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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os jovens da favela: Reflexões sobre controle e contenção sócio-espacial dos párias urbanos no Rio de Janeiro]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The youth from favela: Reflections on socio-spatial control and enclosure of the urban outcasts in Rio de Janeiro]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo introduz uma reflexão sobre ferramentas de análise que podem contribuir para estudos sobre segregação urbana e estigmatização sócio-espacial. A produção do espaco urbano do Rio de Janeiro e a a representação social das favelas são utilizados como referenda empirica a partir da qual é feita uma discussão teòrica, onde são apresentadas as noções de "controle e contenção sócio-espacial" e "espaços de constrangimento"]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[estigma e segregação urbana]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Art&iacute;culos cient&iacute;ficos</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Os jovens da favela. Reflex&otilde;es sobre controle e conten&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial dos p&aacute;rias urbanos no Rio de Janeiro</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>The youth from favela. Reflections on socio&#45;spatial control and enclosure of the urban outcasts in Rio de Janeiro</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Fernando Lannes&#45;Fernandes</b></font></p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>University of Dundee, United Kingdom.</i> Correo electr&oacute;nico: <a href="mailto:fl.fernandes@dundee.ac.uk">fl.fernandes@dundee.ac.uk</a></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Recep&ccedil;&atilde;o: 20 de outubro de 2010.    <br> 	Aprova&ccedil;&atilde;o: 26 de junho de 2011.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">This article outlines a reflection on analytic tools which can contribute in studies about urban segregation and socio&#45;spatial stigmatisation. The urban space production in Rio de Janeiro and the social representation of Favelas is utilized as an empiric reference for a theoretical discussion, in which two analytical notions are introduced: the "socio&#45;spatial control and enclosure" and the "space of embarrassment".</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Keywords:</b> stigma and urban segregation.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este artigo introduz uma reflex&atilde;o sobre ferramentas de an&aacute;lise que podem contribuir para estudos sobre segrega&ccedil;&atilde;o urbana e estigmatiza&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial. A produ&ccedil;&atilde;o do espaco urbano do Rio de Janeiro e a a representa&ccedil;&atilde;o social das favelas s&atilde;o utilizados como referenda empirica a partir da qual &eacute; feita uma discuss&atilde;o te&ograve;rica, onde s&atilde;o apresentadas as no&ccedil;&otilde;es de "controle e conten&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial" e <i>"espa&ccedil;os de constrangimento"</i></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chave:</b> estigma e segrega&ccedil;&atilde;o urbana.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras inici&aacute;is: a Favela na Cidade Maravilhosa</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Sao muitas as fronteiras f&iacute;sicas e simb&oacute;licas que marcarti a experiencia urbana no Rio de Janeiro. Essas fronteiras conformam &aacute;reas de separa&ccedil;&atilde;o e contato de pr&aacute;ticas socio&#45;espaciais que se desenham na paisagem, que marcam e individualizam lugares e formas de pertencimento e que expressam territorialidades e formas de apropria&ccedil;&atilde;o do urbano. Essas marcas se originam de confrontos e conflitos, das tens&oacute;es e acomodares da diversidade e das diferengas que marcam a vida na cidade. Os usos dos lugares expressam a marca simb&oacute;lica e material dos grupos que tem experi&eacute;ncias na cidade. Diferengas que se revelam no espago e no tempo, tragando distintas territorialidades, muitas vezes sobrepostas, como &eacute; o caso da praia: lugar que se transforma ao longo do dia, onde distintos grupos se apropriam e usam o espa&ccedil;o &agrave; sua maneira, conferindo marcas e delimitando fronteiras.<sup><a href="#notas">1</a></sup></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Rio de Janeiro algumas dessas marcas sao bem presentes na constru&ccedil;&atilde;o de um imagin&aacute;rio sobre a cidade, e refletem as profundas desigualdades s&oacute;cio&#45;espaciais da cidade. As disparidades s&oacute;cio&#45;econ&oacute;micas tamb&eacute;m sao expressas <i>espacialmente,</i> conferindo tons marcantes ao grande mosaico urbano. As demarcag&oacute;es f&iacute;sicas e simb&oacute;licas no Rio de Janeiro t&eacute;m sido construidas em torno de oposig&oacute;es que se sustentam na rela&ccedil;&atilde;o entre favela e cidade. A favela singulariza a ess&eacute;ncia do condito e da tensao que marca a vida na cidade, e que se evidenciam nos contrastes entre "Zona Norte" e "Zona Sul", "asfalto" e "favela", "ordem" e "desordem", "cidade maravilhosa" e "cidade partida"<sup><a href="#notas">2</a></sup>.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estas constru&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas revelam tens&oacute;es, desigualdades e diferen&ccedil;as, e tamb&eacute;m expressam uma ideia, segundo a qual, a favela &eacute; um lugar &agrave; parte, desarticulado dos fluxos econ&oacute;micos, sociais e culturais da cidade, refor&ccedil;ando com isso, processos de segrega&ccedil;ao, especialmente no campo simb&oacute;lico.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O papel hist&oacute;rico das representa&ccedil;&otilde;es sociais das favelas tem sido o de afirmar sistematicamente que a favela &eacute; a <i>n&atilde;o&#45;cidade,</i> e de que seus moradores sao <i>n&atilde;o&#45;cidad&atilde;os</i> (Fernandes, 2005; Silva e Barbosa, 2005). Isso tamb&eacute;m opera para a constru&ccedil;ao da imagem do indesej&aacute;vel e rejeit&aacute;vel. Figura do caos urbano, ou ainda o retrato do atraso e da pobreza, que refor&ccedil;a a ideia da favela como um espelho invertido na constru&ccedil;ao de uma identidade urbana civilizada (Zaluar, 1998). Desta forma, conceber a favela como um mundo &agrave; parte, como o caos, ou como um lugar desprovido de regras orientadas pelo Estado, representa na pr&agrave;tica, a elabora&ccedil;ao e execu&ccedil;ao de a&ccedil;&otilde;es igualmente estereotipadas. Estas a&ccedil;&otilde;es, quando focalizadas na conten&ccedil;ao e no controle s&oacute;cio&#45;espacial, refor&ccedil;am processos de segrega&ccedil;ao, ao criar mecanismos que ajudam a manter a dist&atilde;ncia social, simb&oacute;lica e f&iacute;sica entre os favelados e aqueles que mant&ecirc;m sobre eles um sentimento misto de medo, &oacute;dio e repulsa.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com efeito, os grupos estigmatizados e seu correspondente lugar de moradia ocupam o papel de bode expiat&oacute;rio na cidade. Eles tendem a ser culpados pelos problemas urbanos e se tornam o elemento explicativo que ocupa centralidade no discurso e imagin&aacute;rio do senso comum, aumentando o preconceito, a discrimina&ccedil;ao e, bem especialmente, a repulsa social. Eles sao a quem se deve evitar e tamb&eacute;m a quem se deve desvalorizar, nas suas pr&aacute;ticas, h&aacute;bitos e sistemas simb&oacute;licos. Eles sao p&aacute;rias urbanos condenados &agrave; imagem da nega&ccedil;ao, da repulsa e da indiferen&ccedil;a. Este quadro tem sido o mote hist&oacute;rico da rela&ccedil;ao entre favelas e o restante da cidade, e tem se acentuado ao longo dos &uacute;ltimos anos em fun&ccedil;ao do crescente processo de criminaliza&ccedil;ao da pobreza &#45; a resposta mais efetiva que o Estado neoliberal esta dirigindo aos pobres urbanos numa clara resposta a uma sociedade amedrontada, cujo medo assume contornos cada vez mais radicais resultando em uma verdadeira guerra das favelas e de militariza&ccedil;ao da din&atilde;mica urbana (Souza, 2008).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A nega&ccedil;&atilde;o e a repulsa decorrentes, do medo e aversao social das favelas e seus moradores nao &eacute; um processo necessariamente expl&iacute;cito. Embora sejam vis&iacute;veis situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia e viola&ccedil;&atilde;o de direitos praticados pelo Estado nas favelas, como &eacute; o caso da a&ccedil;ao policial, observa&#45;se tamb&eacute;m a presen&ccedil;a de mecanismos sutis, onde determinadas estrat&eacute;gias de controle e conten&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial se manifestam. Trata&#45;se do conjunto de mudangas operadas nas pol&iacute;ticas de estado e na pr&aacute;tica de agentes privados, segundo o qual as contradig&oacute;es e problemas sociais t&eacute;m como pano de fundo o paradigma do estado penal e da criminaliza&ccedil;&atilde;o da mis&eacute;ria, onde a estrutura&ccedil;&atilde;o da ordem configura politicas de conten&ccedil;&atilde;o social e isolamento corp&oacute;reo e simb&oacute;lico dos grupos indesej&aacute;veis nas cidades (Wacquant, 2001 e 2003; Fernandes, 2009).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim, processos de deprecia&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica sao adotados pelos grupos hegem&oacute;nicos como forma de afastamento social e de produ&ccedil;&atilde;o do auto&#45;estigma. Tais mecanismos produzem constrangimentos que se expressam como barreiras simb&oacute;licas no acesso e usufruto de certos espa&ccedil;os da cidade pelos grupos considerados indesej&aacute;veis. Este processo expressa nao apenas suas pr&aacute;ticas sociais, como tamb&eacute;m, suas pr&aacute;ticas <i>espaciais.</i> Assim, o delineamento da distin&ccedil;&atilde;o social deixa marcas no espago, num processo de afirma&ccedil;&atilde;o de uma est&eacute;tica pr&oacute;pria, definindo lhe formas de uso e apropria&ccedil;&atilde;o que estabelecem fronteiras distintivas. Trata&#45;se, portanto, de processos de produ&ccedil;&atilde;o de <i>constrangimentos</i> a partir dos espagos, onde barreiras simb&oacute;licas se imp&oacute;em naqueles que nao sao bem&#45;vindos. H&aacute;, portanto, um processo em curso de afirma&ccedil;&atilde;o da distin&ccedil;&atilde;o e de reforgo da segrega&ccedil;&atilde;o pelo constrangimento, que demarca territ&oacute;rios e lugares, e que imp&oacute;e identidades a partir de externalidades. Este &eacute; o cen&aacute;rio do Rio de Janeiro, cidade onde determinadas estrat&eacute;gias de afastamento simb&oacute;lico e corp&oacute;reo v&eacute;m delineando a segrega&ccedil;&atilde;o na cidade, e esta se acentuando ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas em fun&ccedil;&atilde;o do medo e da aversao social resultante do quadro de viol&eacute;ncia urbana e criminaliza&ccedil;&atilde;o da pobreza.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>O contexto s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rico da segrega</b>d<b>o no Rio de Janeiro</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora os processos de segrega&ccedil;ao tenham por refer&eacute;ncia a ideia de fechamento e isolamento (Vasconcelos, 2004), nao &eacute; poss&iacute;vel identificar processos de segrega&ccedil;&atilde;o dessa natureza no Brasil. Al&eacute;m disso, nao se pode dizer que nao exista segrega&ccedil;&atilde;o neste pa&iacute;s. Meu argumento &eacute; que os processos de segrega&ccedil;&atilde;o sustentam&#45;se pela <i>permeabilidade</i> e <i>porosidade,</i> havendo por isso, uma mistura de elementos constitutivos de nossa conforma&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;cultural estruturado em torno do paradigma da "cordialidade" (Holanda, 1995), da "distin&ccedil;&atilde;o" (Bourdieu, 2008) e do "constrangimento" (Fernandes, 2009). Estes aspectos parecem encontrar um lugar de realiza&ccedil;&atilde;o na cidade do Rio de Janeiro, onde um conjunto de especificidades s&oacute;cio&#45;hist&oacute;ricas contribuiu para que o padrao de distribui&ccedil;&atilde;o espacial da moradia dos pobres e grupos indesejados assumisse contornos singulares.