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<journal-title><![CDATA[Economía, sociedad y territorio]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Questão agrária, território e meio ambiente no Brasil: Os limites da transição para uma agricultura sustentável]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The agricultural, territorial and environmental question in Brazil: The transition limits for a sustainable agriculture]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper discusses the agrarian problem in Brazilian rural areas from the environmental point of view. The objective is to examine how the private appropriation of the Brazilian rural space came about, attributing to the environmental factor a role whose logic was relevant in the inherited agricultural context. According to this hypothesis, the specificity of the private appropriation process of public land, after 1850, is the origin of agricultural and environmental problems in the Brazilian rural space. We discuss how the market imperatives stimulated the undifferentiated degradation of the agro-ecosystems in terms of production scale. In the final considerations we emphasise the transition limits to a sustainable agriculture in the Southern region of Brazil.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Art&iacute;culos de investigaci&oacute;n</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Quest&atilde;o agr&aacute;ria, territ&oacute;rio e meio ambiente no Brasil: Os limites da transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura sustent&aacute;vel</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>The agricultural, territorial and environmental question in Brazil: The transition limits for a sustainable agriculture</b></font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Humberto Miranda&#45;Do Nascimento*</b></font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>* Universidade Cat&oacute;lica do Salvador, Brasil. Correo&#45;e:</i> <a href="mailto:humbertomn@eco.unicamp.br">humbertomn@eco.unicamp.br</a>.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Recibido: 6 de abril de 2008.    <br>   Reenviado: 9 de marzo de 2009. <i>    <br>   </i> Aceptado: 18 de marzo de 2009.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O artigo discute o problema agr&aacute;rio em &aacute;reas rurais brasileiras sob o ponto de vista ambiental. O objetivo &eacute; examinar a forma como se deu a apropria&ccedil;&atilde;o privada do espa&ccedil;o rural brasileiro, atribuindo ao fator ambiental um papel cuja l&oacute;gica foi relevante para o contexto agr&aacute;rio herdado. De acordo com a hip&oacute;tese, a especificidade do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras p&uacute;blicas, ap&oacute;s 1850, &eacute; o ponto de origem dos problemas agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gicos atuais no espa&ccedil;o rural brasileiro. Discute como os imperativos do mercado impeliram a degrada&ccedil;&atilde;o dos agroecosistemas, de maneira indiferenciada quanto &agrave; escala de produ&ccedil;&atilde;o. Nas considera&ccedil;&otilde;es finais, enfatizam&#45;se os limites da transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura sustent&aacute;vel na Regi&atilde;o Sul do Brasil.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Palavras&#45;chaves</b>: apropria&ccedil;&atilde;o de terras, quest&atilde;o agr&aacute;ria, agricultura sustent&aacute;vel.</font></p> 	    <p align="justify">&nbsp;</p> 	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">This paper discusses the agrarian problem in Brazilian rural areas from the environmental point of view. The objective is to examine how the private appropriation of the Brazilian rural space came about, attributing to the environmental factor a role whose logic was relevant in the inherited agricultural context. According to this hypothesis, the specificity of the private appropriation process of public land, after 1850, is the origin of agricultural and environmental problems in the Brazilian rural space. We discuss how the market imperatives stimulated the undifferentiated degradation of the agro&#45;ecosystems in terms of production scale. In the final considerations we emphasise the transition limits to a sustainable agriculture in the Southern region of Brazil.</font></p>         <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Keywords:</b> land appropriation, agrarian question, sustainable agriculture.