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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A presença inglesa nas finanças e no comércio no Brasil Imperial: os casos da Sociedade Bancária Mauá, MacGregor & Cia. (1854-1866) e da firma inglesa Samuel Phillips & Cia. (1808-1840)]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ 

    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Rese&ntilde;as</font></p>
    <p align="justify">&nbsp;</p>	
	
	    <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Carlos Gabriel Guimar&atilde;es, <i>A presen&#231;a inglesa nas finan&#231;as e no com&eacute;rcio no Brasil Imperial: os casos da Sociedade Banc&aacute;ria Mau&aacute;, MacGregor &amp; Cia. (1854&#45;1866) e da firma inglesa Samuel Phillips &amp; Cia. (1808&#45;1840)</i>, S&atilde;o Paulo, Alameda, 2012.</b></font></p>
    <p align="justify">&nbsp;</p>	
	
	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A publica&#231;&atilde;o do livro <i>A presen&#231;a inglesa nas finan&#231;as e no com&eacute;rcio no Brasil Imperial: os casos da Sociedade Banc&aacute;ria Mau&aacute;, MacGregor &amp; Cia. (1854&#45;1866) e da firma inglesa Samuel Phillips &amp; Cia. (1808&#45;1840)</i> est&aacute; separada por quatorze anos da defesa da tese que d&aacute; origem a primeira parte deste livro, defendida no Programa de P&oacute;s&#45;gradua&#231;&atilde;o em Hist&oacute;ria Econ&ocirc;mica da Universidade de S&atilde;o Paulo em 1997. A segunda parte refere&#45;se a resultado de pesquisa acerca da firma inglesa Samuel Phillips &amp; Cia., realizada dez anos ap&oacute;s a primeira. Podem parecer dois trabalhos distintos e ainda datados, presos ao per&iacute;odo em que foram realizados, mas isso &eacute; um equ&iacute;voco. Podemos interpretar como uma continuidade, uma trajet&oacute;ria de pesquisa na busca por entender a presen&#231;a dos ingleses e suas rela&#231;&otilde;es na Pra&#231;a do Rio de Janeiro em per&iacute;odos cruciais do s&eacute;culo XIX, o que equivale dizer no Brasil Imperial.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A tese sofreu alguns ajustes para esta publica&#231;&atilde;o. Carlos Gabriel Guimar&atilde;es, autor incans&aacute;vel na seriedade com que encara a pesquisa, incorporou trabalhos surgidos depois de 1997 e percep&#231;&otilde;es que n&atilde;o constavam no trabalho original. Al&eacute;m disso, a pesquisa sobre a empresa de Samuel Phillips &eacute; inovadora e complementa a tese; somente recomenda&#45;se ao leitor que inicie a leitura por ela, n&atilde;o somente por quest&otilde;es cronol&oacute;gicas &#150;mesmo assim fundamentais&#150; mas pela maturidade te&oacute;rica que revela e que ajuda a entender a constru&#231;&atilde;o das etapas anteriores da pesquisa.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">De todo modo, o livro de Guimar&atilde;es se prop&otilde;e a responder algumas perguntas fundamentais para a compreens&atilde;o do s&eacute;culo XIX brasileiro em seu vi&eacute;s econ&ocirc;mico. Estas quest&otilde;es se dividem tal qual o livro, direcionadas para a primeira e para a segunda parte em separado, mas em busca das mesmas inquieta&#231;&otilde;es. A firma Samuel Phillips &amp; Cia. foi um novo tipo de firma inglesa? A forma de atua&#231;&atilde;o da empresa dependeu de um mercado tipicamente crivado de rela&#231;&otilde;es escravistas? E, por fim, que tipo de neg&oacute;cios a firma desenvolveu no Brasil?</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As respostas apontam para uma sociedade de organiza&#231;&atilde;o familiar, onde a fam&iacute;lia estabelece uma rede de trocas e prote&#231;&atilde;o, ou ainda atrav&eacute;s de casamentos como &eacute; o caso das fam&iacute;lias Samuel e Phillips, ambas de origem judaica inglesa. Seus neg&oacute;cios se concentravam no setor mercantil, como agentes financeiros e importadores na Pra&#231;a do Rio de Janeiro. Esta atua&#231;&atilde;o estava pautada nas rela&#231;&otilde;es pol&iacute;ticas (incluindo o imperador D. Pedro I) que possibilitaram a forma como a firma se consolidou na Corte brasileira na primeira metade do s&eacute;culo XIX. A firma foi estudada e entendida por Carlos Gabriel Guimar&atilde;es como inserida e atuando em uma sociedade escravista, funcionando como procuradora do Estado Imperial Brasileiro frente ao capital banc&aacute;rio ingl&ecirc;s e credora do mesmo, principalmente atrav&eacute;s da figura do imperador.