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na cidade do Rio de Janeiro o sitio e o processo hist&oacute;rico ajudaram a compor um mosaico resultante da mescla entre suas limita&ccedil;&otilde;es territoriais e uma grande diversidade de tipos que marcaram a sociedade carioca desde o Per&iacute;odo Colonial. O papel ocupado pelo Rio, inicialmente como importante &aacute;rea de defesa, passando de entreposto comercial e de escoamento de todo o ouro das Gerais, at&eacute; chegar &agrave; condi&ccedil;ao de capital do Imp&eacute;rio e do Brasil, fez com que sua constitui&ccedil;ao s&oacute;cio&#45;espacial refletisse uma composi&ccedil;ao social mista em um espa&ccedil;o restrito, delimitado pelas montanhas, os p&atilde;ntanos e o mar (Abreu, 1988). A inexist&ecirc;ncia de servi&ccedil;os de transporte dificultava a mobilidade espacial, fazendo com que diferentes grupos e classes sociais ocupassem uma &aacute;rea muito restrita. Isso facilitou, por um longo per&iacute;odo, uma conviv&ecirc;ncia mais pr&oacute;xima entre grupos de diferentes estratos sociais, &eacute;tnicos e culturais, tratando&#45;se assim, de uma &eacute;poca em que "brancos e negros, ricos e pobres podiam coexistir em relativa proximidade f&iacute;sica, quando o sistema socioecon&oacute;mico&#45;cultural permitia uma 'tranquilidade hier&aacute;rquica', isto &eacute; um consenso quanto &agrave;s linhas de diferen&ccedil;as entre as etnias e as situa&ccedil;&otilde;es de classe" (Sodr&eacute;, 2002: 46).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pode&#45;se dizer que com a chegada da Fam&iacute;lia Real ao Rio de Janeiro, em 1808, e a consequente produ&ccedil;ao de novos espa&ccedil;os elitizados, iniciase um processo de estratifica&ccedil;ao na distribui&ccedil;ao da popula&ccedil;ao na cidade, acentuando processos sociais que passam a ganhar forma e lugar no espa&ccedil;o. Processos distintivos, caracterizados especialmente pela fachada da moradia como meio de expressao do status social (e que eram muito comuns numa &eacute;poca em que nao havia um delineamento poss&iacute;vel entre espa&ccedil;os de moradia de ricos e pobres), come&ccedil;am nesta &eacute;poca, a se espaliar na cidade, mas ainda de forma bastante incipiente, especialmente em fun&ccedil;ao daqueles limites ligados aos meios de transporte e ao s&iacute;tio urbano. Este processo, ainda adquire maior for&ccedil;a a partir do per&iacute;odo da Rep&uacute;blica, quando a presen&ccedil;a do capital estrangeiro, especialmente ingl&eacute;s, passa a modelar o espa&ccedil;o urbano, superando as barreiras f&iacute;sicas e intensificando suas contradi&ccedil;&otilde;es (Abreu, 1988).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao longo deste per&iacute;odo, pode&#45;se afirmar que algumas &aacute;reas j&aacute; se constitu&iacute;am como espa&ccedil;os de moradia de grupos em condi&ccedil;ao socialmente inferior, a exemplo das freguesias da Gamboa e Santo Cristo (Abreu, 1988) e ainda os quilombos urbanos (Campos, 2005) e os terreiros de candombl&eacute; (Sodr&eacute;, 2002). Estes dois &uacute;ltimos, em sua origem, constitu&iacute;am n&uacute;cleos de resist&eacute;ncia e de afirma&ccedil;ao de uma identidade e de um conjunto de pr&aacute;ticas culturais e express&otilde;es religiosas que em seu processo de territorializa&ccedil;ao adquiriram um sentido singular em rela&ccedil;ao ao conjunto da cidade. Estas formas sofreram uma importante ressignifica&ccedil;ao com o advento da Rep&uacute;blica, em 1889, quando os principios liber&aacute;is e igualit&aacute;rios ameagavam o antigo consenso quanto &aacute; hierarquia social do periodo colonial (Sodr&eacute;, 2002).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mas &eacute; somente a partir da d&eacute;cada de 1870 &#45; momento em que se cria a primeira linha de carris e quando aumenta o n&uacute;mero de trens suburbanos da Estrada de Ferro D. Pedro II &#45;, &eacute; que se cometa a delinear uma espacializag&aacute;o da segmentacelo social na cidade, com a ocupag&aacute;o, pelos setores mais abastados, dos lugares servidos pelo caro e elitizado transporte de carris e bondes (Abreu, 1988). Trata&#45;se de um momento&#45;chave, uma vez que os dois elementos impulsionadores da expans&aacute;o na cidade passam a atuar sincronicamente. Assim, delineia&#45;se na cidade uma gradativa diferenciac,&aacute;o entre espacos de moradia dos mais abastados &#45; que eram servidos pelas linhas de carris e bondes, que seguiam em directo &agrave; Zona Sul &#45;, e espac,os de moradia dos menos abastados, notadamente o sub&uacute;rbio, seguindo a trilha do trem, em directo &agrave; Zona Norte. Para ali se dirigiam os "usos sujos" (Abreu, 1988), a exemplos das ind&uacute;strias, e a classe trabalhadora &#45; aqueles que, em outras palavras, tamb&eacute;m poderiam ser considerados socialmente "sujos" &#45; concepcjio que parece nao ter mudado muito, mais de cem anos depois. Trata&#45;se de um momento em que, gradativamente, as diferenciales no urbano se deslocam da habitacao para o <i>habitat</i> (Abreu, 1988).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora esse processo de segregaci tenha produzido e reforcado a formacao dos espacos dos negros e dos pobres &#45; a exemplo da Praca XI, no centro do Rio, reduto de negros e baianos &#45;, nao houve um isolamento destes do resto da cidade. Na realidade, produziram&#45;se territorios que mantinham uma profunda relacao com a cidade, nao reproduzindo o modelo cl&agrave;ssico da segregacao, mas capazes de produzir uma permeabilidade herdeira das relac&oacute;es coloniais, onde, como sinalizado a partir da an&aacute;lise de Sodr&eacute; (2002), os esquemas hier&aacute;rquicos eram marcados por uma din&aacute;mica social e cultural propria, capaz de permitir uma singular conviv&eacute;ncia entre negros e brancos, pobres e ricos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tem que se considerar que a constituyo da Rep&uacute;blica n&aacute;o foi capaz de agregar os setores populares da cidade, especialmente os negros, que rec&eacute;m&#45;libertos pela Monarquia, mantinham certo apreco pelo feito pela Princesa Isabel e o D. Pedro II em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; abolicjio da escravatura. Essa dificuldade de adesao implicou um acirramento de diferencas entre as elites e os setores populares no plano das ideias e dos valores (Carvalho, 2002), pese ao desejo dos republicanos em obter apoio popular. A perseguicao contra capoeiras, bicheiros e corticos, empreendida pelos republicanos &eacute; uma evid&eacute;ncia de um processo crescente de "prevencao republicana contra os pobres" (Carvalho, 2002: 30), e revela processos de exclusao e segregacjio que iriam se acirrar nos anos seguintes. Ainda, os processos de segregado que se processariam a partir das interveng&oacute;es estatais no contexto da Rep&uacute;blica e de uma elitiza&ccedil;&atilde;o crescente da cidade, nao foram capazes de criar territ&oacute;rios imperme&aacute;veis. Ao contr&aacute;rio, havia uma <i>permeabilidade</i> que permitia a exist&eacute;ncia de canais potenciais de comunica&ccedil;&atilde;o e intera&ccedil;&atilde;o com o resto da cidade, especialmente pelo canal do mundo do trabalho e da cultura popular, cujo exemplo mais not&oacute;rio era a "Pequena &Aacute;frica".<sup><a href="#notas">3</a></sup> A "Pequena &Aacute;frica" era uma &aacute;rea que, apesar do nome, mantinha muitas relag&oacute;es com a cidade, comegando pela culin&aacute;ria das baianas, "conhecidas em toda a cidade", e os homens que buscavam trabalho na zona portu&aacute;ria, biscates, e toda ordem oficios aprendidos em casa, como lustrador de m&oacute;veis e marcenaria. Joao da Baiana, famoso sambista da &eacute;poca, tamb&eacute;m muito conhecido por suas pr&aacute;ticas religiosas, recebia em seu terreiro, localizado na Praga XI, personalidades da &eacute;poca, como Pinheiro Machado, Paulo de Frontin, Irineu Machado e Lopes Trovao.<sup><a href="#notas">4</a></sup> Na verdade, como bem coloca Carvalho (2002: 41), "na Pequena &Aacute;frica &#91;do bairro&#93; da Sa&uacute;de, a cultura dos negros mugulmanos vindos da Bahia, sua m&uacute;sica e sua religiao fertilizaram&#45;se no novo ambiente, criando os ranchos carnavalescos e inventando o samba moderno", o que representava um processo gradativo de incorpora&ccedil;&atilde;o de elementos da cultura popular na cultura das elites da cidade, elemento que contribuiria para a constitui&ccedil;&atilde;o da primeira identidade coletiva da cidade, "materializada nas grandes celebrag&oacute;es do carnaval e do futebol".</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa "heranga", que estrutura&#45;se no principio da cordialidade (Holanda, 1995), teve lugar em uma sociedade onde os mecanismos de controle social e de demarca&ccedil;&atilde;o de fronteiras &eacute; definido nao apenas pelo espago de moradia, mas tamb&eacute;m pelas formas de relacionamento centradas na distin&ccedil;&atilde;o e no constrangimento, como atestam Holanda (1995) e Freyre (2003b). As relag&oacute;es cordiais, que se aplicam aos pobres em geral e aos negros em particular, baseiam&#45;se em c&oacute;digos corp&oacute;reos e simb&oacute;licos, que encontram um lugar social na m&aacute;xima "voc&eacute; sabe com quem est&aacute; falando?" (DaMatta, 1994). Nao se trata de subservi&eacute;ncia ou "bondade". A cordialidade situase no plano da nega&ccedil;&atilde;o a conveng&oacute;es ou formalismos nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, implicando uma intimidade ou informalidade entre desiguais, em que os lugares sociais se definem pelos c&oacute;digos emitidos pelo corpo, pelos h&aacute;bitos e pelos gestos, que estabelecem as fronteiras que delimitam o lugar de cada um na sociedade. Com efeito, pode&#45;se falar de uma <i>est&eacute;tica</i> que configura o lugar social dos sujeitos, segundo a qual, valores, padr&oacute;es e gostos demarcam lugares e estabelecem barreiras simb&oacute;licas que permeiam as relag&oacute;es, definindo fronteiras e n&iacute;veis de pertencimento.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ainda, mais do que um novo processo em curso, tratava&#45;se, tamb&eacute;m, de uma esp&eacute;cie de renovacjio dos mecanismos j&aacute; enraizados da ordenag&atilde;o social da sociedade colonial que n&atilde;o foram totalmente substituidos. A chegada da Corte ao Brasil implicou uma reformulag&atilde;o das formas at&eacute; ent&atilde;o instituidas de controle social e punig&atilde;o. Assim, com &agrave; introducto de novos esquemas de regulag&atilde;o da vida social, as formas antigas se adaptam. Estas mudangas se apresentam, em particular, para uma pequena burguesia em ascens&atilde;o, situada entre as costumes da sociedade colonial e as novas pr&aacute;ticas sociais e de sociabilidade introduzidas pela sociedade de corte (Pechman, 2002). O processo de <i>estetizac&aacute;o do cotidiano,</i> com efeito, tentou uma ordem minuciosa, que buscava regular todas as esferas da exist&egrave;ncia, de tal modo que a polidez, o asseio, e o adorno, se colocam em substituto ao castigo e &agrave; expuls&atilde;o. Um projeto de civilidade que &eacute; um projeto de poder e um estilo de dominag&atilde;o (Pechman, 2002: 15). Com efeito, trata&#45;se de um contexto caracterizado pela conformag&atilde;o de uma "est&eacute;tica da apar&egrave;ncia" (Pechman, 2002), segundo a qual a burguesia carioca vivia.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esta <i>est&eacute;tica da apar&egrave;ncia,</i> vivenciada pela burguesia carioca, dividida entre um <i>Orbis</i> colonial e um <i>Orbis</i> cortes&atilde;o, aos poucos assume formas mais consolidadas em torno de um comportamento urbano, o qual Freyre (2003b) caracterizaria como a sociedade urbana de <i>sobrado,</i> marcada pela <i>moderac&agrave;o,</i> em contraposi&ccedil;&atilde;o ao comportamento imoderado, fluido e h&iacute;brido do senhor de engenho.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ainda, pese ao fato da burguesia carioca passar por estas transformac&oacute;es, que definitivamente interfeririam na pr&ograve;pria est&eacute;tica da cidade e na incorporacelo de uma ideia de ordem importada da Europa, &eacute; interessante observar que aqueles tragos fluidos e h&iacute;bridos das relag&oacute;es entre senhor e escravo, ou "processos de equil&iacute;brios de antagonismos" (Freyre, 2003a), em certa medida, parecem ter permanecido entre os grupos subalternos na cidade. Com efeito, acredito que &eacute; desse legado que se origina elementos t&iacute;picos do que se conformou chamar de "malandragem carioca", ou ainda o "jeitinho brasileiro" (DaMatta, 1986; 1994),<sup><a href="#notas">5</a></sup> que se colocam dentro de uma esfera de rela&ccedil;&otilde;es caracterizada pelo "jogar o jogo", pela incorpora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas de sobreviv&ecirc;ncia no mundo urbano que ex&#45; escravos e pobres brancos incorporariam na sua rela&ccedil;&atilde;o com os setores dominantes.