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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Carla Maria Carvalho de Almeida e Mônica Ribeiro de Oliveira (organizadoras), Nomes e números: alternativas metodológicas para a história econômica e social]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal de Juiz de Fora Programa de Pós-graduação em História ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Rese&ntilde;as</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="4">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Carla Maria Carvalho de Almeida e M&ocirc;nica Ribeiro de Oliveira (organizadoras), <i>Nomes e n&uacute;meros: alternativas metodol&oacute;gicas para a hist&oacute;ria econ&ocirc;mica e social</i></b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Felipe Rodrigues de Oliveira*</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>Juiz de Fora, UFJF, 2006, 352 pp.</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>* Programa de P&oacute;s&#150;gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria Universidade Federal de Juiz de Fora.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A organiza&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es que agregam um n&uacute;mero variado de artigos em torno de um tema, ou ainda, de &aacute;reas de estudo mais ampias, tem sido fato recorrente tanto na historiograf&iacute;a brasileira quanto no &acirc;mbito internacional. A confec&ccedil;&atilde;o das colet&acirc;neas geralmente se efetiva sob a tutela dos departamentos, dos laboratorios de pesquisa, dos grupos de estudo, ou mais restritamente, atrav&eacute;s de esfor&ccedil;os individu&aacute;is. De uma forma ou de outra, independentemente do seu <i>locus </i>de produ&ccedil;&atilde;o, estas publica&ccedil;&otilde;es alimentam, em sua origem, dois momentos intelectuais distintos, embora n&atilde;o excludentes. Por um lado, estas cole&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m um car&aacute;ter mais restrito, em que sua pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o se d&aacute; de forma mais especifica, j&aacute; que os textos que as comp&otilde;em t&ecirc;m desde seu inicio uma finalidade dada, qual seja, a de corroborar na constru&ccedil;&atilde;o da colet&acirc;nea. Por outro lado, a reuni&atilde;o de artigos originalmente destinados &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o em coloquios, seminarios, congressos, confer&ecirc;ncias etc., apresentam uma l&oacute;gica diversa, j&aacute; que o seu destino inicialmente proposto n&atilde;o era dirigido para a publica&ccedil;&atilde;o em forma de cole&ccedil;&atilde;o. De todo modo, as duas modalidades apresentam um quadro coraum a qualquer obra historiogr&aacute;fica, que &eacute; colaborar de modo especifico na constru&ccedil;&atilde;o ou reconstru&ccedil;&atilde;o dos enfoques, ou alternativamente, de paradigmas sobre determinados temas e/ou objetos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">De qualquer forma, a reuni&atilde;o de textos sob um mesmo foco, n&atilde;o se limita a um processo de reunir, construir ou reconstruir paradigmas, compartilhados ou n&atilde;o , em meio &agrave; mult&iacute;plicidade de enfoques poss&iacute;veis e vari&aacute;veis, mas estende&#150;se e atinge seu car&aacute;ter mais nobre ao possibilitar a reflex&atilde;o sobre os avan&ccedil;os, at&eacute; ent&aacute;o apreendidos, &ntilde;as pesquisas acerca de um mesmo eixo, seja ele temporal, metodol&oacute;gico, tem&aacute;tico ou te&oacute;rico. Sendo assim e neste mesmo sentido, apresenta&#150;se a obra objeto desta recens&atilde;o, organizada pelas professoras Carla Maria Carvalho de Almeida e M&ocirc;nica Ribeiro de Oliveira <i>&#150;Nomes e n&uacute;meros: alternativas metodol&oacute;gicas para a hist&oacute;ria econ&ocirc;mica e social&#150;, </i>ambas docentes pelo Programa de P&oacute;s&#150;gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria, Cultura e Poder da Universidade Federal de Juiz de Fora.