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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Rese&ntilde;as</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>S&eacute;rgio Lima, <i>A aventura surrealista: cronologia do surrealismo</i></b></font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Ival de Assis Cripa</b>*</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>S&atilde;o Paulo, Universidade de S&atilde;o Paulo, 2010.</b></font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>*UNIFIEO/OSASCO</i></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em "A aventura surrealista", S&eacute;rgio Lima vem suprir uma lacuna na historiografia liter&aacute;ria brasileira que refletiu pouco sobre a hist&oacute;ria do movimento. Na obra &eacute; expl&iacute;cita a perspectiva do poeta S&eacute;rgio Lima que, como um poeta cr&iacute;tico, procura analisar um movimento do qual tomou parte. Outro aspecto central na obra &eacute; a necessidade de pensar a hist&oacute;ria do surrealismo sempre de uma perspectiva internacionalista. S&eacute;rgio Lima conseguiu a fa&#231;anha de elaborar uma cronologia n&atilde;o linear de um movimento cujo tra&#231;o marcante de sua proposta est&eacute;tica &eacute;, como se sabe, a descontinuidade e ser avesso a qualquer 'esp&iacute;rito de sistema". Outro tra&#231;o singular da obra &eacute; uma primeira exposi&#231;&atilde;o do aspecto sincr&oacute;nico da hist&oacute;ria liter&aacute;ria brasileira, sempre em estreita conex&atilde;o com a hist&oacute;ria liter&aacute;ria europ&eacute;ia e latino&#45;americana, se tem visto que o internacionalismo sempre foi um tra&#231;o marcante do surrealismo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Lima o surrealismo no Brasil se caracteriza principalmente por atividades coletivas, tais como a publica&#231;&atilde;o de revistas, livros e manifestos e o movimento deve ser entendido de uma perspectiva local e internacional, assim seguindo a din&acirc;mica mundial pr&oacute;pria do surrealismo. Ao ler o livro, o leitor deve se ater ao fato de que as rela&#231;&otilde;es entre os poetas surrealistas e o movimento modernista eram bastante contradit&oacute;rias. Tais contradi&#231;&otilde;es se expressam, por exemplo, na maneira como S&eacute;rgio Lima denuncia a exclus&atilde;o do tema do surrealismo, na pena de v&aacute;rios cr&iacute;ticos que abordaram amplamente a hist&oacute;ria do movimento modernista no Brasil. Por outro lado, o pr&oacute;prio Lima recupera a frase de Oswald de Andrade: "j&aacute; t&iacute;nhamos uma linguagem surrealista no Brasil", ou ainda a frase de Benedito Nunes: "a antropofagia n&atilde;o teria existido sem o surrealismo" (p. 25).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Se em "A aventura surrealista", podemos perceber nitidamente v&aacute;rias cr&iacute;ticas aos historiadores da literatura brasileira, que preocupados em recuperar a hist&oacute;ria do movimento modernista no Brasil, n&atilde;o prestaram a devida aten&#231;&atilde;o no impacto da atividade surrealista nos tr&oacute;picos, &eacute; poss&iacute;vel perceber, tamb&eacute;m, como o pr&oacute;prio S&eacute;rgio Lima refaz o v&iacute;nculo, ainda que tenso, entre os modernistas da "semana de 22" e os surrealistas, uma vez que os "vasos comunicantes" entre esses dois movimentos s&atilde;o muitos e ficam expl&iacute;citos ao longo de todo livro, apesar do autor sempre marcar posi&#231;&atilde;o em defesa do surrealismo e contra o "sil&ecirc;ncio" da cr&iacute;tica modernista, com rela&#231;&atilde;o &aacute; atividade surrealista no Brasil.