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mas, algumas d&uacute;vidas permanecem no que diz respeito &agrave;s quest&otilde;es levantadas pelo autor. A boa heran&#231;a da hist&oacute;ria de empresas praticada por B&aacute;rbara Levi e Eul&aacute;lia Lobo levou Guimar&atilde;es a buscar compreender a forma como esta firma inglesa se inseria e atuava naquela sociedade, como parte da mesma. Entretanto, no que diz respeito &agrave; natureza da firma ficamos sem entender exatamente se essa empresa &eacute; considerada por Guimar&atilde;es como de um novo tipo ou se sua natureza familiar a coloca na condi&#231;&atilde;o de empresa tradicional. E, ainda, qual a relev&acirc;ncia desta natureza para o entendimento de sua atua&#231;&atilde;o naquele momento de constru&#231;&atilde;o do Estado Brasileiro. A forma como a firma agia dentro da sociedade escravista nos parece uma quest&atilde;o claramente definida na origem, ou seja, para atuar nesta Pra&#231;a tipicamente escravista era essencial estabelecer rela&#231;&otilde;es com o Estado Imperial.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em que pese as rela&#231;&otilde;es estabelecidas dentro do cen&aacute;rio do Imp&eacute;rio do Brasil, as estrat&eacute;gias de atua&#231;&atilde;o de Mau&aacute; e da firma inglesa Samuel Phillips s&atilde;o diferentes: os ingleses atuam com menor diversifica&#231;&atilde;o &#150;quase ousamos dizer uma especializa&#231;&atilde;o&#150;, centrando suas a&#231;&otilde;es em um ramo principal de neg&oacute;cio: as finan&#231;as e o com&eacute;rcio de importa&#231;&atilde;o de produtos, incluindo escravos (mesmo com a proibi&#231;&atilde;o por parte da Inglaterra). Isso n&atilde;o &eacute; o que ocorre com Irineu Evangelista de Souza no meado do s&eacute;culo XIX. Este apresentou uma atua&#231;&atilde;o diversificada, flu&iacute;da, agindo em v&aacute;rias frentes dentro dos neg&oacute;cios do Imp&eacute;rio Brasileiro. Podemos dizer que, apesar de liberal, ele atuava e se relacionava pr&oacute;ximo ao grupo dominante dentro do Estado Imperial com os conservadores Saquaremas. Mas, como ressalta o autor, Mau&aacute; era um homem do imp&eacute;rio e nele estava inserido, n&atilde;o podendo ser confundido com um empreendedor moderno. Carlos Gabriel classifica Mau&aacute; de forma distinta &agrave; historiografia que o coloca como um industrial s&iacute;mbolo do s&eacute;culo XIX quando afirma que o foco principal de seus empreendimentos estava no setor terci&aacute;rio da economia. Apesar de tamb&eacute;m possuir investimentos industriais, como o estaleiro Ponta d'Areia, Mau&aacute; era, principalmente, um negociante de grosso trato e assim ele &eacute; analisado e compreendido neste livro.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tamb&eacute;m algumas quest&otilde;es similares as da segunda parte s&atilde;o colocadas na primeira parte do livro (ou a tese propriamente dita). Ao estudar a Sociedade Banc&aacute;ria Mau&aacute;, MacGregor &amp; Cia., fundada em 1854, Carlos Gabriel Guimar&atilde;es faz quatro perguntas fundamentais: 1. Qual o objetivo de Mau&aacute; em organizar um banco. 2. Que tipo de banco foi a Sociedade Banc&aacute;ria Mau&aacute;, MacGregor &amp; Cia. 3. Qual o significado da cria&#231;&atilde;o do banco em uma sociedade escravista (o Brasil do 2&#186; Reinado). 4. Qual a rela&#231;&atilde;o do banco com o Estado Imperial? Estas quest&otilde;es s&atilde;o tratadas em quatro cap&iacute;tulos que estruturam a parte inicial do livro: o primeiro sobre a rela&#231;&atilde;o entre o Estado Brasileiro e o sistema banc&aacute;rio; o segundo sobre a cria&#231;&atilde;o do terceiro Banco do Brasil (1851&#45;1853) e a reforma banc&aacute;ria de 1853 que ser&aacute; consequ&ecirc;ncia da concorr&ecirc;ncia deste banco com o Banco Comercial do Rio de Janeiro; o terceiro cap&iacute;tulo sobre a Sociedade Mau&aacute;, MacGregor &amp; Cia. alvo privilegiado da tese que originou este livro; e, por &uacute;ltimo, o cap&iacute;tulo que trata a organiza&#231;&atilde;o do London, Brazilian and Mau&aacute; Bank em 1865.