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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Rese&ntilde;as</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Ribeiro, O. (2011 &#91;1945&#93;), <i>Portugal, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico. Estudo Geogr&aacute;fico</i></b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Daniel Paiva</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="3">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>Letra Livre, Lisboa, 231 p., ISBN 978&#150;989&#150;8268&#150;10&#150;5</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Instituto de Geografia e Ordenamento do Territ&oacute;rio Universidade de Lisboa</i></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Orlando Ribeiro (Lisboa, 1911&#150;Lisboa, 1997) foi provavelmente o ge&oacute;grafo portugu&ecirc;s com maior projec&ccedil;&ecirc;o internacional, autor de v&aacute;rias obras marcantes como <i>A Ilha do Fogo e as suas Erup&ccedil;&otilde;es</i> (1954), <i>Geografia e Civiliza&ccedil;&ecirc;o. Temas Portugueses</i> (1961), <i>Mediterr&acirc;neo, Ambiente e Tradi&ccedil;&ecirc;o</i> (1968) ou do livro que aqui se trata: <i>Portugal, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico</i> (1<sup>a</sup>. ed.,1945, com v&aacute;rias reedi&ccedil;&otilde;es). Organizador do primeiro Congresso da Uni&atilde;o Geogr&aacute;fica Internacional do p&oacute;s&#150;Guerra (Lisboa, 1949) e seu Vice&#150;Presidente a partir de 1952, Ribeiro &eacute; tamb&eacute;m reconhecido por ter criado e organizado os Centros de Estudos Geogr&aacute;ficos de Coimbra (1942&#150;1943) e Lisboa (1943) e por ter sido co&#150;fundador, em 1966 &#151;em conjunto com Suzanne Daveau e Il&iacute;dio do Amaral&#151;, da <i>Finisterra: Revista Portuguesa de Geografia</i>.<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="1a"></a></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Portugal, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico: Estudo Geogr&aacute;fico</i> &#151;muito provavelmente o mais conhecido livro de Orlando Ribeiro&#151; acaba de ser reeditado pela editora de Lisboa Letra Livre, conforme a sua edi&ccedil;&ecirc;o original de 1945, num contexto de comemora&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio do nascimento do autor. Apresenta a vis&atilde;o inicial do ge&oacute;grafo sobre o pa&iacute;s, a sua paisagem, as suas divis&otilde;es fundamentais e os seus factores de unidade. Assim, esta edi&ccedil;&ecirc;o n&atilde;o cont&eacute;m os conte&uacute;dos que foram sendo adicionados a partir da quarta edi&ccedil;&ecirc;o, de 1986, com o intuito de actualizar a primeira edi&ccedil;&ecirc;o, os quais incidiram sobre temas como a emigra&ccedil;&ecirc;o, o turismo, a industrializa&ccedil;&ecirc;o ou o crescimento urbano, em particular nos sub&uacute;rbios das grandes cidades. A escolha desta vers&atilde;o para uma reedi&ccedil;&ecirc;o prende&#150;se com a sua coes&atilde;o inicial e equil&iacute;brio formais muito pr&oacute;prios que, de certo modo, tinham sido alterados com os sucessivos acrescentos entretanto feitos. Deste modo, pode&#150;se apreciar distintamente o primeiro Portugal que Orlando Ribeiro analisou e descreveu. Resumindo a perspectiva que esta obra oferece, Portugal &eacute; visto como um espa&ccedil;o moldado por duas influ&ecirc;ncias, que tanto se fazem sentir no seu aspecto f&iacute;sico como cultural: o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico. Assim se criam tr&ecirc;s regi&otilde;es, duas claramente influenciadas por cada