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<journal-title><![CDATA[Estudios sociales (Hermosillo, Son.)]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conflitos ambientais em Minas Gerais: exploração da água na microrregião de São Lourenço]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Environmental conflicts in Minas Gerais: exploitation of water in the microregion of São Lourenço]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The research aims to identify and to analyze the cases of environmental conflicts involving dissimilarities of power in the determination of the use of territories and its natural resources in the microregion of São Lourenço (Minas Gerais, Brazil). For this data surveys were conducted in the archives of the Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMP), as well in interviews and workshop with social movements engaged in struggles for environmental justice in the middleregion south-southwest of Minas Gerais where is located the microregion of São Lourenço. The findings data show that the MPMP focus its attention on the investigation and punishment of small violations of environmental legislation. The article analyze specifically at the case of environmental conflict related to the fight against the exploitation of groundwater in the city of São Lourenço. The study adopts the theoretical framework based upon the concept of environmental conflicts, pointing out the conflictive nature of environmental issues, from the recognition that society and the environment are inseparable, because the material world is cut by subjects that build different projects of use and meaning of space and natural conditions.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Art&iacute;culos</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Conflitos ambientais em Minas Gerais: explora&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua na microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>Environmental conflicts in Minas Gerais: exploitation of water in the microregion of S&atilde;o Louren&ccedil;o</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Eder Jurandir Carneiro* Mauro Francisco da Costa Assis*</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>* Universidade Federal de S&atilde;o Jo&atilde;o del&#45;Rei</i> Direcci&oacute;n para correspond&ecirc;ncia: <a href="mailto:eder@ufsj.edu.br">eder@ufsj.edu.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Fecha de recepci&oacute;n: octubre de 2011    <br> 	Fecha de aceptaci&oacute;n: abril de 2012</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A pesquisa tem como objetivo identificar e analisar os casos de conflitos ambientais envolvendo assimetrias de poder na determina&ccedil;&atilde;o do uso dos territ&oacute;rios e seus recursos naturais na microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o, localizada no estado de Minas Gerais, Brasil. Para isso, foram realizados levantamentos de dados nos arquivos do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais (MPMG), assim como entrevistas e uma oficina com representantes de movimentos sociais envolvidos em lutas por justi&ccedil;a ambiental na mesorregi&atilde;o Sul&#45;Sudoeste do estado de Minas Gerais, na qual se localiza a microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o. Os dados encontrados permitem verificar que o MPMG concentra suas aten&ccedil;&otilde;es na investiga&ccedil;&atilde;o e puni&ccedil;&atilde;o de pequenas infra&ccedil;&otilde;es &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ambiental. O artigo analisa, de forma mais espec&iacute;fica, o conflito ambiental relacionado &agrave;s lutas contra a explora&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas subterr&acirc;neas do munic&iacute;pio de S&atilde;o Louren&ccedil;o. O estudo se orienta pelo marco te&oacute;rico centrado no conceito de conflitos ambientais, ressaltando a natureza conflitiva da quest&atilde;o ambiental, a partir do reconhecimento de que sociedade e meio ambiente s&atilde;o insepar&aacute;veis, porque o mundo material &eacute; recortado por sujeitos que constroem projetos distintos de uso e significa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o e das condi&ccedil;&otilde;es naturais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chave</b>: mapa, conflitos ambientais, microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">The research aims to identify and to analyze the cases of environmental conflicts involving dissimilarities of power in the determination of the use of territories and its natural resources in the microregion of S&atilde;o Louren&ccedil;o (Minas Gerais, Brazil). For this data surveys were conducted in the archives of the Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais (MPMP), as well in interviews and workshop with social movements engaged in struggles for environmental justice in the middleregion south&#45;southwest of Minas Gerais where is located the microregion of S&atilde;o Louren&ccedil;o. The findings data show that the MPMP focus its attention on the investigation and punishment of small violations of environmental legislation. The article analyze specifically at the case of environmental conflict related to the fight against the exploitation of groundwater in the city of S&atilde;o Louren&ccedil;o. The study adopts the theoretical framework based upon the concept of environmental conflicts, pointing out the conflictive nature of environmental issues, from the recognition that society and the environment are inseparable, because the material world is cut by subjects that build different projects of use and meaning of space and natural conditions.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: map, environmental conflicts, microregion of S&atilde;o Louren&ccedil;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="right"><font face="verdana" size="2">O artigo decorre de pesquisa relacionada ao projeto intitulado     <br> Mapa dos conflitos ambientais na Microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o/    <br> MG, projeto de pesquisa desenvolvido atrav&eacute;s do Conselho Nacional     <br> de Pesquisa Cient&iacute;fica (CNPQ), no &acirc;mbito do N&uacute;cleo de Investiga&ccedil;&otilde;es     <br> em Justi&ccedil;a Ambiental (NINJA) da Universidade Federal de     <br> S&atilde;o Jo&atilde;o Del&#45;Rei (UFSJ).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A pesquisa que resultou neste artigo, desenvolvida no &acirc;mbito do N&uacute;cleo de Investiga&ccedil;&otilde;es em Justi&ccedil;a Ambiental (NINJA) da Universidade Federal de S&atilde;o Jo&atilde;o del&#45;Rei (UFSJ), vincula&#45;se a um amplo projeto interinstitucional que elaborou o <i>Mapa dos Conflitos Ambientais de Minas Gerais</i> (dispon&iacute;vel no portal eletr&ocirc;nico <a href="http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br" target="_blank">http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br</a><a href="http://conflitosambientaismg.lcc.ufmg.br"></a>), realizado pelo NINJA em conjunto com estudantes e pesquisadores do Grupo de Estudos em Tem&aacute;ticas Ambientais (GESTA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Programa de P&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o em Desenvolvimento Social (PPGDS) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A partir da elabora&ccedil;&atilde;o de um banco de dados e da interpreta&ccedil;&atilde;o qualitativa de situa&ccedil;&otilde;es de conflito ambiental, buscou&#45;se identificar os pontos do territ&oacute;rio em que ocorrem casos emblem&aacute;ticos, representativos, de conflitos ambientais em que estejam envolvidos atores coletivos relevantes. Desse modo, as diferentes situa&ccedil;&otilde;es que apresentam institucionaliza&ccedil;&atilde;o dos conflitos, seja por meio do seu registro em institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas, seja mediante seu reconhecimento pelos movimentos sociais e entidades civis s&atilde;o identificadas, analisadas e inscritas no mapa.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A pesquisa adota o conceito de conflito ambiental com o objetivo de identificar os locais e as condi&ccedil;&otilde;es em que segmentos sociais prejudicados por diferentes projetos econ&ocirc;micos de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o se mobilizam para contestar o estado de explora&ccedil;&atilde;o ou exclus&atilde;o a que est&atilde;o submetidos. O car&aacute;ter emblem&aacute;tico dos casos a serem identificados resulta de serem conflitos t&iacute;picos, em termos dos tipos de impactos e atividades econ&ocirc;micas a eles associados, postos pelas especificidades da din&acirc;mica social, econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica da microrregi&atilde;o em estudo. Essa compreens&atilde;o envolve a an&aacute;lise das rela&ccedil;&otilde;es objetivas entre os conflitos ambientais, as din&acirc;micas socioambientais e as transforma&ccedil;&otilde;es dos territ&oacute;rios, assim como o reconhecimento das diferentes concep&ccedil;&otilde;es e significados que os atores dos conflitos atribuem a esses territ&oacute;rios.