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O objetivo do artigo &eacute; examinar como se deu, historicamente, a l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o privada do espa&ccedil;o rural brasileiro, atribuindo ao fator ambiental um papel relevante no contexto agr&aacute;rio. O processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada do territ&oacute;rio brasileiro deu o sentido &agrave; institucionaliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural, em termos gerais, enquanto um vazio social e ecol&oacute;gico e contra&#45;face de sua ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica em favor do vi&eacute;s estritamente urbano de sua ocupa&ccedil;&atilde;o, num flagrante desequil&iacute;brio socioespacial. Pode&#45;se dizer que a ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural brasileiro &#150;tido como <i>algo vago</i> e inculto, desvalorizado social, cultural e ecologicamente&#150;, al&eacute;m das contradi&ccedil;&otilde;es e conflitos oriundos da desigualdade no acesso &agrave; terra, promoveu a desigualdade no uso e no acesso a recursos e espa&ccedil;os naturais. Adverte&#45;se que os recursos naturais referidos n&atilde;o s&atilde;o vistos apenas como os objetos da Natureza a servi&ccedil;o da atividade econ&ocirc;mica estritamente; eles s&atilde;o espa&ccedil;os e recursos regulados pela Natureza e desigualmente usados e acessados pela Sociedade. No cerne desse uso&#45;acesso desigual do territ&oacute;rio est&aacute; a quest&atilde;o agr&aacute;ria.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O artigo, apesar de tratar da especificidade do caso brasileiro, pode contribuir para o entendimento cr&iacute;tico da rela&ccedil;&atilde;o entre quest&atilde;o agr&aacute;ria e ecol&oacute;gica no caso colombiano, a partir do estudo de Checchia (2007), no livro <i>Terra e capitalismo: a quest&atilde;o agr&aacute;ria na Col&ocirc;mbia (1848&#45;1853)</i>, e os estudos sobre a rela&ccedil;&atilde;o sociedade&#45;natureza envolvendo as popula&ccedil;&otilde;es camponesas mexicanas nos trabalhos de V&iacute;ctor Toledo, Leticia Merino&#45;P&eacute;rez, Francisco Chapela, entre outros, bem como as implica&ccedil;&otilde;es mais te&oacute;ricas das an&aacute;lises de Martinez&#45;Alier (1994 e 2007) e Enrique Leff (2006) sobre ecologia pol&iacute;tica camponesa. Por falta de espa&ccedil;o, optou&#45;se para o estudo mais aprofundado do caso brasileiro, que possui uma numerosa popula&ccedil;&atilde;o rural (pelos dados oficiais, cerca de 17.3 milh&otilde;es est&atilde;o ocupadas em atividades agropecu&aacute;rias<sup><a href="#nota">1</a></sup>) e que conta com um consider&aacute;vel avan&ccedil;o na moderniza&ccedil;&atilde;o de sua agricultura, sem que se tenha equacionado o problema agr&aacute;rio. Isto nos leva diretamente &agrave; hip&oacute;tese aqui discutida: a transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura sustent&aacute;vel no espa&ccedil;o rural brasileiro passa n&atilde;o s&oacute; pelo equacionamento da quest&atilde;o agr&aacute;ria, mas do problema agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gico.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A an&aacute;lise do processo agr&aacute;rio brasileiro se dar&aacute;, todavia, a partir do entendimento das lutas sociais agr&aacute;rias como <i>lutas ecol&oacute;gicas</i> pelo territ&oacute;rio, como ressalta Martinez&#45;Alier (2007), sendo este territ&oacute;rio o lugar de reprodu&ccedil;&atilde;o da vida em sentido concreto, onde as intera&ccedil;&otilde;es humano&#45;ambientais se realizam como um <i>processo co&#45;evolucion&aacute;rio</i>, insepar&aacute;vel. Para investigar a quest&atilde;o ambiental na origem das transforma&ccedil;&otilde;es das &aacute;reas rurais no Brasil, d&aacute;&#45;se um tratamento ao mesmo tempo hist&oacute;rico, pol&iacute;tico e institucional &agrave; quest&atilde;o ambiental com vistas a restabelecimento do sentido pol&iacute;tico&#45;ecol&oacute;gico do problema agr&aacute;rio brasileiro contempor&acirc;neo. Trata&#45;se, portanto, de entender o car&aacute;ter das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade no campo brasileiro, atrav&eacute;s de um processo aqui chamado de <i>expropria&ccedil;&atilde;o social e ecol&oacute;gica do territ&oacute;rio</i>. Em resumo, a expropria&ccedil;&atilde;o social e ecol&oacute;gica do territ&oacute;rio como corol&aacute;rio da apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras p&uacute;blicas. Mas qual a especificidade do caso brasileiro?