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<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Colóquio Internacional "Élisée Reclus e a geografia do Novo Mundo" [Coloquio Internacional "Elisée Reclus y la geografía del Nuevo Mundo"], São Paulo, 6 al 10 de diciembre de 2011]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Notas y noticias</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Col&oacute;quio Internacional "&Eacute;lis&eacute;e Reclus e a geografia do Novo Mundo" &#91;Coloquio Internacional "Elis&eacute;e Reclus y la geograf&iacute;a del Nuevo Mundo"&#93;,  S&atilde;o Paulo, 6 al 10 de diciembre de 2011</b></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Breno Viotto Pedrosa</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Departamento de Geografia,   Universidade de S&atilde;o Paulo</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre os dias 6 e 10 de dezembro de 2011 realizouse   na Universidade de S&atilde;o Paulo o Col&oacute;quio Internacional sobre &eacute;lis&eacute;e Reclus e a geografia do Novo Mundo. Esse Col&oacute;quio foi organizado por estudantes da p&oacute;s&#150;gradua&ccedil;&atilde;o em geografia humana e alguns professores da Universidade de S&atilde;o Paulo e foi presidido pelo Professor Herv&eacute; Thiery. Em um primeiro momento contou com o financiamento do Consulado Geral da Fran&ccedil;a em S&atilde;o Paulo e posteriormente com o da CAPES (Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal do Ensino Superior). O encontro foi primeiramente pensado a partir de quatro eixos de discuss&atilde;o: 1. &eacute;lis&eacute;e Reclus e a tradi&ccedil;&atilde;o   geogr&aacute;fica, 2. &eacute;lis&eacute;e Reclus e as Geografias dos Novos Mundos, 3. Geografia pol&iacute;tica e geopol&iacute;tica e 4. &eacute;lis&eacute;e Reclus: educa&ccedil;&atilde;o e ensino na geografia. O encontro teve um total de 43 palestrantes (31 homens ou 72.1% e 12 mulheres ou 27.9%). Os dias de trabalho foram intensos geralmente come&ccedil;ando de manh&atilde; e se estendendo at&eacute; de noite. O site do evento pode ser acessado atrav&eacute;s do endere&ccedil;o: <a href="http://reclusmundusnovus.wordpress.com/" target="_blank">http://reclusmundusnovus.wordpress.com/</a>.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esse Col&oacute;quio de certa maneira demonstra um alto grau de especializa&ccedil;&atilde;o, ou seja, temos uma s&eacute;rie de doutores, mestres e alunos de p&oacute;s&#150;gradua&ccedil;&atilde;o que decidiram estudar a fundo o pensamento de um s&oacute; ge&oacute;grafo que imbu&iacute;do do ideal anarquista produziu uma grande obra te&oacute;rica e pr&aacute;tica acerca da geografia   do mundo. No entanto, devido &agrave; presen&ccedil;a mesmo que sutil da desvaloriza&ccedil;&atilde;o do campo da hist&oacute;ria do pensamento geogr&aacute;fico &#150;nos parece que isso ocorre de alguma forma no Brasil&#150; ou ainda a pouca for&ccedil;a da hist&oacute;ria da nossa disciplina muitos autores dedicaram um tempo significativo de sua apresenta&ccedil;&atilde;o na contextualiza&ccedil;&atilde;o e na apresenta&ccedil;&atilde;o dos aspectos b&aacute;sicos da obra de &eacute;lis&eacute;e Reclus. O resultado dessa escolha foi a sobreposi&ccedil;&atilde;o e repeti&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde; es em alguns casos. Obviamente isso n&atilde;o comprometeu o evento nem empobreceu o debate. De qualquer forma constru&iacute;mos nossa resenha de forma a tentar apresentar a s&iacute;ntese das informa&ccedil;&otilde; es e compilar tais sobreposi&ccedil;&otilde; es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">   Na abertura do evento contamos com a palestra da professora B&eacute;atrice Giblin uma pesquisadora que h&aacute; muito tempo se dedica &agrave; obra de Reclus. Ela foi aluna de Yves Lacoste e seu trabalho sobre Reclus esteve ligado &agrave; revista H&eacute;rodote. E