um desses grandes espa&ccedil;os, e uma terceira que correspondente a uma faixa interior onde as influ&ecirc;ncias oce&acirc;nicas e a contextura mediterr&acirc;nea se combinam com os efeitos decorrentes da proximidade relativa das regi&otilde;es do centro da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica. Orlando Ribeiro identifica cada uma destas regi&otilde;es com uma paisagem pr&oacute;pria, apresentada como uma imagem constru&iacute;da ao longo de v&aacute;rios s&eacute;culos. A unir essas particularidades est&aacute; uma heran&ccedil;a hist&oacute;rica de tradi&ccedil;&ecirc;o e civiliza&ccedil;&ecirc;o, cujas ra&iacute;zes mais profundas persistem desde a romaniza&ccedil;&ecirc;o. O livro &eacute; completado com cinco mapas de Portugal (sendo os temas a distribui&ccedil;&ecirc;o do relevo, da precipita&ccedil;&ecirc;o, do arvoredo, dos cereais e olivais e as divis&otilde;es geogr&aacute;ficas) em conjunto com textos explicativos e uma bibliografia das principais obras do ge&oacute;grafo. Uma apresenta&ccedil;&ecirc;o inicial escrita para esta edi&ccedil;&ecirc;o por Suzanne Daveau, vi&uacute;va e colega do autor, precede o texto principal e sintetiza a g&eacute;nese e a hist&oacute;ria das sucessivas edi&ccedil;&otilde;es desta obra.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O pensamento de Orlando Ribeiro nesta obra est&aacute; claramente filiado na Escola Francesa da Geografia. Depois do seu doutoramento em Geografia pela Universidade de Lisboa, em 1936, com a tese <i>A Arr&aacute;bida, esbo&ccedil;o geogr&aacute;fico</i>, o autor frequentou a Sorbonne entre 1937 e 1940, onde obteve o lugar de <i>leitor</i> de portugu&ecirc;s e contactou com nomes relevantes da Geografia e da Geologia francesas como Jacques Bourcart, Andr&eacute; Siegfried, Henri Baulig e &#151;sobretudo&#151; os mestres Emmanuel de Martonne e Albert Demangeon. Aqui, Orlando Ribeiro teve a oportunidade de estudar os conceitos e m&eacute;todos da tradi&ccedil;&ecirc;o possibilista vidaliana, desde logo &eacute; vis&iacute;vel na import&acirc;ncia que dar&aacute; na sua obra &agrave; articula&ccedil;&ecirc;o entre o espa&ccedil;o natural e os <i>modos de vida</i>. Tamb&eacute;m importante foi o contacto que o ge&oacute;grafo portugu&ecirc;s teve neste per&iacute;odo com historiadores da <i>&Eacute;cole des Annales</i>, nomeadamente Marc Bloch.<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="2a"></a> Seguiu&#150;se o per&iacute;odo de escrita de <i>Portugal, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico</i>, que come&ccedil;ou em 1941. Durante o processo de reda&ccedil;&ecirc;o da obra, Orlando Ribeiro manteve contactos regulares com ge&oacute;grafos da Europa Central: por exemplo, em 1943 recebe o ge&oacute;grafo alem&atilde;o Hermann Lautensach, que escrevera duas obras geogr&aacute;ficas sobre Portugal, e em 1944 recebe Emmanuel de Martonne, o seu mestre de Paris, e viaja com ele por Portugal.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&Eacute; importante salientar o momento de constru&ccedil;&ecirc;o desta obra. Ela &eacute; escrita num momento em que a geografia portuguesa se dedica &agrave; elabora&ccedil;&ecirc;o de uma Geografia de Portugal. Nos anos 30, Hermann Lautensach havia publicado dois volumes sobre Portugal: um sobre o pa&iacute;s e outro sobre as suas regi&otilde;es: <i>Portugal, auf Grund eigener Reisen und der Literatur</i> (1932&#150;1937). Esta obra, apesar do seu valor cient&iacute;fico, teve uma fraca divulga&ccedil;&ecirc;o nos meios cient&iacute;ficos portugueses