&ocirc;nia do senador Vergueiro teve um desenvolvimento lento em virtude do reduzido n&uacute;mero de escravos, que por sua vez gerava capitaliza&ccedil;&atilde;o insuficiente para a aquisi&ccedil;&atilde;o do elemento servil.<sup><a name="n17b"></a><a href="#n17a">17</a></sup> Diante desta conjuntura econ&ocirc;mica, os custos de importa&ccedil;&atilde;o de trabalhadores imigrantes europeus podem ter sido menores e mais vantajosos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estudos demonstraram que o pre&ccedil;o m&eacute;dio do escravo tendeu a aumentar ap&oacute;s a extin&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico, alcan&ccedil;ando a estimativa de 500$000 a um conto de r&eacute;is ao longo da d&eacute;cada de 50 do XIX.<sup><a name="n18b"></a><a href="#n18a">18</a></sup> Em 1853, o senador Vergueiro obteve do governo da prov&iacute;ncia a quantia de 25 contos com a obriga&ccedil;&atilde;o de importar 500 colonos por ano. Desse contrato foram introduzidos um total de 1 039 colonos. Supondo que, ao inv&eacute;s deste total de colonos europeus, o senador Vergueiro tivesse adquirido escravos, teria necessidade de um total de 519;500$000, valor, portanto, bastante superior.<sup><a name="n19b"></a><a href="#n19a">19</a></sup> Em 1855 a Assembl&eacute;ia Legislativa Provincial recebeu solicita&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimo de 20 contos, de v&aacute;rios fazendeiros de Taubat&eacute;, para a importa&ccedil;&atilde;o de 400 colonos. Com este valor seria poss&iacute;vel adquirir apenas 40 escravos.<sup><a name="n20b"></a><a href="#n20a">20</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O emprego da m&atilde;o&#45;de&#45;obra estrangeira era mais adequado e vantajoso ainda porque a base das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho era familiar, ou seja, importava&#45;se e ajustava&#45;se nas col&ocirc;nias fam&iacute;lias de imigrantes, possibilitando o uso de m&atilde;o&#45;de&#45;obra n&atilde;o remunerada, ou seja, o trabalho de mulheres e crian&ccedil;as. Estes trabalhadores eram obrigados a ressarcir os custos de sua vinda para o Brasil com juros de 6% ao ano, ocorrendo casos de cobran&ccedil;a de juros no valor de 12% ao ano. Estes dados sugerem que o senador Vergueiro n&atilde;o foi um homem &agrave; frente de seu tempo, prevendo o fim do sistema escravista e estimulando os plantadores paulistas a implantarem uma pol&iacute;tica efetiva de recurso &agrave; m&atilde;o&#45;de&#45;obra europ&eacute;ia.<sup><a name="n21b"></a><a href="#n21a">21</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tal iniciativa parece ter sido mais uma solu&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria para um quadro de expans&atilde;o acelerada da lavoura, baixo n&iacute;vel de capitaliza&ccedil;&atilde;o, necessidade de m&atilde;o&#45;de&#45;obra e supervaloriza&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o do escravo, conforme sugere a despreocupa&ccedil;&atilde;o do senador em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; proced&ecirc;ncia urbana e aus&ecirc;ncia de tradi&ccedil;&atilde;o rural dos imigrantes su&iacute;&ccedil;os que trouxe para trabalhar em sua col&ocirc;nia de Ibicaba<sup><a name="n22b"></a><a href="#n22a">22</a></sup> e a tend&ecirc;ncia &agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico interprovincial de cativos.<sup><a name="n23b"></a><a href="#n23a">23</a></sup> O argumento de que os cafeicultores do oeste hist&oacute;rico previam o fim do sistema escravista n&atilde;o explica os esfor&ccedil;os pol&iacute;tico&#45;financeiros &#45;algo que inclusive merece investiga&ccedil;&otilde;es&#45;para a aquisi&ccedil;&atilde;o de cativos atrav&eacute;s do tr&aacute;fico interprovincial.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em que medida o problema da inevitabilidade do fim da escravid&atilde;o se colocava para os fazendeiros da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, no final da d&eacute;cada de 1840 e in&iacute;cio de 1850, se a partir da extin&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico atl&acirc;ntico recorreram intensamente ao tr&aacute;fico interprovincial?<sup><a name="n24b"></a><a href="#n24a">24</a></sup> Em meados do s&eacute;culo XIX, o sistema escravista no Brasil n&atilde;o parecia viver qualquer perigo imediato e sua exist&ecirc;ncia parecia assegurada por mais uma gera&ccedil;&atilde;o, embora estivesse destinado &agrave; extin&ccedil;&atilde;o devido &agrave; interrup&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico atl&acirc;ntico.<sup><a name="n25b"></a><a href="#n25a">25</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre 1847 e 1857, fase formadora da expans&atilde;o cafeeira no oeste hist&oacute;rico da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, as col&ocirc;nias agr&iacute;colas sob sistema de parceria adquiriram bastante import&acirc;ncia.<sup><a name="n26b"></a><a href="#n26a">26</a></sup> In&uacute;meras col&ocirc;nias foram fundadas combinando trabalho escravo com livre, compondo uma poss&iacute;vel alternativa para enfrentar a intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho enquanto n&atilde;o estava formado um mercado de m&atilde;o&#45;de&#45;obra escrava suficiente, algo que o tr&aacute;fico interno, intensificado a partir de 1850, viria solucionar. Um mapa elaborado pelo desembargador Valdetaro e publicado no relat&oacute;rio enviado &agrave; Assembl&eacute;ia Legislativa Provincial de S&atilde;o Paulo pelo presidente da prov&iacute;ncia demonstra que em 1858 muitos nacionais livres tamb&eacute;m compunham a m&atilde;o&#45;de&#45;obra destas col&ocirc;nias.<sup><a name="n27b"></a><a href="#n27a">27</a></sup> N&uacute;meros expressivos eram os das col&ocirc;nias Santa B&aacute;rbara (Limeira) e Cresciumal (Pirassununga) de propriedade do senador Francisco Antonio de Souza Queiroz, com 203 e 88 nacionais livres, respectivamente.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esta combina&ccedil;&atilde;o variada de trabalhadores, ou seja, nacionais livres, escravos e imigrantes europeus livres at&eacute; os anos sessenta do XIX, quando ocorreu interrup&ccedil;&atilde;o da vinda de imigrantes, intensifica&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico interprovincial e predomin&acirc;ncia da m&atilde;o&#45;de&#45;obra cativa, sugere que a diversifica&ccedil;&atilde;o inicial de trabalhadores e sistemas de trabalho visava mais enfrentar um problema moment&acirc;neo de expans&atilde;o da lavoura e mercado de trabalho insuficiente. Levando&#45;se em considera&ccedil;&atilde;o a baixa mecaniza&ccedil;&atilde;o e racionaliza&ccedil;&atilde;o do trabalho na fase inicial da expans&atilde;o cafeeira como fator a exigir grande e variado n&uacute;mero de trabalhadores,<sup><a name="n28b"></a><a href="#n28a">28</a></sup> pode&#45;se considerar que a iniciativa do senador Vergueiro representou uma forma de lidar com as limita&ccedil;&otilde;es do sistema produtivo do que propriamente previs&atilde;o sobre o fim do sistema escravista.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Desta experi&ecirc;ncia pioneira com o trabalho livre pelo sistema de parceria emergiu uma s&eacute;rie de contradi&ccedil;&otilde;es materializadas na revolta de colonos de Ibicaba, em 1850, contra suas prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de vida, explora&ccedil;&atilde;o no trabalho, endividamento e incompatibilidade entre sistema de parceria e sistema cafeeiro em fase inicial de expans&atilde;o, que exigia compress&atilde;o dos custos com m&atilde;o&#45;de&#45;obra.<sup><a name="n29b"></a><a href="#n29a">29</a></sup> A interrup&ccedil;&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia com prop&oacute;sitos de introduzir trabalhadores na prov&iacute;ncia paulista n&atilde;o pode, contudo, ser exclusivamente creditada &agrave; rebeli&atilde;o dos colonos de Ibicaba, merecendo ser investigadas as condi&ccedil;&otilde;es que propiciaram a consolida&ccedil;&atilde;o dos fluxos internos de m&atilde;o&#45;de&#45;obra cativa.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Visto sob outra perspectiva, tais fluxos podem ter incentivado os fazendeiros paulistas a abandonarem o expediente do recurso externo de trabalhadores livres,<sup><a name="n30b"></a><a href="#n30a">30</a></sup> n&atilde;o sendo, portanto, v&iacute;timas da interrup&ccedil;&atilde;o deliberada do movimento imigrat&oacute;rio levada &agrave; cabo por alguns Estados europeus em virtude da m&aacute; repercuss&atilde;o das not&iacute;cias sobre as motiva&ccedil;&otilde;es desta rebeli&atilde;o.<sup><a name="n31b"></a><a href="#n31a">31</a></sup> Ap&oacute;s 1857 o contrato de parceria foi sendo gradativamente complementado por outras formas de trabalho livre, como a empreitada, loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os<sup><a name="n32b"></a><a href="#n32a">32</a></sup> e colonato. Mesmo com o crescimento da agita&ccedil;&atilde;o abolicionista, especialmente ap&oacute;s o lan&ccedil;amento do Manifesto de 1868 do Partido Liberal, defendendo o fim da escravid&atilde;o, os fazendeiros conseguiram, atrav&eacute;s de suas representa&ccedil;&otilde;es no Parlamento, prorrogar o sistema escravista at&eacute; 1888.<sup><a name="n33b"></a><a href="#n33a">33</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>O tema do Trabalhador nacional livre e a historiografia</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tendo em vista estas diferentes conjunturas na transi&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo para o livre, a quest&atilde;o de como o trabalhador nacional livre inseriu&#45;se neste processo ser&aacute; melhor compreendida se analisada &agrave; luz destes momentos espec&iacute;ficos que condicionaram seu tipo de inser&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m contribuiria bastante se fossem mais bem explicitados os segmentos de trabalhadores englobados pela categoria mais geral de trabalhador nacional, pois suas caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas de sobreviv&ecirc;ncia influenciaram a maneira como se inseriram neste processo. O tema do trabalhador nacional livre e a transi&ccedil;&atilde;o do trabalho na sociedade paulista at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o havia recebido tratamento minucioso, mas apenas indaga&ccedil;&otilde;es e uma promissora sugest&atilde;o de pesquisa.<sup><a name="n34b"></a><a href="#n34a">34</a></sup> Em&iacute;lia Viotti da Costa, no livro <i>Da senzala &agrave; colonic?<sup><a name="n35b"></a><a href="#n35a">35</a></sup></i> indicou que diante da frustrante experi&ecirc;ncia com o sistema de parceria, algumas vozes no legislativo da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo passaram a defender a "coloniza&ccedil;&atilde;o p&aacute;tria", ou seja, o emprego da m&atilde;o&#45;de&#45;obra nacional.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esta id&eacute;ia, contudo, n&atilde;o animou a maioria dos fazendeiros, que at&eacute; 1870 consideravam esta m&atilde;o&#45;de&#45;obra pouco produtiva e arredia ao trabalho, que por sua vez, tamb&eacute;m tinha raz&otilde;es para n&atilde;o se animar com o trabalho na lavoura cafeeira. O trabalhador nacional, segundo este estudo, acreditava, por exemplo, que poderia se igualar &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de escravo, caso fosse trabalhar nas fazendas como camarada. Al&eacute;m disso, sua hist&oacute;rica exist&ecirc;ncia &agrave; margem das grandes correntes econ&ocirc;micas, ou seja, da economia agro&#45;exportadora, condenou&#45;o &atilde; economia de subsist&ecirc;ncia.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Robert Conrad, em <i>Os &uacute;ltimos anos da escravatura no Brasil</i> tamb&eacute;m apontou esta relut&acirc;ncia do trabalhador nacional em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s dificuldades e degrada&ccedil;&atilde;o da vida na fazenda cafeeira, que o levou a preferir subsistir nas franjas da economia. Ressaltou tamb&eacute;m a hesita&ccedil;&atilde;o dos fazendeiros em empreg&aacute;&#45;lo, tendo em vista experi&ecirc;ncias que demonstraram sua pouca disposi&ccedil;&atilde;o para o trabalho sistem&aacute;tico nas lavouras.<sup><a name="n36b"></a><a href="#n36a">36</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estudos posteriores avan&ccedil;aram um pouco mais nas indaga&ccedil;&otilde;es, como "Um estabelecimento agr&iacute;cola no estado de S&atilde;o Paulo",<sup><a name="n37b"></a><a href="#n37a">37</a></sup> escrito por Jos&eacute; Witter, que apontou a dispers&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o nacional como obst&aacute;culo para seu recrutamento. Diante da dificuldade de recrutamento da m&atilde;o&#45;de&#45;obra interna, os fazendeiros n&atilde;o tiveram outra op&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o buscar esta m&atilde;o&#45;de&#45;obra externamente. Assim como os dois estudos primeiramente citados, este &uacute;ltimo tamb&eacute;m &eacute; tribut&aacute;rio das conclus&otilde;es de Celso Furtado, que se referem &agrave; economia de subsist&ecirc;ncia como fator incapacitador do trabalhador nacional para o trabalho agr&iacute;cola disciplinado.