</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Considera&#45;se que a institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural brasileiro obedeceu &agrave; l&oacute;gica de valoriza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do territ&oacute;rio com explora&ccedil;&atilde;o extrema dos seus recursos e espa&ccedil;os naturais, dando a esse processo um car&aacute;ter de <i>ethos do progresso</i>, s&oacute; que limitado ao estabelecimento de uma "agricultura ilustrada" (Louren&ccedil;o, 2001) em detrimento do desenvolvimento de uma <i>agricultura nacional</i>, como defendida j&aacute; na transi&ccedil;&atilde;o do Imp&eacute;rio para a Rep&uacute;blica pelo engenheiro e abolicionista Andr&eacute; Rebou&ccedil;as, conforme assinala P&aacute;dua (2002). A quest&atilde;o, sob a &oacute;tica de Rebou&ccedil;as, &eacute; n&atilde;o perder de vista a perspectiva territorial da an&aacute;lise quando se fala em <i>agricultura nacional</i>. Na impossibilidade de implementar a "democracia rural", como defendia, o car&aacute;ter itinerante da agricultura se tornaria uma marca espec&iacute;fica do capitalismo agr&aacute;rio brasileiro. Por essa &oacute;tica, Cano (2002) salienta que:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mesmo nas agriculturas de pequena propriedade &#91;...&#93; do Esp&iacute;rito Santo e do Sul do pa&iacute;s, embora livres do jugo latifundi&aacute;rio, a domina&ccedil;&atilde;o do capital mercantil teve forte presen&ccedil;a, inibindo a introdu&ccedil;&atilde;o de doses maiores de progresso t&eacute;cnico e estimulando pr&aacute;ticas degradantes da agricultura e, conseq&uuml;entemente, obrigando&#45;a a tamb&eacute;m itinerar. Aqui, entretanto, a propriedade dos meios de produ&ccedil;&atilde;o permitiu n&iacute;veis mais amenos de concentra&ccedil;&atilde;o de renda e melhores condi&ccedil;&otilde;es sociais (Cano, 2002: 119).</font></p> 	</blockquote>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Embora o autor acima ressalte os "n&iacute;veis amenos de concentra&ccedil;&atilde;o de renda e melhores condi&ccedil;&otilde;es sociais", o <i>car&aacute;ter itinerante da agricultura</i> constituiu&#45;se num elemento fundamental da forma&ccedil;&atilde;o do <i>ethos progresista</i> no capitalismo agr&aacute;rio brasileiro. Chama&#45;se &agrave; aten&ccedil;&atilde;o, nesta* interpreta&ccedil;&atilde;o, para a defini&ccedil;&atilde;o de um arcabou&ccedil;o hist&oacute;rico&#45;institucional subjacente ao processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras no territ&oacute;rio brasileiro, a partir de em Silva (1996, 2001) e Moraes (2005a, 2005b). Com isso, a preocupa&ccedil;&atilde;o do artigo &eacute; entender a itiner&acirc;ncia como fator&#45;motor da institucionaliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural, atuando na cria&ccedil;&atilde;o de um <i>vazio social e ecol&oacute;gico</i> &agrave; medida que avan&ccedil;ava sua ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A itiner&acirc;ncia, como for&ccedil;a indutora da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, estava alicer&ccedil;ada no padr&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, que se fazia com a cont&iacute;nua incorpora&ccedil;&atilde;o de novas terras ao cultivo e &agrave; posse. De acordo com Silva (1996), prevaleceu na atitude dos propriet&aacute;rios o consenso que foi se formando entre os juristas de que a lei de 1850 n&atilde;o obrigava sesmeiros e posseiros a regularizarem sua situa&ccedil;&atilde;o. Isto porque, segundo a autora, a alega&ccedil;&atilde;o de "moradia habitual" e "cultura efetiva" garanti&#45;los&#45;ia nas suas terras (Silva, 1996: 216). Dessa maneira, <i>a regra de degradar para itinerar</i>, mantendo a ordem social e econ&ocirc;mica inalteradas, justificava o processo an&ocirc;mico<sup><a href="#nota">2</a></sup> por meio do qual grassavam as formas de ocupa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural brasileiro.