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A segunda quest&atilde;o &eacute; mais pontual, ou seja, a Sociedade Banc&aacute;ria Mau&aacute;, MacGregor &amp; Cia. era um banco comercial. A forma como Mau&aacute; se relacionou com o Estado Imperial est&aacute; na maior parte das discuss&otilde;es que este trabalho apresenta. Foram justamente essas rela&#231;&otilde;es entre Mau&aacute;, o negociante e homem da classe senhorial, e os homens do Estado Imperial que possibilitaram a atua&#231;&atilde;o deste em v&aacute;rias frentes de neg&oacute;cios no meado do s&eacute;culo XIX. A rela&#231;&atilde;o do banco, enquanto empresa, com o Estado Imperial tem um maior grau de dificuldade para analisar. Enquanto os Saquaremas atuaram dentro do Estado, em sua constru&#231;&atilde;o, centraliza&#231;&atilde;o e consolida&#231;&atilde;o, Mau&aacute; estabeleceu uma <i>Teia de Pen&eacute;lope</i>, fazendo parte do que Ilmar Mattos chamou de <i>classe senhorial</i>. A retirada destes homens do centro do poder imperial significou a queda de Mau&aacute;. No momento de sua fal&ecirc;ncia Mau&aacute; se comporta como o homem de neg&oacute;cios que sempre foi, como escrito em sua biografia, numa &eacute;poca em que "era um homem de um tempo que estava se esgotando".</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na idade avan&#231;ada em que me acho, em presen&#231;a do acontecimento que motiva esta exposi&#231;&atilde;o, realizado pelo modo por que foi resolvido, n&atilde;o posso ter outro objecto em vista sen&atilde;o do naufr&aacute;gio aquillo que para mim vale mais do que quanto ouro tem sido extrahido das minas da Calif&oacute;rnia &#150;<i>um nome puro</i> (cursivo nosso), pois persisto em acreditar que o infort&uacute;nio n&atilde;o &eacute; um crime.<a href="#a8n1" id="a8n-1">1</a></font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os objetivos de Mau&aacute; em organizar alguns bancos ao longo de sua vida profissional s&atilde;o variados e envolvem objetivos pessoais e profissionais dentro daquela sociedade escravista. Mas, as oportunidades eram largamente aproveitadas por este homem de neg&oacute;cios que atuava n&atilde;o somente no Rio de Janeiro, mas tamb&eacute;m em outros estados brasileiros, em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e da Europa. As op&#231;&otilde;es de Mau&aacute; seguiam os investimentos e empr&eacute;stimos mais seguros e rent&aacute;veis, priorizando o com&eacute;rcio de escravos, transportes, importa&#231;&atilde;o e exporta&#231;&atilde;o e, principalmente, os empr&eacute;stimos &agrave;s casas banc&aacute;rias e comerciais para incrementar seu capital de giro. Afora a lucratividade e a seguran&#231;a do neg&oacute;cio, o significado da cria&#231;&atilde;o de bancos em uma sociedade escravista talvez deva ser tema de outra pesquisa pois &eacute; dif&iacute;cil responder a esta quest&atilde;o. Primeiramente porque &eacute; dif&iacute;cil definir economicamente esta sociedade escravista em transi&#231;&atilde;o para o capitalismo, entendida aqui como uma Economia Mercantil Escravista Nacional &#150;conceito retirado do capitalismo tardio de Jo&atilde;o Manoel Cardoso de Mello e que encontra continuidade no conceito cunhado por Ilmar de Mattos. &Eacute; preciso outras pesquisas para estas respostas.