<sup><a name="n38b"></a><a href="#n38a">38</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Warren Dean, nas p&aacute;ginas de <i>Rio Claro: um sistema brasileiro de grande lavoura</i> invocou o legado paternalista das rela&ccedil;&otilde;es sociais no Brasil como desestimulador do emprego do trabalhador nacional no trabalho regular na planta&ccedil;&atilde;o de caf&eacute;, pois os fazendeiros tinham necessidade de assegurar sua lealdade e perman&ecirc;ncia nas propriedades, pois eram seu esteio pol&iacute;tico&#45;social. Dividindo o trabalhador nacional entre os est&aacute;veis &#45;agregados&#45; e os inst&aacute;veis &#45;camaradas&#45;, este estudo afirmou que nenhum destes dois grupos era empregado no trabalho regular na planta&ccedil;&atilde;o, sendo utilizado somente para certas tarefas, como limpar mato, construir estradas ou guiar carro&ccedil;as, ou seja, numa gama de atividades acess&oacute;rias.<sup><a name="n39b"></a><a href="#n39a">39</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o destas obras, o artigo "O homem esquecido", de Peter Eisenberg, tocou diretamente neste assunto, tendo permanecido, contudo, como promessa de pesquisa, diante da morte precoce de seu autor.<sup><a name="n40b"></a><a href="#n40a">40</a></sup> Pela primeira vez o tema do trabalhador nacional foi detidamente questionado e apontado sua import&acirc;ncia para o melhor entendimento da transi&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo ao livre. Dentre suas indaga&ccedil;&otilde;es estavam as raz&otilde;es para n&atilde;o ter ocorrido o melhor aproveitamento do trabalhador nacional na expans&atilde;o do caf&eacute; em S&atilde;o Paulo e a op&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho rural paulista pela imigra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia, a partir de meados de 1880. Tamb&eacute;m sugeria a necessidade de investiga&ccedil;&atilde;o dos tipos m&uacute;ltiplos de trabalhadores, destacando as diferen&ccedil;as entre, por exemplo, agricultores na economia de subsist&ecirc;ncia e moradores e agregados e entre "vadios" e camaradas que ganhavam por dia ou tarefa, algo que ainda n&atilde;o foi feito.<sup><a name="n41b"></a><a href="#n41a">41</a></sup></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pesquisas posteriores sobre a transi&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o para o trabalho livre n&atilde;o prosseguiram no caminho aberto por "O homem esquecido". V&aacute;rias investiga&ccedil;&otilde;es voltaram&#45;se para o imigrante europeu, como <i>Imigrantes para o caf&eacute;,</i> de Thomas Holloway, e <i>Cafeicultura,</i> de Verena Stolcke, que explicam o recurso dos fazendeiros paulistas aos trabalhadores imigrantes em virtude da inexist&ecirc;ncia de uma reserva de m&atilde;o&#45;de&#45;obra nacional prontamente dispon&iacute;vel.<sup><a name="n42b"></a><a href="#n42a">42</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">L&uacute;cio Kowarick, em <i>Trabalho e vadiagem,</i> compartilhando de interpreta&ccedil;&atilde;o que atribu&iacute;a atrofiamento aos processos econ&ocirc;mico&#45;sociais constitu&iacute;dos &agrave; margem do sistema agro&#45;exportador, reconhecia participa&ccedil;&atilde;o acess&oacute;ria e ocasional do trabalhador nacional no processo produtivo, como servi&ccedil;os de defesa, coa&ccedil;&atilde;o, morte, desmatamento, a sobreviv&ecirc;ncia em pequenas glebas de terra ou vagando pelos campos e cidades. Ou seja, o lugar reservado para o trabalhador nacional neste processo teria sido aquele que o escravo n&atilde;o podia e o imigrante n&atilde;o queria ocupar.<sup><a name="n43b"></a><a href="#n43a">43</a></sup> Concordando com conclus&otilde;es anteriores da historiografia, responsabilizava a escravid&atilde;o pelo aviltamento do trabalho manual, ao alimentar um preconceito que levou os trabalhadores nacionais livres a recusarem se inserir no mercado de trabalho rural paulista. Por outro lado, os pr&oacute;prios fazendeiros duvidavam das suas potencialidades de trabalho sistem&aacute;tico.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora o subt&iacute;tulo do livro <i>Os bra&ccedil;os da lavoura,</i> escrito por Chiara Vangelista, sugira um lugar para o trabalhador nacional livre no mercado de trabalho rural paulista, este ainda foi secund&aacute;rio e subordinado ao imigrante, repetindo a condi&ccedil;&atilde;o marginal apontada at&eacute; ent&atilde;o pela historiografia. Indisposi&ccedil;&atilde;o, incapacidade de adapta&ccedil;&atilde;o a trabalho constante e at&aacute;vica indol&ecirc;ncia, condicionaram sua utiliza&ccedil;&atilde;o na lavoura apenas como m&atilde;o&#45;de&#45;obra provis&oacute;ria, em per&iacute;odos de colheita. Na sociedade paulista, o trabalhador nacional teria sido parte de um enorme ex&eacute;rcito de reserva de m&atilde;o&#45;de&#45;obra, utilizado raramente em atividades marginais do processo produtivo. Esta situa&ccedil;&atilde;o levou &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o da potencial oferta externa de trabalhadores,<sup><a name="n44b"></a><a href="#n44a">44</a></sup> conforme esta pesquisa concluiu.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Desde a publica&ccedil;&atilde;o de <i>Saindo das sombras: homens livres no decl&iacute;nio do escravismo,</i> escrito por mim, o tema do trabalhador nacional e a forma&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho livre na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo foi alvo de investiga&ccedil;&otilde;es de duas pesquisas bem fundamentadas empiricamente. Uma delas, ainda in&eacute;dita, lan&ccedil;ou luz sobre deslocamentos humanos inter&#45;regionais e rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o&#45;escravistas na sociedade paulista, atrav&eacute;s da investiga&ccedil;&atilde;o sobre o movimento imigrat&oacute;rio de retirantes subsidiado pelo poder central como estrat&eacute;gia para aumentar a oferta de trabalhadores e baixar o custo da produ&ccedil;&atilde;o.<sup><a name="n45b"></a><a href="#n45a">45</a></sup> Mais recentemente <i>0 cultivo do caf&eacute; nas bocas do sert&atilde;o paulista</i> refor&ccedil;ou a tese da complexidade e diversifica&ccedil;&atilde;o da transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, ao documentar a inser&ccedil;&atilde;o do trabalhador nacional livre em duas frentes de expans&atilde;o tardia do caf&eacute;, ou seja, S&atilde;o Carlos e Araraquara.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tais pesquisas v&ecirc;em contribuindo para questionar interpreta&ccedil;&otilde;es que atribuem car&aacute;ter de exce&ccedil;&atilde;o &agrave; prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo no processo de transi&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo ao livre, especialmente a partir dos anos setenta do XIX, baseadas na identifica&ccedil;&atilde;o de um projeto imigrantista que representou a vit&oacute;ria do oeste paulista e a generaliza&ccedil;&atilde;o de sua proposta para outras &aacute;reas cafeeiras, no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo esta tese, na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo n&atilde;o teria ocorrido a incorpora&ccedil;&atilde;o do ex&#45;escravo e do homem livre e pobre no processo de transi&ccedil;&atilde;o, tendo prevalecido o imigrante europeu.<sup><a name="n46b"></a><a href="#n46a">46</a></sup> Pesquisas emp&iacute;ricas empreendidas sobre as v&aacute;rias frentes paulistas de expans&atilde;o do caf&eacute; v&ecirc;em comprovando a inadequa&ccedil;&atilde;o da tese da exce&ccedil;&atilde;o ou da vit&oacute;ria e generaliza&ccedil;&atilde;o de um projeto imigrantista europeu, apontando para uma realidade hist&oacute;rica que contou com a presen&ccedil;a mais ativa do trabalhador nacional livre e liberto, como demonstrar&aacute; este artigo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Produtores de caf&eacute; e negocia&ccedil;&atilde;o de ajustes de trabalho</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A partir de meados de 1850 o munic&iacute;pio de Campinas tornou&#45;se frente de expans&atilde;o da economia agro&#45;exportadora do caf&eacute; e em seu per&iacute;metro urbano passaram a conviver res&iacute;duos coloniais e pruridos de modernidade, atrav&eacute;s de sociabilidades comunit&aacute;rias, do teatro S&atilde;o Carlos (1850), da implanta&ccedil;&atilde;o da imprensa, da diversifica&ccedil;&atilde;o do quadro profissional provocada pela amplia&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho livre, do surgimento de manufaturas e f&aacute;bricas ligadas &agrave; agricultura, vestu&aacute;rio, do advento da estrada de ferro. Estas transforma&ccedil;&otilde;es elevaram o munic&iacute;pio &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de "capital agr&iacute;cola da prov&iacute;ncia",<sup><a name="n47b"></a><a href="#n47a">47</a></sup> reunindo consider&aacute;vel popula&ccedil;&atilde;o de escravos, livres e propriedades de portes e n&iacute;veis de capitaliza&ccedil;&atilde;o variados.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estima&#45;se que em 1875 a popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio era de 52 400 habitantes, sendo 21 990 escravos e 30 410 livres. Do total de popula&ccedil;&atilde;o, portanto, 58.04% era livre e 41.96% era escrava.<sup><a name="n48b"></a><a href="#n48a">48</a></sup> Este n&uacute;mero expressivo de popula&ccedil;&atilde;o cativa demonstra a for&ccedil;a das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho escravistas no munic&iacute;pio. Contudo, a leitura de an&uacute;ncios de trabalho publicados no jornal <i>A Gazeta de Campinas</i> a partir de 1870, sugerem o recurso constante de fazendeiros e lavradores de caf&eacute; &agrave; rela&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o&#45;escravistas. Como tais an&uacute;ncios eram redigidos em portugu&ecirc;s, pode&#45;se concluir que seu alvo era o trabalhador nacional livre. Caso o p&uacute;blico pretendido fosse o estrangeiro das levas imigrat&oacute;rias do final dos anos quarenta e cinqtlenta, possivelmente estariam escritos em outro idioma, como o alem&atilde;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estes an&uacute;ncios de trabalho permitem constatar que embora <i>A Gazeta</i> fosse um peri&oacute;dico que representasse os interesses dos cafeicultores, circulava entre trabalhadores livres da regi&atilde;o, conforme inclusive pressupunham seus editores ao veicularem tais an&uacute;ncios atrav&eacute;s de suas p&aacute;ginas. Estes an&uacute;ncios de trabalho dirigidos para trabalhadores nacionais livres ou libertos e publicados num jornal que representava os interesses dos cafeicultores de uma regi&atilde;o que se tornou "capital agr&iacute;cola da prov&iacute;ncia", dado seus altos &iacute;ndices de produtividade e exporta&ccedil;&atilde;o do caf&eacute;, contribuem para que seja relativizada a tese que atribui car&aacute;ter de exce&ccedil;&atilde;o para a transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, a partir do argumento do prevalecimento da m&atilde;o&#45;de&#45;obra imigrante europ&eacute;ia.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Propriet&aacute;rios de s&iacute;tios ou grandes fazendas de Campinas e regi&atilde;o, portanto, recorriam com freq&uuml;&ecirc;ncia ao potencial de trabalho do trabalhador nacional livre e especialmente em conjunturas de alta produtividade como a dos anos setenta do XIX. No s&iacute;tio de Hercules Florence &amp; Filhos era oferecido aos colhedores pagamento de 240 rs. por alqueire colhido.<sup><a name="n49b"></a><a href="#n49a">49</a></sup> Em propriedades maiores, os servi&ccedil;os envolviam tamb&eacute;m transporte do caf&eacute;, como requisitava a fazenda Ibicaba em 28 de setembro de 1874.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com assinatura de Jos&eacute; Vergueiro, anunciava: "Paga&#45;se nesta fazenda at&eacute; o fim do pr&oacute;ximo m&ecirc;s de outubro a condu&ccedil;&atilde;o de caf&eacute; a entregar em Campinas a raz&atilde;o de setecentos r&eacute;is por arroba e d&aacute;&#45;se sacos para conduzi&#45;los."<sup><a name="n50b"></a><a href="#n50a">50</a></sup> A fazenda Ang&eacute;lica, de propriedade de Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, tinha necessidade de um n&uacute;mero bem diversificado de trabalhadores, n&atilde;o s&oacute; para a lavoura. Conforme anunciava "precisa&#45;se... de carpinteiros, pedreiros, oleiros, serventes, camaradas e trabalhadores de toda esp&eacute;cie. Encontrar&atilde;o trabalho a jornal ou por empreitada. Ajusta&#45;se tamb&eacute;m colonos nas condi&ccedil;&otilde;es usuais."