devido &agrave; barreira lingu&iacute;stica. Aristides de Amorim Gir&atilde;o, professor de Geografia na Universidade de Coimbra, publica em 1941 um <i>Atlas de Portugal e uma Geografia de Portugal</i>. No entanto, estas obras n&atilde;o alcan&ccedil;am o reconhecimento de meios cient&iacute;ficos exteriores, apesar de serem muito utilizadas em Portugal para o ensino escolar. Orlando Ribeiro, na obra que aqui se trata, empreende a cria&ccedil;&ecirc;o de uma obra com qualidade cient&iacute;fica de acordo com os c&acirc;nones da Academia francesa ou da alem&ecirc;, n&atilde;o criando apenas uma Geografia de Portugal, mas uma s&iacute;ntese cr&iacute;tica de Portugal e das suas principais regi&otilde;es.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Na esteira da Geografia Regional francesa, empreende&#150;</i>se nesta obra uma busca dos factores que se congregam para a defini&ccedil;&ecirc;o da fisionomia particular de um territ&oacute;rio: a regi&atilde;o, objecto de estudo do ge&oacute;grafo, corresponde a um mosaico de aspectos reunidos numa determinada extens&atilde;o de espa&ccedil;o f&iacute;sico, formando uma identidade espec&iacute;fica. De assinalar o entrosamento entre a Geografia F&iacute;sica e a Geografia Humana, apesar de Orlando Ribeiro trabalhar principalmente a segunda. A pr&oacute;pria estrutura que os cap&iacute;tulos t&ecirc;m neste livro revelam&#150;no: em cada um deles parte&#150;se da an&aacute;lise aos aspectos f&iacute;sicos da regi&atilde;o, passando para os <i>modos de vida</i> e a sua economia, terminando numa an&aacute;lise ao povoamento. H&aacute; uma dial&eacute;ctica entre o espa&ccedil;o f&iacute;sico e a ocupa&ccedil;&ecirc;o humana &#151;a primeira influenciando a segunda e esta a moldar a primeira, tornando patente uma perspectiva ideogr&aacute;fica da Geografia. O resultado final &eacute; uma s&iacute;ntese entre as caracter&iacute;sticas naturais e a sua ocupa&ccedil;&ecirc;o humana, demonstrando o <i>modo de vida</i> particular que se pratica, sem sistematiza&ccedil;&otilde;es gerais. <i>Modo de vida</i> &eacute; aqui tomado na sua acep&ccedil;&ecirc;o vidaliana, referindo&#150;se &agrave; cultura local e &agrave;s actividades quotidianas de um determinado grupo. Inclui os h&aacute;bitos, as tradi&ccedil;&otilde;es, os saberes, a l&iacute;ngua, os h&aacute;bitos alimentares &#151;enfim, tudo aquilo que est&aacute; presente no quotidiano de um povo. Aquele que &eacute; descrito neste livro &eacute; o que Orlando Ribeiro considera o <i>modo de vida</i> dominante nas regi&otilde;es mediterr&acirc;neas&#151; a agricultura. O autor descreve as actividades de produ&ccedil;&ecirc;o, enumera os produtos e analisa a sazonalidades deste <i>modo de vida</i> em Portugal.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No entanto, a an&aacute;lise que Orlando Ribeiro faz tem caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas. Em primeiro lugar, &eacute; de assinalar a abertura para outros campos do saber e o enquadramento dos mesmos. Os conhecimentos e m&eacute;todos da Etnologia, da Bot&acirc;nica ou da Geologia s&atilde;o integrados na caracteriza&ccedil;&ecirc;o da regi&atilde;o. Largos par&aacute;grafos versam sobre a Hist&oacute;ria, encontrando a&iacute; as causas para a disposi&ccedil;&ecirc;o contempor&acirc;nea da paisagem humana. Na sua perspectiva, o territ&oacute;rio (e os <i>modos de vida</i> que dele fazem parte) &eacute; essencialmente visto como um objecto est&aacute;tico, verificado sem atender &agrave;s mudan&ccedil;as em curso. Esta perspectiva