<sup><a href="#notas">6</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim, aquela imoderada sociabilidade do senhor de engenho e escravo, que institu&iacute;a uma rela&ccedil;&atilde;o fluida, h&iacute;brida, como sugere Freyre (2003a), parece n&atilde;o ter se perdido por completo. Ela se renovou, introduzindo na sociabilidade do brasileiro um dado de informalidade, permissividade e uma "invas&atilde;o" nas rela&ccedil;&otilde;es &#45; inclusive entre estranhos.<sup><a href="#notas">7</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esse legado das rela&ccedil;&otilde;es sociais oriundas da coloniza&ccedil;&atilde;o &eacute; um componente de nossa conforma&ccedil;&atilde;o sociocultural, segundo o qual a rela&ccedil;&atilde;o entre as classes dominantes e as classes oprimidas foi se tecendo em uma mistura de domina&ccedil;&atilde;o/opress&atilde;o e paternalismo/assistencialismo (Ribeiro, 1995). Contudo, ainda que esses mecanismos tenham sido utilizados como forma de manutencjio das estruturas vigentes e interesses dos setores dominantes, os setores populares os absorveram como forma estrat&eacute;gica de sobreviv&eacute;ncia e relac&aacute;o com os setores dominantes, caracterizando um contexto em que o conflito nao se materializa na forma de confronto direto, mas a partir de interac&oacute;es permeadas de simbolismo, emotividade e pessoalidade. Esses traeos ligam&#45;se ao modo de comportamento do "homem cordial" (Holanda, 1995), na medida em que este se utiliza de recursos emotivos e que misturam o p&uacute;blico e o privado como forma de se relacionar distanciando&#45;se do conflito imanente &agrave;s relac&oacute;es hier&aacute;rquicas. Desta maneira, a autoimagem incorpora o estigma, resignificando&#45; o a partir do lugar social. Por exemplo, o emprego do diminutivo (o "inho", ao final das palavras &#45; <i>'escurinho, 'pretinho</i>'...), como destaca Holanda (1995), ou ainda em formas menos sutis, como o "pardo" ou o "marrom bom&#45;bom", demarcam um lugar inferior na hierarquia social, evitando&#45;se formas de autoafirmacao que possam levar ao confronto. Assim, ao "contornar" o confronto, ao evitar a revolta, o "homem cordial" explica uma relaeao segundo a qual o simb&oacute;lico e o corp&oacute;reo adquirem centralidade, pois funcionam como mecanismos de interacao e de definicao dos lugares sociais. Palavras e gestos sutis, assim como express&oacute;es e olhares, postura e comportamento, permeados por objetos que conferem status e diferenciacao, como bens e roupas, e ainda por refer&eacute;ncias particulares, expressas pelo gosto cultural e padrao est&eacute;tico, definem fronteiras, especialmente expressos pela delineacao simb&oacute;lica, que se reflete na materialidade das relac&oacute;es.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora a sociedade urbana, em seu processo civilizat&oacute;rio, tenha avancado para um modelo mais formal e impessoal nas relac&oacute;es, percebe&#45;se, pelo menos no caso do Rio de Janeiro, que esse modelo adquiriu contornos muito singulares, e que incorporou de uma maneira pr&oacute;pria, aquele legado colonial. Algo que se expressou em funcao da pr&oacute;pria configuracao espacial da cidade&#45;misturada, que forcava relac&oacute;es entre diferentes e desiguais, e que, dialeticamente, influenciar&iacute;a em sua configuracao futura, com padr&oacute;es de segregacao dos pobres igualmente misturados e sobrepostos a &aacute;reas mais abastadas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A compreensao destes processos &agrave; luz da estruturacao do espaco urbano e da conforma&ccedil;&atilde;o de processos de secrecao na cidade requer uma apreensao das estrat&eacute;gias e mecanismos de controle e contencao s&oacute;cio espaciais, baseados na distincao, na cordialidade e no constrangimento. Estas estrat&eacute;gias e mecanismos que historicamente marcaram a relacao entre as favelas e outros locais de moradia dos setores populares e o restante da cidade, tiveram um papel singular no que diz respeito ao padrao de segregacao produzido no Rio de Janeiro. S&oacute; assim poderemos entender como personagens de origem social tao distinta puderam se relacionar sem que essa relac&atilde;o produzisse qualquer d&uacute;vida sobre seu lugar na hierarquia social, ainda que tais relac&oacute;es fossem marcadas pela proximidade, informalidade, e muitas vezes, pela intimidade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com efeito, a configura&ccedil;&atilde;o urbana da cidade &eacute; permeada por um conjunto de mecanismos de distincao que demarcam fronteiras que nem sempre se materializam em formas, mas que se traduzem em comportamentos e na incorporacelo dos lugares sociais. Assim, a materialidade e a est&eacute;tica vao gradativamente delimitando e orientando a producao do espaco na cidade. Nao &eacute; para menos que a producao do espaco urbano da cidade, ao mesmo tempo em que se voltou para os interesses dos setores dominantes, particularmente quanto &agrave;s demandas do capital, tamb&eacute;m incorporou aqueles elementos interacionais herdados de nossa conformacao sociocultural, tracos que apesar da modernizacao e da urbanizacao, constituem um legado de nossa heranca colonial e patriarcal. Os mecanismos de distincao e contencao social ganham relevo, j&aacute; que a <i>cordialidade</i> (Holanda, 1995) se mant&eacute;m como um traco definidor das interac&oacute;es sociais, sendo de grande relevo para entendermos a construcao dos "mecanismos de controle e contencao s&oacute;cio&#45;espacial" e os "espacos de constrangimento".</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com base nesse sustento o argumento de que as representa&ccedil;&atilde;&oacute;es sociais e a producao do estigma configurarti um importante elemento da an&aacute;lise dos processos de segregacao. Permeados pelo constrangimento e pela distincao social, estes processos poderiam ser compreendidos a partir do paradigma da <i>est&eacute;tica da apar&egrave;ncia</i> e da producao de r&oacute;tulos estigmatizantes. Com efeito, as representares sociais construidas em torno dos setores populares e seus espacos de moradia adquirem peso na an&aacute;lise de sua condicao no espaco urbano, uma vez que buscam expressar uma utopia urbana conservadora e um processo de distincao s&oacute;cio&#45;espacial caracterizado pelo desejo de inferiorizacao do outro, identificado como um problema a ser eliminado ou, pelo menos, isolado e logo, controlado, delimitado e circunscrito. As representac&oacute;es sociais sao capazes de produzir comportamentos e atitudes baseados em crencas que irao instaurar ou manter pr&aacute;ticas sociais determinadas (Minayo, 2003) e que por esta razao, podem constituir um fator de reproducao das disparidades sociais quando atuam no reforco das estigmatizac&oacute;es e nas formas de interacao social decorrentes da "cordialidade" e da demarcacao do lugar s&oacute;cio&#45;simb&oacute;lico dos p&aacute;rias urbanos.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Como visto, no processo de formac&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial do Rio de Janeiro, a conviv&eacute;ncia entre os "cidadaos de bem" e os p&aacute;rias urbanos no espaco da cidade &eacute; marcada por uma paisagem de contradic&oacute;es socioecon&oacute;micas e culturais.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Pesavento (2002), a especificidade e a perversidade das condic&oacute;es de realizacao do capitalismo no Brasil que configurarli este processo,</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">...dao margem a um contexto em que as representares assumem, de direito e de fato, preeminencia sobre o real. O peso do simb&oacute;lico sobrep&oacute;e&#45;se &agrave; realidade: o parecer tem efeito de ser e, como tal, &eacute; julgado e avaliado. A credibilidade do imagin&aacute;rio se imp&oacute;e, mesmo que as condic&oacute;es concretas de exist&eacute;ncia neguem os discursos e as imagens que sobre a realidade se produzem. A aparencia e a fachada tem alta significacao e o detalhe &eacute; tomado pelo conjunto (Pesavento, 2002: 160).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim, a formacao de espacos favelizados no Rio de Janeiro foi atravessada por um duplo processo de distincao no espa&ccedil;o urbano: como lugar de resistencias e como obst&aacute;culo &agrave; civilizacao. Esta contradicao punha os pobres urbanos em confronto direto com o processo civilizat&oacute;rio, sendo eles pr&oacute;prios o obst&aacute;culo a superar atrav&eacute;s de processos s&oacute;cio&#45;simb&oacute;licos e espaciais de segregacao urbana. Desta forma, o processo de afirma&ccedil;&atilde;o de uma identidade urbana do Rio de Janeiro se revela pelo "car&aacute;ter de classe que marca a consolidacelo das elites: a sua exclud&eacute;ncia, assinalada pela negacao do outro" (Pesavento, 2002: 170).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Desta forma, os setores populares e, por conseguinte, seus espacos de moradia foram sendo tomados como obst&aacute;culos ao intento civilizat&oacute;rio e ao processo de ordenacao urbana em curso. Mais que isso, eles eram a pr&oacute;pria negacao da civilidade e da ordem, sendo, por isso, considerados p&aacute;rias urbanos. Todavia, apesar dessa imagem, as elites sabiam da funcao que esses p&aacute;rias cumpriam na cidade. Naqueles novos tempos de trabalho assalariado, eles eram os substitutos dos escravos urbanos, daqueles que lavavam, cozinhavam, cuidavam dos filhos e de toda ordem de afazeres que aquela elite mal acostumada com os tempos de escravismo, se recusava a fazer. Eles sabiam que era preciso manter os pobres pr&oacute;ximos. Ainda, o preco a ser pago representava a convivencia com grupos considerados socialmente inferiores em uma cidade que oferecia poucas opc&oacute;es de moradia e deslocamento para aqueles que necessitavam estar pr&oacute;ximos ao local de trabalho. A proximidade f&iacute;sica &#45; dada pelo mundo do trabalho e pela presenca dos p&aacute;rias na urbe &#45;, teve como sa&iacute;da o acirramento de processos de distanciamento social, com uma demarcac&aacute;o mais forte dos lugares sociais atrav&eacute;s de processos de distincao social e produ&ccedil;&atilde;o de constrangimentos.<sup><a href="#notas">8</a></sup> Igualmente, a negativacao do <i>outro</i> &#45; o <i>diferente</i> e <i>desigual</i> &#45; rapidamente foi transmitida aos seus espacos de moradia, reincorporando a significacao da senzala e do quilombo no mundo escravagista, ou seja, de lugar que cabe aos "p&aacute;rias" e de lugar que representa o que h&aacute; de pior e execr&aacute;vel de seu universo social e cultural. Assim, o cortico, a favela e o sub&uacute;rbio adquirem conota&ccedil;&atilde;o negativa, legando aos seus moradores um lugar s&oacute;cio&#45;simb&oacute;lico distinto no espaco urbano. Essa &eacute; a base que vai sustentar as pr&aacute;ticas das elites e do Estado em sua luta contra a "barb&aacute;rie" e "selvageria".</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A negativa&ccedil;&atilde;o e depreciacao simb&oacute;lica dos espacos de moradia dos pobres urbanos assim como das pr&aacute;ticas sociais de seus moradores tem a dupla funcao de justificar o distanciamento simb&oacute;lico e o controle social. Pechman (2002) acredita que ao longo do processo de incorporacao de uma civilidade &agrave; ordem colonial, iniciada com a chegada da Familia Real ao Rio de Janeiro, instaura&#45;se um processo de constituicao de polos antit&eacute;ticos, do estabelecimento entre o bem e o mal. Cita os folhetins como importantes instrumentos para isso, j&aacute; que tiveram o papel de descobrir os "selvagens" da cidade ou, em outros termos, as "classes perigosas", sobre as quais deveria incidir a acao civilizat&oacute;ria. Tal estrat&eacute;gia, cuja origem, no Brasil, remonta ao s&eacute;culo XIX, construiuse em torno da ruptura com a punicao severa, caracter&iacute;stica das Ordenac&oacute;es Filipinas, e na elaboracao de uma nova concepcao de <i>ordem,</i> fundada na ideia de <i>contenc&aacute;o.