<sup><a name="n51b"></a><a href="#n51a">51</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este an&uacute;ncio contemplava tanto trabalhadores nacionais livres e libertos, como estrangeiros,<sup><a name="n52b"></a><a href="#n52a">52</a></sup> pois oferecia formas de ajustes a jornal, empreitada ou nas "condi&ccedil;&otilde;es usuais" para colonos, que tanto podiam ser estrangeiros como nacionais e empregavam&#45;se sob v&aacute;rios sistemas, como a parceria, sistema de sal&aacute;rio, empreitada, loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, mea&ccedil;&atilde;o e colonato. In&uacute;meras possibilidades de ajustes de trabalho eram oferecidas para o trabalhador nacional livre, o que sugere que a demanda de trabalho tendia a flexibilizar as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na hist&oacute;ria do Brasil deste per&iacute;odo as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho escravas ainda eram predominantes e as livres n&atilde;o estavam plenamente constitu&iacute;das, mas os cafeicultores viveram a experi&ecirc;ncia concreta de necessitarem de m&atilde;o&#45;de&#45;obra nacional numa conjuntura de demanda da produ&ccedil;&atilde;o, precisando negociar com o trabalhador ajustes de trabalho convenientes. No que diz respeito ao segmento espec&iacute;fico dos lavradores de ro&ccedil;as de alimentos, conforme denomina&ccedil;&atilde;o da documenta&ccedil;&atilde;o esta quest&atilde;o era importante porque os ajustes de trabalho que realizassem devia&#45;lhes garantir condi&ccedil;&otilde;es para manter e cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es de suas ro&ccedil;as, atividade principal de sua sobreviv&ecirc;ncia.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Diante deste dado &eacute; poss&iacute;vel inferir que o trabalhador nacional poderia recusar ou n&atilde;o atender solicita&ccedil;&otilde;es de trabalho das fazendas de caf&eacute; que n&atilde;o permitissem concilia&ccedil;&atilde;o com suas demandas particulares de trabalho. Os fazendeiros, portanto, se viram for&ccedil;ados a negociar ajustes de trabalho mais convenientes, como fez Nicolau Vergueiro no an&uacute;ncio exposto acima. Ou seja, ao oferecer v&aacute;rias op&ccedil;&otilde;es de acordos de trabalho atrav&eacute;s dos an&uacute;ncios, levava&#45;se em considera&ccedil;&atilde;o exig&ecirc;ncias ou conveni&ecirc;ncias dos trabalhadores. No caso dos lavradores de ro&ccedil;a de alimentos, os contratos ou ajustes informais de trabalho deveriam permitir a concilia&ccedil;&atilde;o das tarefas espec&iacute;ficas de suas ro&ccedil;as. Tanto o trabalho &agrave; jornal &#45;pagamento por dia&#45; como por empreitada &#45;recebia&#45;se metade da remunera&ccedil;&atilde;o no in&iacute;cio do acordo e a outra metade ao ser conclu&iacute;do o trabalho, n&atilde;o especificando sua dura&ccedil;&atilde;o&#45; permitia a manuten&ccedil;&atilde;o de tarefas particulares dos trabalhadores.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esta constata&ccedil;&atilde;o sugere ainda que o trabalhador nacional n&atilde;o compreendia um universo populacional numericamente insuficiente. O "setor de subsist&ecirc;ncia", conforme express&atilde;o empregada por alguns autores da historiografia, n&atilde;o o manteve marginalizado das grandes correntes produtivas da economia nacional nem formou uma categoria social incapaz para o trabalho neste setor. Investiga&ccedil;&otilde;es na documenta&ccedil;&atilde;o sugerem que o segmento dos lavradores de ro&ccedil;a de alimentos, como uma categoria do trabalhador nacional, se inseriu no sistema produtivo cafeeiro ajustando suas demandas de trabalho particulares com as dos s&iacute;tios e grandes propriedades agro&#45;exportadoras que solicitavam seus servi&ccedil;os. Este tipo de inser&ccedil;&atilde;o, por outro lado, for&ccedil;ou os fazendeiros a negociarem formas de ajustamento no trabalho que levassem em considera&ccedil;&atilde;o a rotina de trabalho das ro&ccedil;as de alimentos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora transforma&ccedil;&otilde;es no cen&aacute;rio econ&ocirc;mico brasileiro da segunda metade do XIX &#45;aboli&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico atl&acirc;ntico de escravos, implanta&ccedil;&atilde;o do C&oacute;digo Comercial, lei de terras de 1850, expans&atilde;o urbana e das estradas de ferro e instaura&ccedil;&atilde;o do sistema bancario&#45; possam levar a crer que a expans&atilde;o da agro&#45;exporta&ccedil;&atilde;o do caf&eacute; no oeste hist&oacute;rico tenha ocorrido sob formas de produ&ccedil;&atilde;o capitalistas, investiga&ccedil;&otilde;es realizadas na documenta&ccedil;&atilde;o revelam uma realidade contr&aacute;ria, permeada pela perman&ecirc;ncia de estruturas antigas da escravid&atilde;o<sup><a name="n53b"></a><a href="#n53a">53</a></sup> simult&acirc;neas &agrave; rela&ccedil;&otilde;es de trabalho livres, assistem&aacute;ticas e baseadas em formas de remunera&ccedil;&atilde;o diversas, ou seja, por dia de trabalho ou pelo conjunto do trabalho realizado.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A presen&ccedil;a de lavradores de ro&ccedil;as de alimentos no mercado de m&atilde;o&#45;de&#45;obra cafeeiro sugere o ajustamento de temporalidades distintas, pois caf&eacute; e g&ecirc;neros de consumo, como milho, ab&oacute;bora e mandioca eram regidos por calend&aacute;rios agr&aacute;rios e demandas de trabalho espec&iacute;ficas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O plantio e colheita do caf&eacute; seguiam m&eacute;todos tradicionais. O cultivo era realizado cinco vezes ao ano e se a carpa (capinar) n&atilde;o era feita sistematicamente, as plantas jovens n&atilde;o se desenvolviam e os cafeeiros mais velhos se tornavam improdutivos. Capim e ervas daninhas deviam ser retirados com regularidade e como a enxada e a peneira manual eram instrumentos padr&atilde;o, as exig&ecirc;ncias de m&atilde;o&#45;de&#45;obra eram elevadas.<sup><a name="n54b"></a><a href="#n54a">54</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na planta&ccedil;&atilde;o o caf&eacute; se desenvolvia em etapas distintas. De setembro a novembro os arbustos embranqueciam com as flores. No final de maio, nos cafezais que floriam mais cedo, as cerejas de caf&eacute; tornavam&#45;se vermelho vivo e estavam maduras para serem colhidas e nos primeiros dias de agosto, a matura&ccedil;&atilde;o estava completa. Devido a natureza perene da planta do caf&eacute;, os cont&iacute;nuos cuidados exigidos e o emprego de t&eacute;cnicas manuais, as exig&ecirc;ncias de m&atilde;o&#45;de&#45;obra, especialmente est&aacute;vel e sistem&aacute;tica, sempre foram altas.<sup><a name="n55b"></a><a href="#n55a">55</a></sup> Alguns produtores de caf&eacute;, visando atrair m&atilde;o&#45;de&#45;obra, permitiam a pr&aacute;tica de culturas intercalares, ou seja, o plantio de g&ecirc;neros aliment&iacute;cios, como milho e feij&atilde;o, entre os p&eacute;s de caf&eacute;. Tal iniciativa promoveu o entrosamento de ciclos agr&iacute;colas de g&ecirc;neros de consumo e exporta&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m pode ter sido um desencadeador de conflitos entre trabalhadores e produtores, pois os primeiros, conforme sugere a documenta&ccedil;&atilde;o, tenderam a priorizar as demandas de trabalho de suas planta&ccedil;&otilde;es de alimentos.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nestas ro&ccedil;as de alimentos a rotina era regida por um calend&aacute;rio agr&iacute;cola&#45;religioso e tradicional espec&iacute;fico, que alternava momentos de maior ou menor demanda de trabalho. Sucediam&#45;se fases de plantio, colheita e festa, sendo esta &uacute;ltima tamb&eacute;m conhecida como vac&acirc;ncia. Tendo em vista que o patrim&ocirc;nio cultural dos lavradores de ro&ccedil;as era transmitido oralmente, n&atilde;o existem registros deste calend&aacute;rio para o s&eacute;culo XIX, algo que somente os folcloristas se encarregaram de fazer a partir do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Neste sentido, o recurso &agrave;s suas anota&ccedil;&otilde;es e levantamentos<sup><a name="n56b"></a><a href="#n56a">56</a></sup> &eacute; um caminho vi&aacute;vel para o historiador penetrar no universo mental dos segmentos populares e questionar os estere&oacute;tipos constru&iacute;dos pelos documentos oficiais em rela&ccedil;&atilde;o ao ritmo de trabalho nas ro&ccedil;as.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tomando como exemplo tr&ecirc;s dos g&ecirc;neros mais consumidos e comercializados no meio rural brasileiro &#45;milho, mandioca e ab&oacute;bora&#45; a descri&ccedil;&atilde;o da sua rotina de plantio, cuidado e colheita oferece uma boa vis&atilde;o do ritmo de trabalho nas ro&ccedil;as de alimentos. No plantio do milho, em primeiro lugar, o plantador abria o aceiro &#45;trecho aberto &agrave; enxada em torno da ro&ccedil;a para evitar que o fogo saltasse de uma carreira de plantio para outra&#45; no m&ecirc;s de julho. A queimada do mato era feita no m&ecirc;s de agosto, justamente quando as cerejas de caf&eacute; estavam completamente maturadas e deviam ser colhidas. Pronto o aceiro e feita a queima do solo, o plantio do milho poderia prosseguir at&eacute; novembro, per&iacute;odo, portanto, de plena colheita do caf&eacute;. Se plantado em dezembro, corria&#45;se o risco de perder toda a produ&ccedil;&atilde;o do milho.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim, de junho a novembro, per&iacute;odo de intensos trabalhos de colheita do caf&eacute;, o trabalhador estava obrigatoriamente comprometido, mais intensamente, com os cuidados exigidos pelas ro&ccedil;as de milho. Somente no fim de junho do ano seguinte este produto estaria seco e pronto para ser colhido. Logo, a disponibilidade de trabalho mais sistem&aacute;tica dos plantadores de ro&ccedil;as de milho era de dezembro a meados de junho, n&atilde;o coincidindo com a fase que a lavoura cafeeira e especialmente a colheita, mais exigiam m&atilde;o&#45;de&#45;obra.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A ab&oacute;bora era plantada junto com o milho, de agosto a novembro, podendo ser colhida a partir de mar&ccedil;o at&eacute; maio. Quando plantada em janeiro era colhida o ano inteiro. Diferentemente do milho, um dos principais g&ecirc;neros da economia de abastecimento, a ab&oacute;bora era produzida mais com objetivo de auto&#45;consumo, de modo que sua colheita n&atilde;o demandava trabalho t&atilde;o sistem&aacute;tico quanto a colheita e debulha do milho. De qualquer modo, conforme indica o calend&aacute;rio agr&iacute;cola do plantio e colheita da ab&oacute;bora, o lavrador de ro&ccedil;a teria certa folga nos meses de dezembro&#45;janeiro&#45;fevereiro em rela&ccedil;&atilde;o a este g&ecirc;nero agr&iacute;cola, o que ainda assim, criava certa incompatibilidade com o ciclo de trabalho da colheita do caf&eacute;.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Quanto &agrave; mandioca, podia ser plantada em qualquer &eacute;poca do ano, desde que a lua fosse nova e o tempo estivesse limpo e seco. Sua colheita, contudo, s&oacute; ocorria depois de um ano e meio a dois anos,<sup><a name="n57b"></a><a href="#n57a">57</a></sup> per&iacute;odo, portanto, que o lavrador podia empregar em outras formas de ganho. Mas o calend&aacute;rio agr&iacute;cola n&atilde;o se restringia ao semear e colher. A planta&ccedil;&atilde;o tinha necessidade de "limpas", exigindo a presen&ccedil;a cont&iacute;nua, mas com n&iacute;veis de intensidade maiores ou menores, do lavrador. A limpa envolvia extirpar as plantas daninhas, sendo que algumas planta&ccedil;&otilde;es exigiam at&eacute; duas limpas. Este calend&aacute;rio, contudo, podia sofrer pequena prorroga&ccedil;&atilde;o no plantio, caso houvesse estio de chuvas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A an&aacute;lise do calend&aacute;rio agr&aacute;rio destes tr&ecirc;s g&ecirc;neros aliment&iacute;cios evidencia incompatibilidade com a fase de maior demanda de m&atilde;o&#45;de&#45;obra na colheita do caf&eacute;. Assim, se os lavradores de alimentos ocuparam outros tipos de servi&ccedil;os na lavoura cafeeira, como de infra&#45;estrutura das propriedades, derrubada de matas, limpas, plantio e ensacamento do caf&eacute; isto se deve ao fato deles oferecerem seus servi&ccedil;os mais sistematicamente em per&iacute;odos espec&iacute;ficos e que n&atilde;o prejudicassem suas ro&ccedil;as de alimentos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Percebe&#45;se que nestas ro&ccedil;as as fases de plantio e vac&acirc;ncia se alternavam, sendo setembro o m&ecirc;s do grande plantio e de maior demanda de trabalho. A partir de fins de novembro ocorria a fase de vac&acirc;ncia que se estendia at&eacute; mar&ccedil;o. Embora a partir deste m&ecirc;s tivesse in&iacute;cio a colheita de certos g&ecirc;neros, como a ab&oacute;bora, a faina diminu&iacute;a de intensidade, havendo certa vac&acirc;ncia entre abril e maio, devido a quaresma e Semana Santa, geralmente "guardada" pelos lavradores. A partir de maio come&ccedil;ava a fase de grande colheita, que se estendia at&eacute; julho e entre o final deste m&ecirc;s e princ&iacute;pios de agosto ocorria o per&iacute;odo de grande vac&acirc;ncia. A partir de meados de agosto come&ccedil;avam novamente os trabalhos de "aceiragem" (queima), reiniciando o per&iacute;odo de plantio.<sup><a name="n58b"></a><a href="#n58a">58</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fases de vac&acirc;ncias ou de vagas no trabalho das ro&ccedil;as eram as mais favor&aacute;veis para o mercado de trabalho cafeeiro, pois era quando se podia contar mais sistematicamente com a m&atilde;o&#45;de&#45;obra dos lavradores. Como estas fases eram curtas, os ajustes de trabalho provis&oacute;rios ou que estabelecessem apenas a entrega do trabalho conclu&iacute;do, sem prescrever dura&ccedil;&otilde;es, eram os mais convenientes e preferidos pelos lavradores, conforme sugerem os an&uacute;ncios dos jornais citados acima e a documenta&ccedil;&atilde;o analisada. Ajustes de trabalho nas propriedades cafeeiras poderiam at&eacute; ocorrer nas fases de demandas de trabalho nas ro&ccedil;as de alimentos, desde que n&atilde;o interferissem nas suas exig&ecirc;ncias de plantio, cuidados e colheita.