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A partir dessa perspectiva, analisamos a quest&atilde;o ecol&oacute;gica de forma cr&iacute;tica, levando em considera&ccedil;&atilde;o a cont&iacute;nua (re)apropria&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios pelo capitalismo, em sua l&oacute;gica expansiva e de explora&ccedil;&atilde;o, e as tens&otilde;es e conflitos ambientais por ela criada. Nesses conflitos, contrap&otilde;em&#45;se distintos projetos de apropria&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es naturais. Por exemplo, est&aacute; em disputa se os "recursos" naturais devem ser utilizados para produ&ccedil;&atilde;o de divisas ou para a agricultura familiar; para produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o em larga escala de <i>commodities</i> no mercado globalizado ou para abastecimento do mercado interno; para a produ&ccedil;&atilde;o de celulose e a&ccedil;o, ou para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Assim, o marco te&oacute;rico aqui adotado considera o meio ambiente e a sociedade como indissoci&aacute;veis, buscando analisar as rela&ccedil;&otilde;es de poder e os diferentes tipos de conhecimentos e racionalidades em jogo na apropria&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios e condi&ccedil;&otilde;es naturais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A metodologia utilizada busca identificar os conflitos formalizados ou institucionalizados, bem como aqueles n&atilde;o formalizados, mas de consider&aacute;vel reconhecimento p&uacute;blico ou com relev&acirc;ncia social face &agrave; agress&atilde;o ambiental identificada.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esperamos que o artigo contribua para um melhor entendimento da perspectiva da justi&ccedil;a ambiental, que tem se mostrado importante na experi&ecirc;ncia dos movimentos sociais envolvidos na busca de alternativas ao modelo de desenvolvimento excludente e que concentra o poder sobre as condi&ccedil;&otilde;es ambientais. Para tanto, revisamos publica&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas que discutem a rela&ccedil;&atilde;o entre as quest&otilde;es social e ambiental e tratamos os princ&iacute;pios que norteiam a atua&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos sociais que agem sob a perspectiva da justi&ccedil;a ambiental, as principais estrat&eacute;gias e trajet&oacute;rias de luta e resist&ecirc;ncia, assim como o diagn&oacute;stico que se fazem acerca das causas da injusti&ccedil;a ambiental.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por fim, realizamos um estudo espec&iacute;fico das lutas concretas verificadas em Minas Gerais, em particular aquela desenvolvida por entidades associativas articuladas em rela&ccedil;&atilde;o ao caso de explora&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas minerais em S&atilde;o Louren&ccedil;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Metodologia utilizada</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O trabalho foi realizado atrav&eacute;s de um amplo levantamento de casos de conflitos ambientais envolvendo o uso desigual dos territ&oacute;rios<sup><a href="#nota">1</a></sup> e seus recursos naturais na microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o. Adotamos a divis&atilde;o dos estados brasileiros em mesorregi&otilde;es e microrregi&otilde;es, estabelecida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (Minas Gerais, 2000). Como se v&ecirc; na <a href="/img/revistas/estsoc/v21n41/html/a1figura.html" target="_blank">figura 1</a>, abaixo, a microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o,<sup><a href="#nota">2</a></sup> assinadalada com assinalada com o n&uacute;mero 54, pertence &agrave; mesorregi&atilde;o Sul/Sudoeste de Minas Gerais. 	   	</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os dados e informa&ccedil;&otilde;es foram levantados a partir da consulta aos arquivos das comarcas do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais (MPMG) que abrangem os munic&iacute;pios da microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o (localizadas nas cidades de Baependi, Carmo de Minas, Concei&ccedil;&atilde;o do Rio Verde, Caxambu e S&atilde;o Louren&ccedil;o), e por meio da realiza&ccedil;&atilde;o de uma oficina com representantes de movimentos sociais da mesorregi&atilde;o<sup><a href="#nota">3</a></sup> Sul&#45;Sudoeste do estado de Minas Gerais, na qual se situa a microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o. Nessa ocasi&atilde;o, obtivemos informa&ccedil;&otilde;es importantes acerca dos casos j&aacute; levantados nos arquivos dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, e, assim, aprofundamos a compreens&atilde;o das especificidades e tamb&eacute;m das generalidades dos casos de conflitos ambientais na mesorregi&atilde;o em quest&atilde;o e, por conseguinte, na microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o. o objetivo da oficina foi incorporar aos resultados da pesquisa outras situa&ccedil;&otilde;es de conflito ambiental n&atilde;o reportadas pelos arquivos oficiais, assim como a percep&ccedil;&atilde;o dos movimentos acerca dessas situa&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, por meio de consulta aos movimentos sociais e entidades da sociedade civil, obtivemos acesso a casos de conflitos n&atilde;o formalizados.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com efeito, o mapeamento com que estivemos envolvidos constitui&#45;se num exerc&iacute;cio de cartografia social (Acserald, 2008), um trabalho que permite a explicita&ccedil;&atilde;o de conflitos socioambientais, ao mesmo tempo em que envolve diretamente os atores envolvidos na identifica&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o desses conflitos, podendo, assim, tornar&#45;se ferramenta &uacute;til para mobilizar comunidades e gerar debates sobre a demanda por recursos naturais, para explicitar as diversas formas e percep&ccedil;&otilde;es de apropria&ccedil;&atilde;o e, tamb&eacute;m, para planificar o manejo desses recursos. Permite, por fim, reunir experi&ecirc;ncias e conhecimentos que buscam o fortalecimento de processos pol&iacute;ticos destinados a deter os efeitos expansivos e explorat&oacute;rios do regime de acumula&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, assim como a contesta&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica de ambiente (Carneiro, 2009).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para os fins da pesquisa, consideramos como casos de conflitos ambientais aqueles apresentassem um grau m&iacute;nimo de institucionaliza&ccedil;&atilde;o (mediante envio de den&uacute;ncia ou reivindica&ccedil;&atilde;o escrita a &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos, a forma&ccedil;&atilde;o de processos administrativos ou judiciais ou o reconhecimento pelos movimentos sociais e entidades), a ocorr&ecirc;ncia de desdobramentos ao longo do tempo e a refer&ecirc;ncia a coletividades identific&aacute;veis como protagonistas. Trata&#45;se, portanto, de acentuar a presen&ccedil;a de sujeitos sociais que denunciam um estado de coisas ou situa&ccedil;&atilde;o social como problema, e se organizam para transform&aacute;&#45;lo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O recorte cronol&oacute;gico da pesquisa recobre o per&iacute;odo de 1998 a 2010. Trata&#45;se de um per&iacute;odo suficientemente extenso para que se possam registrar os conflitos ambientais mais recorrentes na microrregi&atilde;o em an&aacute;lise, possibilitando a identifica&ccedil;&atilde;o de certas tend&ecirc;ncias e regularidades, relacionadas &agrave;s pr&aacute;ticas econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas de desenvolvimento praticadas na microrregi&atilde;o em estudo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Revis&atilde;o da literatura</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Antes, no entanto, abordaremos o ecologismo ou ambientalismo, que se expandiu como uma rea&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento econ&ocirc;mico. Inicialmente cabe afirmar que nem todos os ecologistas pensam ou agem da mesma maneira e nem todos se op&otilde;em ao desenvolvimento econ&ocirc;mico, e alguns at&eacute; o apoiam, por causa das promessas tecnol&oacute;gicas que ele apresenta. De acordo com Alier (2009) podemos distinguir tr&ecirc;s vertentes principais que configuram o movimento ambientalista e que tem v&aacute;rios elementos em comum: "o culto ao silvestre", o "evangelho da ecoefici&ecirc;ncia" e "o ecologismo dos pobres". Neste artigo pretendemos fazer uma exposi&ccedil;&atilde;o sobre estas tr&ecirc;s vertentes do ambientalismo, mostrando a diferen&ccedil;a entre eles e enfatizando principalmente o ecologismo dos pobres.