</i> A contencao, no entender de Pechman (2002) baseia&#45;se, sobretudo, nas<i>formas,</i> o que significa dizer que &eacute; no plano simb&oacute;lico que passa a se estabelecer o controle social. Neste sentido, o cotidiano estetizado passa a regular a vida social na instituicao de uma ordem urbana e a ideia de uma "disfuncao" urbana surge como um problema a ser resolvido dentro de um plano ordenador e est&eacute;tico da cidade. A intervencao urban&iacute;stica, neste sentido, apresenta&#45;se como uma t&eacute;cnica dos controles produzidos por tal "disfuncao", e o urbanismo, na resolucao das disfunc&oacute;es urbanas, elabora uma "patologia do espaco", e interv&eacute;m no sentido de sua normatiza&ccedil;&atilde;o (Pechman, 2002).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estes processos se sintetizam em torno de duas noc&oacute;es que venho buscando desenvolver ao longo dos &uacute;ltimos anos, e que se referem ao lugar simb&oacute;lico da favela na cidade (Fernandes, 2005) e &agrave;s estrat&eacute;gias e mecanismos de controle e contencao s&oacute;cio&#45;espacial e aos espacos de constrangimento (Fernandes, 2009).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Estrat&eacute;gias e mecanismos de controle e contencao s&oacute;cio&#45;espacial e os espatos de constrangimento</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Quando me refiro a mecanismos de <i>controle e contenc&aacute;o s&oacute;cio&#45;espaciais,</i> estou querendo refletir sobre a dimensao espacial que permeia a no&ccedil;&atilde;o de controle social. Nas ciencias sociais, o conceito de controle social descreve a capacidade da sociedade de se autorregular. Esta regulacao nao &eacute; mantida apenas por sanc&oacute;es jur&iacute;dicas ou sistemas formais, mas tamb&eacute;m produzida por instituic&oacute;es e processos sociais mais amplos (Zedner, 1996). Como estou buscando demonstrar, no Rio de Janeiro essas instituic&oacute;es e processos sociais se estabelecem a partir de mecanismos de coer&ccedil;&atilde;o, de distincao social e de constrangimento, impondo ainda, barreiras de ordem f&iacute;sica e simb&oacute;lica com o intuito de circunscrever os grupos indesejados. No processo de formacao das favelas na cidade, o processo de estigmatizacao e negativacao da favela foi fundamental para a afirmacao da favela como nao&#45;cidade, e de seus moradores como nao&#45;cidadaos. Com efeito, o que se observa &eacute; a instituicao de uma percepcao simb&oacute;lica que tende a ver o morador de favela como um parasita urbano, com uma atribuicao hist&oacute;rica dos problemas urbanos &agrave; favela. Este processo hist&oacute;rico de estigmatizacao das favelas e seus moradores, se apoia nos fundamentos est&eacute;ticos que marcam a tensao entre classes no Brasil, e que se reproduzem a partir do lugar simb&oacute;lico e social que os p&aacute;rias urbanos ocupam no olhar das elites. Com efeito, a representacao social da favela agrega uma visao distorcida sobre sua realidade social, muitas vezes baseada em um olhar distante, ou em epis&oacute;dios isolados. A imagem derivada se constr&oacute;i em torno de um constante negativacao. Assim, no comeco do s&eacute;culo XX a favela era vista como foco de doencas, e seus moradores como parasitas urbanos. J&aacute; na virada para o s&eacute;culo XXI, a favela torna&#45;se o lugar da violencia, e seus moradores, em particular os jovens do sexo masculino, passam a ser identificados como uma ameaca &agrave; ordem urbana e ao bem&#45;estar e seguranca dos "cidadaos de bem". Assim, a <i>objetivac&aacute;o</i> da favela (Valladares, 2000) a transforma no <i>lugar</i> de realiza&ccedil;&atilde;o da pobreza e da violencia urbana, sendo por isso, alvo priorit&aacute;rio de determinadas intervenc&oacute;es voltadas para seu controle e contencao (Fernandes, 2009).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com base nisso, <i>controle e</i> <i>conten&ccedil;&atilde;o</i> <i>s&oacute;cio&#45;espacial</i> foi a expressao que encontrei para dar conta da materializacao daqueles mecanismos, uma vez que eles incidem sobre indiv&iacute;duos e grupos <i>no</i> e <i>a partir do</i> espaco. O <i>controle</i> remete a uma dimensao mais material dos mecanismos de exerc&iacute;cio do poder, sendo portanto, a expressao dos procedimentos ligados &agrave; instauracao de fronteiras f&iacute;sicas, de barreiras e proibic&oacute;es do acesso. Ele liga&#45;se, diretamente, &agrave; ideia de guarita, grade obst&aacute;culo e num sentido mais din&agrave;mico, &agrave; <i>mobilidade</i> espacial. Se a mobilidade espacial &eacute; afetada, trata&#45;se de uma forma de controle. A <i>conten&ccedil;&atilde;o,</i> por sua vez, remete a uma dimensao imaterial dos mecanismos de exerc&iacute;cio de poder, e liga&#45;se aos procedimentos ligados &agrave; instauracao de fronteiras simb&oacute;licas e a producao de constrangimentos.<sup><a href="#notas">9</a></sup> O constrangimento nao implica em proibicao, mas pode produzir inibicao do acesso, especialmente se este acesso &eacute; dado por valores no plano est&eacute;tico e comportamental. Com isso, a conten&ccedil;&atilde;o liga&#45;se &agrave; ideia de vigil&agrave;ncia, norma e, em sentido din&agrave;mico, &agrave; ideia de <i>acessibilidade.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A <i>acessibilidade</i> diz respeito ao conjunto de interdic&oacute;es no plano simb&oacute;lico que afetam o uso e apropria&ccedil;ao de um espaco por um indiv&iacute;duo ou grupo. Assim, um indiv&iacute;duo pode ter mobilidade, mas pode nao ter acessibilidade. Pode nao haver nenhuma barreira f&iacute;sica impedindo&#45;o de chegar aos lugares, mas est&aacute; envolto em um conjunto de impedimentos simb&oacute;licos que produzem constrangimentos e que inibem a presenca e participacao deste indiv&iacute;duo em um determinado ambiente. Este processo corresponde a outra importante nocao: os <i>espafos de constrangimento</i> (Fernandes, 2009).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os <i>espafos de constrangimento</i> nao sao necessariamente (e idealmente &eacute; melhor que nao sejam) caracterizados por barreiras f&iacute;sicas. Nao existe, aparentemente, nenhum obst&aacute;culo ao seu acesso. Eles se apresentam, para todos, como algo supostamente aberto, p&uacute;blico, acess&iacute;vel. Ainda, nao o sao. Eles sao caracterizados por um conjunto de normas, est&eacute;ticas e expectativas de comportamento que definem a quem se destinam e &agrave;queles que nao sao bem&#45;vindos. Os <i>espacos de constrangimento</i> emitem uma mensagem que se reflete em um sentimento misto de rejeicao, inc&ograve;modo e nao pertencimento. Com isso, sao espacos paseudo&#45;p&uacute;blicos e pseudo&#45;abertos, como &eacute; o caso dos <i>shoppingscenters,</i> onde o aparente livre acesso &eacute; permeado por um conjunto de interdic&oacute;es orientadas por uma dada ordenacao est&eacute;tica e simb&oacute;lica baseada em valores, crencas e representac&oacute;es da sociedade de consumo e dos grupos aos quais aqueles espacos sao direcionados.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O medo e a aversao social a tipos identificados como "potenciais criminosos" pode ser observado de forma expl&iacute;cita nos espacos onde estes grupos nao sao bem&#45;vindos, como nos espacos de consumo e lazer destinados aos grupos mais afastados que moram na Zona Sul da cidade. Ali, onde sua presenca constitui uma ameaca &agrave; ordem e uma provocacao est&eacute;tica, sao criados mecanismos que provocam a incorporacao do sentimento de repulsa e de inc&ograve;modo. A experi&eacute;ncia de Pedro<sup><a href="#notas">10</a></sup>, jovem de 24 anos, no Shopping <i>Rio Sul,</i> &eacute; um exemplo bem ilustrativo disso:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#45; ... &agrave;s vezes eu vou no Rio Sul, vou no Rio Sul, chego l&aacute; dentro do Rio Sul, t&ograve; andando, todo mundo t&aacute; olhando pra mim s&oacute; porque &agrave;s vezes eu t&ograve; com uma bermuda, t&ograve; de chinelo, t&ograve; com uma camiseta... e ali tu v&eacute; que ali nao tem pessoas igual a voc&eacute;... Pessoas tudo bem arrumada, tudo bem vestida, a&iacute; tu passa assim, te olham assim, pensam que tu vai fazer uma coisa de errado. Fica aquele certo constrangimento na tua cabeca. E &agrave;s vezes voc&eacute; quer entrar numa loja pra escolher uma coisa, pra ver uma coisa, tu se sente constrangido. Como &eacute; que eu vou entrar naquela loja ali, todo mundo vai ficar me olhando. Nao te deixa &agrave; vontade, quer ficar em cima de tu.</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A fala de Pedro revela a questao da <i>acessibilidade,</i> uma vez que embora capazes de chegar aos lugares, grupos estigmatizados tem uma capacidade limitada de usufruir e de, efetivamente, se apropriar de certos espacos, seja por uma questao de est&eacute;tica cultural e de classe, seja especialmente, pela incorporacao da rejeic&aacute;o e da condicio de <i>outsider</i> e de <i>indesejado.</i></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com efeito, os <i>espacos de constrangimento</i> sao caracterizados por uma est&eacute;tica e formas de funcionamento que definem uma intencionalidade de um determinado grupo social. Eles sao a expressao de um determinado modelo de producao do espaco cuja forma e funcao servem do ponto de vista simb&oacute;lico, como <i>mecanismos de distinf&aacute;o</i> e de reanrmac&aacute;o de uma dada <i>est&eacute;tica da apar&eacute;ncia.</i> Assim, conformam&#45;se espacos que sao ao mesmo tempo uma marca social, cultural e simb&oacute;lica, de anrmac&aacute;o de uma est&eacute;tica e ordem singulares a um grupo e indispens&aacute;veis ao seu projeto de producao do espaco, como tamb&eacute;m um fator de imposicao simb&oacute;lica capaz de gerar constrangimento &agrave;queles que nao partilham dos mesmos valores e padr&oacute;es est&eacute;ticos, assim como das refer&eacute;ncias necess&aacute;rias &agrave; producao do espaco seguindo o modelo em voga.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O esforco reunido em torno da caracterizacao <i>dos espacos de constrangimento</i> nao se volta apenas para este espaco em si, mas para os mecanismos de anrma&ccedil;&atilde;o de modelos baseados na deturpacao e degradacao de outros espacos e pr&aacute;ticas s&oacute;cio&#45;espaciais, definindo&#45;se, assim, polos antit&eacute;ticos. E esta tem sido a base de sustentacao do processo hist&oacute;rico de negacao da favela, que culmina com o momento atual, caracterizado por sua forte criminaliza&ccedil;&atilde;o, e pelo reforco simb&oacute;lico da favela como espaco do medo, e de seus moradores como agentes da viol&eacute;ncia urbana. Este processo vem sustentando uma permanente "guerra" &agrave;s favelas, cujo resultado tem sido uma crescente indiferenca frente &agrave; viol&eacute;ncia institucional praticada pelo estado, que na maior parte das vezes conta com o apoio de uma populacao amedrontada e sedenta de vinganca, em busca de seus j&aacute; conhecidos bodes expiat&oacute;rios.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>A constru&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rica dos mecanismos de controle e conten&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O processo de controle das "disfun&ccedil;&atilde;es" na cidade remete ao processo hist&oacute;rico de formacao das cidades em um contexto ampliado, que pode ser caracterizado pela tensao entre a aglomeracao e seu controle, entre a heterogeneidade social, cultural e &eacute;tnica e o desejo de sua homogeneizacao. Como afirma Tuan (2005), apesar dos esforcos de muitos governantes ao longo dos tempos em ordenar as cidades, a formacao de aglomerac&oacute;es heterog&eacute;neas, livres do controle dos governos, vivendo &agrave; margem dos centros urbanos ordenados e controlados, constitu&iacute;am uma ameac,a &agrave; ordem social. "Por mais que a cidade tenha mudado com o correr do tempo", afirma Tuan (2005: 233), "o conflito persiste entre o desejo por uma ordem socioest&eacute;tica imposta e a realidade das massas vivendo em um mundo din&agrave;mico, mas confuso". Por esta razao, a presenca de grupos estranhos, diferentes dos locais, <i>forasteiros,</i> por assim dizer, sempre foi uma ameaca constante aos anseios por uma sociedade harm&ograve;nica, ordenada, onde o familiar, o previs&iacute;vel e o moral e esteticamente aceit&aacute;vel eram base da sensacao de seguranca e do sistema de confianca estabelecido entre as pessoas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa tamb&eacute;m &eacute; uma questao trazida por Michel Foucault, que destaca esta ordem de problemas dentro de um contexto s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rico singular. Segundo Foucault, a formacao de uma sociedade marcada pelo liberalismo teve como consequ&eacute;ncia a instauracao de uma cultura pol&iacute;tica do perigo e do medo, que seria o correlato psicol&oacute;gico e cultural do liberalismo (Foucault, 2008b: 9091). Neste contexto, ao mesmo tempo em que se estimula a liberdade, como um elemento central em uma sociedade liberal, se criam formas de controle e intervencao que funcionam como garantia dessa liberdade. Nas cidades, o problema das aglomerac&oacute;es e o receio da revolta sao fatores de est&iacute;mulo &agrave; instituicao de mecanismos de controle social que atravessaram a ordena&ccedil;&atilde;o urbana (Foucault: 2008a).