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">"&Egrave; poss&iacute;vel apreender <i>o outro</i>?" Pergunta constante a diversas &aacute;reas do conhecimento, esta senten&ccedil;a adquire enorme sentido na pr&aacute;tica historiogr&aacute;fica e tem martelado as nossas cabe&ccedil;as a um longo per&iacute;odo, mas talvez a sua crueza nunca tenha se desvelado t&atilde;o inc&ocirc;moda como hoje. Com certeza, uma enorme quantidade de tinta e papel j&aacute; foi utilizada, mas por toda parte existe uma quantidade enorme de pretendentes, da religi&atilde;o &agrave; medicina, da psicolog&iacute;a &agrave; f&iacute;sica, da filosof&iacute;a &agrave; hist&oacute;ria, que se prop&otilde;em se n&atilde;o esgot&aacute;&#150;la, pelo menos contribuir com esses dilemas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No oficio de hist&oacute;riador, quest&otilde;es como essa e de presum&iacute;vel dificuldade, s&atilde;o ainda acrescidas pelo fator tempo, de modo que as nossas indaga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o sempre permeadas por n&atilde;o mais que indicios, resquicios, reflexos deformados, fragmentos de viv&ecirc;ncia que restaram de nossas testemunhas. Com certa nostalgia podemos nos lembrar e regozijar de nossos antecessores que at&eacute; pouco tempo, partilhavam do confort&aacute;vel abrigo que o status de profissional da hist&oacute;ria e de uma certeza quase colossal de que o conhecimento hist&oacute;rico era n&atilde;o somente imparcial, justo, prudente, cauteloso, mas tarnb&eacute;m ao n&iacute;vel das ci&ecirc;ncias naturais, cient&iacute;fico, os provia. Mas n&atilde;o herdamos tantas certezas, e os questiona&#150;mentos da nossa pr&aacute;tica n&atilde;o se fizeram imediatamente solucion&aacute;veis.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na historiograf&iacute;a brasileira, estes inc&ocirc;modos tamb&eacute;m se fizeram sentir sobre o fazer historiogr&aacute;fico, tornando&#150;se imprescind&iacute;vel e urgente renovar os aparatos te&oacute;ricos e estabelecer novos caminhos metodol&oacute;gicos, proposta esta seguida de perto por esta obra, em que esta tens&atilde;o historiogr&aacute;fica torna&#150;se vis&iacute;vel e os seus textos s&atilde;o uma tentativa de apontar resultados pr&aacute;ticos destas reflex&otilde;es.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Originalmente fruto de um Col&oacute;quio realizado pelo LAHES &#150;Laboratorio de Hist&oacute;ria Econom&iacute;a e Social&#150; da UFJF, o livro divide&#150;se em seis partes, subdivididas em quinze cap&iacute;tulos. A primeira parte comp&otilde;e&#150;se de dois cap&iacute;tulos de car&aacute;ter te&oacute;rico&#150;metodol&oacute;gico, discutindo as rela&ccedil;&otilde;es entre poder, mercado e trabalho e ainda as potencialidades da micro&#150;hist&oacute;ria para as an&aacute;lises da hist&oacute;ria econ&ocirc;mica e social. A segunda parte, composta por tr&ecirc;s cap&iacute;tulos, discute a composi&ccedil;&atilde;o e as formas de atua&ccedil;&atilde;o das &eacute;lites no espa&ccedil;o colonial. A terceira parte, com dois cap&iacute;tulos, discute os negocios no Imp&eacute;rio Portugu&ecirc;s e sua articula&ccedil;&atilde;o com a administra&ccedil;&atilde;o e autoridades r&eacute;gias. A quarta parte, com tr&ecirc;s cap&iacute;tulos, analisa as rela&ccedil;&otilde;es familiares no Brasil escravista. A quinta parte, composta por dois cap&iacute;tulos, discute os circuitos econ&oacute;micos regionais. Na sexta e &uacute;ltima parte, com tr&ecirc;s cap&iacute;tulos, discute&#150;se as experi&ecirc;ncias do trabalhador brasileiro em distintos contextos.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O interessante a salientar &eacute; que aparentemente dispersos em seus temas e enfoques, os textos reunidos na obra possuem um foco comum, um eixo que os une, que &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o em conjugar as an&aacute;lises de car&aacute;ter estrutural e generalizante, baseadas &ntilde;as fontes pass&iacute;veis de formar grandes complexos seri&aacute;is, com aquelas fontes de car&aacute;ter microsc&oacute;pico. Fontes &ntilde;as quais se podem ouvir o eco destes indiv&iacute;duos, onde &eacute; poss&iacute;vel inst&aacute;&#150;los a "participar" de sua pr&oacute;pria trama, onde eles s&atilde;o chamados por seus nomes e n&atilde;o apenas como membros silenciosos de gr&aacute;ficos e percentagens, e que por isso mesmo colocam em evid&ecirc;ncia os atores sociais e as suas possibilidades de atua&ccedil;&atilde;o, dentro dos limites &eacute; claro, como elemento constitutivo e essencial para a apreens&atilde;o da realidade hist&oacute;rica.