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>"Os antiecologistas se op&otilde;em a essas tr&ecirc;s correntes do ecologismo, as depreciam, desqualificam ou ignoram"</i> (Alier 2009: 21). O que une essas tr&ecirc;s vertentes do ecologismo &eacute; que os ambientalistas s&atilde;o muitas vezes atacados pelos empres&aacute;rios e pelo governo, e tamb&eacute;m por parte da velha esquerda, chamados de agentes estrangeiros ou subordinados, que impedem o desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. A regulamenta&ccedil;&atilde;o ambiental ligada ao com&eacute;rcio &eacute; vista pelos governos e pelos empres&aacute;rios como mecanismos neoprotecionistas e o argumento, geralmente, &eacute; que inviablizam a vantagem competitiva dos pa&iacute;ses pobres (Alier 2009: 315).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Hoje em dia, o ecologismo ou ambientalismo permanece dominado por duas vertentes principais: a do culto ao silvestre (ou do "mundo selvagem") e cada vez mais pelo credo da ecoefici&ecirc;ncia. N&atilde;o obstante, est&aacute; surgindo uma terceira vertente conhecida como "justi&ccedil;a ambiental" ou "ecologismo dos pobres". Alier (2009) identifica as duas primeiras vertentes ambientais como <i>wildness thinking</i> ("o culto ao silvestre") e <i>scientific industrialism,</i> esta &uacute;ltima tamb&eacute;m denominada por ele como "credo da ecoefici&ecirc;ncia", "moderniza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica" e "desenvolvimento sustent&aacute;vel", e uma terceira no&ccedil;&atilde;o, de ecologismo dos pobres, que ele reporta a uma hist&oacute;ria de cerca de vinte anos. Essa terceira corrente foi identificada a partir de 1985 como "agrarismo ecologista", que implicava um v&iacute;nculo entre os movimentos camponeses de resist&ecirc;ncia e a cr&iacute;tica ecol&oacute;gica para o enfrentamento da moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Como ser&aacute; visto, tanto a primeira quanto a segunda corrente ecologista s&atilde;o desafiadas, hoje em dia, por essa terceira corrente denominada, ainda, de justi&ccedil;a ambiental. Essa terceira corrente mostra que o crescimento econ&ocirc;mico causa maiores impactos ao meio ambiente, principalmente com <i>"o deslocamento geogr&aacute;fico das fontes de recursos e das &aacute;reas de descarte de res&iacute;duos"</i> (Alier 2009: 33&#45;4). A l&oacute;gica da economia de acumula&ccedil;&atilde;o determina a incessante procura por mat&eacute;rias&#45;primas e de &aacute;reas para descarte de res&iacute;duos, em locais remanescentes da natureza antiga e em zonas habitadas pelos seres humanos (Alier, 2009: 333). Para atender &agrave; crescente demanda por mat&eacute;rias&#45;primas e bens de consumo, os pa&iacute;ses industrializados dependem cada vez mais das importa&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses do Sul. o resultado &eacute; que a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais e de mat&eacute;rias&#45;primas avan&ccedil;a com a domina&ccedil;&atilde;o de novos territ&oacute;rios. <i>"Isso gera impactos que n&atilde;o s&atilde;o solucionados pelas pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas ou por inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas" e "atingem desproporcionalmente alguns grupos sociais que muitas vezes protestam e resistem"</i> (Alier, 2009: 34).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A primeira dessas vertentes surgidas, tanto em termos cronol&oacute;gicos, de autoconsci&ecirc;ncia e de organiza&ccedil;&atilde;o, &eacute; a defesa da natureza intocada, o amor aos bosques prim&aacute;rios, aos cursos d'&aacute;gua e &agrave; vida selvagem. Trata&#45;se do culto ao silvestre, que procura mostrar as v&aacute;rias fun&ccedil;&otilde;es das florestas &#45; seu uso econ&ocirc;mico e a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza, isto &eacute;, tanto a produ&ccedil;&atilde;o de madeira como a vida silvestre. o culto ao silvestre n&atilde;o critica o crescimento econ&ocirc;mico, apenas coloca em discuss&atilde;o a manuten&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o do que resta dos espa&ccedil;os da natureza original, situados fora da influ&ecirc;ncia do mercado.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>"O culto ao silvestre' surge do amor &agrave;s belas paisagens e de valores profundos, jamais para os interesses materiais"</i> (Alier, 2009: 22). A biologia da conserva&ccedil;&atilde;o, que se desenvolve desde 1960, fornece a base cient&iacute;fica para respaldar essa primeira corrente ambientalista; os bi&oacute;logos contam com conceitos e teorias que evidenciam que enorme destrui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. Essa transi&ccedil;&atilde;o de uma biologia descritiva para a conserva&ccedil;&atilde;o normativa ocorre devido &agrave; demonstra&ccedil;&atilde;o dos bi&oacute;logos de que, se o processo ora em curso continuar, podemos "eclodir em uma sexta grande extin&ccedil;&atilde;o da biodiversidade". os indicadores da press&atilde;o humana sobre o meio ambiente, como a Apropria&ccedil;&atilde;o Humana de Produ&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria L&iacute;quida (AHPPL), evidenciam que uma propor&ccedil;&atilde;o cada vez maior de biomassa est&aacute; dispon&iacute;vel para esp&eacute;cies que n&atilde;o sejam as humanas ou associadas aos humanos (Alier, 2009: 22&#45;3).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para essa vertente, mesmo que n&atilde;o existissem raz&otilde;es cient&iacute;ficas, existem motivos est&eacute;ticos e at&eacute; utilit&aacute;rios, como esp&eacute;cies comest&iacute;veis ou medicinais, que justificariam a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza. outra motiva&ccedil;&atilde;o poderia ser o argumento de que as demais esp&eacute;cies possuem direito &agrave; vida e por isso n&atilde;o ter&iacute;amos qualquer direito em elimin&aacute;&#45;las. Eventualmente essa corrente procura o valor sagrado da natureza nas cren&ccedil;as ind&iacute;genas que sobreviveram &agrave; conquista europeia (Alier, 2009: 23).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A sacralidade da natureza assume uma conota&ccedil;&atilde;o importante nessa abordagem, primeiro devido &agrave; fun&ccedil;&atilde;o do papel real da esfera do sagrado em algumas culturas e tamb&eacute;m porque contribui para esclarecer a incomensurabilidade dos valores, um tema central na economia ecol&oacute;gica sob a perspectiva de Alier (2009). E, nessa acep&ccedil;&atilde;o, o sagrado, e outros valores s&atilde;o incomensur&aacute;veis em rela&ccedil;&atilde;o ao econ&ocirc;mico, portanto, quando o sagrado se depara com a sociedade de mercado o conflito torna&#45;se inevit&aacute;vel (Alier, 2009: 23).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Durante os &uacute;ltimos trinta anos o movimento da "ecologia profunda" tem contrastado o que considera uma postura antropoc&ecirc;ntrica artificial com a propugna&ccedil;&atilde;o de uma atitude bioc&ecirc;ntrica ante a natureza (Alier, 2009: 23&#45;4). Os ecologistas profundos pretendem preservar a integridade da biosfera pela necessidade dessa preserva&ccedil;&atilde;o, independente dos poss&iacute;veis benef&iacute;cios que o fato de preserv&aacute;&#45;la pudesse trazer para os seres humanos. A principal proposta pol&iacute;tica dessa corrente do ambientalismo consiste em manter reservas naturais, como os parques nacionais ou naturais livres da interfer&ecirc;ncia humana (Alier, 2009: 24).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com base no que foi exposto, verifica&#45;se uma primeira vertente, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o e ao ativismo ambiental, que pode ser caracterizada como:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O "culto ao silvestre" ou "&agrave; vida selvagem", preocupado com a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza silvestre, sem se pronunciar sobre a ind&uacute;stria ou a urbaniza&ccedil;&atilde;o, mantendo&#45;se indiferente ou em oposi&ccedil;&atilde;o ao crescimento econ&ocirc;mico, muito preocupado com o crescimento populacional e respaldado cientificamente pela biologia preservacionista (Alier, 2009: 39).