como expusemos anteriormente em sua apresenta&ccedil;&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel detectar v&aacute;rias informa&ccedil;&otilde; es que se repetiram posteriormente durante o evento. Primeiramente ela nos apresenta a id&eacute;ia de que a liberdade conduz a obra de &eacute;lis&eacute;e Reclus bem como seu pensamento pol&iacute;tico. Tamb&eacute;m que o Estado &eacute; uma m&aacute;quina que deve ser desmantelada, &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o imposta pelos outros. Somente os indiv&iacute;duos podem dirigir suas vidas e lutar contra   a opress&atilde;o. A moral, portanto &eacute; basicamente individual e at&eacute; certa medida voluntarista. Dessa forma sua geografia serve o projeto pol&iacute;tico de lutar contra a opress&atilde;o e de possibilitar a anarquia com homens livres e iguais em uma sociedade sem leis e sem autoridades.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Reclus antes de se envolver umbilicalmente com o anarquismo escolhe ser ge&oacute;grafo. Devido a sua inf&acirc;ncia em um ambiente familiar envolto pelo protestantismo Reclus desenvolveu sua sensibilidade   pela observa&ccedil;&atilde;o e pelo respeito &agrave; natureza. Ele, no entanto, tem uma forma&ccedil;&atilde;o de gabinete atrav&eacute;s das li&ccedil;&otilde;es de Ritter e da leitura de Humboldt.   Acabada sua forma&ccedil;&atilde;o Reclus parte para o mundo e trabalha como ge&oacute;grafo de campo, mas nunca sem ignorar ou subestimar o material de gabinete. Alguns pesquisadores como David Palacios colocam que Reclus n&atilde;o seria essencialmente um explorador no sentido tradicional do termo. Ele seria um ge&oacute;grafo pois buscava colher muitasinforma&ccedil;&otilde; es em arquivos atrav&eacute;s de seus contatos dentro do meio anarquista e elaborar verdadeiras s&iacute;nteses regionais atrav&eacute;s do trabalho minucioso e comparativo acerca das fontes dos mais diversos locais do mundo. A rede de anarquistas seus componentes e sua funcionalidade foi tema de debate e esteve presente na apresenta&ccedil;&atilde;o de Petellier. Ele chama aten&ccedil;&atilde;o do contato de Reclus com o anarquista Kotoku Shusui que lhe indicar&aacute; o problema do imperialismo. </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Giblin contrariamente a essa id&eacute;ia reafirma a necessidade de Reclus de ver pessoalmente, de ir ao local e de n&atilde;o se satisfazer apenas com a leitura. Em mais de uma mesa do Col&oacute;quio tamb&eacute;m foi destacado o fato de que as fontes que ele consultou e reuniu eram muito ricas e cobriam um longo per&iacute;odo de tempo, de forma que do ponto de vista documental sua G&eacute;ographie Universelle era mais rica do que a geografia mundial elaborada por alguns ge&oacute;grafos vinculados a escola de Vidal de la   Blache. H&aacute; ent&atilde;o uma id&eacute;ia que possui for&ccedil;a de argumenta&ccedil;&atilde;o de que a geografia francesa sofreria um processo de empobrecimento diante de sua institucionaliza&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outro tema bastante debatido em todas as mesas   &eacute; que imbu&iacute;do do esp&iacute;rito da &eacute;poca Reclus era um grande incentivador do processo de coloniza&ccedil;&atilde;o,   pois em sua opini&atilde;o o trabalho humano teria o papel de melhorar a natureza e n&atilde;o destru&iacute;&#150;la. Atrav&eacute;s da coloniza&ccedil;&atilde;o o tema da miscigena&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;as e a apropria&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da escravid&atilde;o e do exterm&iacute;nio   de ra&ccedil;as ganham o tom pol&iacute;tico do debate. Encontrar o equil&iacute;brio ao qual Reclus se refere &eacute; o melhoramento da natureza como um bem comum para toda a humanidade constitu&iacute;da com base na coopera&ccedil;&atilde;o e na solidariedade entre os homens. No entanto, como