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Um ponto alto da tese e, consequentemente deste livro, foi a an&aacute;lise feita por Carlos Gabriel sobre a constru&#231;&atilde;o do mito Mau&aacute;. Apesar de n&atilde;o ser uma pesquisa biogr&aacute;fica sobre Mau&aacute;, o autor n&atilde;o se furta a an&aacute;lise cr&iacute;tica da import&acirc;ncia deste homem do s&eacute;culo XIX brasileiro e n&atilde;o escapa da a&#231;&atilde;o de desnudar a sua condi&#231;&atilde;o de mito. Talvez esta seja a parte mais corajosa deste trabalho, a an&aacute;lise do mito Mau&aacute; atrav&eacute;s de algumas de suas biografias mais importantes. Nelas percebe o autor que em comum t&ecirc;m a devo&#231;&atilde;o &agrave; figura do Mau&aacute; empreendedor, moderno e limitado pelo Estado Imperial arcaico e escravista &#150;o que no fundo significava a mesma coisa para essas an&aacute;lises&#150;, al&eacute;m de aliado e dependente do capital ingl&ecirc;s. A constru&#231;&atilde;o do mito serve adequadamente aos contextos em que as biografias foram escritas. Na crise das oligarquias cafeeiras dos anos 1920 temos o texto de Alberto de Faria (1926) resgatando o perfil "industrial" de Mau&aacute;; nos dif&iacute;ceis anos 1940 o trabalho de L&iacute;dia Besouchet colocava o liberal Mau&aacute; frente ao intervencionismo varguista; e, por &uacute;ltimo, a biografia escrita por Jorge Caldeira nos anos 1990 (transformada em filme), no per&iacute;odo de busca por legitima&#231;&atilde;o de uma "nova era", quando o Estado brasileiro est&aacute; iniciando o maior processo de privatiza&#231;&otilde;es de nossa hist&oacute;ria.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mas, quem era Mau&aacute; (Bar&atilde;o e Visconde, negociante de grosso) visto no livro de Carlos Gabriel Guimar&atilde;es? O palco de sua vida &eacute; o Rio de Janeiro de meados do s&eacute;culo XIX, a "Corte" e centro pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e vitrine do pa&iacute;s. Ali&aacute;s, esse &eacute; o resultado do esfor&#231;o do qual o comerciante Irineu Evangelista de Souza fez parte: a consolida&#231;&atilde;o e centraliza&#231;&atilde;o do Estado Imperial Brasileiro no Rio de Janeiro. Esse projeto pol&iacute;tico foi fruto da classe dominante imperial (burocracia, senhores da agricultura mercantil escravista e negociantes de importa&#231;&atilde;o e exporta&#231;&atilde;o) &#150;o que Ilmar Mattos chamaria de "classe senhorial". Nesta constru&#231;&atilde;o pol&iacute;tica, o cr&eacute;dito e a atividade banc&aacute;ria estariam no centro do debate. Extraindo de Marx a m&aacute;xima de que o controle da moeda &eacute; o controle do poder, Gabriel demonstra que neste contexto da primeira metade do s&eacute;culo XIX no Brasil, controlar o cr&eacute;dito significava controlar o poder e consolidar o projeto Saquarema. As mudan&#231;as e reformas realizadas pelo governo imperial tamb&eacute;m serviram para a consolida&#231;&atilde;o do projeto de centraliza&#231;&atilde;o pol&iacute;tica Saquarema dentro de um contexto de expans&atilde;o mundial do capitalismo. Para Ilmar de Mattos, refer&ecirc;ncia neste trabalho, as reformas e mudan&#231;as promovidas pelo Estado Imperial Brasileiro podem ser interpretadas como a "recunhagem da moeda colonial" ou um novo acordo da nossa economia com o capitalismo ingl&ecirc;s em expans&atilde;o.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A coroa n&atilde;o s&oacute; promovia a restaura&#231;&atilde;o da hierarquia existente entre os interesses dominantes nas diferentes regi&otilde;es, herdadas do processo de coloniza&#231;&atilde;o, como tamb&eacute;m aprofundava a diferen&#231;a no interior da regi&atilde;o de agricultura mercantil escravista, por meio do priveligiamento dos interesses ligados &agrave; expans&atilde;o cafeeira.<a href="#a8n2" id="a8n-2">2</a></font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este privil&eacute;gio objetivava construir o Estado Imperial centralizando&#45;o e, ainda, a classe senhorial, n&atilde;o negligenciando o relacionamento que estes homens que compunham esta classe estabeleciam com este Estado e com o Projeto Saquarema. A Coroa aparece como um partido, centralizador.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Carlos Gabriel Guimar&atilde;es faz esse esfor&#231;o no sentido econ&ocirc;mico, ou seja, a centraliza&#231;&atilde;o do projeto Saquarema passava pelo controle econ&ocirc;mico&#45;financeiro por parte do Estado Imperial e pelas rela&#231;&otilde;es estabelecidas entre este e a classe senhorial oriunda, principalmente, do setor mercantil escravista. Outra contribui&#231;&atilde;o significativa do livro para a historiografia econ&ocirc;mica brasileira.</font></p>