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ainda que estejam entrela&ccedil;adas, podemos reconhecer uma segunda vertente do ecologismo preocupada com os efeitos do crescimento econ&ocirc;mico, que h&aacute; algum tempo tem desafiado o "culto ao selvagem".</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa segunda vertente, chamada aqui de credo &#45;ou evangelho&#45; da ecoefici&ecirc;ncia, est&aacute; preocupada com os efeitos do crescimento econ&ocirc;mico industrial, agr&iacute;cola e urbano, e n&atilde;o s&oacute; com as &aacute;reas da natureza original. Ela est&aacute; preocupada com os impactos ambientais e os riscos &agrave; sa&uacute;de decorrente das atividades industriais, da urbaniza&ccedil;&atilde;o e da agricultura moderna. Muitas vezes essa vertente aceita o crescimento econ&ocirc;mico, mas preocupa&#45;se com o impacto da produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias, com o manejo sustent&aacute;vel e a efici&ecirc;ncia t&eacute;cnica da utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, e n&atilde;o se preocupa tanto com a perda dos atrativos da natureza ou seus valores intr&iacute;nsecos. Alier (2009: 29) tra&ccedil;a a diferen&ccedil;a entre a vertente do "culto ao selvagem" e esta: na primeira uma rever&ecirc;ncia transcendental pela natureza; na segunda a gest&atilde;o cient&iacute;fica dos recursos naturais para a sua utiliza&ccedil;&atilde;o permanente.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os conceitos que destacamos dessa corrente s&atilde;o "o desenvolvimento sustent&aacute;vel", interpretado como o crescimento econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel, e a "moderniza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica", voltada para a economia de energia e de mat&eacute;rias&#45;primas, que propugna uma revolu&ccedil;&atilde;o da efici&ecirc;ncia para economizar os recursos naturais.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por volta de 1900, os Estados unidos, como o restante da sociedade ocidental, se comprometeu com a ideia de progresso. Hoje, nos Estados Unidos e ainda mais na Europa, onde muito pouco resta da natureza original, o credo da ecoefici&ecirc;ncia domina os debates ambientais, tanto os sociais quanto os pol&iacute;ticos (Alier, 2009: 27).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Mart&iacute;nez Alier esta segunda vertente pode ser definida como:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O "credo da ecoefici&ecirc;ncia", preocupado com o manejo sustent&aacute;vel ou o "uso prudente" dos recursos naturais e com o controle da contamina&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se restringido aos contextos industriais, mas tamb&eacute;m incluindo em suas preocupa&ccedil;&otilde;es a agricultura, a pesca e a silvicultura. Essa corrente se apoia na cren&ccedil;a de que as novas tecnologias e a "internaliza&ccedil;&atilde;o das externalidades" constituem instrumentos decisivos da moderniza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica. Essa vertente est&aacute; respaldada pela ecologia industrial e pela economia ambiental (Alier, 2009: 39).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ainda que tenham dominado o pensamento ecol&oacute;gico, essas duas vertentes tem sido desafiadas por uma terceira, denominada de ecologismo dos pobres, ecologismo popular ou movimento por justi&ccedil;a ambiental. Sobre essa vertente procuramos demonstrar, em primeiro lugar, que muitos conflitos ambientais surgem da explora&ccedil;&atilde;o cada vez maior do ambiente natural pela expans&atilde;o econ&ocirc;mica. No Brasil, a exporta&ccedil;&atilde;o de recursos naturais a pre&ccedil;os baixos aumenta todos os anos. A AHPPL, isto &eacute;, a apropria&ccedil;&atilde;o humana da produ&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria l&iacute;quida de biomassa (Alier, 2009) continua em expans&atilde;o, por causa da produ&ccedil;&atilde;o de energia e do fluxo de materiais. Ent&atilde;o surgem resist&ecirc;ncias, uma vez que os territ&oacute;rios explorados est&atilde;o habitados por humanos e por outras esp&eacute;cies.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em segundo lugar procuramos evidenciar que nos conflitos s&oacute;cioecol&oacute;gicos sujeitos sociais em desigualdade de poder disputam diferentes tipos de conhecimento e discursos de valora&ccedil;&atilde;o para o significado de meio ambiente, espa&ccedil;o e territ&oacute;rio. Os recursos materiais, tais como a qualidade do ar, da &aacute;gua, do solo, etc. est&atilde;o sendo permanentemente disputados por atores sociais, em uma disputa que envolve diferentes concep&ccedil;&otilde;es e significados. As rela&ccedil;&otilde;es de poder s&atilde;o fundamentais para definir os modos da apropria&ccedil;&atilde;o material da natureza, onde se confrontam representa&ccedil;&otilde;es, valores, racionalidades e ideias que legitimam ou deslegitimam essa apropria&ccedil;&atilde;o. Alguns desses valores passam a vigorar como os mais leg&iacute;timos e pass&iacute;veis de sustentar as a&ccedil;&otilde;es sociais e pol&iacute;ticas, como tem ocorrido com o discurso econ&ocirc;mico. Mediante o estudo dos conflitos comprovamos que todos esses discursos s&atilde;o linguagens socialmente v&aacute;lidas, conforme alega Alier, o que exige a aceita&ccedil;&atilde;o da incomensurabilidade dos valores.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os empreendimentos econ&ocirc;micos mais desastrosos em termos ambientais t&ecirc;m sido dirigidos para as regi&otilde;es pobres. Do mesmo modo, &eacute; nas &aacute;reas de maior priva&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica e/ou habitadas por grupos sociais e &eacute;tnicos sem acesso &agrave;s esferas decis&oacute;rias do Estado e do mercado que se concentram a falta de investimento em infraestrutura e a aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que concorrem para as m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es ambientais de vida e trabalho (Acserald, Mello e Bezerra, 2009: 8&#45;9) Para designar esse fen&ocirc;meno em que as popula&ccedil;&otilde;es que possuem menos recursos financeiros, pol&iacute;ticos e informacionais s&atilde;o desproporcionalmente submetidas aos riscos ambientais, e sobretudo para constituir uma nova perspectiva que permita integrar as lutas ambientais e sociais, &eacute; utilizado o termo injusti&ccedil;a ambiental, ao mesmo tempo em que a express&atilde;o justi&ccedil;a ambiental serve para denominar um quadro em que essa dimens&atilde;o ambiental da injusti&ccedil;a social venha a ser superada. (Acserald, 2009: 09)</font></p>      <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa terceira vertente, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; preocupa&ccedil;&atilde;o e o ativismo ambiental, pode ser definida como:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O movimento pela justi&ccedil;a ambiental, o ecologismo popular, o ecologismo dos pobres, nascidos de conflitos ambientais em n&iacute;vel local, regional, nacional e global causados pelo crescimento econ&ocirc;mico e pela desigualdade social. os exemplos s&atilde;o os conflitos pelo uso da &aacute;gua, pelo acesso as florestas, a respeito das cargas de contamina&ccedil;&atilde;o e o com&eacute;rcio ecol&oacute;gico desigual, quest&otilde;es estudadas pela ecologia pol&iacute;tica. Em muitos contextos, os atores de tais conflitos n&atilde;o utilizam um discurso ambientalista. Essa &eacute; uma das raz&otilde;es pelas quais a terceira corrente do ecologismo n&atilde;o foi, at&eacute; os anos 1980, plenamente identificada (Alier, 2009: 39)</font></p> 	</blockquote>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">O ecologismo popular ou ecologismo pobres &eacute; uma denomina&ccedil;&atilde;o que pode ser aplicada a movimentos de muitos pa&iacute;ses pobres que lutam contra os impactos ambientais que amea&ccedil;am a ampla maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Estes incluem movimentos de base camponesa cujas terras voltadas para agricultura t&ecirc;m sido destru&iacute;das pela minera&ccedil;&atilde;o ou outro tipo de extra&ccedil;&atilde;o; movimentos de trabalhadores artesanais, contra ind&uacute;strias de alta tecnologia, que muitas vezes destroem, simultaneamente, o sustento daqueles