est&aacute; de certo modo em conformidade com a estabilidade relativa que o territ&oacute;rio apresenta durante o per&iacute;odo estudado, anterior &agrave;s grandes transforma&ccedil;&otilde;es nas paisagens sobrevindas na segunda metade do s&eacute;culo XX. Ao mesmo tempo, esta interpreta&ccedil;&ecirc;o reflecte a presen&ccedil;a de elementos te&oacute;ricos da <i>&Eacute;cole des Annales</i>, nomeadamente a temporalidade do espa&ccedil;o. A identifica&ccedil;&ecirc;o do territ&oacute;rio com os processos hist&oacute;ricos que lentamente o moldaram &eacute; convergente com a no&ccedil;&ecirc;o de <i>longue dur&eacute;e</i>, que os defensores da "hist&oacute;ria total", como Marc Bloch, privilegiavam na sua an&aacute;lise em detrimento da &laquo;hist&oacute;ria factual" e que Fernand Braudel viria a teorizar mais tarde. De resto &#151;e tal como o pr&oacute;prio Orlando Ribeiro tamb&eacute;m viria a reconhecer&#151; a par das li&ccedil;&otilde;es de Jules Sion que escuta no Sul de Fran&ccedil;a em finais da d&eacute;cada de 1930, as leituras de Braudel constituir&atilde;o uma influ&ecirc;ncia determinante para as suas reflex&otilde;es sobre a originalidade do Mediterr&acirc;neo. Estas reflex&otilde;es culminariam com a edi&ccedil;&ecirc;o, em 1968, do referido <i>Mediterr&acirc;neo, Ambiente e Tradi&ccedil;&ecirc;o</i>, livro que foi preparado ao longo da d&eacute;cada de 1960 (Figura 1), num processo at&eacute; certo ponto paralelo &agrave;quele que conduziu &agrave; edi&ccedil;&ecirc;o muito ampliada de <i>La M&eacute;diteran&eacute;e et le Monde M&eacute;diterran&eacute;en &agrave; l&rsquo;&Eacute;poque de Philipe II</i>, de Braudel, em 1966.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><img src="/img/revistas/igeo/n80/a10f1.jpg"></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em <i>Portugal, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico</i> &eacute; importante salientar o enquadramento do espa&ccedil;o analisado &#151;o territ&oacute;rio portugu&ecirc;s&#151; num quadro maior de an&aacute;lise, que neste caso &eacute; o Mediterr&acirc;neo. Essa dupla escala de an&aacute;lise permite distinguir tra&ccedil;os naturais ou culturais que s&atilde;o comuns a uma &aacute;rea maior ou tra&ccedil;os que j&aacute; s&atilde;o espec&iacute;ficos da regi&atilde;o em foco. Ali&aacute;s, Orlando Ribeiro apercebeu&#150;se posteriormente daquilo que considerou uma falha grave na concep&ccedil;&ecirc;o deste seu livro. O pa&iacute;s e as regi&otilde;es que descrevia neste volume n&atilde;o findavam na fronteira pol&iacute;tica com Espanha, antes tinham continuidade geogr&aacute;fica nos territ&oacute;rios situados para al&eacute;m da linha de fronteira. Para ampliar o seu conhecimento das regi&otilde;es de Espanha que faziam fronteira com Portugal &#151;e, desse modo, corrigir as falhas que notava neste seu primeiro trabalho de s&iacute;ntese sobre o pa&iacute;s&#151;, Ribeiro chega estagiar em centros de investiga&ccedil;&ecirc;o geogr&aacute;fica em Espanha. Em 1955, come&ccedil;a a dar forma a esse projecto de uma Geografia de Portugal revista, correspondente aos cap&iacute;tulos integrados no tomo V da <i>Geograf&iacute;a de Espa&ntilde;a y Portugal</i> dirigida por Manuel de Ter&aacute;n. Cerca de tr&ecirc;s d&eacute;cadas mais tarde, Suzanne Daveau tentou dar forma &agrave; <i>Geografia de Portugal</i> sonhada por Orlando Ribeiro, reunindo nos 4 volumes de uma obra hom&oacute;nima (1987&#150;1991) um vasto conjunto de escritos de diferentes &eacute;pocas assinados por Orlando Ribeiro, Hermann