	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Irineu Evangelista faz parte desta classe senhorial como homem de neg&oacute;cios da Pra&#231;a do Rio de Janeiro. Seus neg&oacute;cios dependem das rela&#231;&otilde;es por ele estabelecidas com o Estado Imperial e a Trindade Saquarema. E, &agrave; medida que estas rela&#231;&otilde;es se ampliam tamb&eacute;m se ampliam estes neg&oacute;cios. O contr&aacute;rio tamb&eacute;m procede.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O Rio de Janeiro era a capital cultural, pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica do pa&iacute;s no s&eacute;culo XIX. O negociante Mau&aacute; circulava por suas ruas e becos, conversando e negociando, com um e com outro, frequentando casas e festas, tra&#231;ando sua trajet&oacute;ria de homem ligado ao Estado Imperial Brasileiro, este em sua conota&#231;&atilde;o conservadora. Seus investimentos eram centrados no setor terci&aacute;rio da economia, n&atilde;o sendo atra&iacute;do pela agricultura, preferindo atuar na &oacute;rbita mercantil. Esse Rio de Janeiro era o lugar das aten&#231;&otilde;es, onde morava o pr&iacute;ncipe regente e, posteriormente, o imperador. A condi&#231;&atilde;o de "Corte", de onde se dita a moda e os costumes mais "modernos" n&atilde;o abandonou a cidade do Rio de Janeiro at&eacute; os dias de hoje. Este &eacute; o Mau&aacute; deste trabalho, o comerciante de grosso trato, do com&eacute;rcio de cabotagem e da importa&#231;&atilde;o e exporta&#231;&atilde;o, al&eacute;m de ser ligado ao tr&aacute;fico de escravos. N&atilde;o &eacute; o s&iacute;mbolo constru&iacute;do no mito Mau&aacute; como &iacute;cone do processo de industrializa&#231;&atilde;o brasileiro, e sim, o negociante do setor terci&aacute;rio. Tanto Irineu, quanto a firma Samuel Phillips &amp; Cia. atuaram nas brechas abertas pelo Estado Imperial brasileiro. A firma como credora e procuradora deste Estado. Mau&aacute; com maior fluidez, mais diverso, ocupando todo o espa&#231;o que lhe era poss&iacute;vel.</font></p>

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este trabalho teve uma trajet&oacute;ria semelhante a tantos outros. J&aacute; era conhecido como "mimeo" (forma "antiga" de dizer que ainda n&atilde;o havia sido publicado o texto) antes de chegar em nossas m&atilde;os nesta publica&#231;&atilde;o t&atilde;o bem vinda. Vem prefaciado pelo orientador da tese da qual se origina e apresentado por uma de suas refer&ecirc;ncias principais. Sua estrutura segue a boa escola da hist&oacute;ria de empresas herdada das historiadoras a quem dedica este trabalho, Eul&aacute;lia Lobo e B&aacute;rbara Levi. Desta &uacute;ltima toma emprestada a estrutura de seu livro sobre as Sociedades An&ocirc;nimas do Rio de Janeiro. Neste tempo, as pesquisas realizadas por Carlos Gabriel Guimar&atilde;es que resultam neste livro assumiram importante papel nos meios acad&ecirc;micos da hist&oacute;ria econ&ocirc;mica e a sua publica&#231;&atilde;o s&oacute; refor&#231;a esta import&acirc;ncia.</font></p>
    <p align="justify">&nbsp;</p>	
	
	    <p align="right"><font face="verdana" size="2"><b>Rita de C&aacute;ssia da Silva Almico</b>    <br>
	<i>Universidade Federal Fluminense</i>    <br>	Rio de Janeiro, Brasil</font></p>
    <p align="justify">&nbsp;</p>	

	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>		
	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a href="#a8n-1" id="a8n1">1</a> Mau&aacute;, I. E. de S., Visconde de (1996). <i>Exposi&#231;&atilde;o aos credores e ao p&uacute;blico (1878) </i>(p. 31). Rio de Janeiro: Express&atilde;o e Cultura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=719426&pid=S1405-2253201500010000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>

	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a href="#a8n-2" id="a8n2">2</a> Mattos, I. R. de (2004). <i>O Tempo Saquarema </i>(p. 82). S&atilde;o Paulo: Editora Hucitec.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=719428&pid=S1405-2253201500010000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>
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