trabalhadores e esgotam os recursos naturais; e, por movimentos contr&aacute;rios &agrave;s usinas de gera&ccedil;&atilde;o de energia, organizados por comunidades que vivem pr&oacute;ximas a constru&ccedil;&atilde;o das barragens e s&atilde;o afetadas pelo alagamento de suas terras (Alier, 2009: 35). No Brasil a tem&aacute;tica da justi&ccedil;a ambiental vem sendo reinterpretada para permitir a an&aacute;lise do alto grau de desigualdade e injusti&ccedil;a socioecon&ocirc;mica, tendo em vista o potencial pol&iacute;tico de um movimento desse tipo em um pa&iacute;s extremamente injusto em termos de distribui&ccedil;&atilde;o de renda e acesso aos recursos naturais. Desde o p&oacute;s&#45;guerra at&eacute; a d&eacute;cada de 1980 podemos observar a constru&ccedil;&atilde;o do "fordismo perif&eacute;rico" no Brasil, quando o estado desenvolvimentista incentivou a instaura&ccedil;&atilde;o de uma complexa estrutura industrial, espacialmente concentrada, e a implanta&ccedil;&atilde;o de grandes projetos de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o (obras de infraestrutura como: constru&ccedil;&atilde;o de barragens para a gera&ccedil;&atilde;o de energia, irriga&ccedil;&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola em grande escala, etc...). Esse modelo, que visava ampliar a integra&ccedil;&atilde;o do Brasil no desenvolvimento, aqui entendido como a ordem mundial capitalista, baseada no mercado desregulado, voltada para a acumula&ccedil;&atilde;o de capital e o crescimento econ&ocirc;mico r&aacute;pido, sem considera&ccedil;&atilde;o com os custos sociais ou ecol&oacute;gicos, acelerou o ritmo industrial da extra&ccedil;&atilde;o de materiais e a consequente emiss&atilde;o de res&iacute;duos e afluentes, em um processo de crescimento econ&ocirc;mico que se baseou na concentra&ccedil;&atilde;o de renda e principalmente no esfor&ccedil;o exportador de recursos naturais e energia (Acserald, 2004: 27).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Essa concep&ccedil;&atilde;o, &agrave; qual nos vinculamos, n&atilde;o considera apenas a escassez dos recursos naturais, de forma abstrata, mas as formas sociais de explora&ccedil;&atilde;o desses recursos, por isso n&atilde;o separa a sociedade de seu meio ambiente, e pretende pensar o mundo material socializado e dotado de significados. Tal perspectiva considera que os recursos materiais, tais como a qualidade do ar, da &aacute;gua, do solo, etc. est&atilde;o sendo permanentemente disputados por diferentes atores sociais, que se confrontam com diferentes projetos de uso e significa&ccedil;&atilde;o de seus recursos ambientais. Essa disputa envolve, al&eacute;m da apropria&ccedil;&atilde;o material, as diferentes concep&ccedil;&otilde;es e significados que os atores sociais definem para a utiliza&ccedil;&atilde;o desses recursos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>An&aacute;lise dos resultados</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Analisaremos, agora, o resultado da pesquisa nos arquivos do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais (MPMG) das comarcas que abrangem os munic&iacute;pios da microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o. No total, foram preenchidas 79 fichas catalogr&aacute;ficas contendo informa&ccedil;&otilde;es sobre processos administrativos relativos ao meio ambiente instaurados pelo MPMG, referentes aos munic&iacute;pios da microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o. A <a href="#t1">tabela 1</a> relaciona a quantidade de procedimentos administrativos relativos ao meio ambiente da microrregi&atilde;o, distribu&iacute;dos por tipo de atividade que est&atilde;o na origem da instaura&ccedil;&atilde;o dos procedimentos administrativos, no per&iacute;odo de 1998 a 2009.</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><a name="t1"></a></font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><img src="/img/revistas/estsoc/v21n41/a1t1.jpg"></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os resultados indicam que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico concentra suas aten&ccedil;&otilde;es na investiga&ccedil;&atilde;o de pequenas infra&ccedil;&otilde;es &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ambiental (geralmente reportadas por Boletins de Ocorr&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do Meio Ambiente). Nesses casos, quase invariavelmente, aplica&#45;se multa ao infrator, que, posteriormente, assina um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, para reparar e compensar as altera&ccedil;&otilde;es ambientais causados pelo pequeno empreendimento, geralmente vinculado a impactos ambientais em &aacute;reas protegidas.<sup><a href="#nota">4</a></sup> Em todos os casos que fichamos quase n&atilde;o s&atilde;o mencionadas a&ccedil;&otilde;es coletivas empreendidas por popula&ccedil;&otilde;es que eventualmente se sintam prejudicadas pelos danos ambientais. Dessa forma, esses casos n&atilde;o foram considerados como conflitos ambientais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em alguns casos, como em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica de agricultura em &aacute;reas protegidas, a popula&ccedil;&atilde;o desfavorecida economicamente e desprovida de capitais culturais e simb&oacute;licos v&ecirc;&#45;se na conting&ecirc;ncia de suportar a penaliza&ccedil;&atilde;o exercida pelos &oacute;rg&atilde;os institucionais ao que consideram como degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, orientados pela vis&atilde;o de um meio ambiente objetivo, separado das rela&ccedil;&otilde;es sociais. Essa vis&atilde;o desconsidera que a agricultura familiar e tradicional, caracterizada por desmate, queimada, plantio e rota&ccedil;&atilde;o de terra, diferentemente da grande produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola capitalista, pode se estabelecer com a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente (Carneiro e Assis, 2011).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ressaltamos tamb&eacute;m a ocorr&ecirc;ncia, nos munic&iacute;pios em quest&atilde;o, de situa&ccedil;&otilde;es ligadas ao saneamento b&aacute;sico, nas quais o poder p&uacute;blico local aparece como r&eacute;u, como nos casos relacionados ao saneamento b&aacute;sico (destina&ccedil;&atilde;o final de res&iacute;duos s&oacute;lidos, aterro sanit&aacute;rio, esgoto, canaliza&ccedil;&atilde;o de c&oacute;rrego, Esta&ccedil;&atilde;o de Tratamento de Esgotos, acesso/distribui&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua pot&aacute;vel), nos munic&iacute;pios de Concei&ccedil;&atilde;o do Rio Verde, Carmo de Minas e S&atilde;o Louren&ccedil;o, totalizando quatro casos. Os casos de dep&oacute;sito inadequado de lixo ("lix&otilde;es" municipais), que n&atilde;o raramente encontram&#45;se situados &agrave; beira de nascentes ou corpos h&iacute;dricos de outro tipo &#45; al&eacute;m de n&atilde;o contarem com nenhum tipo de tratamento e cuidado na disposi&ccedil;&atilde;o final dos res&iacute;duos, s&atilde;o tamb&eacute;m geralmente utilizados por catadores de material recicl&aacute;vel configurando uma atividade de gera&ccedil;&atilde;o de renda extremamente insalubre e prec&aacute;ria, da qual muitas pessoas dependem para viver.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A concep&ccedil;&atilde;o sobre a quest&atilde;o ambiental que aqui adotamos, nos permite interpretar o que leva os movimentos sociais a resistirem contra a produ&ccedil;&atilde;o de desigualdades ambientais tanto no local de produ&ccedil;&atilde;o quanto no entorno do processo produtivo. Esses sujeitos podem ser identificados como: 1) v&iacute;timas das contamina&ccedil;&otilde;es de espa&ccedil;os n&atilde;o propriamente produtivos, como o entorno de grandes empreendimentos causadores de risco e periferias das cidades onde s&atilde;o localizados lix&otilde;es, dep&oacute;sitos de lixo t&oacute;xico, etc.; 2) v&iacute;timas da degrada&ccedil;&atilde;o interna ao ambiente de trabalho, com a contamina&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, devido &agrave; desinforma&ccedil;&atilde;o, dissimula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e a chantagem do emprego; 3) v&iacute;timas da falta de acesso &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es ambientais, como a fertilidade do solo, recursos h&iacute;dricos e, enfim, ao controle dos territ&oacute;rios essenciais &agrave; sua reprodu&ccedil;&atilde;o sociocultural. Nestes casos, a injusti&ccedil;a ambiental &eacute; resultado da incapacidade que essas comunidades t&ecirc;m de serem ouvidas nas esferas de decis&atilde;o e tamb&eacute;m devido ao seu consentimento for&ccedil;ado, dada a car&ecirc;ncia de renda, emprego, e servi&ccedil;os p&uacute;blicos, na expectativa de que os empreendimentos produtivos impactantes tragam algum benef&iacute;cio imediato (Acserald, 2010).