Lautensach e por ela pr&oacute;pria, acrescidos de coment&aacute;rios e actualiza&ccedil;&otilde;es da sua responsabilidade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Passando para uma pequena s&iacute;ntese dos conte&uacute;dos desta edi&ccedil;&ecirc;o <i>Portugal, o Mediterr&acirc;neo e o Atl&acirc;ntico</i>, o cap&iacute;tulo I come&ccedil;a por definir a regi&atilde;o mediterr&acirc;nea, g&eacute;nese do padr&atilde;o em que Portugal se insere. Fisicamente &eacute; uma regi&atilde;o montanhosa, com um clima temperado e seco a maior parte do ano. Destaca&#150;se a presen&ccedil;a do mar como espa&ccedil;o de contacto e com&eacute;rcio, onde diferentes povos ao longo dos s&eacute;culos comunicaram entre si. Em termos humanos, no entanto, as civiliza&ccedil;&otilde;es mediterr&acirc;neas tiveram sempre a sua base na terra e &eacute; a agricultura que tem maior peso nos <i>modos de vida</i>. O segundo cap&iacute;tulo descreve o Portugal mediterr&acirc;neo, em especial com a caracteriza&ccedil;&ecirc;o da agricultura portuguesa. &Eacute; tamb&eacute;m defendido como Portugal, em termos f&iacute;sicos, para al&eacute;m dessa influ&ecirc;ncia, est&aacute; exposto a outras duas de relev&acirc;ncia: a Atl&acirc;ntica e a continental interior. Orlando Ribeiro descreve as diferentes culturas e modelos de habita&ccedil;&ecirc;o que correspondem a essas influ&ecirc;ncias. O terceiro cap&iacute;tulo, por sua vez, vem caracterizar o Portugal Atl&acirc;ntico. Refor&ccedil;a&#150;se a ideia de regi&otilde;es distintas em Portugal: o Norte, a <i>Terra Fria</i>, chuvosa e montanhosa, e o Sul, a <i>Terra Quente</i>, seca e plana. A influ&ecirc;ncia Atl&acirc;ntica verifica&#150;se principalmente na primeira. De salientar tamb&eacute;m os grandes impactos que o contacto com o Atl&acirc;ntico trouxe a Portugal: a revolu&ccedil;&ecirc;o na agricultura decorrente da introdu&ccedil;&ecirc;o do milho nas colheitas e a grande influ&ecirc;ncia do com&eacute;rcio mar&iacute;timo na economia portuguesa. Por &uacute;ltimo, no cap&iacute;tulo 4, Orlando Ribeiro resume as divis&otilde;es fundamentais que comp&otilde;em Portugal, identificando as dicotomias Norte&#150;Sul, interiorlitoral e terra alta&#150;terra baixa. Sintetiza tamb&eacute;m as tr&ecirc;s principais regi&otilde;es que identificou em Portugal continental: o Norte Atl&acirc;ntico, o Norte interior e o Sul. Apesar destas distin&ccedil;&otilde;es, salienta&#150;se a unidade do territ&oacute;rio. Apontam&#150;se dois factores para essa mesma unidade. O primeiro corresponde &agrave;s migra&ccedil;&otilde;es interiores, bastante activas na sua sazonalidade. O segundo factor corresponde aos movimentos de civiliza&ccedil;&ecirc;o: a romaniza&ccedil;&ecirc;o, que se verificou de Sul para Norte, e a Reconquista, que se processou no sentido contr&aacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Este livro pode interessar a v&aacute;rios p&uacute;blicos. Desde j&aacute;, como cl&aacute;ssico da Geografia portuguesa, ir&aacute; interessar a ge&oacute;grafos ou amantes da geografia que pretendam aprofundar o conhecimento acerca do que se fez na disciplina em Portugal. Paralelamente, oferece uma imagem muito valiosa do pa&iacute;s essencialmente agr&iacute;cola que Portugal foi at&eacute; meados do s&eacute;culo XX, ao mesmo tempo que concede pistas de leitura ainda hoje muito v&aacute;lidas sobre o processo que conduziu &agrave; forma&ccedil;&ecirc;o de uma na&ccedil;&ecirc;o e &agrave; defini&ccedil;&ecirc;o da sua identidade espec&iacute;fica no contexto da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica e da Europa. Trata&#150;se de um important&iacute;ssimo ensaio, detalhado e minucioso, apresentado sob a forma de uma s&iacute;ntese exemplar.