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Sob esse aspecto, segundo Lima, uma diferen&#231;a significativa entre o surrealismo e as propostas dos poetas ligados &agrave; "semana de 22" &eacute; a de que "O surrealismo &eacute; por defini&#231;&atilde;o uma vis&atilde;o cr&iacute;tica da realidade e est&aacute; muito longe de ser dogm&aacute;tico, n&atilde;o sendo nem um programa, nem uma escola e nem um ju&iacute;zo: &eacute; uma experi&ecirc;ncia em aberto &#91;...&#93; dando&#45;se como aventura e express&atilde;o do desejo do homem" (p. 31). Ou seja, o movimento surrealista, diferente dos "modernistas" brasileiros, n&atilde;o era um movimento organizado e nem continha uma dimens&atilde;o program&aacute;tica de pol&iacute;tica cultural como os modernistas brasileiros tinham.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Diferente aos poetas modernistas ligados &agrave; "semana de 22", o objetivo dos surrealistas n&atilde;o era estabelecer um marco divisor na hist&oacute;ria cultural do Brasil ou criar, de modo cont&iacute;nuo, um novo paradigma est&eacute;tico na cena cultural brasileira. N&atilde;o ser&aacute; uma preocupa&#231;&atilde;o dos surrealistas, por exemplo, definir quais eram os tons das "cores locais" da literatura e da arte produzida aqui no Brasil. Insurgindo&#45;se contra a afirma&#231;&atilde;o de Jos&eacute; Paulo Paes, para quem "n&atilde;o houve surrealismo no Brasil" (p. 35), Lima recupera as publica&#231;&otilde;es dos prov&eacute;rbios de P&eacute;ret, de poema de Breton e a atua&#231;&atilde;o de Elsie na Revista de antropofagia. Ou, ainda, contra a hegemonia do stalinismo e a bandeira do regionalismo, Lima recupera o grito de Benjamin Per&eacute;t e Elsie no Brasil, "por mais amor e mais poesia."</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">S&eacute;rgio Lima faz tamb&eacute;m refer&ecirc;ncia &agrave; obra cr&iacute;tica de S&eacute;rgio Buarque de Holanda, t&atilde;o caleidosc&oacute;pica quanto seus ensaios de hist&oacute;ria cultural e que s&oacute; chamou a aten&#231;&atilde;o dos cr&iacute;ticos tardiamente. Os v&iacute;nculos entre a obra de S&eacute;rgio Buarque de Holanda e as vanguardas est&eacute;ticas na Europa, ap&oacute;s sua passagem pela Alemanha antes da ascens&atilde;o do nazismo, tamb&eacute;m foram sabiamente identificados por Maria Odila Leite da Silva Dias, na apresenta&#231;&atilde;o dos excertos da obra do historiador, publicados pela Editora &Aacute;tica: "H&aacute; uma ponte na forma&#231;&atilde;o intelectual de S&eacute;rgio Buarque de Holanda entre sua milit&acirc;ncia modernista e a voca&#231;&atilde;o de historiador, que valeria a pena ser mais esmiu&#231;ada".<sup><a href="#notas">1</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para que o leitor possa ler a obra sem preconceito, &eacute; preciso considerar que a proposta de Lima foi atualizar a hist&oacute;ria de um movimento do qual ele faz parte. Se o "sujeito" e "objeto" da obra se confundem em alguns momentos no livro, h&aacute;, contudo uma profus&atilde;o de temas e possibilidades de an&aacute;lise que foram pouco abordados pela historiografia liter&aacute;ria e que despontam como possibilidades de pesquisa em v&aacute;rios momentos e p&aacute;ginas do livro. S&eacute;rgio Lima indica, por exemplo, v&aacute;rias revistas pouco estudadas no Brasil e fora do Brasil: La Br&eacute;che e L'Archibras (Paris), A Phala (S&atilde;o Paulo), Analogon (Praga), La Rueda (Buenos Aires) etc. A