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A inser&ccedil;&atilde;o dos lavradores de ro&ccedil;as, portanto, no trabalho dos s&iacute;tios e grandes propriedades cafeeiras obedeceu este calend&aacute;rio agr&iacute;cola e os cafeicultores interessados no potencial de trabalho deste segmento se viram for&ccedil;ados a propor e negociar ajustes de trabalho que levassem em considera&ccedil;&atilde;o a disciplina deste calend&aacute;rio, que em certa medida conheciam, pois como afirmava um deputado na Assembl&eacute;ia Legislativa Provincial paulista, "essa grande classe de lavradores pobres, em raz&atilde;o da uberdade das terras, n&atilde;o lavram as suas pequenas sortes de terra todo ano, as diversas planta&ccedil;&otilde;es, a que eles se dedicam, t&ecirc;m per&iacute;odos certos e determinados",<sup><a name="n59b"></a><a href="#n59a">59</a></sup> ou seja, sabiam que a faina aturada na ro&ccedil;a n&atilde;o durava o ano todo, podendo&#45;se contar com seu potencial de trabalho em certos meses, pois como questionava um deputado, o "que se planta em abril, maio, junho e julho?".<sup><a name="n60b"></a><a href="#n60a">60</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Ajustes de trabalho e tenso consenso</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As falas dos representantes da cafeicultura sugerem a hip&oacute;tese de que havia uma disposi&ccedil;&atilde;o deliberada entre os cafeicultores em considerar o calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional nos ajustamentos de trabalho propostos ou realizados com os lavradores de ro&ccedil;as. As v&aacute;rias formas de contrata&ccedil;&atilde;o e ajustes oferecidas pela fazenda Ang&eacute;lica, conforme an&uacute;ncio apresentado acima, refor&ccedil;am esta hip&oacute;tese. Este, contudo, foi um processo tenso, marcado por in&uacute;meros conflitos e pela cria&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de estere&oacute;tipos sobre o trabalhador nacional livre, posteriormente incorporados pela historiografia para explicar a imigra&ccedil;&atilde;o de trabalhadores da Europa para compor o mercado de trabalho livre do oeste hist&oacute;rico ou do novo oeste paulista.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estes conflitos podem ser percebidos atrav&eacute;s das discuss&otilde;es travadas por deputados na Assembl&eacute;ia Legislativa Provincial de S&atilde;o Paulo. Embora, na pr&aacute;tica, para contar com a m&atilde;o&#45;de&#45;obra dos lavradores os fazendeiros precisassem negociar ajustes de trabalho mais flex&iacute;veis, muitos deputados, representantes dos interesses da lavoura de caf&eacute;, defenderam leis que obrigassem o trabalhador nacional livre a se inserir sistem&aacute;tica e disciplinadamente no trabalho das fazendas cafeeiras. Embora concretamente este tipo de inser&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se adequasse &agrave; realidade vigente, ela fazia parte da perspectiva dos fazendeiros.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na medida em que, na pr&aacute;tica, em certos meses do ano os lavradores de ro&ccedil;as achavam&#45;se intensamente envolvidos nas tarefas de aceiragem, plantio, colheita limpa de sua planta&ccedil;&otilde;es, os legisladores tiveram dificuldade para criar leis que fo&ccedil;assem ao trabalho. As propostas de leis obrigando ao trabalho cont&iacute;nuo e fixo nas lavouras de caf&eacute;, contudo, previam os per&iacute;odos do ano em que o plantador de ro&ccedil;as achava&#45;se obrigatoriamente preso &agrave;s demandas de trabalho em suas ro&ccedil;as. Diferentemente da pr&aacute;tica cotidiana, no &acirc;mbito legislativo o calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional era desconsiderado, favorecendo a forma&ccedil;&atilde;o de uma imagem estereotipada do trabalhador nacional livre. Na Assembl&eacute;ia Legislativa Provincial de S&atilde;o Paulo, os deputados se indignavam com a impossibilidade de implementar leis que fixassem e disciplinassem o trabalho, sob o argumento de que os trabalhadores de ro&ccedil;as eram vadios, pois na realidade concreta destes trabalhadores j&aacute; estarem trabalhando, ou seja, atendendo as demandas de trabalho de suas ro&ccedil;as de alimentos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O trabalho nos ro&ccedil;ados de alimentos para consumo e com&eacute;rcio n&atilde;o era reconhecido como ocupa&ccedil;&atilde;o &uacute;til, mas na pr&aacute;tica esbarrava&#45;se com uma realidade, que um legislador definia como "raz&atilde;o ilus&oacute;ria de eles &#91;os lavradores&#93; terem uma ocupa&ccedil;&atilde;o". Neste caso, admitia, "como formar processo a um cidad&atilde;o que est&aacute; no seu s&iacute;tio, no seu rancho, na sua cho&ccedil;a, na sua toca, afiando um machado, a quem declara que se est&aacute; preparando para o trabalho?".<sup><a name="n61b"></a><a href="#n61a">61</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A realidade concreta de trabalho dos lavradores de ro&ccedil;as impossibilitava sua autua&ccedil;&atilde;o ou processo por vadiagem, como pretenderam muitos legisladores do per&iacute;odo. Esta rotina de trabalho, ao ser regulada por um calend&aacute;rio agr&iacute;cola espec&iacute;fico que minimizava o pleno aproveitamento do potencial de trabalho do setor agro&#45;exportador, n&atilde;o era reconhecida como ocupa&ccedil;&atilde;o &uacute;til. Joaquim Bonif&aacute;cio do Amaral, propriet&aacute;rio da fazenda Sete Quedas, em Campinas, empregava 70 brasileiros e atribu&iacute;a&#45;lhes comportamento indolente e indisciplinado quando se desviavam do trabalho nas lavouras de caf&eacute;. Indagava: "o que esperar do colono Brasileiro que at&eacute; a poucos anos bastava&#45;lhe trabalhar um ou dois dias na semana para pass&aacute;&#45;la folgadamente?",<sup><a name="n62b"></a><a href="#n62a">62</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O documento assinado pelo fazendeiro Joaquim Bonif&aacute;cio do Amaral n&atilde;o esclarece as raz&otilde;es que levavam os trabalhadores nacionais ao desvio tempor&aacute;rio de suas obriga&ccedil;&otilde;es nas lavouras da fazenda Sete Quedas ou a trabalhar apenas um ou dois dias na semana. Contudo, o conjunto da documenta&ccedil;&atilde;o investigada permite levantar a hip&oacute;tese destas raz&otilde;es estarem relacionadas &agrave;s demandas c&iacute;clicas de trabalho nas ro&ccedil;as de alimentos. Esta hip&oacute;tese, contudo, diz respeito especificamente ao segmento dos lavradores de ro&ccedil;as. O trabalhador nacional livre ou liberto e pobre englobava diversas categorias sociais que necessitam ser melhor compreendidas nas suas diferentes inser&ccedil;&otilde;es no mercado de m&atilde;o&#45;de&#45;obra livre em forma&ccedil;&atilde;o, na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na pr&aacute;tica o grande problema enfrentado pelos legisladores e fazendeiros na expectativa de aproveitamento do trabalhador nacional livre e pobre era a dificuldade em comprovar sua condi&ccedil;&atilde;o de desocupa&ccedil;&atilde;o, porque esta, de fato, n&atilde;o existia. Com o tempo, aumentaram as vozes que reclamavam da dificuldade de comprova&ccedil;&atilde;o desta "vadia&ccedil;&atilde;o".<sup><a name="n63b"></a><a href="#n63a">63</a></sup> Ou seja, mesmo com a determina&ccedil;&atilde;o do artigo 295 do C&oacute;digo Criminal, punindo com oito a 24 dias de pris&atilde;o os que n&atilde;o tinham "ocupa&ccedil;&atilde;o honesta e &uacute;til", se o lavrador estava em sua ro&ccedil;a trabalhando, como provar que estava vadiando? Esta quest&atilde;o mobilizou os deputados, pois como dizia run deles: "n&atilde;o tive ainda ocasi&atilde;o de observar um s&oacute; processo acerca desses mesmos vadios. N&atilde;o sei se as autoridades dormem a este respeito ou se talvez seja dif&iacute;cil a prova desta vadia&ccedil;&atilde;o, ou se h&aacute; algum procedimento em proceder contra ele."<sup><a name="n64b"></a><a href="#n64a">64</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A realidade era a de que se as solicita&ccedil;&otilde;es de trabalho para a lavoura de caf&eacute; coincidissem com per&iacute;odos de plantio e colheita nas ro&ccedil;as, o lavrador recusaria este trabalho ou o cumpriria descontinuadamente. Os representantes da grande lavoura, contudo, trataram esta realidade como "fuga do trabalho", estere&oacute;tipo este que ganhou for&ccedil;a, especialmente em per&iacute;odos de maior demanda de trabalho na economia cafeeira, nos quais era imprescind&iacute;vel recorrer aos "nossos recursos dom&eacute;sticos", como definia um deputado.<sup><a name="n65b"></a><a href="#n65a">65</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O mesmo deputado afirmou ainda que "na &uacute;ltima classe da sociedade brasileira ou pelo menos da nossa prov&iacute;ncia &#91;...&#93; existe grande n&uacute;mero de cidad&atilde;os que n&atilde;o prestam os servi&ccedil;os correspondentes &agrave;s suas for&ccedil;as".<sup><a name="n66b"></a><a href="#n66a">66</a></sup> Ou seja, o trabalho nas ro&ccedil;as, em virtude da disciplina irregular imprimida pelo calend&aacute;rio agr&iacute;cola era visto como de menor intensidade e, portanto, n&atilde;o correspondente &agrave;s for&ccedil;as destes trabalhadores. Tamb&eacute;m era concebido como "trabalho muito escasso e s&oacute; necess&aacute;rio para produzir um alimento tosco e grosseiro" e "insuficiente".<sup><a name="n67b"></a><a href="#n67a">67</a></sup></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para os fazendeiros de caf&eacute; da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, o grande desafio no trato com o trabalhador nacional livre era "animar o trabalho constante", especialmente entre os lavradores de ro&ccedil;as de alimentos, tidos como trabalhadores em potencial, pois como salientava um deputado "a demanda de servi&ccedil;os &#91;era&#93; extraordin&aacute;ria e a oferta &eacute; quase nula, vendo&#45;nos por isto for&ccedil;ados a presenciar o fato lastimoso de estarem os nossos patr&iacute;cios na minoria por n&atilde;o quererem trabalhar e" obrigando o setor cafeeiro "a mendigar de porta em porta nas na&ccedil;&otilde;es estrangeiras, homens que queiram vir ao nosso pais prestar&#45;se a servir&#45;nos".<sup><a name="n68b"></a><a href="#n68a">68</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A oferta de trabalho dos trabalhadores nacionais livres era apontada como quase nula em virtude da minoria atender aos chamados da grande lavoura de acordo com as expectativas do setor, ou seja, sistem&aacute;tica e disciplinadamente. Nos idos de 1859, data do documento acima transcrito, a lavoura cafeeira do oeste hist&oacute;rico paulista n&atilde;o se ressentia da car&ecirc;ncia de m&atilde;o&#45;de&#45;obra, mas de uma m&atilde;o&#45;de&#45;obra disposta a atender prontamente e com continuidade as demandas de trabalho do setor, n&atilde;o se desviando para outras tarefas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre estes mesmos deputados, &eacute; poss&iacute;vel ouvir algumas vozes que discordavam dos estere&oacute;tipos de neglig&ecirc;ncia e vadiagem atribu&iacute;dos aos lavradores de ro&ccedil;as, como a do deputado Paula Souza, o que permite inferir que este segmento n&atilde;o recusava de todo o trabalho no setor cafeeiro, dispondo&#45;se a prest&aacute;&#45;lo conforme demandas de trabalho particulares. Dizia o deputado: "suscita&#45;se uma d&uacute;vida, que tem dado lugar a muitas considera&ccedil;&otilde;es, e algumas descren&ccedil;a, &eacute; essa apregoada indol&ecirc;ncia de car&aacute;ter dos brasileiros. Diz&#45;se que os brasileiros desde que est&atilde;o com a espingarda ao ombro, ou com o anzol no rio, desde que t&ecirc;m o lambari para comer e a viola para tocar, de nada mais cuidam. &Eacute; uma injusti&ccedil;a que se lhe faz."<sup><a name="n69b"></a><a href="#n69a">69</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Estrat&eacute;gias para fixar e disciplinar o trabalhador nacional livre</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na pr&aacute;tica cotidiana, os fazendeiros negociavam com os lavradores ajustes de trabalho que respeitassem suas rotinas tradicionais e particulares, mas esta rela&ccedil;&atilde;o consensual era marcada por tens&otilde;es, conflitos e desentendimentos que iam dos confrontos abertos aos tribunais de justi&ccedil;a. Da Assembl&eacute;ia Legislativa os deputados mobilizavam&#45;se em estudar formas que obrigassem os lavradores de ro&ccedil;as a se inserirem com continuidade nos s&iacute;tios e propriedades cafeeiras.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Propunha&#45;se o combate ao costume do agregamento, pois acreditavam que, impedindo o acesso a terra, inibiriam o enraizamento de rotinas de trabalho, como as das ro&ccedil;as de alimentos que prejudicavam a forma&ccedil;&atilde;o de um contingente de trabalhadores livres, pronto e continuamente dispon&iacute;vel para o setor cafeeiro. A fala de um deputado sugere esta hip&oacute;tese, pois como dizia: "havendo grande nega&ccedil;&atilde;o dos paisanos para o trabalho da lavoura, e havendo o costume antigo de todos os fazendeiros darem terras gratuitamente aos agregados &#91;...