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com a realiza&ccedil;&atilde;o da oficina com representantes de movimentos sociais envolvidos em conflitos ambientais na mesorregi&atilde;o Sul/Sudoeste de Minas Gerais, tivemos a oportunidade de dar voz a essas popula&ccedil;&otilde;es, de forma a incorporar aos resultados da pesquisa situa&ccedil;&otilde;es de conflito ambientais n&atilde;o reportadas pelos arquivos oficiais, assim como a percep&ccedil;&atilde;o dos movimentos acerca dessas situa&ccedil;&otilde;es.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Um caso de conflito ambiental</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O caso de conflito ambiental mais relevante, identificado na mesorregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o, refere&#45;se &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas minerais do Parque das &Aacute;guas de S&atilde;o Louren&ccedil;o. Esse conflito op&otilde;e, de um lado, atores que defendem a &aacute;gua como um direito humano e se posicionam pelo controle p&uacute;blico do acesso &agrave; &aacute;gua (ou a regulamenta&ccedil;&atilde;o estatal),e, de outro lado, interesses que pretendem transformar a &aacute;gua em uma mercadoria internacional para gerar lucro e acumula&ccedil;&atilde;o privada.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, encontra&#45;se em pauta um processo de disputa pelo acesso e explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais. A discuss&atilde;o sobre as institui&ccedil;&otilde;es regulat&oacute;rias e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas encontra&#45;se sob a press&atilde;o das privatiza&ccedil;&otilde;es, ao mesmo tempo em que os atores sociais medem for&ccedil;as com a liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado e imposi&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es pr&oacute;&#45;mercantis atreladas a mecanismos de financiamento, em busca de recursos de uso comum, com frequ&ecirc;ncia decisivos para sua reprodu&ccedil;&atilde;o sociocultural e econ&ocirc;mica (Acserald, Mello e Bezerra, 2009: 93&#45;94).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Concomitante com a abertura da economia, ocorre uma mudan&ccedil;a no conceito de &aacute;gua no cen&aacute;rio mundial, que passa da condi&ccedil;&atilde;o de um bem livre e inesgot&aacute;vel, de interesse para a humanidade, para a de mercadoria, dotada de valor de troca. A mercantiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua pode ser observada na tend&ecirc;ncia &agrave; privatiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de fornecimento e saneamento b&aacute;sico e no envase para a venda das &aacute;guas minerais (Ninis e Drummond, 2008: 156).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Durante a oficina realizada pelo N&uacute;cleo de Investiga&ccedil;&otilde;es em Justi&ccedil;a Ambiental com movimentos sociais da mesorregi&atilde;o do Sul/Sudoeste de Minas Gerais, o representante da ONG Nova Cambuquira relatou o caso da apropria&ccedil;&atilde;o, por empresas multinacionais, das &aacute;guas minerais das cidades constru&iacute;das no s&eacute;culo XIX em torno do circuito das &aacute;guas no Sul de Minas (S&atilde;o Louren&ccedil;o, Caxambu, Cambuquira e Lambari). Conforme o relato, o po&ccedil;o constru&iacute;do em S&atilde;o Louren&ccedil;o para a retirada da &aacute;gua &eacute; muito profundo e a extra&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua &eacute; intensa, o que impede a reposi&ccedil;&atilde;o natural dos estoques dos len&ccedil;&oacute;is. Em raz&atilde;o disso, toda a regi&atilde;o do circuito das &aacute;guas no Sul de Minas vem sendo afetada pela explora&ccedil;&atilde;o realizada pela Empresa de &Aacute;guas S&atilde;o Louren&ccedil;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em 1992, a Nestl&eacute; Waters adquiriu o controle mundial da Perrier, at&eacute; ent&atilde;o dona do Parque das &Aacute;guas e concession&aacute;ria da explora&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais do munic&iacute;pio de S&atilde;o Louren&ccedil;o. Essa aquisi&ccedil;&atilde;o deu &agrave; Nestl&eacute; a propriedade do Parque das &Aacute;guas e o direito de explora&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais existentes no local. Desde o in&iacute;cio da explora&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;guas, a popula&ccedil;&atilde;o organizou movimentos sociais contra o que identificou como irregularidades que estavam causando danos ambientais e sociais e riscos &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas do local.<sup><a href="#nota">5</a></sup></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Alguns dos procedimentos dessa explora&ccedil;&atilde;o, denunciados pelos movimentos sociais, tornaram&#45;se objeto da a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica instaurada pelo curador de Meio Ambiente e promotor p&uacute;blico de S&atilde;o Louren&ccedil;o. O promotor p&uacute;blico instaurou uma a&ccedil;&atilde;o civil depois que as organiza&ccedil;&otilde;es sociais juntaram 3.000 assinaturas pedindo uma investiga&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; explora&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas subterr&acirc;neas da regi&atilde;o. Ele abriu um inqu&eacute;rito para apurar os fatos e, ap&oacute;s sete meses de investiga&ccedil;&atilde;o, chegou &agrave; conclus&atilde;o que havia dois problemas fundamentais: a explora&ccedil;&atilde;o sem autoriza&ccedil;&atilde;o do Po&ccedil;o Primavera e a superexplora&ccedil;&atilde;o do aqu&iacute;fero de &aacute;gua mineral. A explora&ccedil;&atilde;o do Po&ccedil;o Primavera tamb&eacute;m &eacute; objeto de investiga&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF), em raz&atilde;o de den&uacute;ncias noticiando a explora&ccedil;&atilde;o irregular de fontes de &aacute;gua mineral pela empresa multinacional, com a ocorr&ecirc;ncia de danos ao meio ambiente &#45;atrav&eacute;s da extin&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua magnesiana e esgotamento das fontes daquela regi&atilde;o, al&eacute;m do n&atilde;o atendimento &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o miner&aacute;ria (Melo, 2005). Em 2004, o MPF expediu recomenda&ccedil;&atilde;o ao Conselho Estadual de Pol&iacute;tica Ambiental (COPAM), para que, al&eacute;m de suspender o empreendimento, apurasse a adequa&ccedil;&atilde;o dos estudos ambientais e determinasse a realiza&ccedil;&atilde;o de audi&ecirc;ncia p&uacute;blica para esclarecimento dos impactos socioambientais resultantes das atividades da empresa. Contudo, o COPAM n&atilde;o acatou a recomenda&ccedil;&atilde;o. Ainda em 2004, o MPF expediu recomenda&ccedil;&atilde;o ao Departamento Nacional de Produ&ccedil;&atilde;o Mineral (DNPM), para que e determinasse a suspens&atilde;o, em car&aacute;ter de urg&ecirc;ncia, das atividades de explora&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas minerais do Po&ccedil;o Primavera, localizado no Parque de &Aacute;guas da cidade de S&atilde;o Louren&ccedil;o. No dia 18 de mar&ccedil;o de 2004, ap&oacute;s o recebimento da recomenda&ccedil;&atilde;o feita pelo MPF, a Diretoria Geral do DNPM, acatando o parecer de sua Procuradoria Jur&iacute;dica, determinou a interdi&ccedil;&atilde;o do Po&ccedil;o Primavera.