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na Europa ocidental, a experi&eacute;ncia da vida urbana nas cidades mercantis, e posteriormente, nas cidades capitalistas, seria marcada pela constante desconfianca do outro e a dificuldade de mistura e assimila&ccedil;&atilde;o cultural (Foucault, 2008a). Esses processos de controle social dos grupos indesej&aacute;veis, atravessado por medidas de ordenacao do espaco urbano e de demarcacao de fronteiras f&iacute;sicas e simb&oacute;licas, configuram <i>estrat&eacute;gias e mecanismos de controle e contenido s&oacute;cio&#45;espacial.</i> Trata&#45;se da instituicao de formas de controle social e de ordenacao do espaco orientadas a partir de estrat&eacute;gias que estruturam um conjunto de intervenc&oacute;es e interdic&oacute;es que incidem direta ou indiretamente sobre determinados grupos, sendo estes em geral, os grupos estigmatizados identificados como ameaca &agrave; ordem social e espacial desejada. Estas intervenc&oacute;es e interdic&oacute;es podem ser lidas a partir de mecanismos que vao sendo adotados, ao longo da hist&oacute;ria, e que configuram t&eacute;cnicas de exerc&iacute;cio do poder disciplinar (Foucault, 1999) e de instituicao de procedimentos de seguranca e controle das populac&oacute;es (Foucault, 2008a). Mas nao se trata apenas de t&eacute;cnicas no sentido de procedimentos sistem&aacute;ticos com uma intencionalidade expl&iacute;cita. Trata&#45;se tamb&eacute;m, de ac&oacute;es que nem sempre adquirem uma forma regular ou sistem&aacute;tica, mas sim difusa, e que se organizam em torno de elementos simb&oacute;licos que afetam comportamentos (Fernandes, 2009). Neste sentido, as estrat&eacute;gias se colocam em uma escala ampliada, que estrutura ac&oacute;es mais pontuais, que sao os mecanismos. Esta distincao &eacute; importante porque, como veremos mais &agrave; frente, sao as estrat&eacute;gias que incorporam a representacao social, que assimilam o estigma, conferindo aos procedimentos de <i>controle e contenido s&oacute;cio&#45;espacial,</i> uma conexao ideol&oacute;gica (e pr&aacute;tica) com o olhar constru&iacute;do em torno dos grupos estigmatizados.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na an&aacute;lise desses processos no contexto urbano do Rio de Janeiro, &eacute; indispens&aacute;vel retomar as argumentac&oacute;es de Pechman (2002) em torno da reconfiguracao dos mecanismos de controle social, fundados na ruptura com as Ordenac&oacute;es Filipinas e na instauracao de formas de <i>contenido</i> estruturadas em torno do simb&oacute;lico e de uma est&eacute;tica da apar&eacute;ncia. &Eacute; neste momento de reconfiguracao das formas de controle social que se estabelecem as bases para a estruturacao das estrat&eacute;gias e mecanismos de controle e contencao s&oacute;cio&#45;espacial na cidade. A ideia de "disfun&ccedil;&atilde;o" e a adocao do urbanismo como meio de ordenacao social, mediante intervenc&oacute;es no espaco, estabelece uma importante conexao entre a instauracao de uma nova din&agrave;mica espacial na cidade, a adocao de novos padr&oacute;es est&eacute;ticos na paisagem urbana e no comportamento dos setores dominantes associados &agrave; ideia de <i>modernidade,</i> e a implementacao de um saber m&eacute;dico&#45;higienista na ordenacao do espaco urbano. Tanto a est&eacute;tica moderna, quanto o saber m&eacute;dico&#45;higienista, t&eacute;m um papel central na estigmatizacao dos grupos indesejados da cidade &agrave;quela &eacute;poca.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esses processos em curso na virada do s&eacute;culo XIX para o s&eacute;culo XX na capital federal do Brasil possu&iacute;am uma correla&ccedil;ao profunda, em tempo e circunstanciam diferenciadas, com processos semelhantes que ocorriam naquela &eacute;poca (e mesmo antes), na Europa ocidental. O saber m&eacute;dico&#45;higienista e a est&eacute;tica da <i>Belle Epoque</i> configuram formas de organiza&ccedil;ao dos saberes e de configura&ccedil;ao da sociedade e do exerc&iacute;cio do poder que sao adaptadas ao contexto social, pol&iacute;tico, cultural e espacial do Rio de Janeiro.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na Europa, as classes m&eacute;dias evitavam os pobres porque os identificavam como portadores de doen&ccedil;as. Sua aversao ao contato com os pobres e seus locais de moradia oscilava a depender do discurso m&eacute;dico (Tuan, 2005). Com efeito, por um lado, a teoria miasm&aacute;tica defendia a ideia da difusao de doen&ccedil;as atrav&eacute;s do ambiente f&iacute;sico. De outro, a teoria do cont&aacute;gio apregoava o cont&aacute;gio diretamente &agrave;s pessoas, sendo, neste caso, os pobres os principais transmissores em fun&ccedil;ao de suas condi&ccedil;&otilde;es de higiene (Tuan, 2005). A tese defendida pelo m&eacute;dico norte&#45;americano Cyrus Edson, superintendente sanit&aacute;rio da cidade de Nova York, em 1895, tamb&eacute;m refor&ccedil;a essas id&eacute;ias, e sugere que o cont&aacute;gio &eacute; igual para todos os homens, independente se sua condi&ccedil;ao social (Hochman, 2006). Com isso, ao mesmo tempo em que as autoridades p&uacute;blicas reconheciam a necessidade de reformas sanit&aacute;rias nas cidades, se delineava uma pol&iacute;tica de conten&ccedil;ao s&oacute;cio&#45;espacial dos pobres na cidade, que a reboque daquelas interven&ccedil;&otilde;es, se manifestava pelo do controle da mobilidade dos pobres pela cidade e da circunscri&ccedil;ao de seus locais de moradia. A este processo, Foucault (1984) atribui &agrave; forma&ccedil;ao de uma medicina urbana, cujo papel seria identificar e isolar amontoamentos insalubres, al&eacute;m de controlar os fluxos de esgotos e &aacute;gua pot&aacute;vel e a distribui&ccedil;ao das coisas na cidade. Esta "medicina urbana" permitiu, simultaneamente, o desenvolvimento de saberes capazes de: (i) identificar genericamente regi&oacute;es de amontoamento, de confusao e de perigo no espa&ccedil;o urbano; (ii) controlar a circula&ccedil;ao das coisas e pessoas na cidade; e (iii) ordenar e distribuir a coisas e pessoas na cidade (Foulcault, 1984).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com isso, as interven&ccedil;&otilde;es urbanizadoras continham um projeto de gerenciamento do urbano em sua totalidade (Pesavento, 2002). A preocupa&ccedil;ao maior est&aacute; no controle do corpo social, especialmente das massas urbanas potencialmente sediciosas, tratando&#45;se, em outras palavras, do problema da popula&ccedil;ao, com sugere Foucault (2008a, 2008b). Nao &eacute; por acaso que m&eacute;dicos sanitaristas colocam&#45;se na vanguarda das propostas de moderniza&ccedil;ao da cidade. O controle do corpo exercido pela medicina se dissemina para o "corpo social", tendo a cidade como ambiente prop&iacute;cio &agrave; elabora&ccedil;ao de estrat&eacute;gias e mecanismos de controle e conten&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial. Neste contexto Foucault (2008a) aponta quatro func&oacute;es que cabiam &agrave;quele conjunto de transformac&oacute;es pelo qual as cidades passavam nas maos de urbanistas e sanitaristas. A primeira, a <i>higiene,</i> ligava&#45;se diretamente &agrave; preocupacao com os miasmas, presentes em particular, nas amontoac&oacute;es, que precisavam ser eliminadas. A segunda seria garantir o com&eacute;rcio interior da cidade, a <i>circulando</i> de mercadorias, o fluxo da economia e de tudo aquilo que gerasse riqueza, tratando&#45;se, neste caso, de uma preocupacao com as vias de circulacao. A <i>conexdo</i> dessas vias com vias externas, facilitando o fluxo de chegada e sa&iacute;da na cidade, era a terceira funcao daquelas transformac&oacute;es urbanas. Por fim, Foucault aponta a questao da <i>vigilancia,</i> desde que</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">... a partir do momento em que a supressao das muralhas, tornada necess&aacute;ria pelo desenvolvimento econ&oacute;mico, fazia que nao fosse mais poss&iacute;vel fechar a cidade de noite ou vigiar com rigor as idas e vindas durante o dia; por conseguinte, a inseguranca das cidades tinha aumentado devido ao afluxo de todas as populac&oacute;es flutuantes, mendigos, vagabundos, delinquentes, criminosos, ladr&oacute;es, assassinos, etc., que podiam vir, como se sabe, do campo. Em outras palavras, tratava&#45;se de organizar a circulacao, de eliminar o que era perigoso nela, de separar a boa circulacao da ruim, de maximizar a boa circulacao diminuindo a ruim (Foucault, 2008a: 24).</font></p> 	</blockquote>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Rio de Janeiro da virada do s&eacute;culo XIX para o s&eacute;culo XX, boa parte das argumentac&oacute;es em torno de uma cidade "limpa e ordenada" estava referenciada no discurso m&eacute;dico sanitarista da &eacute;poca, que defendia a ideia de que as favelas e corticos eram focos de doencas e de que a cidade precisava "respirar" atrav&eacute;s da abertura de vias mais largas e arrasamento de morros (Valladares, 2000). Foram os m&eacute;dicos sanitaristas, por exemplo, que definiram a praia como um lugar ameno e favor&aacute;vel &agrave; sa&uacute;de, o que produziu uma valorizacao abrupta de &aacute;reas at&eacute; entao pouco valorizadas pela sociedade e o mercado imobili&aacute;rio (Silva, 2000). Inspiradas particularmente nos urbanistas&#45;sanitaristas franceses, essas ideias sustentaram nao apenas a derrubada de v&aacute;rios corticos como tamb&eacute;m uma ampla reforma na cidade promovida por Pereira Passos no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, assim como outros planos de intervencao urban&iacute;stica na cidade, que desde entao passaram a referenciar a favela negativamente tamb&eacute;m do ponto de vista sanit&aacute;rio. Estas intervenc&oacute;es tinham como premissa a melhoria das condi&ccedil;&oacute;es gerais de vida na cidade, especialmente no que diz respeito &agrave;s medidas de sanitizacao. Ainda, na medida em que os espacos de moradia dos pobres urbanos passao a ser o principal alvo dessas intervenc&oacute;es, &eacute; observado um crescente processo de estigmatizacao e culpabilizacao dos pobres pelos problemas urbanos. Eles se tornam alvo de uma s&eacute;rie de intervenc&oacute;es que tinham como base de sustenta&ccedil;&atilde;o a ideia de controle das massas e de governo dos vivos.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nesse cen&aacute;rio, emerge um discurso voltado para a negativacao dos espacos de moradia dos pobres, primeiramente os corticos e, em um segundo momento, as favelas, que passam a ocupar um lugar de destaque no debate p&uacute;blico da &eacute;poca. Este per&iacute;odo marca nao apenas a formacao das primeiras favelas, como tamb&eacute;m sua afirmac&iacute;o no cen&aacute;rio urbano. Por esta razao, tamb&eacute;m &eacute; o per&iacute;odo em que se constroem as bases ideol&oacute;gicas dos discursos sobre as favelas que passaria a marcar, ao longo de sua hist&oacute;ria, a relacao da cidade com estes espa&ccedil;os e, em particular, sua relacao com o Poder P&uacute;blico (Valladares, 2000; Fernandes, 2005).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A derrubada do famoso cortico "Cabeca de Porco" assinala um momento grande importancia para a hist&oacute;ria urbana do Rio de Janeiro, especialmente no que se refere ao lugar da moradia dos pobres no debate p&uacute;blico. Arrasado em 1893 sob a gestao do prefeito Barata Ribeiro, o Cabeca de Porco tornou&#45;se s&iacute;mbolo de um modelo urbano que tinha como pilares a higiene, a ordem e a modernidade. De acordo com Vaz (1986), o Cabeca de Porco consagrara&#45;se como s&iacute;mbolo das habitac&oacute;es coletivas muito embora nao representasse o conjunto daquelas habitac&oacute;es em termos de tamanho e forma. Todavia, enquanto objeto da representacao social, o Cabeca de Porco "se constitu&iacute;a num exemplar que concentrava todos os aspectos negativos, todos os v&iacute;cios e defeitos que se procurava eliminar na habitacao" (Vaz, 1986: 29).