maneira, tamb&eacute;m, como Lima relaciona esses peri&oacute;dicos com os poetas ligados a eles, abre enormes possibilidades para realiza&#231;&atilde;o de estudos comparados sobre essas revistas produzidas na Am&eacute;rica Latina, nos Estados Unidos e na Europa como um todo. Na Europa, a boa recep&#231;&atilde;o de <i>A aventura surrealista,</i> pode ser atestada pela resenha publicada em Maio de 2010, na revista INFOSURR,<sup><a href="#notas">2</a></sup> chamando a aten&#231;&atilde;o em especial para a presen&#231;a de Benjamin P&eacute;ret no Brasil, entre 1929 e 1931, apresentando aqui v&aacute;rias confer&ecirc;ncias e publicando v&aacute;rios artigos sobre o surrealismo na imprensa local.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Se no Brasil as vertentes formadoras do surrealismo remontam, segundo Lima, Qorpo&#45;Santo, Cruz e Souza, Em&iacute;lia Freitas, Alvim Corr&ecirc;a, Augusto dos Anjos, Oswaldo Goeldi e Ra&uacute;l Bopp, Cruz e Souza entre outros, na Europa teriam sido os poetas rom&acirc;nticos como Nerval e sua defini&#231;&atilde;o de "supernaturel", ou o "surnaturalisme" de Baudelaire, os precursores do movimento do surrealismo. O movimento dos surrealistas que, na perspectiva de Lima, n&atilde;o pode ser generalizado, pois foi na verdade um "Bund" de diferen&#231;as. Se autores como Jorge de Lima, Oswald de Andrade, Ismael Nery, Murilo Mendes, Ros&aacute;rio Fusco, M&aacute;rio Quintana, Eros Vol&uacute;sia, Campos Carvalho e Jos&eacute; Alcides Pinto, entre outros, n&atilde;o se intitulam "surrealistas", h&aacute;, por&eacute;m, fortes liga&#231;&otilde;es entre eles e a perspectiva surrealista, diz Lima.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Uma cr&iacute;tica que podemos fazer ao livro de S&eacute;rgio Lima &eacute; que se o surrealismo foi rejeitado pelos membros do movimento modernistas ligados &agrave; Igreja, tais como Trist&atilde;o de Atha&iacute;de, ou por intelectuais "org&acirc;nicos" do Estado Novo como Cassiano Ricardo, S&eacute;rgio Lima generaliza de modo exagerado tais "rejei&#231;&otilde;es" ao surrealismo. O problema &eacute; que os argumentos da "rejei&#231;&atilde;o" praticada por Mario de Andrade e Manuel Bandeira ao surrealismo s&atilde;o de uma outra ordem e mereceriam um outro tratamento que explique tais especificidades das cr&iacute;ticas dos mesmos, evitando colocar "no mesmo saco" da pol&iacute;tica das letras, Cassiano Ricardo, Trist&atilde;o de Atha&iacute;de, Manuel Bandeira e Mario de Andrade. Sob esse aspecto, Lima afirma que tanto Manuel Bandeira quanto M&aacute;rio de Andrade ignoraram "o sentido revolucion&aacute;rio do surrealismo", mas n&atilde;o se preocupa em diferenciar a interpreta&#231;&atilde;o dos mesmos sobre o surrealismo das interpreta&#231;&otilde;es dos intelectuais ligados ao Estado Novo e &agrave; Igreja Cat&oacute;lica. V&ecirc;&#45;se, por&eacute;m, que todos os nomes "alinhados" e suas diferentes correntes se opuseram ao surrealismo. E as exce&#231;&otilde;es est&atilde;o apontadas por Lima, a come&#231;ar por M&aacute;rio Pedrosa, Murilo Mendes, Vicente Rego Monteiro, An&iacute;bal Machado, Fl&aacute;vio de Carvalho, S&eacute;rgio Buarque de Holanda e Prudente de Morais, neto.