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Articuladores do movimento local participaram de v&aacute;rios eventos, nacionais e internacionais, que tratam da defesa, preserva&ccedil;&atilde;o e uso racional da &aacute;gua. Em Londres, o movimento teve sua representa&ccedil;&atilde;o no evento "Protecting the Right to Water" &#45;Protegendo o Direito &agrave; &Aacute;gua&#45;, organizado por ONGs brit&acirc;nicas. Na ocasi&atilde;o, o representante falou sobre a Declara&ccedil;&atilde;o Ecum&ecirc;nica sobre a &Aacute;gua como Direito Humano e Bem P&uacute;blico, assinada, entre outras organiza&ccedil;&otilde;es, pelo Conselho Nacional de igrejas Crist&atilde;s do Brasil, e sobre o caso da superexplora&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais em S&atilde;o Louren&ccedil;o. A declara&ccedil;&atilde;o referida defende que o acesso &agrave; &aacute;gua &eacute; um direito humano b&aacute;sico e que a &aacute;gua n&atilde;o &eacute; apenas um bem econ&ocirc;mico, mas possui um significado social, cultural, medicinal, religioso e espiritual. Portanto. a &aacute;gua deve ser considerada e tratada como um bem p&uacute;blico e o Estado deve garantir o acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel para todos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As organiza&ccedil;&otilde;es sociais consideram que &aacute;gua deve ser qualificada como um direito humano e social b&aacute;sico, nessa perspectiva, portanto, como um bem p&uacute;blico. o abastecimento de &aacute;gua e o saneamento devem ser servi&ccedil;os obrigat&oacute;rios prestados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, como "servi&ccedil;o p&uacute;blico" de interesse comum, que n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de ser vendido individualmente como "mercadoria". A gest&atilde;o particular, realizada por monop&oacute;lios, s&oacute; administra os bens ou os servi&ccedil;os deles decorrentes se isso lhes possibilita o lucro m&aacute;ximo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para o marco econ&ocirc;mico capitalista, considerar a &aacute;gua como um bem comum, controlado pelo estado, implica gest&atilde;o ineficaz e desperd&iacute;cio, pois n&atilde;o h&aacute; competi&ccedil;&atilde;o entre "atores racionais". Sob essa l&oacute;gica, a &aacute;gua deve ser privatizada, para que os mecanismos de mercado operem na gest&atilde;o e a tornem eficaz. Seria preciso, ent&atilde;o, a &aacute;gua seja tratada como um bem econ&ocirc;mico, como &uacute;nica maneira de combater eficazmente a escassez. Assim, somente a fixa&ccedil;&atilde;o de um pre&ccedil;o de mercado aferindo o custo total dos servi&ccedil;os fornecidos (o pretenso "justo pre&ccedil;o") poderia assegurar o equil&iacute;brio entre a oferta e uma procura em acentuado crescimento. Esses s&atilde;o os ingredientes principais da "gest&atilde;o integrada dos recursos h&iacute;dricos" (IWRM, na sigla em ingl&ecirc;s), proposta como conceito&#45;chave das pol&iacute;ticas a serem praticadas nos diferentes n&iacute;veis territoriais de interesse e compet&ecirc;ncia. A privatiza&ccedil;&atilde;o do conjunto de servi&ccedil;os visa a assegurar a gest&atilde;o racional de um recurso raro atrav&eacute;s da "justa" remunera&ccedil;&atilde;o do investimento, o que permitiria reduzir o desperd&iacute;cio, bem como combater a polui&ccedil;&atilde;o e a contamina&ccedil;&atilde;o (Petrella, 2000).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As organiza&ccedil;&otilde;es sociais se dedicam &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o e luta comunit&aacute;ria em defesa da &aacute;gua como bem p&uacute;blico, sob controle social, e &agrave; garantia de acesso socialmente justo, fora dos acordos de livre com&eacute;rcio. A estrat&eacute;gia de resist&ecirc;ncia dos movimentos sociais &eacute; ampliar o debate entre a popula&ccedil;&atilde;o, realizar a&ccedil;&otilde;es de forma articulada, em car&aacute;ter nacional e internacional, e construir la&ccedil;os de unidade e integra&ccedil;&atilde;o solid&aacute;ria entre os movimentos, sindicatos, bairros, comunidades, igrejas e entidades internacionais contra as consequ&ecirc;ncias ambientais e sociais que a privatiza&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas pode gerar.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A partir dos dados levantados nos arquivos das comarcas do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado de Minas Gerais (MPMG) referentes aos munic&iacute;pios da microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o, e com a realiza&ccedil;&atilde;o da oficina com os movimentos sociais da mesorregi&atilde;o do Sul/Sudoeste de Minas, observamos a ocorr&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es que remetem a mecanismos que (re)produzem desigualdades socioambientais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em todos os casos institucionalizados no MPMG, est&aacute; quase ausente a men&ccedil;&atilde;o a mobiliza&ccedil;&otilde;es coletivas empreendidas por comunidades atingidas pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. Nesse sentido, os arquivos dos &oacute;rg&atilde;os oficiais parecem n&atilde;o ser perme&aacute;veis &agrave; voz dessas popula&ccedil;&otilde;es, porque o olhar t&eacute;cnico, compartimentado, promove uma adequa&ccedil;&atilde;o do meio ambiente e da sociedade ao projeto de desenvolvimento hegem&ocirc;nico, fazendo com que outros olhares e saberes n&atilde;oenquadrados pelo discurso t&eacute;cnico&#45;cient&iacute;fico sejam, assim, exclu&iacute;dos dos processos de classifica&ccedil;&atilde;o e de defini&ccedil;&atilde;o sobre o destino de pessoas e de comunidades.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os dados apresentados permitem verificar que o MPMG, mesmo levando em considera&ccedil;&atilde;o as diferen&ccedil;as de metodologias de trabalho existente entre as comarcas, concentra suas aten&ccedil;&otilde;es na investiga&ccedil;&atilde;o de pequenas infra&ccedil;&otilde;es &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ambiental, geralmente vinculadas a pequenos impactos ambientais causados por interven&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas protegidas, como &Aacute;reas de Preserva&ccedil;&atilde;o Permanente (APPs), unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o de Prote&ccedil;&atilde;o integral, averba&ccedil;&atilde;o de reserva legal e desmatamento de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa. At&eacute; onde os dados nos permitem observar, n&atilde;o identificamos investiga&ccedil;&otilde;es do MPMG relacionadas a grandes empreendimentos voltados para a acumula&ccedil;&atilde;o de capital.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Percebemos ainda que, muitas vezes, o pr&oacute;prio poder p&uacute;blico &eacute; respons&aacute;vel pelas situa&ccedil;&otilde;es de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, como, por exemplo, na falta de adequa&ccedil;&atilde;o dos lix&otilde;es municipais. Em alguns desses lix&otilde;es, podemos identificar pessoas que recolhem materiais reaproveit&aacute;veis para vender e garantir a sua sobreviv&ecirc;ncia, em condi&ccedil;&otilde;es insalubres; &agrave;s vezes, como a atividade &eacute; considerada ilegal, s&atilde;o obrigadas a sair desses lugares e perdem sua &uacute;nica fonte de renda.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os riscos ambientais s&atilde;o desigualmente distribu&iacute;dos devido &agrave; diferente capacidade dos grupos sociais de escaparem aos seus efeitos. Portanto, a concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que adotamos evidencia a desigualdade distributiva e os m&uacute;ltiplos sentidos que as sociedades atribuem a suas bases materiais. A desigual exposi&ccedil;&atilde;o aos riscos deve&#45;se &agrave; desigual capacidade de que disp&otilde;em os grupos sociais de escapar dos riscos. Por isso, a a&ccedil;&atilde;o consistente com a concep&ccedil;&atilde;o que adotamos visa a combater a desigualdade ambiental e garantir a prote&ccedil;&atilde;o a todos os grupos sociais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Considerando que a injusti&ccedil;a social e a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental t&ecirc;m a mesma causa, &eacute; necess&aacute;rio alterar o modo de distribui&ccedil;&atilde;o do controle sobre as condi&ccedil;&otilde;es ambientais e retirar dos grandes empreendimentos capitalistas a capacidade de transferir os custos ambientais da acumula&ccedil;&atilde;o para os mais despossu&iacute;dos.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O estudo de caso exigiu a considera&ccedil;&atilde;o das distintas perspectivas dos grupos sociais atingidos, e a visibilidade da contribui&ccedil;&atilde;o que este "olhar de dentro" sobre as rela&ccedil;&otilde;es complexas que entrela&ccedil;am sociedade e ambiente pode fornecer para a compress&atilde;o e estudo dos conflitos ambientais e para a constru&ccedil;&atilde;o de alternativas ao modelo econ&ocirc;mico hegem&ocirc;nico. As perspectivas dos grupos subalternos, geralmente considerados como "entraves ao desenvolvimento", s&atilde;o aquelas que evidenciam os conflitos ambientais. Esses grupos geralmente apresentam sa&iacute;das para os graves impasses que o modelo econ&ocirc;mico desenvolvimentista adotado vem enfrentando h&aacute; d&eacute;cadas. No entanto essas alternativas t&ecirc;m sido frequentemente desconsideradas e esses grupos, tornados invis&iacute;veis.