<sup><a href="#notas">11</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os corticos, que na virada do s&eacute;culo XIX para o s&eacute;culo XX constitu&iacute;am um grande problema de sa&uacute;de p&uacute;blica aos olhos das autoridades, nao eram vistos apenas como espacos insalubres, mas tamb&eacute;m como ambientes prop&iacute;cios &agrave; degradacao moral daqueles que ali viviam. Esta concepcao, de forte determinismo social, &eacute; reveladora de como aos olhos da &eacute;poca se construiu uma nocao que influenciar&iacute;a dai por diante a percepcao sobre os espacos de moradia dos pobres. Sob a influ&eacute;ncia da concepcao naturalista de sociedade, o texto sugere que estes lugares seriam prop&iacute;cios &agrave; formacao de tipos degradados e marginalizados devido &agrave;s condic&oacute;es de <i>mis&egrave;ria,</i> de <i>insalubridade</i> e de <i>promiscuidade.</i> E assim, no final do s&eacute;culo XIX, quando o Rio se torna um grande canteiro de obras, com in&uacute;meras demoli&ccedil;oes, a batalha contra a insalubridade tamb&eacute;m se revela em uma batalha contra o atraso, a desordem e a barb&aacute;rie, identificados em particular, nos espacos de moradia dos pobres.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa inspira&ccedil;&atilde;o, de fundo naturalista, concebia a cidade como um organismo vivo, e percebia nas habita&ccedil;oes insalubres e nos becos sombrios e &uacute;midos da cidade, a origem dos problemas de sa&uacute;de na cidade. Essa medicina urbana (Foucault, 1984) &eacute; que vai conferir espacialidade aos mecanismos de contencao social que se instaura no Rio de Janeiro ao longo do s&eacute;culo XIX (Pechman, 2002).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Abreu (1988), os projetos de melhoramentos urbanos do Rio de Janeiro, apresentados ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, tinham como justificativa nao apenas o embelezamento da cidade e a melhoria de suas comunicac&oacute;es internas, como tamb&eacute;m a melhoria de seu policiamento. Deve&#45;se considerar que a presenca cada vez maior de pobres, de composicao variada (ex&#45;escravos, imigrantes europeus, &aacute;rabes, ciganos, baianos e brancos pobres) revelava&#45;se incompat&iacute;vel e inaceit&aacute;vel para os ideais de modernizacao da cidade (Rocha, 1995). A "explosividade potencial do centro da cidade", especialmente pela exist&eacute;ncia de ruas estreitas e de uma perigosa proximidade destes pobres dos espacos de moradia dos mais abastados, tornava imperativo o controle do espaco central da cidade (Abreu, 1988).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Como afirma Bretas (1997) quanto aos pobres da cidade,</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">... Expuls&aacute;&#45;los de suas moradias n&atilde;o era o suficiente: urgia livrar o centro da capital do espet&aacute;culo de sua mis&eacute;ria. Mas eles n&atilde;o podiam ser eliminados pura e simplesmente, pois forneciam a mao&#45;de&#45;obra barata indispens&aacute;vel &agrave; elite. Nesses primeiros anos de reforma urbana, o papel da pol&iacute;cia cresceu consideravelmente, a fim de controlar essa massa de trabalhadores pobres (Bretas, 1997: 21).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foi nestes termos que a Reforma Passos, de inspiracao Haussmaniana, empreendida entre 1902 e 1906, promoveu nao apenas uma verdadeira "limpeza" do centro da cidade, como tamb&eacute;m promoveu uma mudanca na forma de controle e contencao dos setores mais pobres, passando&#45;se da "forma da habita&ccedil;&atilde;o" ao "espaco da habita&ccedil;&atilde;o", ou da habita&ccedil;ao ao <i>habitat</i> (Abreu, 1988). Nao seria mais sobre a habitacao em si que o controle e o "policiamento" (em todos seus sentidos) se dariam. Com a reforma urbana e seus desdobramentos, a localizacao da moradia assume um papel preponderante no controle dos pobres na cidade. Com isso, configura&#45;se uma delimitacao mais clara entre ricos e pobres, delineando&#45;se a segregacao e distincao na cidade ao mesmo tempo em que a pol&iacute;cia estrutura&#45;se como &oacute;r&ccedil;&atilde;o de controle social (Bretas, 1997), afirmando&#45;se de maneira oficiosa, a criminalizacao dos pobres, especialmente no que diz respeito a sua mobilidade na cidade, em particular no centro e nas &aacute;reas de moradia dos setores mais abastados.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tem&#45;se ent&atilde;o um cen&aacute;rio marcado por mudanzas profundas na forma e organiza&ccedil;&atilde;o do espago urbano, em que mecanismos e estrat&eacute;gias de controle e conteng&aacute;o s&oacute;cio&#45;espacial se reconfiguram, langando sobre os tragos herdados do per&iacute;odo colonial e do patriarcalismo, novos mecanismos de ordem institucional e impessoal, tais como a din&aacute;mica imposta pela separa&ccedil;&atilde;o entre local de trabalho e local de moradia e o papel da pol&iacute;cia como &oacute;rg&aacute;o de controle. Trata&#45;se de um momento crucial da hist&oacute;ria urbana do Rio de Janeiro, j&aacute; que as relag&oacute;es entre ricos e pobres n&aacute;o apenas se reconfiguram espago&#45;temporalmente, como se instauram novos mecanismos que gradualmente v&aacute;o impondo uma s&eacute;rie de restrig&oacute;es &aacute; presenga dos setores populares na cidade, definindo lhes lugares &#45; os sub&uacute;rbios e as favelas &#45;, e impondo&#45;lhes constrangimentos de ordem simb&oacute;lica atrav&eacute;s de mecanismos de conten&ccedil;&atilde;o e controle expressos nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, nas interveng&oacute;es privadas e no olhar dos setores dominantes sobre os pobres da cidade. Como afirma Abreu (1994), fazendo referencia &aacute; Reforma Passos,</font></p>  	    <blockquote> 	      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em sua f&uacute;ria legisladora, o Prefeito &#91;Pereira Passos&#93; atingiu tamb&eacute;m as "velhas usangas" da populag&aacute;o, isto &eacute;, o conjunto de "pr&aacute;ticas econ&oacute;micas, formas de lazer, costumes e h&aacute;bitos profundamente arraigados no tecido social e cultural da cidade" que, por n&aacute;o condizerem com o novo modelo urbano que era imposto, n&aacute;o poderiam ser permitidos (Abreu, 1994: 53a).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As interven&ccedil;&oacute;es p&uacute;blicas e privadas estavam voltadas para um melhoramento da cidade que desconsiderava a quest&aacute;o habitacional, focandose na est&eacute;tica e na ordem. Ao n&aacute;o promover nenhuma pol&iacute;tica voltada para os pobres da cidade, deixando&#45;os ao seu pr&oacute;prio destino, sem ter onde morar, a Reforma Passos produziu, em pouco tempo, um contingente de cerca de 20 mil "desabrigados", ex&#45;moradores das 1.681 edificag&oacute;es derrubadas pela Reforma (Rocha, 1995). A Reforma n&aacute;o apenas ignorou a situag&aacute;o da populag&aacute;o pobre como se voltou contra ela, consolidando uma imagem estigmatizada sobre os pobres e seus locais de moradia.<sup><a href="#notas">12</a></sup></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O <i>Morro da Favella,</i> que &aacute;quele momento j&aacute; ocupava um relevo na paisagem urbana carioca, logo passaria a ter sua imagem associada ao perigo e &aacute; desordem, lugar de malandros e marginais. A Revolta da Vacina, que teve ali um de seus campos de batalha mais destacados, somada a fama de alguns de seus moradores &#45; destacados capoeiristas e bambas &#45;, fez com que a imprensa rapidamente usasse o termo favela para designar outras aglomerares semelhantes pela cidade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&Eacute; neste momento que a visibilidade f&iacute;sica das favelas passa a corresponder a uma "visibilidade ideol&oacute;gica" (Silva, 2005: 91). As primeiras favelas, neste contexto, herdam um olhar j&aacute; em construcao sobre a moradia dos pobres e os pr&oacute;prios pobres, sendo predominante a ideia de que nelas, tanto como nos corticos, pairava a desordem, a insalubridade e a feiura. Sem negar que esses elementos eram tracos presentes na apar&egrave;ncia e realidade social das favelas e corticos, com graus variados, h&aacute; de se reconhecer que as caracter&iacute;sticas mais negativas e mais exemplares foram utilizadas desde o comeco como meio de degradacao e deprecia&ccedil;&atilde;o desses espacos e de seus moradores, em uma batalha expl&iacute;cita contra a "barb&aacute;rie" e a favor da "civilidade".</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras fin&aacute;is</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Buscamos apresentar neste artigo o processo de constru&ccedil;&atilde;o bem com as bases discursivas dos mecanismos e estrat&eacute;gias de controle e contenevo s&oacute;cio espacial, assim como da produ&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os de constrangimento na cidade do Rio de Janeiro. A demarcae&atilde;o entre os espaeos dos favelados e os espaeos onde os favelados n&atilde;o s&atilde;o bem&#45;vindos se sustenta historicamente na ideia de barb&aacute;rie, sujeira e ameaea &agrave; ordem p&uacute;blica. Com efeito, o discurso contempor&aacute;neo marcado pelo medo e avers&atilde;o social tende a acentuar as marcas estigmatizantes historicamente associadas &agrave; favela em uma clara tentativa de legitimar pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas sustentadas no uso da viol&egrave;ncia e da corree&atilde;o social. Na medida em que moradores de favelas sao n&atilde;o&#45;cidad&atilde;os, ou b&aacute;rbaros, em sentido mais expl&iacute;cito, os processos civilizat&oacute;rios podem se impor em nome da ordem e do bem&#45;estar dos cidad&atilde;os de bem, na luta contra aqueles que historicamente se consolidaram como imagem invertida da civilizae&atilde;o e de uma ordem est&eacute;tica hegem&oacute;nica.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A constru&ccedil;&atilde;o de uma imagem estereotipada das favelas e de seus moradores contribuiu para um processo hist&oacute;rico de abandono e descaso para com essas &aacute;reas. Igualmente, a imagem do morador de favela como um cidad&atilde;o de segunda categoria reforeou processos que se consolidaram na forma de sua criminalizae&atilde;o e, especialmente, na ideia de que estes grupos n&atilde;o t&egrave;m futuro e que, por isso, n&atilde;o necessitam de investimentos sen&atilde;o aqueles voltados para seu controle social. Esse processo &eacute; ainda mais perverso entre jovens cuja imagem &eacute; associada &agrave; viol&egrave;ncia urbana. Eles passam a representar a face do medo social e uma ameaea &agrave; ordem, &agrave; seguranea e ao bem&#45;estar das "pessoas de bem". Com efeito, um conjunto de intervene&oacute;es estruturadas em torno do controle e da contene&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial tomam forma, e assumem um papel estrat&eacute;gico no gerenciamento destes p&aacute;rias urbanos.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este processo hist&oacute;rico tem sido a base de sustenta&ccedil;&atilde;o de mecanismos que ainda se reproduzem na rela&ccedil;&atilde;o entre intervene&oacute;es p&uacute;blicas (e percepe&oacute;es gerais da populae&atilde;o) e os espa&ccedil;os favelizados da cidade. Os problemas contempor&aacute;neos da cidade t&egrave;m acentuado os processos hist&oacute;ricos, reforeando processos estigmatizantes em uma crescente criminalizae&atilde;o dos moradores de favelas. O medo social tem levado &agrave; instituie&atilde;o de um pseudo estado de exce&ccedil;&atilde;o, e novas medidas de controle e contene&atilde;o s&oacute;cio&#45;espacial passam a se reproduzir na cidade. Da mesma forma, o medo tem tamb&eacute;m interferido na produe&atilde;o do espaeo urbano, provocando mudaneas no padr&atilde;o de distribuie&atilde;o de moradia dos grupos mais afastados (Souza, 2000 e 2008; Caldeira, 2003) e fragmentando o tecido s&oacute;cio&#45;pol&iacute;tico e espacial da cidade (Souza, 2000).</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste contexto atuae&atilde;o do estado junto aos grupos mais estigmatizados e vulner&aacute;veis tem sido alvo de cr&iacute;tica de grupos de direitos humanos, em particular em fune&atilde;o das ae&oacute;es violentas da pol&iacute;cia, que sustentada naquelas representae&oacute;es sociais, e apoiada por uma popula&ccedil;&atilde;o amedrontada, tem praticado atrocidades nas favelas. Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel observar a rea&ccedil;&atilde;o ao medo na atitude de indiv&iacute;duos, onde a indiferenea quanto &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de direitos nas favelas tem sido amenizada pelo &oacute;dio e avers&atilde;o social, e pela frequente culpabiliza&ccedil;&atilde;o dos pobres quanto &agrave; viol&egrave;ncia na cidade.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Estes processos servem de alerta para a necess&aacute;ria reformula&ccedil;&atilde;o dos modelos de desenvolvimento urbano e de interven&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica nas favelas. E isso se torna ainda mais evidente na medida em que o Rio de Janeiro e suas favelas passam a ganhar novo destaque na cena nacional e internacional com a elei&ccedil;&atilde;o da cidade como sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016, principal centro da Copa do Mundo de Futebol em 2014. Trata&#45;se de eventos que sinalizam mais um marco em termos de interven&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica, investimentos e legados para o futuro da cidade. Mas ser&atilde;o esses eventos uma oportunidade para se desenvolver novas estrat&eacute;gias que promovam o equil&iacute;brio urbano ou ser&atilde;o a reafirma&ccedil;&atilde;o de um modelo que vem produzindo disparidades cada vez mais acentuadas na cidade?</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>R&ecirc;ferencias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Abreu, Maur&iacute;cio de Almeida (1994), "Reconstruindo uma hist&oacute;ria esquecida: origem e expans&atilde;o inicial das favelas do Rio de Janeiro", en <i>Espa&ccedil;o</i> <i>&amp; Debates,</i> num. 37.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345043&pid=S1405-1435201200020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Abreu, Maur&iacute;cio de Almeida (1988), <i>A</i> <i>evolu&ccedil;&atilde;o</i> <i>urbana do Rio de Janeiro,</i> IPLANRIO/ Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345045&pid=S1405-1435201200020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Bourdieu, Pierre (2008), <i>A</i> <i>distin&ccedil;&atilde;o,</i> Cr&iacute;tica social do julgamento, S&atilde;o Paulo: EdUSP; Porto Alegre: Zouk.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345047&pid=S1405-1435201200020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Bretas, Marcos Luiz (1997), <i>Ordem na cidade, O exerc&iacute;cio cotidiano da autoridade policial no Rio de Janeiro:</i> 1907&#45;1930, Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345049&pid=S1405-1435201200020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Caldeira, Teresa Pires do Rio (2003), Cidade <i>de muros. Crime,</i> <i>segrega&ccedil;&atilde;o</i> <i>e cidadania em</i> <i>S&atilde;o</i> <i>Paulo,</i> S&atilde;o Paulo: Editora 34/Edusp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345051&pid=S1405-1435201200020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Campos, Andrelino de Oliveira (2005), <i>Do quilombo &agrave; favela: a</i> <i>produ&ccedil;&atilde;o</i> <i>do "espa&ccedil;o</i> <i>criminalizado"no Rio de Janeiro,</i> Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345053&pid=S1405-1435201200020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Carvalho, Jos&eacute; Murilo de (2002), <i>Os Bestializados:</i> o Rio de Janeiro e a Rep&uacute;blica que n&atilde;o foi, S&ccedil;&atilde;o Paulo: Companhia da Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345055&pid=S1405-1435201200020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">DaMatta, Roberto (1994), <i>Carnavais, malandros e her&oacute;is, Para uma sociologia do dilema brasileiro,</i> Rio de Janeiro: Rocco.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345057&pid=S1405-1435201200020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">DaMatta, Roberto (1986), <i>O que faz o Brasil, Brasil?</i> Rio de Janeiro: Rocco</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345059&pid=S1405-1435201200020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fernandes, Fernando Lannes (2009), <i>Violencia, medo e stigma: efeitos s&oacute;cio&#45;espaciais da 'atualizaf&aacute;o'do 'mito da marginalidade no Rio de Janeiro,</i> Tese de Doutorado, Programa de P&oacute;s&#45;Graduae&atilde;o em Geografia, UFRJ, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345060&pid=S1405-1435201200020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fernandes, Fernando Lannes (2005), "Os discursos sobre as favelas e os limites ao direito &agrave; cidade", em <i>Cidades,</i> Presidente Prudente, 2(3).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345062&pid=S1405-1435201200020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foucault, Michel (2008a), <i>O Nascimento da biopol&iacute;tica,</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345064&pid=S1405-1435201200020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foucault, Michel (2008b), <i>Seguran</i>&ccedil;<i>a, territ&oacute;rio e</i> <i>popula&ccedil;&atilde;o,</i> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345066&pid=S1405-1435201200020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foucault, Michel (1999), <i>Vigiar e punir. Hist&oacute;ria da</i> <i>viol&ecirc;ncia</i> <i>nas</i> <i>pris&otilde;es,</i> Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345068&pid=S1405-1435201200020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foucault, Michel (1984), <i>Microf&iacute;sica do poder,</i> Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345070&pid=S1405-1435201200020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Freyre, Gilberto (2003a), <i>Casa&#45;grande &amp; senzala:</i> <i>forma&ccedil;&atilde;o</i> <i>da familia brasileira sobre o regime da economia patriarcal.</i> S&atilde;o Paulo, Global.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345072&pid=S1405-1435201200020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Freyre, Gilberto (2003b), <i>Sobrados e Mucambos:</i> <i>decad&ecirc;ncia</i> <i>do patriarchado rural no Brasil,</i> S&atilde;o Paulo: Global.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345074&pid=S1405-1435201200020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Haesbaert, Rog&eacute;rio (2009), "Dilema de Conceitos: Espa&ccedil;o&#45;Territ&oacute;rio e Conten&ccedil;&atilde;o Territorial", en Saquet, Marcos Aur&eacute;lio; Sposito, Eliseu Sav&eacute;rio &#91;org.&#93;, <i>Territ&oacute;rios e Territorialidades: teorias, processos e conflitos,</i> S&atilde;o Paulo: Express&atilde;o Popular.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345076&pid=S1405-1435201200020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Haesbaert, Rog&eacute;rio (2008), "Sociedades biopol&iacute;ticas de in&#45;seguran&ccedil;a e des&#45;controle dos territ&oacute;rios", em Oliveira, M. <i>et al.</i> &#91;orgs.&#93;, <i>O Brasil, a Am&eacute;rica Latina e o Mundo:</i> Espacialidades Contempor&aacute;neas, Rio de Janeiro: Lamparina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345078&pid=S1405-1435201200020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Hochman, Gilberto (2006), <i>A era do saneamento, As bases da sa&uacute;de p&uacute;blica no Brasil,</i> S&atilde;o Paulo: HUCITEC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345080&pid=S1405-1435201200020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Holanda, S&eacute;rgio Buarque de (1995), <i>Ra&iacute;zes do Brasil,</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345082&pid=S1405-1435201200020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Leite, M&aacute;rcia Pereira (2000), "Entre o individualismo e a solidariedade: dilemas da pol&iacute;tica e da cidadania no Rio de Janeiro", em <i>Revista Brasileira de</i> <i>Ci&ecirc;ncias</i> <i>Sociais,</i> 15(44).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345084&pid=S1405-1435201200020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Minayo, Maria Cec&iacute;lia de Souza (2003), "O conceito de representa&ccedil;&oacute;es sociais dentro da sociologia cl&aacute;ssica", in Guareschi, Pedrinho y Jovchelovitch, Sandra &#91;orgs.&#93;, <i>Textos em</i> <i>representa&ccedil;&otilde;es</i> <i>sociais,</i> Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345086&pid=S1405-1435201200020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pechman, Robert Moses (2002), <i>Cidades estreitamente vigiadas, O detetive e o urbanista,</i> Rio de Janeiro: Casa da Palavra.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345088&pid=S1405-1435201200020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pesavento, Sandra Jatahy (2002), <i>O Imaginario da Cidade,</i> <i>Vis&otilde;es</i> <i>literarias do urbano,</i> Paris; Rio de Janeiro; Porto Alegre, Porto Alegre: Editora da UFRGS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345090&pid=S1405-1435201200020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ribeiro, Darcy (1995), <i>O povo brasileiro. A forma&ccedil;&atilde;o e o sentido do Brasil,</i> Sao Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345092&pid=S1405-1435201200020000700026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Rocha, Oswaldo P. (1995), <i>A era das demoli&ccedil;&otilde;es: Cidade do Rio de Janeiro (1870&#45;1920),</i> Rio de Janeiro: Biblioteca Carioca.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345094&pid=S1405-1435201200020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silva, Jailson de Souza e Barbosa, Jorge (2005), <i>Favela, alegria e doe na cidade,</i> Rio de Janeiro: Editora SENAC.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345096&pid=S1405-1435201200020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silva, Maria Lais Pereira da (2005), <i>Favelas cariocas, 1930&#45;1964,</i> Rio de Janeiro: Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345098&pid=S1405-1435201200020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silva, Mauro Gil Ferreira (2000), "O papel dos m&eacute;dicos na valoriza&ccedil;ao das &aacute;reas litor&acirc;neas da cidade do Rio de Janeiro", Tese de Doutorado, Rio de Janeiro: Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia, UFRJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345100&pid=S1405-1435201200020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Sodr&eacute;, Muniz (2002), <i>O terreiro e a cidade: a forma social negro&#45;brasileira,</i> Rio de Janeiro: Imago; Salvador: Funda&ccedil;&atilde;o Cultural do Estado da Bahia.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345102&pid=S1405-1435201200020000700031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Souza, Marcelo Lopes de (2008), <i>Fob&oacute;pole. O medogeneralizado e a militariza&ccedil;&atilde;o da quest&aacute;o urbana,</i> Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345104&pid=S1405-1435201200020000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Souza, Marcelo Lopes de (2000), <i>O desafio metropolitano. Um estudo dobre a problem&aacute;tica s&oacute;cio&#45;espacial nas metr&oacute;poles brasileiras,</i> Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345106&pid=S1405-1435201200020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tuan, Yi&#45;Fu (2005), <i>Paisagens do Medo,</i> S&atilde;o Paulo: Editora da Unesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345108&pid=S1405-1435201200020000700034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Valladares, Licia (2000), A g&ecirc;nese da favela carioca, A produ&ccedil;&atilde;o anterior &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais, in <i>Revista Brasileira de</i> <i>Ci&ecirc;ncias</i> <i>Sociais,</i> 15(44).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345110&pid=S1405-1435201200020000700035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vasconcelos, Pedro de Almeida (2004), "A aplica&ccedil;&atilde;o do conceito de segrega&ccedil;&atilde;o residencial ao contexto brasileiro na longa dura&ccedil;&atilde;o", in <i>Cidades,</i> Presidente Prudente, 1(2).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345112&pid=S1405-1435201200020000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vaz, L&iacute;lian Fessler (1986), "Notas sobre o Cabe&ccedil;a de Porco", in <i>Revista Rio de Janeiro:</i> Niter&oacute;i, vol. I, num. 2, jan./abr.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345114&pid=S1405-1435201200020000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ventura, Zuenir (1994), <i>Cidade partida,</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345116&pid=S1405-1435201200020000700038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Versiani, Flavio Rabelo (2007), "Escravid&atilde;o 'suave' no Brasil: Gilberto Freyre tinha raz&atilde;o?", in <i>Revista de Economia Pol&iacute;tica,</i> 27(2&#45;106).