&#93; o fim que tive em vista e n&atilde;o coarctar a liberdade dos fazendeiros, e nem dos agregados: aqueles fica o direito salvo de n&atilde;o admitirem estes em suas terras, e a estes o de n&atilde;o as procurarem".<sup><a name="n70b"></a><a href="#n70a">70</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora houvesse uma disposi&ccedil;&atilde;o deliberada de senhores de s&iacute;tios e fazendas cafeeiras em negociar com os lavradores de ro&ccedil;a, contratos de trabalho que incorporavam a rotina do calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional, tamb&eacute;m foram implementados esfor&ccedil;os para combat&ecirc;&#45;la. Contratos de trabalho escritos, por exemplo, visavam justamente fixar o trabalhador num local de trabalho de modo sistem&aacute;tico, impedindo&#45;o de afastamentos peri&oacute;dicos, como exigia o cumprimento do calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Uma das cl&aacute;usulas de um contrato de loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os estabelecido entre o locat&aacute;rio Vi&uacute;va Barbosa Aranha &amp; Filho, propriedade cafeeira na regi&atilde;o de Campinas e o locador, Tobias Rodrigues da Fonseca, mineiro da cidade de Formiga, comprova esta iniciativa. Segundo o artigo 4<sup>o</sup> do contrato, o locador n&atilde;o poderia "sair da fazenda sem pr&eacute;via licen&ccedil;a &#91;...&#93; e nem mesmo nos domingos e dias santos", nos quais ficava obrigado "aqueles servi&ccedil;os que as circunstancias especiais e urgentes exigirem &#91;...&#93; quando for a recolher&#45;se o caf&eacute; do terreiro para a tulha por causa da chuva e outros servi&ccedil;os semelhantes, e bem assim todos aqueles que &eacute; costume entre os lavradores fazer&#45;se nesses dias, como varrer terreiro".<sup><a name="n71b"></a><a href="#n71a">71</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel definir se Tobias era um lavrador, pode&#45;se inferir que este esfor&ccedil;o para obter a presta&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de servi&ccedil;os, traduzido na cl&aacute;usula do contrato acima transcrito, n&atilde;o tenha impedido que os que eram lavradores de ro&ccedil;a se afastassem dos s&iacute;tios e fazendas em momentos espec&iacute;ficos, comportando&#45;se, portanto, como o locador citado, que se retirou da fazenda de propriedade da vi&uacute;va Barbosa Aranha em janeiro,<sup><a name="n72b"></a><a href="#n72a">72</a></sup> m&ecirc;s que, no calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional, correspondia ao plantio da mandioca &#45;embora este g&ecirc;nero pudesse ser plantado em qualquer &eacute;poca do ano&#45; e da ab&oacute;bora, caso se desejasse colher este g&ecirc;nero ao longo de todo o ano.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Al&eacute;m disto, os contratos escritos tenderam a ser mal vistos pelos trabalhadores nacionais livres de um modo geral. Neste sentido, o problema n&atilde;o era de rejei&ccedil;&atilde;o do trabalho nos s&iacute;tios e fazendas de caf&eacute;, mas do contrato escrito, tendo em vista suas restri&ccedil;&otilde;es, especialmente quanto a limita&ccedil;&otilde;es de mobilidade, algo imprescind&iacute;vel para o cuidado de ro&ccedil;as e afazeres privados. Conforme dizia um legislador: "caindo alguns desses cidad&atilde;os em fazer tal contrato por escrito, e achando&#45;se em luta com essa sua &iacute;ndole de neglig&ecirc;ncia, e com isto se espalhasse entre eles, nenhum mais quer fazer contrato por escrito".<sup><a name="n73b"></a><a href="#n73a">73</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A aus&ecirc;ncia ao trabalho contratado para socorrer as tarefas das ro&ccedil;as de alimentos era classificada como "neglig&ecirc;ncia". Assim, quando o cafeicultor campineiro, citado acima, Jos&eacute; Bonif&aacute;cio do Amaral, afirmava que o brasileiro trabalhava apenas um ou dias na semana, para passar o resto folgadamente, poderia estar se referindo aos poucos dias que os lavradores dedicavam ao servi&ccedil;o nas propriedades cafeeiras, em favor das ro&ccedil;as de alimentos, entendidos estes como momentos de folga, nos quais passavam sem fazer nada.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na medida em que o trabalho nas ro&ccedil;as de alimentos era visto como vadiagem, quem o exercia tornava&#45;se sujeito a puni&ccedil;&atilde;o. Esta situa&ccedil;&atilde;o fazia com que os lavradores recusassem firmar contrato escrito de trabalho, cujas cl&aacute;usulas os impedia de afastamentos peri&oacute;dicos das tarefas contratadas, para atender &aacute;s solicita&ccedil;&otilde;es de trabalho do calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional das ro&ccedil;as. O contrato escrito estabelecia v&iacute;nculos fixos e disciplinados que impedia o exerc&iacute;cio de outra formas de ganho, como a ro&ccedil;a de alimentos, a cria&ccedil;&atilde;o de animais com objetivo comercial, as in&uacute;meras tarefas de conserva&ccedil;&atilde;o exigidas pelos s&iacute;tios e ro&ccedil;ados. Assim, muitos lavradores se tornaram "ressabiados de assinar o papel que os obrigava a prestar servi&ccedil;o porque alguns que o tinham, feito foram perseguidos judicialmente, foram para a cadeia por falta de cumprimento do contrato".<sup><a name="n74b"></a><a href="#n74a">74</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esta forma de "servi&ccedil;o interrompido", como definiu um contempor&acirc;neo, foi raz&atilde;o de uma s&eacute;rie de desentendimentos entre lavradores e sitiantes ou fazendeiros, como demonstra o caso de Francisco de Assun&ccedil;&atilde;o, que combinou os servi&ccedil;os de Jos&eacute; Oliveira, por sete anos. Segundo o pr&oacute;prio Jos&eacute; Oliveira, "trabalhou algum tempo por combina&ccedil;&atilde;o que fizeram, mas n&atilde;o sabe por quanto tempo, sendo certo que houve interrup&ccedil;&atilde;o". Ao longo deste caso, percebe&#45;se que o ajustamento de trabalho tinha tempo determinado, o que sugere preocupa&ccedil;&atilde;o em conseguir a estabilidade do trabalhador. No andamento da combina&ccedil;&atilde;o de trabalho nota&#45;se, contudo, um tenso amalgama de conflitos e acordos. No primeiro ano Jos&eacute; Oliveira falhou tr&ecirc;s meses e 20 dias, no segundo quatro meses e 27 dias e no terceiro dois meses.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estas faltas estavam relacionadas ao deslocamento do trabalhador para cultivar sua ro&ccedil;a, pois como acusava Francisco Assun&ccedil;&atilde;o, Jos&eacute; Oliveira tinha "prestado servi&ccedil;os sen&atilde;o muito interrompidos, plantando para si". Justificava&#45;se este dizendo que como Francisco Assun&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fornecia mantimentos, ele era obrigado a produzi&#45;los, pois "que s&oacute; durante o espa&ccedil;o de um ano", o locat&aacute;rio forneceu&#45;lhe "dois alqueires de a&ccedil;&uacute;car e toicinho por semana". Neste sentido, tinha necessidade de providenciar seu auto&#45;sustento.<sup><a name="n75b"></a><a href="#n75a">75</a></sup> No auto de perguntas feito a uma testemunha, esta condi&ccedil;&atilde;o de prestar servi&ccedil;os muito interrompidos &eacute; refor&ccedil;ada: se pelo "espa&ccedil;o de seis ou oito meses deixou de tratar do cafezal &#91;..,&#93; e se tinha o costume de deixar o servi&ccedil;o &#91;...&#93; para trabalhar fora", sendo confirmado.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com o tempo, Francisco Assun&ccedil;&atilde;o, alegando "pura benevol&ecirc;ncia", permitiu que Jos&eacute; Oliveira "plantasse para si mantimentos". Ou seja, como n&atilde;o era poss&iacute;vel impedir esta atitude, melhor incorpor&aacute;&#45;la ao ajustamento de trabalho, visto que a m&atilde;o&#45;de&#45;obra deste lavrador, juntamente com a dos escravos, tamb&eacute;m era importante na fazenda. Mas este processo de incorpora&ccedil;&atilde;o da rotina de trabalho das ro&ccedil;as nos acertos de trabalho nas fazendas cafeicultoras envolveu uma s&eacute;rie de conflitos, como demonstra o pr&oacute;prio desdobramento deste caso num auto&#45;c&iacute;vel. Entre acordos e desentendimentos, sitiantes e fazendeiros de caf&eacute;, interessados e necessitados da m&atilde;o&#45;de&#45;obra dos lavradores de ro&ccedil;as, renegociaram contratos e toleraram adapta&ccedil;&otilde;es na rotina de trabalho das fazendas, resultantes da maneira interrompida destes lavradores prestarem servi&ccedil;os.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O depoimento de uma testemunha evidencia esta quest&atilde;o. Ao tratar da forma de ajustamento de trabalho de Jos&eacute; Oliveira, disse "que trabalhou seis anos, mas esteve tr&ecirc;s mais ou menos n&atilde;o como camarada de m&ecirc;s, mas empreitada, trabalhando nas vagas em servi&ccedil;o de vizinhos e em planta&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias, mas sendo ajudado por essas mesmas ou outras pessoas quando tratava do servi&ccedil;o" de Francisco Assun&ccedil;&atilde;o, "pelo que recompensava o servi&ccedil;o que distraia de seu patr&atilde;o". Ou seja, segundo uma outra testemunha, "o cafezal de que tratava &#91;...&#93; vivia sujo, mas que algumas vezes em que se ausentava dos servi&ccedil;os &#91;...&#93; compensava voltando com companheiros que o ajudavam, fazendo assim troca de servi&ccedil;os".</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O trabalho por empreitada tendia a prender o trabalhador na propriedade at&eacute; a sua conclus&atilde;o. A condi&ccedil;&atilde;o de "camarada de m&ecirc;s", certamente se ajustava melhor ao calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional, pois deixava o lavrador livre para se comprometer nos servi&ccedil;os da propriedade cafeeira apenas nos meses que n&atilde;o coincidissem com o aperto da lida em suas ro&ccedil;as. O contrato de Jos&eacute; Oliveira iniciou como empreitada e posteriormente foi alterado, possivelmente devido tens&otilde;es geradas pelo seu modo interrompido de trabalhar. Com o novo ajuste de trabalho procurou&#45;se adequar a rotina de trabalho espec&iacute;fica de suas planta&ccedil;&otilde;es de alimentos com as da propriedade cafeeira.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por outro lado, em que medida entre os setores sociais ligados a agro&#45;exporta&ccedil;&atilde;o e autoridades municipais e provinciais n&atilde;o existiu um consenso quanto &agrave; necessidade de ajustar tolerantemente estas duas rotinas distintas de trabalho, pois caso contr&aacute;rio, poderiam ser muito contrariados pelo trabalhador ou mesmo n&atilde;o poderiam mais contar com seu potencial de trabalho, pois como questionava o juiz &agrave; uma testemunha "apesar da obriga&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria do r&eacute;u ao servi&ccedil;o do autor n&atilde;o sobrava&#45;lhe tempo como acontece a todos os trabalhadores colonos para plantarem alimentos para si?".<sup><a name="n76b"></a><a href="#n76a">76</a></sup> Em que medida as autoridades judiciais n&atilde;o compartilharam de um consenso quanto &agrave; necessidade de garantir o tempo de trabalho nas ro&ccedil;as de alimentos a ponto de atitudes intolerantes de sitiantes e fazendeiros de caf&eacute; quanto a isto serem motivo de ironia e surpresa?</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O ajustamento da rotina de trabalho nas ro&ccedil;as e nas propriedades cafeeiras envolveu ainda o recurso &agrave;s formas tradicionais de trabalho pr&oacute;prias do setor de produ&ccedil;&atilde;o para abastecimento e consumo, ou seja, o mutir&atilde;o. Para dar conta do trabalho contratado por empreitada ou m&ecirc;s nos s&iacute;tios e fazendas, os lavradores recorriam ao aux&iacute;lio de companheiros e vizinhos. Esta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estava prevista formalmente nos contratos, mas era uma forma dos lavradores conciliarem suas demandas de trabalho nas lavouras de caf&eacute; e de alimentos. O depoimento da testemunha permite inferir ainda que Jos&eacute; de Oliveira afastava&#45;se temporariamente da fazenda para trabalhar em servi&ccedil;os de ro&ccedil;as suas e de vizinhos, recebendo como pagamento a troca de servi&ccedil;os, ou seja, aux&iacute;lio nas tarefas comprometidas no contrato de trabalho na fazenda de caf&eacute;. Estabelecia&#45;se, assim, um amalgama entre formas de trabalho tradicionais e o trabalho sistem&aacute;tico das fazendas cafeeiras. Tratava&#45;se, contudo, de um amalgama tenso, porque n&atilde;o eliminava a possibilidade de desentendimentos e confrontos.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Conclus&atilde;o</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Conclui&#45;se, portanto, que a transi&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo ao livre numa das &aacute;reas s&oacute;cio&#45;econ&ocirc;micas com maiores n&iacute;veis de produtividade &#45;Campinas&#45; foi marcada pela complexidade e diversidade do mercado de trabalho, que n&atilde;o foi essencialmente escravista e nem se restringiu, posteriormente, &agrave; m&atilde;o&#45;de&#45;obra europ&eacute;ia imigrante. O recurso aos trabalhadores nacionais livres foi comum, conforme indicam os an&uacute;ncios do jornal <i>A Gazeta de Campinas.