apontaram v&aacute;rios palestrantes para Reclus a ascens&atilde;o do capitalismo e suas inova&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas representam um progresso e ao mesmo tempo um regresso. E toda sua argumenta&ccedil;&atilde;o nesse sentido &eacute; plena de exemplos emp&iacute;ricos. E no que diz respeito &agrave; coloniza&ccedil;&atilde;o da Arg&eacute;lia o colono franc&ecirc;s teria um papel positivo uma vez que transformaria   a terra n&atilde;o produtiva em frutos. Assim apesar dessas contradi&ccedil;&otilde;es Reclus &eacute; um entusiasta do avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, pois as novas tecnologias provocariam a resolu&ccedil;&atilde;o das contradi&ccedil;&otilde;es e trariam conseq&uuml;entemente o equil&iacute;brio entre sociedade e natureza. Phillipe Pelletier, no entanto, nos lembra de que Reclus utiliza o termo contradi&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o o termo dial&eacute;tico. Isso porque a dial&eacute;tica era um termo avesso a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o culta e porque de certa forma remetia aos debates entre anarquistas e socialistas na primeira internacional &#150;como entre Marx e Engels.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Reclus se localiza em um momento hist&oacute;rico que a ecologia ainda n&atilde;o foi inventada, entretanto ele &eacute; um ecologista avant lettre tanto no sentido de visualizar a rela&ccedil;&atilde;o entre homem e natureza atrav&eacute;s de la&ccedil;os profundos e essenciais, quanto ao perceber que &eacute; necess&aacute;rio conservar a natureza e encontrar um equil&iacute;brio de seu uso. Atrav&eacute;s dessa an&aacute;lise relacional profunda Giblin vislumbra em sua obra aquilo que chama de geopol&iacute;tica cidad&atilde; que d&aacute; conta de compreender as rela&ccedil;&otilde;es de poder em uma microescala, como por exemplo, no estudo de Reclus sobre a cidade de Nova York na G&eacute;ographie Universelle. Marcella S. di Friedberg nessa mesma verve fez uma compara&ccedil;&atilde;o das vis&otilde;es acerca da ecologia   e das interpreta&ccedil;&otilde;es que decorrem do discurso sobre a natureza advindo de Reclus. Como destaca citando P. Pelletier a causa verde &eacute; sempre positiva e remete ao politicamente correto. Friedberg comparou   as vis&otilde;es de natureza que temos atualmente e a vis&atilde;o de Reclus. De uma forma geral nos coloca que atualmente temos os eco&#150;otimistas e os catastrofistas,   por&eacute;m Reclus n&atilde;o se encaixaria nessas classifica&ccedil;&otilde;es atuais. Ele teria uma interpreta&ccedil;&atilde;o mais rica e atenta ao dinamismo terrestre em que a t&eacute;cnica &eacute; a chave para o aumento dos recursos dispon&iacute;veis. E onde o recurso final &eacute; o pr&oacute;prio ser humano e onde se evid&ecirc;ncia claramente sua f&eacute; no anarquismo e na vontade humana. A ci&ecirc;ncia para Reclus, de acordo com Marcella, se remete a um campo de disputa ideol&oacute;gica e de vis&otilde;es de mundo.   Assim n&atilde;o &eacute; s&oacute; a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento &eacute; pensada mas tamb&eacute;m sua reprodu&ccedil;&atilde;o na forma da educa&ccedil;&atilde;o onde uma educa&ccedil;&atilde;o libert&aacute;ria se faz necess&aacute;ria com contato f&iacute;sico e direto da realidade.