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>REFERENCIA</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ribeiro, G. (2012), "La gen&egrave;se de la g&eacute;ohistoire chez Fernand Braudel: un chapitre de l<span style="font-size:10.0pt;font-family:&quot;Verdana&quot;,&quot;sans-serif&quot;">&#8217;</span>histoire de la pens&eacute;e g&eacute;ographique", en <i>Annales de G&eacute;ographie</i>, n&uacute;m. 686, Paris, pp. 329&#150;346.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4722263&pid=S0188-4611201300010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a href="#1a"><sup>1</sup></a><a name="1"></a> A <i>Finisterra: Revista Portuguesa de Geografia</i> tem sido editada ininterruptamente at&eacute; aos dias de hoje com uma periodicidade semestral, mantendo&#150;se como uma revista de refer&ecirc;ncia na sua &aacute;rea. Nos primeiros anos, os conte&uacute;dos publicados estavam ainda muito marcados pela influ&ecirc;ncia da Geografia Regional Francesa, conforme o atesta um volume de 1973 dedicado a Emmanuel de Martonne. Outro volume monogr&aacute;fico relevante foi editado logo em 1968, dedicado ao Primeiro Semin&aacute;rio Internacional de Geografia, organizado pelo Centro de Estudos Geogr&aacute;ficos de Lisboa e onde participaram Etienne Juilliard, Pierre Dansereau, Jean Demangeot e Orlando Valverde, entre outros. At&eacute; meados dos anos 70, a par de numerosos estudos sobre Portugal sobressaem os artigos dedicados aos espa&ccedil;os tropicais, com destaque para o Brasil e &#151;sobretudo&#151; os territ&oacute;rios portugueses ultramarinos em &Aacute;frica. A partir de finais da d&eacute;cada de 1970 tanto se detecta o aparecimento de novas perspectivas te&oacute;ricas e uma maior diversifica&ccedil;&ecirc;o dos interesses tem&aacute;ticos resultantes, designadamente, da influ&ecirc;ncia da an&aacute;lise espacial de matriz anglo&#150;sax&oacute;nica, como aparece mais vincada a separa&ccedil;&ecirc;o entre a Geografia F&iacute;sica e Humana. Na &uacute;ltima d&eacute;cada, destaca&#150;se a import&acirc;ncia que os Sistemas de Informa&ccedil;&ecirc;o Geogr&aacute;fica ganharam nos estudos publicados.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><a href="#2a"><sup>2</sup></a><a name="2"></a> Neste per&iacute;odo, um debate acerca da pertinente inclus&atilde;o de conhecimentos da geografia na hist&oacute;ria come&ccedil;a a desenvolver&#150;se na historiografia francesa, nomeadamente ao n&iacute;vel da influ&ecirc;ncia dos aspectos espaciais na vida social e pol&iacute;tica. Os escritos que Fernand Braudel redigiu durante o seu encarceramento entre 1941 e 1944 acerca do conceito de geohist&oacute;ria haveriam de se tornar basilares. No seio desse debate epistemol&oacute;gico, estava impl&iacute;cita uma cr&iacute;tica ao modo como a geografia explicava a sociedade pelas quest&otilde;es espaciais sem ter em conta os processos da hist&oacute;ria social e pol&iacute;tica (para uma an&aacute;lise mais profunda a este assunto ver Ribeiro, 2012). Orlando Ribeiro n&atilde;o ter&aacute; permanecido alheio a estas quest&otilde;es e as caracter&iacute;sticas desta obra que abaixo se explanar&atilde;o espelham esse aspecto, particularmente no que respeita &agrave; multidisciplinaridade da an&aacute;lise.</font></p>      ]]></body><back>
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