</i> A participa&ccedil;&atilde;o do trabalhador nacional no processo de constitui&ccedil;&atilde;o deste mercado de trabalho livre, contudo, foi diferenciada, conforme a inser&ccedil;&atilde;o de cada um dos seus v&aacute;rios segmentos na sociedade senhorial escravista do per&iacute;odo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre os lavradores de ro&ccedil;as de alimentos enfocados por este artigo o calend&aacute;rio agr&iacute;cola tradicional que regia a rotina de trabalho em suas ro&ccedil;as determinou inser&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica no setor cafeeiro, marcada pela descontinuidade, na medida em que precisavam dedicar&#45;se &agrave;s suas in&uacute;meras tarefas particulares. Alguns contempor&acirc;neos, interessados na sua inser&ccedil;&atilde;o disciplinada e sistem&aacute;tica no setor definiram este comportamento como "modo interrompido" de prestar servi&ccedil;os.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A necessidade de m&atilde;o&#45;de&#45;obra em conjunturas de demanda de trabalho na produ&ccedil;&atilde;o cafeeira, contudo, para consumo e com&eacute;rcio, for&ccedil;ou os propriet&aacute;rios a proporem e firmarem ajustes de trabalho que conciliassem as tarefas das ro&ccedil;as com das fazendas cafeeiras. Estes ajustamentos, entretanto, n&atilde;o deixaram de gerar tens&otilde;es e conflitos, pois sitiantes, fazendeiros e seus representantes na imprensa e nas assembl&eacute;ias legislativas insistiram em obter o trabalho cont&iacute;nuo deste segmento, inclusive atrav&eacute;s de contratos escritos, nos s&iacute;tios e fazendas. A impossibilidade de alcan&ccedil;ar este prop&oacute;sito alimentou uma conviv&ecirc;ncia bastante conflituosa, com desdobramentos jur&iacute;dicos e contribuiu para fomentar uma s&eacute;rie de estere&oacute;tipos sobre a conduta de trabalho deste segmento.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O tema do trabalhador nacional livre na transi&ccedil;&atilde;o do trabalho escravo ao livre, na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo ainda exige mais investiga&ccedil;&otilde;es, inclusive com o recurso &agrave; metodologias quantitativas, que poder&atilde;o levar a maiores esclarecimentos quanto a categoria t&atilde;o ampla do trabalhador nacional, outros segmentos que engloba, o car&aacute;ter das suas rela&ccedil;&otilde;es com os setor agro&#45;exportador do caf&eacute; ou com pequenos e m&eacute;dios produtores de caf&eacute;, o que permitir&aacute; ampliar o entendimento sobre o pr&oacute;prio tema da transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no Brasil.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Bibliograf&iacute;a</b></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Alencastro, Luis Filipe de, <i>0 trato dos viventes: forma&ccedil;&atilde;o do Brasil no Atl&acirc;ntico sul(s&eacute;culos XVI e XVII),</i> S&atilde;o Paulo, Companhia Das Letras, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676436&pid=S1405-2253200700010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Alvim, Zuleika M. R, <i>Brava gente: os italianos em S&atilde;o Paulo, 1870&#45;1920,</i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 2a. ed., 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676438&pid=S1405-2253200700010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ara&uacute;jo, Alceu Maynard, "Ciclo agr&iacute;cola", Separata da <i>Revista do Arquivo Municipal,</i> Dep. de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, n&uacute;m. CLIX, 1955, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676440&pid=S1405-2253200700010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Beiguelmann, Paula, <i>A crise do escravismo e a grande imigra&ccedil;&atilde;o,</i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 1981.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676442&pid=S1405-2253200700010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">C&acirc;ndido, Ant&ocirc;nio, <i>Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transforma&ccedil;&atilde;o dos seus meios de vida,</i> S&atilde;o Paulo, Livraria Duas Cidades, 2a. ed., 1971.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676444&pid=S1405-2253200700010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cano, Wilson, <i>Ra&iacute;zes da concentra&ccedil;&atilde;o industrial em S&atilde;o Paulo,</i> Rio de Janeiro, Difel, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676446&pid=S1405-2253200700010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Chalhoub, Sidney, <i>Vis&otilde;es da liberdade: uma hist&oacute;ria das &uacute;ltimas d&eacute;cadas da escravid&atilde;o nacorte,</i> S&atilde;o Paulo, Companhia das Letras, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676448&pid=S1405-2253200700010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Congresso Agr&iacute;cola,</i> Collec&ccedil;&atilde;o de documentos, Rio de Janeiro, Typ. Nacional, 1878.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676450&pid=S1405-2253200700010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Conrad, Robert, <i>Os&uacute;ltimos anos da escravatura no Brasil,</i> trad. Fernando de Castro Ferro, Rio de Janeiro, Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 2a. ed., 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676452&pid=S1405-2253200700010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Costa, Em&iacute;lia Viotti, <i>Da senzala &agrave; col&ocirc;nia,</i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 3a. ed., 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676454&pid=S1405-2253200700010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Davatz, Thomas, <i>Mem&oacute;rias de um colono no Brasil,</i> (1850), trad. Sergio Buarque de Holanda, S&atilde;o Paulo, y Belo Horizonte, EDUSP/Itataia, 1980.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676456&pid=S1405-2253200700010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Dean, Warren, <i>Rio Claro: um sistema brasileiro de grande lavoura. 1820&#45;1920,</i> trad. Wald&iacute;via Marchiori Portunho, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676458&pid=S1405-2253200700010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Eisenberg, Peter, <i>Moderniza&ccedil;&atilde;o sem mudan&ccedil;a: a ind&uacute;stria a&ccedil;ucareira em Pernambuco, 1840&#45;1910,</i> Rio de Janeiro, Campinas, Paz e Terra/Unicamp, 1977.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676460&pid=S1405-2253200700010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;, "O homem esquecido: o trabalhador livre nacional no s&eacute;culo XIX: sugest&otilde;es para uma pesquisa" in <i>Homens esquecidos: escravos e trabalhadores livres no Brasil, s&eacute;culos XVIII e XIX,</i> S&atilde;o Paulo, Campinas, Unicamp, 1989, pp. 223&#45;244.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676462&pid=S1405-2253200700010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Florentino, Manolo, <i>Em costas negras: uma hist&oacute;ria do tr&aacute;fico de escravos entre a &Aacute;fricae o Rio de Janeiro (s&eacute;culos XVIIl&#45;XIX),</i> S&atilde;o Paulo, Companhia Das Letras, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676464&pid=S1405-2253200700010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fragoso, Jo&atilde;o Lu&iacute;s, "O imp&eacute;rio escravista e a rep&uacute;blica dos plantadores: economia brasileira no s&eacute;culo XIX: mais do que uma plantation escravista&#45;exportadora" in Maria Yedda Linhares, <i>Hist&oacute;ria geral do Brasil,</i> Rio de Janeiro, Campus, 5a. ed., 1990, pp. 131&#45;176.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676466&pid=S1405-2253200700010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Furtado, Celso, <i>Forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do Brasil,</i> Rio de Janeiro, Editora Fundo de Cultura, 2a. ed., 1959.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676468&pid=S1405-2253200700010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Gon&ccedil;alves, Paulo C&eacute;sar, <i>Migra&ccedil;&atilde;o e m&atilde;o&#45;de&#45;obra: retirantes cearenses na economia cafeeira do centro&#45;sul (1877&#45;1901),</i> S&atilde;o Paulo, Associa&ccedil;&atilde;o Editorial Humanitas, 2006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676470&pid=S1405-2253200700010000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Herrmann, Luc&iacute;la, <i>Evolu&ccedil;&atilde;o da estrutura social de Guaratinguet&aacute; num per&iacute;odo de trezentos anos,</i> S&atilde;o Paulo, IPE/USP, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676472&pid=S1405-2253200700010000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Holanda, S&eacute;rgio Buarque, "Pref&aacute;cio" in Thomas Davatz, <i>Mem&oacute;rias de um colono no Brasil (1850),</i> trad. S&eacute;rgio Buarque de Holanda, S&atilde;o Paulo y Belo Horizonte, EDUSP/Itatiaia, 1980, pp. 15&#45;45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676474&pid=S1405-2253200700010000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;, "As col&oacute;nias de parceria" in <i>Hist&oacute;ria geral da civiliza&ccedil;&atilde;o brasileira,</i> Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 6a. ed., 1987, t. u, vol. 3, pp. 245&#45;260.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676476&pid=S1405-2253200700010000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;, Ra&iacute;zes do Brasil,</i> Rio de Janeiro, Jos&eacute; Olympio Editora, 23a. ed., 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676478&pid=S1405-2253200700010000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Holloway, Thomas H. <i>Caf&eacute; e sociedade em S&atilde;o Paulo, 1886&#45;1934,</i> trad. Egl&eacute; Malheiros, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676480&pid=S1405-2253200700010000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;, Imigrantes para o caf&eacute;: caf&eacute; e sociedade em S&atilde;o Paulo, 1886&#45;1934,</i> trad. Egl&eacute; Malheiros, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676482&pid=S1405-2253200700010000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Kowarick, L&uacute;cio, <i>Trabalho e vadiagem: a origem do trabalho livre no Brasil,</i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676484&pid=S1405-2253200700010000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Lamounier, Maria L&uacute;cia, <i>Da escravid&atilde;o ao trabalho livre (a Lei de loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de1879),</i> Campinas, S&atilde;o Paulo, Papirus, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676486&pid=S1405-2253200700010000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Lanna, Ana L&uacute;cia D., <i>A transforma&ccedil;&atilde;o do trabalho: a passagem para o trabalho livre nazona da mata mineira, 1870&#45;1920,</i> Campinas, S&atilde;o Paulo, Unicamp, 2a. ed., 1989.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676488&pid=S1405-2253200700010000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Lapa, Jos&eacute; Roberto do Amaral, <i>A cidade: os cantos e os antros. Campinas: 1850&#45;1900,</i> S&atilde;o Paulo, EDUSP, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676490&pid=S1405-2253200700010000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Lara, Silvia H., <i>Campos da viol&ecirc;ncia. Escravos e senhores na capitania do Rio de Janeiro(1750&#45;1808),</i> Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676492&pid=S1405-2253200700010000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Machado, Maria Helena P. T, <i>Crime e escravid&atilde;o: trabalho, luta e resist&ecirc;ncia nas lavouraspaulistas, 1830&#45;1888,</i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676494&pid=S1405-2253200700010000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;, 0 plano e o p&acirc;nico &#45;os movimentos sociais na d&eacute;cada da aboli&ccedil;&atilde;o,</i> S&atilde;o Paulo, EDUSP, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676496&pid=S1405-2253200700010000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mappa da popula&ccedil;&atilde;o livre e escrava da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo classificada pelas comarcas do litoral e dos valles dos rios Tiet&ecirc;, Pardo, Grande, Mogy Guassu e Paranapanema e do Parayba organizado pelo Dr. J. F. de Godoy, in J. F. de Godoy, <i>A prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo: trabalho estat&iacute;stico, hist&oacute;rico e noticioso,</i> S&atilde;o Paulo, Governo do Estado de S&atilde;o Paulo, 2a. ed. facsimilada, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676498&pid=S1405-2253200700010000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mattos, Hebe Maria, <i>Das cores do sil&ecirc;ncio: os significados da liberdade no sudeste escravista. Brasil, s&eacute;culo XIX,</i> Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676500&pid=S1405-2253200700010000300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mattoso, K&aacute;tia, <i>Ser escravo no Brasil,</i> trad. James Amado, S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 3a. ed., 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676502&pid=S1405-2253200700010000300034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Messias, Rosane Carvalho, <i>0 cultivo do caf&eacute; nas bocas do sert&atilde;o paulista: mercado internoe m&atilde;o&#45;de&#45;obra no per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o, 1830&#45;1888,</i> S&atilde;o Paulo, UNESP, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676504&pid=S1405-2253200700010000300035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Prado J&uacute;nior, Caio, <i>Hist&oacute;ria econ&ocirc;mica do Brasil,</i> S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 1962.