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar de Reclus s&oacute; adentrar na academia tardiamente alguns ge&oacute;grafos consideram sua geografia enciclop&eacute;dica, por&eacute;m n&atilde;o acad&ecirc;mica. Reclus   falava ou era capaz de ler em seis l&iacute;nguas diferentes,   possu&iacute;a grande cultura, recebia informa&ccedil;&otilde;es de uma grande rede de anarquistas e colaboradores e havia feito v&aacute;rias viagens. Diante desse fato David Palacios afirma que Reclus era em si um centro de c&aacute;lculo tendo em vista o volume de informa&ccedil;&otilde;es que re&uacute;ne e a extens&atilde;o de sua obra. E se por um lado foi um pensador que at&eacute; certa medida adiantou o enfoque ecol&oacute;gico, por outro lado ele foi contempor&acirc;neo   do darwinismo e acompanhou o &aacute;pice de sua divulga&ccedil;&atilde;o. E diante das apropria&ccedil;&otilde;es do darwinismo   pelo pensamento social Reclus tem uma postura decididamente anarquista que reverbera e se alimenta na obra de Kropotkin. A escolha &eacute; que o conv&iacute;vio e a sociedade humana devem se pautar na coopera&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o na competi&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie. Fato que n&atilde;o impede Reclus de identificar a luta de classes. Por&eacute;m, os dominados s&atilde;o solid&aacute;rios e os dominantes s&atilde;o invejosos e competitivos. Nesse sentido o novo mundo &eacute; visto com esperan&ccedil;as do surgimento de novos tipos de sociedade.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A vis&atilde;o utopista acerca do novo mundo foi explicitada em v&aacute;rias palestras e especialmente no apresentado por David Palacios que buscou explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre Reclus e um colaborador colombiano que n&atilde;o ligado &agrave;s redes anarquistas. Seu nome era Vergara y Velasco um membro do ex&eacute;rcito da Nova Granada que era politicamente conservador o que contrastava com os ideais de Reclus. Mesmo assim ambos desenvolveram uma rela&ccedil;&atilde;o duradoura de troca e respeito intelectual. Vergara y Velasco chegou at&eacute; mesmo a traduzir a parte da G&eacute;ographie Universelle sobre a Nova Granada no momento em que esta era publicada na Fran&ccedil;a. Reclus publica ainda quando volta &agrave; Fran&ccedil;a "Viajem a Serra Nevada de Santa Marta" e em seus estudos apresenta uma regionaliza&ccedil;&atilde;o da Col&ocirc;mbia. No que diz respeito ao Panam&aacute; &eacute; interessante destacar que Reclus &eacute; um entusiasta da constru&ccedil;&atilde;o do canal, pois acredita que o com&eacute;rcio &eacute; um ve&iacute;culo civilizador. Ao se deparar com a ascens&atilde;o   do capitalismo Reclus raciocina que o com&eacute;rcio &eacute; uma esp&eacute;cie de motor da hist&oacute;ria e da geografia. Por fim cabe ressaltar que Vergara y Velasco foi contatado posteriormente pelos ge&oacute;grafos vidalianos   quando eles estavam reeditando a G&eacute;ographie Universelle, por&eacute;m em uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica onde os cientistas do centro mais se alimentavam do conhecimento perif&eacute;rico consolidado. Enfim o fato era que a rela&ccedil;&atilde;o entre Reclus e Vergara era mais cordial e de trocas cient&iacute;ficas. Alejandro C. Ort&iacute;z destacou que Reclus observa a simbiose do homem com o territ&oacute;rio e os diferentes costumes e culturas. Ressalta ainda a import&acirc;ncia do caf&eacute; e ironicamente coloca que apesar do regime republicano na Nova Granada o presidente tem poder de imperador e a igreja recebeu metade das terras do pa&iacute;s.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Marcelo Miyahiro nos conta sobre a viajem de Reclus ao Brasil onde ele vai basicamente do Rio   de Janeiro &agrave; S&atilde;o Paulo. No Rio fala sobre os aspectos   urbanos e os processos de migra&ccedil;&atilde;o campocidade.   