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Conclu&iacute;mos, portanto, pela necess&aacute;ria incorpora&ccedil;&atilde;o, pelas pol&iacute;ticas ambientais e de gest&atilde;o dos territ&oacute;rios, de crit&eacute;rios que levem em conta a diversidade de formas de apropria&ccedil;&atilde;o e significa&ccedil;&atilde;o do ambiente, assumindo a perspectiva n&atilde;o da simples preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, mas da justi&ccedil;a ambiental, j&aacute; que o ambiente &eacute; algo em constante disputa.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O alcance da justi&ccedil;a ambiental no Brasil exige, portanto, o reconhecimento das formas hist&oacute;ricas de significa&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, sem anular a multiplicidade de formas de conceber e agir junto ao meio ambiente. Isso remete &agrave; necess&aacute;ria valoriza&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as de apropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o, disseminadas por entre os v&aacute;rios grupos e classes sociais, assim como a compreens&atilde;o das din&acirc;micas de poder existentes entre essas concep&ccedil;&otilde;es.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Bibliogafia</b></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Acserald, H. (2004) As pr&aacute;ticas espaciais e o campo dos conflitos ambientais <i>in</i> Acserald, Henri (org.) <i>Conflitos ambientais no Brasil.</i> Rio de Janeiro, Relume Dumar&aacute;, Funda&ccedil;&atilde;o Heinrich B&ouml;ll.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701710&pid=S0188-4557201300010000100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45; (2008) "Disputas cartogr&aacute;ficas e disputas territoriais" in <i>Cartografias sociais e territ&oacute;rio.</i> Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701712&pid=S0188-4557201300010000100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45;&#45; (2010) "Ambientaliza&ccedil;&atilde;o das lutas sociais: o caso do movimento por justi&ccedil;a" en ambiental. <i>Estudos Avan&ccedil;ados.</i> V. 24.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701714&pid=S0188-4557201300010000100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Acserald, H., C. Mello e G. Bezerra (2009) <i>O que &eacute; justi&ccedil;a ambiental.</i> Rio de Janeiro, Garamond.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701715&pid=S0188-4557201300010000100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Carneiro, E. J. (2009) <i>Mapa dos conflitos ambientais no estado de Minas Gerais (Mesorregi&atilde;o: Campo das Vertentes).</i> Trabalho apresentado no XIV Congresso Brasileiro de Sociologia, Julho 28&#45;31, no Rio de Janeiro, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701717&pid=S0188-4557201300010000100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Carneiro, E. J. e M. Assis (2011) "Conflitos ambientais na microrregi&atilde;o de Vi&ccedil;osa, Minas Gerais: o conflito entre a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental e os produtores agr&iacute;colas e o excesso de penaliza&ccedil;&atilde;o dos pequenos casos de infra&ccedil;&atilde;o &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o ambiental" en <i>Revista Mundo agr&aacute;rio.</i> V. 11.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701719&pid=S0188-4557201300010000100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Martinez, J. (2009) <i>O Ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de valora&ccedil;&atilde;o.</i> S&atilde;o Paulo, Contexto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701721&pid=S0188-4557201300010000100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Melo, D. (2005) "&Aacute;gua Mineral&#45;A Nestl&eacute; passa por cima da lei" en <i>Brasil de Fato.</i> Edi&ccedil;&atilde;o num. 99, 20 a 26 de janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701723&pid=S0188-4557201300010000100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Minas Gerais (2000) Secretaria de Estado do Planejamento e Coordena&ccedil;&atilde;o Geral. Superintend&ecirc;ncia Central de Planejamento Institucional, Divis&otilde;es Territoriais adotadas pela Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701725&pid=S0188-4557201300010000100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ninis, A. e J. A. Drummond (2008) "&Aacute;reas (des)protegidas do Brasil: as est&acirc;ncias hidrominerais" en <i>Ambiente &amp; Sociedade.</i> Campinas V. XI num.1, jan&#45;jun.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701727&pid=S0188-4557201300010000100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Petrella, R. (2000) "A nova 'conquista da &aacute;gua'" en <i>Le Monde Diplomatique.</i> <a href="http://diplo.org.br/2000&#45;03" target="_blank">http://diplo.org.br/2000&#45;03</a>, a1672 (Acesso em 06 jan. 2011).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701729&pid=S0188-4557201300010000100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Haesbaert, R. (2007) "Concep&ccedil;&otilde;es de territ&oacute;rio para entender a desterritorializa&ccedil;&atilde;o" en M. Santos, B. Becker, <i>Territ&oacute;rio, Territ&oacute;rios: Ensaios Sobre o Ordenamento Territorial.</i> 3 ed. Rio de Janeiro, Lamparina Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3701731&pid=S0188-4557201300010000100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><a name="nota"></a>Notas</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1</sup> Para uma discuss&atilde;o sistem&aacute;tica do conceito de territ&oacute;rio, veja&#45;se, entre outros, Haesbaert (2007).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>2</sup> Por sua vez, a microrregi&atilde;o de S&atilde;o Louren&ccedil;o comporta 16 munic&iacute;pios, a saber: Alagoa, Baependi, Cambuquira, Carmo de Minas, Caxambu, Concei&ccedil;&atilde;o do Rio Verde, Itamonte, Itanhandu, Jesu&acirc;nia, Lambari, Ol&iacute;mpio Noronha, Passa Quatro, Pouso Alto, S&atilde;o Louren&ccedil;o, S&atilde;o Sebasti&atilde;o do Rio Verde e Soledade de Minas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>3</sup> Rela&ccedil;&atilde;o das entidades e participantes e respectivas cidades de origem: ONG Nova Cambuquira, de Cambuquira; Movimentos dos Atingidos por Barragens &#45; MAB, de Itajub&aacute;; produtor rural na Serra da Canastra, de Delfin&oacute;polis; cidad&atilde;os atingidos por barragem, de Delfin&oacute;polis; presidente do Conselho Municipal de Conserva&ccedil;&atilde;o e Defesa do Meio Ambiente &#45; CODEMA, sindicalista e trabalhador atingido por silicose e vereadora de S&atilde;o Thom&eacute; das Letras; ONG TEMA, de Po&ccedil;os de Caldas.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>4</sup> As &aacute;reas protegidas visam a preservar recursos, naturais e/ou culturais, de um espa&ccedil;o territorialmente demarcado. O C&oacute;digo Florestal, que vigora para todo o territ&oacute;rio brasileiro, impede o uso dos recursos naturais em &Aacute;reas de Prote&ccedil;&atilde;o Permanente (APPs): margens de rio, &aacute;reas acima de 1.800 m de altitude, topos de morro e encostas com declividade maior que 45&deg;. O projeto de novo C&oacute;digo Florestal (PLC 30/2011), em discuss&atilde;o no parlamento brasileiro, reduz o c&aacute;lculo das APPs ciliares em margens de cursos d'&aacute;gua, grandes v&aacute;rzeas e pantanais do Brasil.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>5</sup> Esses movimentos s&atilde;o representados, principalmente, pelo Movimento Amigos do Circuito das &Aacute;guas Mineiro (MACAM), Movimento Cidadania pelas &Aacute;guas e a ONG Nova Cambuquira. O Movimento de Cidadania pelas &Aacute;guas &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o da cidade de S&atilde;o Louren&ccedil;o que pleiteia, entre outras coisas, o controle p&uacute;blico sobre os seus recursos h&iacute;dricos minerais e lidera a manifesta&ccedil;&atilde;o contra a Empresa de &Aacute;guas de S&atilde;o Louren&ccedil;o, pertencente &agrave; multinacional su&iacute;&ccedil;a Nestl&eacute;. Luta pelo fim da superexplora&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas minerais, atrativo tur&iacute;stico que movimenta a economia da cidade. o Movimento Cidadania pelas &Aacute;guas &eacute; formado por um grupo de cidad&atilde;os que se op&otilde;em &agrave;s atividades da multinacional su&iacute;&ccedil;a Nestl&eacute; no Parque das &Aacute;guas de S&atilde;o Louren&ccedil;o. A ONG Nova Cambuquira luta em defesa das &aacute;guas minerais da cidade de Cambuquira e regi&atilde;o e contra a superexplora&ccedil;&atilde;o e a desmineraliza&ccedil;&atilde;o dessas &aacute;guas.</font></p>      ]]></body><back>
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