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Sobre a periodiza&#231;&atilde;o da hist&oacute;ria do surrealismo, &eacute; preciso considerar que a d&eacute;cada 20 foi uma d&eacute;cada importante para a hist&oacute;ria do movimento modernista no Brasil. O surrealismo deve ser visto como um movimento "sem fronteiras", prop&otilde;e Lima, cuja marca &eacute; o internacionalismo. O ano de 1929 foi o &aacute;pice do primeiro per&iacute;odo surrealista no Brasil, pois foi o ano da chegada de Benjamin Per&eacute;t e Elsie Houston&#45;P&eacute;ret, que foram acolhidos como surrealistas pelo movimento antropof&aacute;gico de S&atilde;o Paulo. Para compreender a hist&oacute;ria do surrealismo no Brasil, de modo sincr&oacute;nico com a hist&oacute;ria liter&aacute;ria francesa e mundial, Lima demonstra como tais eventos coincidem com a chegada de Dal&iacute; ao grupo surrealista de Paris e com o ano do desterro de Trotski. Ao dar &ecirc;nfase ao processo de internacionaliza&#231;&atilde;o da aventura surrealista no Brasil, o autor recorda que foi, na verdade, uma d&eacute;cada internacionalista nas letras, nas artes, na pol&iacute;tica e foi o per&iacute;odo her&oacute;ico do surrealismo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">C&eacute;sar de Castro e o casal Gilka Machado e Rodolfo Mello Machado, s&atilde;o recuperados por Lima como dois nomes decisivos para a compreens&atilde;o da passagem do simbolismo e do Parnasianismo ao modernismo no Brasil. Rodolfo Mello, que faleceu precocemente em 1923, s&oacute; teve sua obra tardiamente reconhecida gra&#231;as a Gilka Machado, que prosseguiu com temeridade o veio er&oacute;tico de sua poesia, que foi singular na hist&oacute;ria da poesia moderna brasileira, aponta Lima. Pelo fato de ser uma mulher que fala, "Gilka Machado ser&aacute; marginalizada pela cr&iacute;tica e, sobretudo pelos formalismos modernistas." (p. 320). Contudo, paradoxalmente o pr&oacute;prio Lima aponta que, apesar da exclus&atilde;o padecida por Gilka Machado, a mesma recebeu a premia&#231;&atilde;o da Academia Brasileira de Letras em 1921 e em 1933 foi premiada como "maior poeta do Brasil", no concurso p&uacute;blico da revista "Malho"! Em ambas premia&#231;&otilde;es, destacam&#45;se sobretudo a&#231;&otilde;es de &Aacute;lvaro Moreyra &#151;outro nome n&atilde;o "alinhado" e decisivo do per&iacute;odo, mas "pouco reconhecido" pelos modernistas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mas tais premia&#231;&otilde;es, na compreens&atilde;o de Lima, s&atilde;o ainda "insuficientes" para elucidar o quanto o livro "o amor louco" carregava a promessa de uma "nova mulher". De igual sil&ecirc;ncio ou marginaliza&#231;&atilde;o, afirma Lima, padeceram outras figuras femininas na hist&oacute;ria da poesia brasileira, tais como Maria Lacerda de Moura, Albertina Bertha, Elsie Houston&#45;P&eacute;ret, Patr&iacute;cia Galv&atilde;o, Eug&ecirc;nia Moreyra, todas elas, "un&acirc;nimes na luta pela liberdade, o amor e a poesia &#151;portadoras, pois da palavra revolucion&aacute;ria, do fogo da fala" (p. 320) e inclua&#45;se nessa galeria Maria Martins.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O tema do "humour noir" na obra de Oswald de Andrade, raramente rastreado pela cr&iacute;tica recuperado em <i>O Perfeito Cozinheiro das Almas Desse Mundo,</i> publica&#231;&atilde;o organizada por Jorge Schwarcz e Frederico Nasser,<sup><a href="#notas">3</a></sup> interliga a obra de Oswald de Andrade com Lima Barreto, &Aacute;lvaro Moreira, Felipe D'Oli&#45;veira, An&iacute;bal Machado, Pedro Nava, Febr&ocirc;nio &iacute;ndio do Brazil e Jo&atilde;o de Minas e Pagu entre outros poetas. Para S&eacute;rgio Lima, contra as abordagens que sempre avaliaram a obra de Oswald de Andrade apenas a partir da Semana de 22, Benedito Nunes ao analisar a obra de Ju&oacute; Banan&eacute;re, recupera a obra de um Oswald de Andrade pouco visitado, pois "ambos aspectos, o 'pr&eacute;&#45;modernista' e o jornalista, centrados que s&atilde;o numa certa veia de <i>humour,</i> tem sido desvinculados de sua primeira d&eacute;cada modernista, muito embora sejam determinantes para sua pr&oacute;xima fase, expressamente vanguardista" (p. 337).