Em S&atilde;o Paulo visita as fazendas de caf&eacute; e observa novamente o sistema escravocrata. Reclus passa pelo Instituto Hist&oacute;rico e Geogr&aacute;fico Brasileiro   onde tem a recep&ccedil;&atilde;o e o apoio do Marqu&ecirc;s de Paranagu&aacute;. &eacute; eleito s&oacute;cio honor&aacute;rio da Academia brasileira de Letras e s&oacute;cio tempor&aacute;rio da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. Em 1894 Reclus escreve o livro "Estados Unidos do Brasil" que mais ou menos 6 ou 7 anos depois &eacute; traduzido e se inclui como anexo o texto "Territ&oacute;rio contestado franco&#150;brasileiro". Essas obras foram utilizadas pela diplomacia brasileira para ganhar a disputa de fronteira acerca da Guiana Francesa. Estrat&eacute;gia que deu certo uma vez que a fronteira &eacute; tra&ccedil;ada a partir do Cabo Orange e n&atilde;o do Rio Amazonas como queriam os franceses. Herv&eacute; Thiery nos apresenta   um trabalho sobre como Reclus v&ecirc; a guerra do Paraguai. Curiosamente Reclus detecta como a guerra colocar&aacute; em xeque a sociedade latifundi&aacute;ria e escravocrata no Brasil desgastando o regime imperial.   Poucos anos ap&oacute;s essa guerra a Rep&uacute;blica e a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o s&atilde;o proclamadas. Francisco Albert tamb&eacute;m se dedica a expor como Reclus viu a estrutura&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira percebendo a escravid&atilde;o no Brasil de maneira diferente dos Estados Unidos. Aqui haveria tra&ccedil;os de um feudalismo   ou ainda um sistema de favores e acordos entre senhores e escravos distinto da segrega&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos de Am&eacute;rica.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outro trabalho que nos pareceu muito interessante   foi de Rui Campos em que ele analisa a obra de Reclus "Histoire d'um ruisseau" &#91;Hist&oacute;ria de um c&oacute;rrego&#93; em que se analisa em cada um dos cap&iacute;tulos   como o c&oacute;rrego nasce e percorre o territ&oacute;rio at&eacute; chegar ao mar. Reclus se refere ao ciclo da &aacute;gua e ainda demonstra como os rios s&atilde;o apropriados pelo homem e como eles tem um valor essencial para a sociedade. Nos fala ainda sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o do rio como fronteira pol&iacute;tica. Ainda nessa obra ele remete as grutas como o primeiro habitat humano, chama aten&ccedil;&atilde;o para o mau uso da &aacute;gua e at&eacute; mesmo se refere poeticamente ao uso do rio como espa&ccedil;o de entretenimento e contempla&ccedil;&atilde;o na natureza. E no meio da an&aacute;lise sustenta que o mundo n&atilde;o seria uma justaposi&ccedil;&atilde;o de elementos por camadas, mas um todo sustentado por constantes rela&ccedil;&otilde;es.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outra id&eacute;ia que apareceu de forma dilu&iacute;da em v&aacute;rias mesas &eacute; o fato do ideal anarquista de Reclus fazer com que ele tenha uma postura contra a igreja uma vez que ela seria apoiadora da domina&ccedil;&atilde;o de classes, a favor da igualdade de g&ecirc;neros, contra as ideias malthusianas e contra o racismo &#151;e conseq&uuml;entemente entusiasta da mesti&ccedil;agem. Reclus tamb&eacute;m embebido do ideal anarquista aponta para a dissolu&ccedil;&atilde;o dos governos e das fronteiras e alguns at&eacute; mesmo o indicaram como um predecessor   da ideia de mundializa&ccedil;&atilde;o. A contradi&ccedil;&atilde;o diante disso &eacute; que nos parece que Reclus n&atilde;o despreza completamente a ideia de na&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m no &acirc;mbito do anarquismo temos suas reflex&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre evolu&ccedil;&atilde;o, revolu&ccedil;&atilde;o e a n&atilde;o aliena&ccedil;&atilde;o da autonomia do sujeito na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade justa. Nesse contexto &eacute; que Reclus cunha o termo geografia social calcado na decis&atilde;o soberana no individuo e na luta de classes rumo ao equil&iacute;brio social. Diante de todo exposto como nos coloca Pablo Campos a geografia de &eacute;lis&eacute;e Reclus j&aacute; se demonstra como multiescala e n&atilde;o pautada centralmente no Estado. Reclus d&aacute; muita import&acirc;ncia &agrave; propriedade comunal que se manifesta na maioria das culturas ao redor do mundo.   </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Phillippe Pelletier por sua vez explorou mais como o anarquismo fundamenta a vis&atilde;o de mundo de Reclus e como a participa&ccedil;&atilde;o de uma rede de anarquistas foi importante para sua obra e para aprofundar suas reflex&otilde;es sobre o pr&oacute;prio anarquismo.   Aqui se esclarece a quest&atilde;o nacional: Reclus investe muito na vis&atilde;o de federa&ccedil;&otilde;es regionais de trabalhadores que se v&ecirc;em como parte do mundo e n&atilde;o de uma na&ccedil;&atilde;o. O que na pr&aacute;tica n&atilde;o descarta a ideia de divis&otilde;es nacionais, por&eacute;m sempre remete ao federalismo. Pelletier demonstra ainda que em um cen&aacute;rio cheio de deterministas como o pr&oacute;prio   Bakhunin Reclus optou pela adapta&ccedil;&atilde;o, pela diversidade e complexidade do meio, ou seja, pelas m&uacute;ltiplas determina&ccedil;&otilde;es. Nos coloca ainda que a ideia de que o progresso acompanha o regresso vem de Vico o que certamente ser&aacute; um mote essencial do desenvolvimento de sua obra. E Pelletier tem muito cuidado para situar Reclus em seu tempo e n&atilde;o taxa&#150;lo simplesmente de ecologista isso porque n&atilde;o se trata exclusivamente da rela&ccedil;&atilde;o do organismo com o meio ambiente, mas de rela&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas que envolvem v&aacute;rios elementos.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O desfecho do col&oacute;quio se deu com a palestra de Roland Creaght que fez suas considera&ccedil;&otilde; es sobre   Reclus. E coloca que ele possui muitos tra&ccedil;os anti&#150;eurocentricos uma fez que via no novo mundo como uma possibilidade de reorganiza&ccedil;&atilde;o social e o velho mundo como decadente. Creaght tamb&eacute;m contrasta a vis&atilde;o de Marx e Reclus sobre a quest&atilde;o do eurocentrismo, mas tamb&eacute;m sobre a guerra civil nos EUA onde Reclus se preocupava mais com a emancipa&ccedil;&atilde;o dos povos. Finalmente a riqueza do conhecimento est&aacute; em saber viver e trabalhar na terra numa concep&ccedil;&atilde;o que seria pr&oacute;xima a id&eacute;ia da pr&aacute;xis marxista no sentido que o conhecimento deve ser realizado na vida e na pol&iacute;tica.   </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao fim do evento pudemos concluir que mesmo com as sobreposi&ccedil;&otilde;es e lugares comuns acerca da obra de Reclus tivemos um mosaico de matizes sobre v&aacute;rios aspectos de seu pensamento o que se evidenciou atrav&eacute;s do debate. Apesar de tudo Reclus n&atilde;o &eacute; celebrado para que fique no passado. Ele &eacute; revisitado que para possa agregar realmente id&eacute;ias importantes e elabora&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas que nos ajudem a entender o mundo atual mesmo que ele seja um autor do s&eacute;culo XIX. Como nos demonstrou Marcella atualmente uma esp&eacute;cie de neurose generalizada nos impede de encarar a natureza   como algo din&acirc;mico uma vez que a ideologia da conserva&ccedil;&atilde;o ambiental faz o senso comum v&ecirc;la como algo est&aacute;tico e que obviamente precisa ser preservada de maneira intoc&aacute;vel. Pessoalmente um aspecto que me incomoda do pensamento reclusiano   &eacute; a presen&ccedil;a de v&aacute;rias met&aacute;foras naturalizantes ou ainda uma tend&ecirc;ncia de naturalizar o que tem uma essencial cultural. Obviamente essas met&aacute;foras s&atilde;o um instrumento importante de teoriza&ccedil;&atilde;o e de express&atilde;o de determinados processos e que ir&atilde;o estar entre os vidalianos. Mas o grande contraste do pensamento reclusiano se comparado &agrave; escola vidaliana recai com certeza sobre a apreens&atilde;o do dinamismo do mundo. Como Creaght ressaltou em sua palestra o erro do pensamento cartesiano foi ver o movimento como algo irracional.   </font></p>      ]]></body>
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