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ainda neste sentido, o mergulho das grandes estruturas, dos grandes modelos te&oacute;rico&#150;explicativos e da quantifica&ccedil;&atilde;o &agrave; permeabilidade de uma perspectiva de an&aacute;lise mais complexa, verticalizada e microsc&oacute;pica admite e centraliza o indiv&iacute;duo como parte integrante do movimento hist&oacute;rico. Consequentemente, congregar uma maior diversidade e cruzamento de fontes, tem permitido, sem perder a conex&atilde;o com as hip&oacute;teses mais generalizantes e globalizantes, a supera&ccedil;&atilde;o e at&eacute;, por que n&atilde;o , a coloca&ccedil;&atilde;o de novos impasses.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">De fato, ao se buscar a leitura desta obra, o leitor ir&aacute; perceber que, al&eacute;m disso, o que conecta todos os textos &eacute; a interlocu&ccedil;&atilde;o entre os estudos de <i>hist&oacute;ria econ&ocirc;mica </i>e <i>social </i>com a<i> hist&oacute;ria pol&iacute;tica, </i>pensando nas conex&otilde;es existentes entre o fen&ocirc;meno do poder e a emerg&ecirc;ncia e desenvolvimento das rela&ccedil;&otilde;es de mercado, bem como das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho que est&atilde;o intr&iacute;nsecamente relacionadas a estas. Dessa forma, os textos que corporificam a obra, estao preocupados em seus diversos enfoques, com a forma&ccedil;&atilde;o, em suas m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es, dos atores presentes no &acirc;mbito do trabalho e do mercado, procurando ainda apreender as rela&ccedil;&otilde;es estabelecidas entre estes atores e as institucionaliza&ccedil;&otilde;es do poder, dos interesses na sociedade civil, dos processos de resist&ecirc;ncia, da representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e das modalidades de interven&ccedil;&atilde;o do Estado.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste sentido, valoriza&#150;se o indiv&iacute;duo como agente hist&oacute;rico, e admitise que os atores possuem capacidade para influenciar a a&ccedil;&atilde;o do Estado e assim, adquire for&ccedil;a a id&eacute;ia de que todos os sistemas normativos possuem brechas, lacunas e que mesmo dentro de limites muito espec&iacute;ficos, os indiv&iacute;duos podem atrav&eacute;s da sua experi&ecirc;ncia, elaborar e efetivar estrat&eacute;gias de movimenta&ccedil;&atilde;o dentro destes sistemas. Ainda nesta dire&ccedil;&atilde;o, o eixo da obra nos coloca frente &agrave; capacidade, &agrave; liberdade que os atores sociais possuem, dentro dos limites evidentes em todos os sistemas normativos ou sistemas de significa&ccedil;&otilde;es, de se manobrar, de agir e interpretar, de modo que estes mesmos indiv&iacute;duos, enquanto atores sociais, n&atilde;o se movem apenas e em fun&ccedil;&atilde;o de suas esferas/arenas, mas vinculam&#150;se &agrave;s m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es da intera&ccedil;&atilde;o social. Dessa maneira, podemos passar a uma abordagem bastante frut&iacute;fera de que existir&iacute;a uma coexist&ecirc;ncia, superposi&ccedil;&atilde;o e interpenetra&ccedil;&atilde;o de formas variadas de manifesta&ccedil;&atilde;o da realidade em suas m&uacute;ltiplas inst&acirc;ncias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em s&iacute;ntese, esta nova forma de encarar a realidade tem permitido n&atilde;o somente uma nova abordagem dos objetos da hist&oacute;ria, mas principalmente trouxe a possibilidade de apreender a sociedade, e em nosso caso, as sociedades no passado, da forma mais complexa poss&iacute;vel. De todo modo, pensar os <i>nomes </i>e <i>n&uacute;meros, </i>sob a perspectiva de conjuga&ccedil;&atilde;o entre as grandes estruturas e as an&aacute;lises de reduzida escala, seja talvez o maior m&eacute;rito desta obra, j&aacute; que a sua perspectiva tem cada vez mais adquirido terreno, ao passo que as no&ccedil;&otilde;es dualistas, polarizadas, ou mesmo bipolarizadas, est&atilde;o incessantemente sendo recolocadas a partir de uma perspectiva mais aberta, mais holista e flex&iacute;vel, mais sens&iacute;vel &agrave; fluidez, permeabilidade e porosidade dos relacionamentos pessoais, do com&eacute;rcio, da sociedade e do governo dos imp&eacute;rios, assim como da variedade e nuan&ccedil;a de pr&aacute;ticas e cren&ccedil;as religiosas.</font></p>      ]]></body>
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