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Al&eacute;m das possibilidades de pesquisa abertas pelo livro de S&eacute;rgio Lima, que recupera v&aacute;rias "vozes dissonantes" na hist&oacute;ria liter&aacute;ria latino&#45;americana, a obra recupera, tamb&eacute;m, pontos chave da hist&oacute;ria da cr&iacute;tica liter&aacute;ria no Brasil, tais como o livro <i>O Estilo Tropical: Hist&oacute;ria Cultural e Pol</i>&ecirc;<i>micas Liter&aacute;rias no Brasil, 1870&#45;1914</i><sup><a href="#notas">4</a></sup> de Roberto Ventura, que dimensiona as bases de duas correntes de pensamento elaboradas a partir do nascimento no Brasil de um "Estilo Tropical" na hist&oacute;ria liter&aacute;ria brasileira, prefiguradas nas duas <i>Hist&oacute;rias da Literatura Brasileira</i> de S&iacute;lvio Romero em 1902 e a de Jos&eacute; Ver&iacute;ssimo de 1916. Roberto Ventura dimensiona o quanto o debate em torno da exist&ecirc;ncia de um "estilo brasileiro" &eacute; subjacente &agrave; "prega&#231;&atilde;o nacionalista do modernismo brasileiro", afirma Lima.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Todavia, a reflex&atilde;o de S&eacute;rgio Lima, ao tomar posi&#231;&atilde;o sobre o debate em torno de um suposto estilo "brasileiro", poderia nuan&#231;ar melhor esse debate. Se no Brasil, por um lado, Pl&iacute;nio Salgado e Gra&#231;a Aranha se afinaram com o projeto de uma "quinta ra&#231;a superior e melhorada em rela&#231;&atilde;o &agrave;s anteriores, redentora das vicissitudes do continente latino&#45;americano", inspirados, sobretudo obra do intelectual mexicano Jos&eacute; Vasconcelos.<sup><a href="#notas">5</a></sup> Segundo Irlemar Chiampi, por&eacute;m, a obra de Vasconcelos (que inspirou n&atilde;o somente Pl&iacute;nio Salgado e Gra&#231;a Aranha, mas tamb&eacute;m Gilberto Freyre), sintetiza uma primeira fase do discurso americanista de esperan&#231;as continentais, valorizando a mesti&#231;agem. No entanto, nos anos 40 e 50, esse projeto sofreu um deslocamento e da reflex&atilde;o sobre o car&aacute;ter "mesti&#231;o" de nossa forma&#231;&atilde;o cultural, caminhou na dire&#231;&atilde;o de um trabalho intelectual consciente de "formula&#231;&atilde;o de um projeto cr&iacute;tico em prol da descoloniza&#231;&atilde;o cultural desta Am&eacute;rica", afirma Irlemar Chiampi. Um projeto, diz ela, efetivado por um grupo de ensa&iacute;stas, entre os quais se incluem os nomes de Fernando Ortiz, Alfonso Reyes, Ezequiel Martinez Estrada, Mariano Pic&oacute;n Solanas, Alejo Carpentier, Octavio Paz, Leopoldo Zea, Arturo Ulsar Pietri e Jos&eacute; Lezama Lima"<sup><a href="#notas">6</a></sup> e que em muito se diferencia da obra de Jos&eacute; Vasconcelos e Gilberto Freyre por um lado, e Pl&iacute;nio Salgado e Gra&#231;a Aranha, por outro lado.