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676506&pid=S1405-2253200700010000300036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Stein, Stanley, <i>Vassouras: um munic&iacute;pio brasileiro do caf&eacute;, 1850&#45;1900,</i> trad. Vera Bloch Wrobel, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676508&pid=S1405-2253200700010000300037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Stolcke, Verena, <i>Cafeicultura: homens, mulheres e capital (1850&#45;1980),</i> trad. Denise Bottmann e Jo&atilde;o R. Martins Filho, S&atilde;o Paulo, Brasiliense, 1986.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676510&pid=S1405-2253200700010000300038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Trabalhos do Congresso Agr&iacute;cola do Recife,</i> Ed. Comemorativa do I<sup>o</sup> Centen&aacute;rio, Recife: Funda&ccedil;&atilde;o Estadual de Planejamento Agr&iacute;cola de Pernambuco, outubro de1878.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676512&pid=S1405-2253200700010000300039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vangelista, Chiara, <i>Osbra&ccedil;os da lavoura: imigrantes e "caipiras" na forma&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho paulista (1850&#45;1930),</i> trad. Thei de Almeida V. Bertorelli, S&atilde;o Paulo, Hucitec/Instituto Italiano di Cultura/Instituto Cultural Italo&#45;Brasileiro, 1991.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676514&pid=S1405-2253200700010000300040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Wissenbach, Maria Cristina Cortez, <i>Sonhos africanos, viv&ecirc;ncias ladinas: escravos e forros em S&atilde;o Paulo (1850&#45;1880),</i> S&atilde;o Paulo, Hucitec/Hist&oacute;ria Social/USP, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676516&pid=S1405-2253200700010000300041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Witter, Jos&eacute; Sebasti&atilde;o, "Um estabelecimento agr&iacute;cola no estado de S&atilde;o Paulo nos meados do s&eacute;culo XIX", <i>Revista de Hist&oacute;ria,</i> n&uacute;m. 98, 1974, S&atilde;o Paulo, pp. 393&#45;467.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676518&pid=S1405-2253200700010000300042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;, "Ibicaba revisitada", confer&ecirc;ncia proferida no I Congresso Brasileiro de Hist&oacute;ria Econ&ocirc;mica, S&atilde;o Paulo, FEA/USP, 8 de setembro de 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=676520&pid=S1405-2253200700010000300043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a name="n0a"></a><a href="#n0b">*</a> Dep. de Hist&oacute;ria da UNESP, campus de Franca (S&atilde;o Paulo&#45;Brasil). Este artigo &eacute; resultado de revis&atilde;o de pesquisas realizadas anteriormente e publicadas em livro. Ao longo de sua elabora&ccedil;&atilde;o, contou com quest&otilde;es e observa&ccedil;&otilde;es levantadas no II Semin&aacute;rio do Centro de Estudos Oitocentistas (CEO), realizado em maio de 2004 na Universidade Federal de S&atilde;o Jo&atilde;o del Rey. Agrade&ccedil;o aos pesquisadores do CEO, &agrave; professora Esmeralda Blanco Bolsonaro e &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (FAPESP).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n1a"></a><a href="#n1b">1</a></sup> Segundo Paula Beiguelman, o oeste hist&oacute;rico corresponde, grosso modo, &agrave; regi&atilde;o leste e nordeste da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, iniciando&#45;se a partir de Campinas. O munic&iacute;pio de Casa Branca foi uma esp&eacute;cie de limite entre o oeste hist&oacute;rico e o oeste mais novo, formado por munic&iacute;pios que se tornaram nova frente de expans&atilde;o do caf&eacute;, tais como Pinhal, S&atilde;o Jo&atilde;o da Boa Vista, Casa Branca, Ribeir&atilde;o Preto, S&atilde;o Sim&atilde;o, Cajuru, Batatais, Franca. Na prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo, portanto, existiram tr&ecirc;s &aacute;reas s&oacute;cio&#45;econ&ocirc;micas distintas: os dois oestes e <i>o</i> Vale do Para&iacute;ba. Cf. Beiguelman, <i>Crise,</i> 1981, pp. 7&#45;11.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n2a"></a><a href="#n2b">2</a></sup> Exemplo desta problem&aacute;tica s&atilde;o os dois famosos congressos agr&iacute;colas realizados no Rio de Janeiro e Recife. Cf. <i>Congresso,</i> 1878 e <i>Trabalhos,</i> 1878.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n3a"></a><a href="#n3b">3</a></sup> Cf. a frustrante experi&ecirc;ncia do senador Vergueiro em Witter, "Estabelecimento", 1974, pp. 393&#45;467.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n4a"></a><a href="#n4b">4</a></sup> Furtado, <i>Forma&ccedil;&atilde;o,</i> 1959, p. 137.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n5a"></a><a href="#n5b">5</a></sup> Prado, <i>Hist&oacute;ria,</i> 1962, p. 164.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n6a"></a><a href="#n6b">6</a></sup> Cano, <i>Ra&iacute;zes,</i> 1977, p. 164, e Furtado, <i>Forma&ccedil;&atilde;o,</i> 1959, p. 138.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n7a"></a><a href="#n7b">7</a></sup> Segundo S&eacute;rgio Buarque de Holanda, foi o "primeiro passo e, sem d&uacute;vida, o mais decisivo e verdadeiramente her&oacute;ico, tendo&#45;se em conta a trama complexa de interesses mercantis poderosos, e n&atilde;o s&oacute; de interesses como de paix&otilde;es nacionais e preju&iacute;zos fundamente arraigados, que a lei Eus&eacute;bio de Queiroz iria golpear de face". Holanda, <i>Ra&iacute;zes,</i> 1991, pp. 42&#45;43. Segundo Robert Conrad, "entricheirada como estava, a escravatura recebeu seu primeiro golpe s&eacute;rio quando sua fonte de abastecimento foi cortada em 1851 e 1852 pela supress&atilde;o do tr&aacute;fico africano**. Cf. Conrad, <i>&Uacute;ltimos,</i> 1978, pp. 30&#45;34. A lei de 1850 foi resultado principalmente da press&atilde;o brit&acirc;nica, iniciada desde a transmigra&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia real para o Brasil, em 1808.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n8a"></a><a href="#n8b">8</a></sup> Conrad, <i>&Uacute;ltimos,</i> 1978, pp. 34&#45;38. O tr&aacute;fico al&eacute;m de meio viabilizador da reprodu&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da m&atilde;o&#45;de&#45;obra tamb&eacute;m foi importante setor de acumula&ccedil;&atilde;o na col&ocirc;nia, movimentando vigorosa empresa afro&#45;amencana. Cf. Florentino, <i>Costas,</i> 1997, e Alencastro, <i>Trato,</i> 2000.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n9a"></a><a href="#n9b">9</a></sup> Dean, <i>Rio,</i> 1977, p. 13. Em meados de 1850 o caf&eacute; tamb&eacute;m era uma atividade econ&ocirc;mica importante na zona da mata mineira, regi&atilde;o vinculada fundamentalmente ao Rio de Janeiro, por onde era exportada a produ&ccedil;&atilde;o. A produ&ccedil;&atilde;o desta regi&atilde;o cresceu at&eacute; 1880, ou seja, at&eacute; quando houve possibilidade de expans&atilde;o da fronteira A partir desta data, o oeste paulista tomou a dianteira em virtude da exist&ecirc;ncia de fronteira em expans&atilde;o. Cf. Lanna, <i>Transforma&ccedil;&atilde;o,</i> 1989, p. 15 e pp. 35&#45;36. Stanley J. Stein mostrou este processo de expans&atilde;o cafeeira em Vassouras, comunidade do Vale do Para&iacute;ba fluminense, entre 1850&#45;1880, quando tamb&eacute;m entrou em processo de decad&ecirc;ncia. Stein, <i>Vassouras,</i> 1990. No Vale do Para&iacute;ba paulista esta expans&atilde;o cafeeira teve in&iacute;cio a partir de 1836, situando&#45;se o per&iacute;odo &aacute;ureo entre 1854&#45;1886, conforme afirma Lucila Herrmann. Esta expans&atilde;o, contudo, n&atilde;o foi uniforme entre os munic&iacute;pios. Cf. Herrmann, <i>Evolu&ccedil;&atilde;o,</i> 1986, pp. 113&#45;114.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n10a"></a><a href="#n10b">10</a></sup> Furtado, <i>Forma&ccedil;&atilde;o,</i> 1959, p. 141.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n11a"></a><a href="#n11b">11</a></sup> Vangelista, <i>Bra&ccedil;os,</i> 1991, p. 44.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n12a"></a><a href="#n12b">12</a></sup> "Pelo contrato de parceria, o fazendeiro financiava o transporte dos imigrantes de seu pa&iacute;s de <i>origem</i> at&eacute; o porto de Santos, adiantava o custo do transporte de Santos at&eacute; a fazenda, bem como os g&ecirc;neros e instrumentos necess&aacute;rios aos imigrantes, at&eacute; que estes pudessem pag&aacute;&#45;los com o produto de suas primeiras colheitas. Os trabalhadores cuidariam de um n&uacute;mero n&atilde;o especificado de p&eacute;s de caf&eacute;, e o fazendeiro lhes cedia um peda&ccedil;o de terra onde cultivariam suas pr&oacute;prias culturas alimentares. Al&eacute;m disso, os imigrantes recebiam gratuitamente uma casa. Seu pagamento consistia em metade do rendimento l&iacute;quido do caf&eacute; e das culturas alimentares. Os trabalhadores ficavam obrigados a reembolsar as despesas feitas pelos fazendeiros em seu benef&iacute;cio com, pelo menos, metade de seus ganhos anuais com o caf&eacute;. O contrato inicial n&atilde;o especificava sua dura&ccedil;&atilde;o, mas estabelecia o montante da d&iacute;vida a cargo do imigrante, devido o custo de seu transporte e outros adiantamentos ap&oacute;s um ano &#91;...&#93; os imigrantes n&atilde;o poderiam deixar a fazenda at&eacute; terem reembolsado suas d&iacute;vidas". Cf. Stolcke, <i>Cafeicultura,</i> 1986, p. 20. Cf. tamb&eacute;m Witter, "Estabelecimento", 1974, pp. 393&#45;467, e "Ibicaba", 1993.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n13a"></a><a href="#n13b">13</a></sup> Stolcke, <i>Cafeicultura,</i> 1986, p. 21. Segundo a autora, esta procura por m&atilde;o&#45;de&#45;obra imigrante levou a Vergueiro e Cia a cobrar uma comiss&atilde;o de maior valor, a ser debitada aos trabalhadores. Em vez de 6% ao ano de juros, chegou&#45;se a 12%. Toda a fam&iacute;lia ficava vinculada &agrave; d&iacute;vida, garantindo o seu pagamento em caso de morte do chefe da fam&iacute;lia.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i><sup><a name="n14a"></a><a href="#n14b">14</a></sup> Ibid.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n15a"></a><a href="#n15b">15</a></sup> Furtado, <i>Forma&ccedil;&atilde;o,</i> 1959, p. 151.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n16a"></a><a href="#n16b">16</a></sup> S&eacute;rgio Buarque de Holanda dir&aacute; que agiam sobre a "press&atilde;o de duras necessidades e ante a perspectiva de condi&ccedil;&otilde;es quase alarmantes, ditadas pela escassez de bra&ccedil;os numa &aacute;rea de excepcional produtividade". Holanda, "Col&ocirc;nias", 1987, p. 247. Quanto ao tr&aacute;fico interno cf. Kowarick, <i>Trabalho,</i> 1987. Revisitando Ibicaba em 1993, Jos&eacute; Sebasti&atilde;o Witter reafirmaria seu estudo anterior: "Previa&#45;se a escassez e a falta de m&atilde;o&#45;de&#45;obra escrava &#91;...&#93; discutia&#45;se o escravismo como institui&ccedil;&atilde;o e a necess&aacute;ria aboli&ccedil;&atilde;o da escravatura &#91;...&#93; Como viver a passagem da escravid&atilde;o ao trabalho livre sem grandes traumas sociais e econ&ocirc;micos". Witter, "Ibicaba", 1993, p. 3.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n17a"></a><a href="#n17b">17</a></sup> Witter, "Estabelecimento", 1974, p. 398.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n18a"></a><a href="#n18b">18</a></sup> Em&iacute;lia Viotti da Costa estima que em 1821 um negro custava de 250$000 a 440$000. Em 1843 elevou&#45;se para 700$000 e em 1855 variava entre 500$000 e um conto de r&eacute;is. Cf. Costa, <i>Senzala,</i> 1989, p. 21. Pesquisando na documenta&ccedil;&atilde;o do Cart&oacute;rio do 1&deg; Of&iacute;cio e no Arquivo da Prefeitura de Vassouras, Stanley Stein calculou o pre&ccedil;o do escravo para a d&eacute;cada de 1850, numa tend&ecirc;ncia de alta entre 550$000 e 1 400$000. Stein, <i>Vassouras,</i> 1990, p. 271. Segundo Peter Eisenberg, em rela&ccedil;&atilde;o aos pre&ccedil;os de 1852 o valor dos escravos subiu cerca de 50% nos anos da d&eacute;cada de 1860 e quase dobrou na seguinte. Na cafeicultura do Rio de Janeiro, os pre&ccedil;os nominais dos escravos subiram ainda mais e alcan&ccedil;aram o auge no final do dec&ecirc;nio de 1870, a um n&iacute;vel quatro vezes maior do que o verificado no inicio da d&eacute;cada de 1850. Em 1850, o pre&ccedil;o <i>real de um escravo em Pernambuco era de 45Q$000 e em 1858 era de 539$000.</i> Cf. Eisenberg, <i>Moderniza&ccedil;&atilde;o,</i> 1977, pp. 174&#45;175. K&aacute;tia Mattoso estimou que em 1850 o pre&ccedil;o real de um escravo na Bahia era estimado em 500$000. Mattoso, <i>Escravo,</i> 1990, p. 95.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n19a"></a><a href="#n19b">19</a></sup> Costa, <i>Senzala,</i> 1989, p. 112.