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345118&pid=S1405-1435201200020000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Wacquant, Lo&iuml;c (2003), <i>Punir os pobres, A nova</i> <i>gest&atilde;o</i> <i>da mis&egrave;ria nos Estados Unidos,</i> Rio de Janeiro: Revan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345120&pid=S1405-1435201200020000700040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Wacquant, Lo&iuml;c (2001), <i>Os condenados da cidade, Estudos sobre marginalidade avan&ccedil;ada,</i> Rio de Janeiro: Revan/FASE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345122&pid=S1405-1435201200020000700041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Zaluar, Alba (1998), "Crime, medo e politica", in Zaluar, Alba &amp; Alvito, Marcos, <i>Um s&egrave;culo de favela,</i> Rio de Janeiro: Editora FGV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345124&pid=S1405-1435201200020000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Zedner, Lucia (1996), <i>Controle social</i> (verbete), in Bottomore, Tom, &amp; Outhwaite, William, <i>Dicion&aacute;rio do pensamento social do s&eacute;culo XX,</i> Rio de Janeiro : Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2345126&pid=S1405-1435201200020000700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a name="notas"></a><b>NOTAS</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1</sup> O filme "Faixa de areia" (Brasil, 2007) &eacute; uma interessante ilustra&ccedil;&atilde;o desses diferenes usos e apropria&ccedil;&otilde;es do espago na constru&ccedil;&atilde;o de uma territorialidade pelos frequentadores das praias cariocas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>2</sup> Segundo Leite (2000), data do inicio do s&eacute;culo XX a representa&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro como "cidade maravilhosa", titulo conferido pelo livro de poemas La ville merveilleuse, escrito por uma escritora francesa encantada com a cidade rec&eacute;m reformada por Pereira Passos. Com o esvaziamento pol&iacute;tico do Rio de Janeiro, em fun&ccedil;&atilde;o da transferencia da capital federal para Brasilia, em I960, houve uma revaloriza&ccedil;&atilde;o dessa imagem, com forte enfase para sua centralidade cultural no pa&iacute;s. Ao longo dos anos 90, ainda, existe essa imagem de cidade maravilhosa foi sendo contraposta uma id&eacute;ia de "cidade partida", fundamentada no reconhecimento das profundas disparidades sociais e do quadro de violencia urbana existente na cidade (Leite, 2000). Esta representa&ccedil;&atilde;o, ainda, acabou "por reforgar os nexos simb&oacute;licos que territorializavam a pobreza e a marginalidade nas favelas cariocas" (Leite, 2000: 74a). Mesmo o termo "cidade partida", ainda, precisa ser tomado com ressalvas. Amplamente difundido em fun&ccedil;ao de obra homonima de Zuenir Ventura, o recorrente uso do termo sugere uma compreensao limitada do contexto urbano, ignorando que a cidade que na sua unidade, se comp&otilde;e de tensoes e m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es, ora antag&oacute;nicas, ora sobrepostas. Por esse motivo, prefere&#45;se, aqui, adotar a tese da fragmenta&ccedil;&atilde;o do tecido sociopol&iacute;tico&#45;espacial da cidade (Souza, 2000), pela sua abrangencia te&oacute;rica e emp&iacute;rica.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>3</sup> Nas palavras do sambista Heitor dos Prazeres, toda a regi&atilde;o que abrangia a zona portu&aacute;ria, no entorno dos bairros da Sa&uacute;de e Gamboa, constitu&iacute;a uma "Pequena &Aacute;frica" (Rocha, 1995).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>4</sup> Como ilustra o romance, <i>Memorias de Um Sargento de Milicias,</i> de Manuel Antonio de Almeida, "... nao era s&oacute; a gente do povo que dava cr&eacute;dito as feitigarias; conta&#45;se que muitas pessoas da alta sociedade de entao iam as vezes comprar venturas e felicidades pelo c&oacute;modo prego da pr&aacute;tica de algumas imoralidades e supersti&ccedil;&otilde;es".</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>5</sup> O "jeitinho brasileiro" constitu&iacute; um recurso de individuos com pouco poder de influ&egrave;ncia social, que utiliza&#45;se de meios escusos para obter favores e vantagens em beneficio pr&ograve;prio. Assim, o "jeitinho" pode ser definido como a habilidade de "se dar bem", de ter "jogo de cintura" (DaMatta, 1994).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>6</sup> Algo que, da mesma forma, tem sido utilizado pelos grupos dominantes como forma de "amaciar" os conflitos de classe. A rela&ccedil;&atilde;o simp&aacute;tica e acolhedora aos subalternos, que por vezes s&atilde;o considerados "membros da fam&iacute;lia", por exemplo, encobrem o confronto e o abuso de poder, levando, muitas vezes, a n&atilde;o cumprimento de regras formais, como assinar a carteira de trabalho. Esta pessoalidade &eacute; presente nas rela&ccedil;&otilde;es em geral, e aparecem n&atilde;o apenas entre patr&atilde;o e empregado, mas tamb&eacute;m naquela figura do "homem e familia" ou ainda da "pessoa correta" que sustenta a imagem de muitos pol&iacute;ticos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>7</sup> Ainda h&aacute; muita pol&eacute;mica sobre os argumentos de Gilberto Freyre em sua intrerpreta&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre senhor de engenho e escravos. A id&eacute;ia de uma escravid&atilde;o "suave" tem levado muitos cr&iacute;ticos a sustentar a que os argumentos de Freyre seriam conservadores e ideol&oacute;gicos. Todav&iacute;a, estudos recentes v&eacute;m demonstrando que os argumentos de Freyre possuem uma v&aacute;lida base de sustenta&ccedil;&atilde;o. Versiani (2007), por exemplo, ao analisar modelos de escravid&atilde;o e a aplica&ccedil;&atilde;o da coer&ccedil;&atilde;o como instrumento de maximiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o conclui que no Brasil escravagista o uso da coer&ccedil;&atilde;o seria em boa parte inaplic&aacute;vel. Versiani argumenta que a coer&ccedil;&atilde;o &eacute; um modelo baseado em grandes plantations, com grande n&uacute;mero de escravos, caso que se n&atilde;o se aplicava &agrave; realidade escravagistra brasileira, onde as propriedades tinham reduzido n&uacute;mero de escravos segundo registros pesquisados. Al&eacute;m disso, argumenta que tarefas que exigiam mais habilidade que for&ccedil;a f&iacute;sica, como era o caso dos servi&ccedil;os dom&eacute;sticos (figuras mas pesquisadas por Freyre, a prop&oacute;sito), tamb&eacute;m demandariam pouca coer&ccedil;&atilde;o. Nesse contexto, o uso de recursos de imposi&ccedil;&atilde;o do trabalho eram muito mais sutis, e por vezes, incorporavam associa&ccedil;&otilde;es como a identifica&ccedil;&atilde;o de alguns escravos como "membros da familia" (artificio ainda hoje utilizado na rela&ccedil;&atilde;o patr&atilde;o&#45;empregado). Com efeito, embora admita os limites da generaliza&ccedil;&atilde;o desses argumentos, Versiani &eacute; categ&oacute;rico ao dizer que afirmativas gen&eacute;ricas basedas no emprego da for&ccedil;a e viol&eacute;ncia f&iacute;sica na escravid&atilde;o brasileira, &agrave; luz da evid&ecirc;ncia dispon&iacute;vel, s&atilde;o historicamente incorretas.</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>8</sup> Um aspecto interessante disse &eacute; a entrada de servico e elevador de servico. Nos edificios de classe m&eacute;dia, se convencionou que estes acessos devem ser usados pelos empregados. Nao h&aacute; uma explicitacao desta regra, porque configurar&iacute;a discriminacao social. Ainda, os empregados incorporaram a id&eacute;ia de que aquele &eacute; o lugar por onde devem passar. Isto revela um claro processo de distincao e constrangimento.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>9</sup> O colega Rog&eacute;rio Haesbaert vem desenvolvendo uma no&ccedil;&atilde;o semelhante a esta que emprego de "contengo". Suas id&eacute;ias dialogam de maneira bastante pr&oacute;xima as que desenvolvo aqui, em que pese a base emp&iacute;rica diferenciada. No contexto em que o emprega, Haesbaert (2008; 2009) &#45; que tamb&eacute;m se ap&oacute;ia nos estudos de Foucault sobre a biopol&iacute;tica e a seguranza, &#45; utiliza a express&aacute;o "contengo territorial". Segundo o ge&oacute;grafo, a conformado de aglomerados humanos precarizados, onde n&atilde;o mais se aplica a reclus&atilde;o em espa&ccedil;os relativamente fechados, tem colocado a conten&ccedil;&atilde;o e a reten&ccedil;&atilde;o como formas de controle frente a impossibilidade e/ou ao debilitamiento dos mecanismos de fechamento ou "reclus&atilde;o", tratando&#45;se, metaforicamente, de um "efeito barragem" (Haesbaert, 2009).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>10</sup> Pedro &eacute; um pseud&ograve;nimo atribu&iacute;do a um jovem morador de uma favela carioca entrevistado em 2009, como parte da pesquisa de campo para a minha tese de doutorado (Fernandes, 2009).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>11</sup> De acordo com VAZ (1986), o corti&ccedil;o enquanto propriedade imobili&aacute;ria era intocada. N&atilde;o havia leis que permitissem a derrubada dos corticos pelas autoridades p&uacute;blicas, tendo sido o Cabe&ccedil;a de Porco, o &uacute;nico corti&ccedil;o na hist&oacute;ria do Rio de Janeiro derrubado pelo Poder P&uacute;blico. O desrespeito aos limites que a propriedade privada impunha &agrave;s a&ccedil;&otilde;es dos &oacute;rg&atilde;os de higiene renderam processos contra a prefeitura, o que inibiu novas a&ccedil;&otilde;es deste tipo (VAZ, 1986). Somente na administra&ccedil;&atilde;o Pereira Passos, sob uma legisla&ccedil;&atilde;o que permitiria a des&#45;apropria&ccedil;&atilde;o de im&oacute;veis, &eacute; que ocorre uma grande derrubada de corti&ccedil;os, nao mais por imposi&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de erradica&ccedil;&atilde;o de corti&ccedil;os, mas sim da renova&ccedil;&atilde;o urbana (VAZ, 1986).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>12</sup> Os Decretos de n&uacute;mero 762 de 1/6/1900, 842 de 9/12/1901, 391 de 10/2/1903, e 224 de 20/4/1896, proibiam constru&ccedil;&otilde;es de cortigos, estalagens e afins em determinadas &aacute;reas da cidade e a reconstru&ccedil;&atilde;o ou mesmo obras de melhoramentos nas j&aacute; existentes (Rocha, 1995).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Informaci&oacute;n sonbre el autor</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Fernando Lannes Fernandes:</b> &eacute; Research Fellow da University of Dundee, Reino Unido, onde desenvolve pesquisa sobre desenvolvimento comunit&aacute;rio e preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia. &Eacute; PhD em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, sendo tamb&eacute;m pesquisador associado do Scottish Centre for Crime and Justice Research, e do Observat&oacute;rio de Favelas do Rio de Janeiro, onde trabalhor entre 2001 e 2009, tendo sido um de seus diretores. Principais campos de interesse: viol&ecirc;ncia urbana, marginalidade, estigmatiza&ccedil;&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o. Publica&ccedil;&otilde;es: Fernandes, F.L., Rodriguez, A. and Silva, J. (2011). Redes sociais dos adolescentes e jovens do tr&aacute;fico de drogas e suas rela&ccedil;&otilde;es com as drogas. Reflex&otilde;es a partir de aprendizados do programa Rotas de Fuga In: De Micheli, D. &amp; Silva, E. <i>Adolesc&ecirc;ncia Uso e Abuso de Drogas: Uma Vis&atilde;o Integrativa.</i> Sao Paulo: Editora Fap&#45;Unifesp. Fernandes, F. L. &amp; Hudson, A. (2010) <i>Making a case for education in communities and the right to the city,</i> Third International Congress on Upper&#45;Secondary and Higher Education &#45; Building Knowledge Societies for a Sustainable Future, Mexico City. Fernandes, F.L., Edmundo, K. &amp; Dacach, S. (2009). <i>Caminhos poss&iacute;veis. Oito projetos para a juventude.</i> Rio de Janeiro: Observat&oacute;rio de Favelas; Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>      ]]></body><back>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reconstruindo uma história esquecida: origem e expansão inicial das favelas do Rio de Janeiro]]></article-title>
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