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No tocante &agrave; reflex&atilde;o sobre a literatura surrealista, S&eacute;rgio Lima poderia, para n&atilde;o colocar todos em um "mesmo saco", considerar que nem todas as reflex&otilde;es sobre as caracter&iacute;sticas "da literatura brasileira e latino&#45;americana" se restringem &agrave; "prega&#231;&atilde;o nacionalista". Para al&eacute;m do nacionalismo, trata&#45;se de um esfor&#231;o de maior envergadura e que engloba, al&eacute;m dos autores supracitados, Caio Prado J&uacute;nior, S&eacute;rgio Buarque de Holanda, entre outros, que de maneira "antropof&aacute;gica" e internacionalista, tentaram compreender o Brasil sem resvalar no mito da mesti&#231;agem nem nas outras formas de "prega&#231;&atilde;o nacionalista", que foram devidamente criticadas por S&eacute;rgio Lima em seu livro. Vale ressaltar, por&eacute;m, que a publica&#231;&atilde;o de "A Aventura Surrealista" deu voz a uma hist&oacute;ria subterrAnea desse movimento abrindo enormes possibilidades de pesquisa e contribuindo para a realiza&#231;&atilde;o de um debate plural sobre a hist&oacute;ria mundial e latino&#45;americana do surrealismo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>BlBLIOGR&Aacute;FIA</b></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Chiampi Cortez, Irlemar, "O Discurso Americanista Nos Anos 20", en <i>Revista Discurso,</i> n&uacute;m. 9, 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5000594&pid=S1665-8574201200020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Dias, Maria Odila Leite da Silva, "S&eacute;rgio Buarque de Holanda, Historiador", <i>en S&eacute;rgio Buarque de Holanda. Cole&#231;&atilde;o Grandes Cientistas Sociais,</i> Florestan</font> <font face="verdana" size="2">Fernandes &#91;coordenador da cole&#231;&atilde;o&#93;, Maria Odila Leite da Silva Dias &#91;organizadora dos textos&#93;, S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5000596&pid=S1665-8574201200020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Schwartz, Jorge, <i>Vanguardas latino&#45;americanas. Pol&ecirc;micas, manifestos e textos cr&iacute;ticos,</i> S&atilde;o Paulo, EDUSP\ILUMINURAS\FAPESP, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5000598&pid=S1665-8574201200020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ventura, Roberto, <i>O Estilo Tropical: Hist&oacute;ria Cultural e Pol&eacute;micas Liter&aacute;rias no Brasil, 1870&#45;1914,</i> Cia Das Letras, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5000600&pid=S1665-8574201200020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><a name="notas"></a>Notas</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1</sup> Maria Odila Dias Leite da Silva, "S&eacute;rgio Buarque de Holanda, Historiador", en <i>S&eacute;rgio Buarque de Holanda. Cole&#231;&atilde;o Grandes Cientistas Sociais,</i> Florestan Fernandes &#91;coordenador da cole&#231;&atilde;o&#93;, Maria Odila Leite da Silva Dias &#91;organizadora dos textos de S&eacute;rgio Buarque de Holanda&#93;, S&atilde;o Paulo, &Aacute;tica, 1985, p. 11.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>2</sup> Infosurr, n&uacute;m. 93, mayo&#45;junio, 2010.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>3</sup> Jorge Schwarcz y Frederico Nasser, <i>O Perfeito Cozinheiro das Almas Desse Mundo,</i> Ex&#45;l&iacute;bris,</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>4</sup> Roberto Ventura, <i>O Estilo Tropical: Hist&oacute;ria Cultural e Pol&ecirc;micas Liter&aacute;rias no Brasil, 1870</i>&#45;<i>1914,</i> Cia Das Letras, 1990.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>5</sup> Schwartz, <i>op. cit.,</i> p. 531.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>6</sup> Irlemar Chiampi Cortez, "O Discurso Americanista Nos Anos 20", en <i>Revista Discurso,</i> n&uacute;m. 9, 1979, p. 161</font></p>      ]]></body><back>
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