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n20a"></a><a href="#n20b">20</a></sup> <i>Ibid.,</i> p. 113.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n21a"></a><a href="#n21b">21</a></sup> Sebasti&atilde;o Witter alega que foi pensando no problema da escassez de bra&ccedil;os que Vergueiro tentou sua experi&ecirc;ncia de coloniza&ccedil;&atilde;o (p. 394) e que o senador tinha em mente substitui gradativamente o trabalho servil pela m&atilde;o&#45;de&#45;obra livre (pp. 398&#45;399). Cf. Witter, "Estabelecimento", 1974, pp. 393&#45;467.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n22a"></a><a href="#n22b">22</a></sup> Holanda, "Col&ocirc;nias", 1987, pp. 250&#45;251.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n23a"></a><a href="#n23b">23</a></sup> "Quando o tr&aacute;fico africano terminou, uma sociedade complacente ajustou&#45;se &agrave; nova realidade com um vasto e espont&acirc;neo aumento no movimento interno dos escravos, conseqtl&ecirc;ncia da procura constante de mais escravos na regi&atilde;o do caf&eacute; e de atitudes imut&aacute;veis no que se refere &agrave; pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o da escravatura." Conrad, <i>&Uacute;ltimos,</i> 1978, p. 39.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n24a"></a><a href="#n24b">24</a></sup> Kowarick, <i>Trabalho,</i> 1987, p. 55. Mostra que nas &aacute;reas de expans&atilde;o cafeeira a popula&ccedil;&atilde;o cativa tendeu a crescer at&eacute; &eacute;pocas tardias do s&eacute;culo XIX. Em Mogi Mirim, Pinhal, Casa Branca, Rio Claro, Araras, Araraquara, Limeira, &aacute;reas de crescimento da produ&ccedil;&atilde;o neste per&iacute;odo, ocorreu aumento substancial do contingente escravo at&eacute; &agrave;s v&eacute;speras da aboli&ccedil;&atilde;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n25a"></a><a href="#n25b">25</a></sup> Conrad, <i>&Uacute;ltimos,</i> 1978, p. 39.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n26a"></a><a href="#n26b">26</a></sup> Holanda, "Pref&aacute;cio", 1980, pp. 38&#45;39.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n27a"></a><a href="#n27b">27</a></sup> <i>Ibid.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n28a"></a><a href="#n28b">28</a></sup> Costa, <i>Senzala,</i> 1989, pp. 130&#45;131.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n29a"></a><a href="#n29b">29</a></sup> <i>Ibid.,</i> p. 131.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n30a"></a><a href="#n30b">30</a></sup> Segundo Sebasti&atilde;o Witter, entre 1955&#45;1965 a diminui&ccedil;&atilde;o da taxa de entrada de imigrantes europeus no Brasil ocorreu em virtude da guerra do Paraguai e dos acontecimentos na fazenda de Ibicaba e sua repercuss&atilde;o na Europa. Cf. Witter, "Estabelecimento", 1974, pp. 393&#45;467. Leitura obrigat&oacute;ria quanto aos conflitos na fazenda Ibicaba &eacute; Davatz, <i>Mem&oacute;rias,</i> 1980, Ainda como an&aacute;lise das contradi&ccedil;&otilde;es do sistema de parceria cf. Costa, <i>Senzala,</i> 1989, pp. 99&#45;139.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n31a"></a><a href="#n31b">31</a></sup> Em 1859 a Alemanha proibiu a imigra&ccedil;&atilde;o para o Brasil. Cf. Furtado, <i>Forma&ccedil;&atilde;o,</i> 1959, p. 150.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n32a"></a><a href="#n32b">32</a></sup> Costa, <i>Senzala,</i> 1989, pp. 136&#45;139; Lamounier, <i>Escravid&atilde;o,</i> 1988, e Stolcke, <i>Cafeicultura, 1986,</i> pp. 35&#45;36. Cada um destes <i>contratos</i> tinha uma forma de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o e remunera&ccedil;&atilde;o. Na parceria o trabalhador recebia uma parcela do valor total da produ&ccedil;&atilde;o; o sal&aacute;rio era um valor fixo mensal estipulado previamente pelo fazendeiro; na empreitada era estipulado um valor pr&eacute;vio, pago somente ap&oacute;s a conclus&atilde;o da tarefa; na loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os pagava&#45;se um pre&ccedil;o fixo por alqueire de caf&eacute; colhido; o colonato era um sistema misto de remunera&ccedil;&atilde;o fixa por tarefa e por medida colhida.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n33a"></a><a href="#n33b">33</a></sup> N&atilde;o esquecer da importante e renovadora historiografia que interpreta este processo na perspectiva da atua&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma do escravo. Cf. Machado, <i>Crime,</i> 1987; Lara, <i>Campos,</i> 1988; Chalhoub, <i>Vis&otilde;es,</i> 1990; Machado, <i>Plano,</i> 1994; Wissenbach, <i>Sonhos,</i> 1998, e Mattos, <i>Cores,</i> 1998. Todos estes trabalhos foram formadores de uma gera&ccedil;&atilde;o de historiadores da escravid&atilde;o que ampliou o entendimento deste processo e deu&#45;lhe face mais humana</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n34a"></a><a href="#n34b">34</a></sup> Eisenberg, "Homem", 1989, pp. 223&#45;244.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n35a"></a><a href="#n35b">35</a></sup> <i>Costa, Senzala, 1989,</i> pp. 153&#45;158, s&iacute;ntese hist&oacute;rica essencial. Analisa a desagrega&ccedil;&atilde;o do sistema escravista como processo de longa dura&ccedil;&atilde;o que envolveu mudan&ccedil;as estruturais, situa&ccedil;&otilde;es conjunturais e sucess&atilde;o de epis&oacute;dios pol&iacute;tico&#45;econ&ocirc;micos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n36a"></a><a href="#n36b">36</a></sup>Conrad, <i>&Uacute;ltimos,</i> 1978, pp. 52&#45;54.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n37a"></a><a href="#n37b">37</a></sup> Witter, "Estabelecimento", 1974, pp. 393&#45;467.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n38a"></a><a href="#n38b">38</a></sup> Furtado, <i>Forma&ccedil;&atilde;o,</i> 1959, pp. 141&#45;147.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n39a"></a><a href="#n39b">39</a></sup> Dean, <i>Rio,</i> 1977, pp. 33&#45;35.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n40a"></a><a href="#n40b">40</a></sup> Eisenberg, "Homem", 1989, pp. 223&#45;244.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i><sup><a name="n41a"></a><a href="#n41b">41</a></sup> Ibid.,</i> pp. 223&#45;237.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n42a"></a><a href="#n42b">42</a></sup> Holloway, <i>Imigrantes,</i> 1984, e Stolcke, <i>Cafeicultura,</i> 1986, p. 18. Cf. ainda Alvim, <i>Brava,</i> 1986.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n43a"></a><a href="#n43b">43</a></sup> Cf. especialmente "Considera&ccedil;&otilde;es finais: a recupera&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o&#45;de&#45;obra nacional" in Kowarick, <i>Trabalho,</i> 1987, pp. 109&#45;129.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n44a"></a><a href="#n44b">44</a></sup> Vangelista, <i>Bra&ccedil;os,</i> 1991.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n45a"></a><a href="#n45b">45</a></sup> Gon&ccedil;alves, <i>Migra&ccedil;&atilde;o,</i> 2006, e Messias, <i>Cultivo,</i> 2003.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n46a"></a><a href="#n46b">46</a></sup> Fragoso, "Imp&eacute;rio", 1990, pp. 131&#45;176, e Lanna, <i>Transforma&ccedil;&atilde;o,</i> 1989.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n47a"></a><a href="#n47b">47</a></sup> Lapa, <i>Cidade,</i> 1996, p. 20.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n48a"></a><a href="#n48b">48</a></sup> Mappa da popula&ccedil;&atilde;o livre e escrava da prov&iacute;ncia de S&atilde;o Paulo classificada pelas comarcas do litoral e dos valles dos rios Tiet&ecirc;, Pardo, Grande, Mogy Guassu e Paranapanema e do Parayba organizado pelo Dr. J. F. de Godoy in Godoy, <i>Prov&iacute;ncia,</i> 1978.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n49a"></a><a href="#n49b">49</a></sup> Jornal <i>Gazeta de Campinas,</i> Campinas, 20 de julho del873, Arquivo P&uacute;blico do Estado de S&atilde;o Paulo (em adiante APESP).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n50a"></a><a href="#n50b">50</a></sup> Jornal <i>Gazeta de Campinas,</i> Campinas, 8 de outubro de 1874, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n51a"></a><a href="#n51b">51</a></sup> Jornal <i>Gazeta de Campinas,</i> Campinas, 26 de outubro de 1873, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n52a"></a><a href="#n52b">52</a></sup> Cf. quadro das col&ocirc;nias em Holanda, "Pref&aacute;cio", 1980, pp. 38&#45;39.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n53a"></a><a href="#n53b">53</a></sup> Fragoso, "Imp&eacute;rio", 1990, pp. 148&#45;149</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n54a"></a><a href="#n54b">54</a></sup> Holloway, <i>Caf&eacute;,</i> 1984, p. 55.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n55a"></a><a href="#n55b">55</a></sup> <i>Ibid.,</i> pp. 56&#45;59.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n56a"></a><a href="#n56b">56</a></sup> Informa&ccedil;&otilde;es obtidas em Ara&uacute;jo, "Ciclo", 1955.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n57a"></a><a href="#n57b">57</a></sup> <i>Ibid.,</i> pp. 30, 34 e 32, respectivamente.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i><sup><a name="n58a"></a><a href="#n58b">58</a></sup> Ibid.,</i> pp. 43&#45;44.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n59a"></a><a href="#n59b">59</a></sup> Anais da Assembl&eacute;ia Legislativa Provincial de S&atilde;o Paulo (em adiante AALPSP), S&atilde;o Paulo, 19 de abril de 1855, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n60a"></a><a href="#n60b">60</a></sup> <i>Ibid.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n61a"></a><a href="#n61b">61</a></sup> <i>Ibid.</i> 22 de fevereiro de 1855, S&atilde;o Paulo, pp. 25&#45;30, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n62a"></a><a href="#n62b">62</a></sup> Of&iacute;cios Diversos de Campinas, APESP, Ordem 855, cx. 61, C61/P1/D562,23 de julho de 1859.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n63a"></a><a href="#n63b">63</a></sup> AALPSP, S&atilde;o Paulo, 13 de fevereiro de 1857, APESP.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i><sup><a name="n64a"></a><a href="#n64b">64</a></sup> Ibid.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n65a"></a><a href="#n65b">65</a></sup> AALPSP, S&atilde;o Paulo, 22 de fevereiro de 1855, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n66a"></a><a href="#n66b">66</a></sup> <i>Ibid.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n67a"></a><a href="#n67b">67</a></sup> <i>Ibid.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n68a"></a><a href="#n68b">68</a></sup> AALPSP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n69a"></a><a href="#n69b">69</a></sup> <i>Ibid.,</i> 3 de mar&ccedil;o de 1858, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n70a"></a><a href="#n70b">70</a></sup> <i>Ibid.,</i> 6 de mar&ccedil;o de 1874, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n71a"></a><a href="#n71b">71</a></sup> Auto de Justifica&ccedil;&atilde;o. Ju&iacute;zo de Paz da Freguesia de Santa Cruz da cidade de Campinas. Tribunal de Justi&ccedil;a de Campinas. Centro de Mem&oacute;ria da Unicamp, I<sup>o</sup> of&iacute;cio, cx. 228, n&uacute;m. 4638, 1877.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n72a"></a><a href="#n72b">72</a></sup> <i>Ibid</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n73a"></a><a href="#n73b">73</a></sup> <i>Bid</i></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n74a"></a><a href="#n74b">74</a></sup> AALPSP, S&atilde;o Paulo, 13 de fevereiro de 1857, APESP.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n75a"></a><a href="#n75b">75</a></sup> Ant&ocirc;nio C&acirc;ndido em estudo sociol&oacute;gico cl&aacute;ssico diria ainda que a obten&ccedil;&atilde;o dos meios de vida entre lavradores de alimentos reveste&#45;se tamb&eacute;m de uma car&aacute;ter moral, n&atilde;o sendo portanto, meramente, necessidade biol&oacute;gica. C&acirc;ndido, <i>Parceiros,</i> 1971.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup><a name="n76a"></a><a href="#n76b">76</a></sup> Autos c&iacute;veis para justifica&ccedil;&atilde;o de contrato de loca&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Tribunal de Justi&ccedil;a de Campinas, 2<sup>o</sup> of&iacute;cio, cx. 342, n&uacute;m. 6570, 1869.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Sobre la autora</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Denise A. Soares de Moura</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Professora de Hist&oacute;ria do Brasil e do Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria da Universidade Estadual Paulista, S&atilde;o Paulo, Brasil. Doutorou&#45;se em Hist&oacute;ria Econ&ocirc;mica pela Universidade de S&atilde;o Paulo em 2002. Publicou os livros <i>Saindo das sombras, homens livres no decl&iacute;nio do escravismo (1850&#45;1888),</i> pela ed. da Unicamp e <i>Sociedade movedi&ccedil;a: economia, cultura e rela&ccedil;&otilde;es sociais em S&atilde;o Paulo(1808&#45;1850),</i> pela Ed. UNESP. Escreveu v&aacute;rios artigos para revistas acad&ecirc;micas brasileiras. Atualmente desenvolve pesquisas, com apoio financeiro do CNPQ, e FAPESP, sobre rela&ccedil;&otilde;es de poder local e mercado interno na capitania de S&atilde;o Paulo no per&iacute;odo 1750&#45;1822.</font></p>      ]]></body><back>
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