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para Moraes, especialmente, o expansionismo do sistema de produ&ccedil;&atilde;o colonial no Brasil reiterava, em bases s&oacute;lidas, a orienta&ccedil;&atilde;o central na estrutura&ccedil;&atilde;o ou constru&ccedil;&atilde;o nacional de seu territ&oacute;rio, reafirmando o car&aacute;ter itinerante no plano pol&iacute;tico. Afirma:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Uma id&eacute;ia&#45;eixo que se vai perpetuar ao longo de nossa hist&oacute;ria &eacute; a de <i>construir o Pa&iacute;s</i>. Tal id&eacute;ia tem por pressuposto uma a&ccedil;&atilde;o colonizadora, isto &eacute;, a ocupa&ccedil;&atilde;o dos fundos territoriais n&atilde;o explorados vai ser al&ccedil;ada &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de projeto nacional b&aacute;sico. Tal formula&ccedil;&atilde;o serviu, primeiramente, para aproximar elites regionais desconectadas economicamente numa iniciativa pol&iacute;tica unit&aacute;ria, isto &eacute;, forneceu&#45;lhes um cimento comum que os interesses econ&ocirc;micos imediatos n&atilde;o propiciava. Em segundo lugar, essa id&eacute;ia em si mesma legitima a exist&ecirc;ncia de um Estado forte e ativo, pois caber&aacute; fundamentalmente a ele a condu&ccedil;&atilde;o desse processo (Moraes, 2005a: 14).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao consignar a conquista territorial como marca da identidade nacional, herda&#45;se do sistema de produ&ccedil;&atilde;o colonial uma &oacute;tica dilapidadora do espa&ccedil;o, pelo padr&atilde;o expansivo, e dos recursos naturais, pelo padr&atilde;o intensivo. "Nesse quadro, as popula&ccedil;&otilde;es (aut&oacute;ctones ou transplantadas) s&atilde;o vistas como apenas um meio de se retirar a riqueza natural" (Moraes, 2005a: 14). Vem da&iacute; uma no&ccedil;&atilde;o clara do autor do papel do Estado num pa&iacute;s perif&eacute;rico:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O grande agente de produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o &eacute; o Estado, por meio de suas pol&iacute;ticas territoriais. &Eacute; ele o dotador dos grandes equipamentos e das infraestruturas, o construtor dos grandes sistemas de engenharia, o guardi&atilde;o do patrim&ocirc;nio natural e o gestor de fundos territoriais. Por estas atua&ccedil;&otilde;es, o Estado &eacute; tamb&eacute;m o grande indutor na ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio. Um mediador essencial, no mundo moderno, das rela&ccedil;&otilde;es sociedade&#45;espa&ccedil;o e sociedade&#45;natureza. Tal qualidade ganha pot&ecirc;ncia nos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos, notadamente nos de forma&ccedil;&atilde;o colonial, como o Brasil (Moraes, 2005a: 140).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por&eacute;m, n&atilde;o se tinha uma vis&atilde;o clara, at&eacute; 1930, no Brasil, do sentido de nacionalidade. At&eacute; porque apenas uma parcela modesta do territ&oacute;rio nacional estava extensivamente ocupada, de modo que o agr&aacute;rio, enquanto espa&ccedil;o de penetra&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es mercantis e de propriedade, entrou rapidamente em sincronia com a intensifica&ccedil;&atilde;o do processo concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria. Esta concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria tinha duas fun&ccedil;&otilde;es prec&iacute;puas: tanto incentivou a moderniza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica quanto a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Por essa interpreta&ccedil;&atilde;o, o Brasil do s&eacute;culo XX vai experimentar grandes progressos na consolida&ccedil;&atilde;o de um setor agr&iacute;cola avesso &agrave; realidade s&oacute;cio&#45;ambiental do seu meio rural e voltado para o atendimento das demandas dos grandes propriet&aacute;rios de terras, especialmente os cafeicultores, que detinham o produto mais valorizado, mais rent&aacute;vel, do mercado internacional. Um processo marcado tamb&eacute;m pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o e aparelhamento de uma ci&ecirc;ncia e tecnologia agr&iacute;cola, atrav&eacute;s da montagem de institutos de pesquisa e escolas de agronomia voltadas para a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e pecu&aacute;ria em larga escala (Louren&ccedil;o, 2001), a fim de que atendessem a volumes crescentes de gr&atilde;os e crescimento da produ&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria, ao mesmo tempo em que corroborava uma mentalidade rentista e progressista n&atilde;o&#45;democr&aacute;tica.<sup><a href="#nota">3</a></sup></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esta situa&ccedil;&atilde;o perdurou e se ampliou no apogeu da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde no Brasil, nos anos de 1970, especialmente, e que logo revelou ser um problema dram&aacute;tico a partir da d&eacute;cada de 1980, quando o fim dos subs&iacute;dios agr&iacute;colas precipitou as conseq&uuml;&ecirc;ncias mais perversas do modelo agr&iacute;cola brasileiro, com crescente perda de recursos naturais. Se isto permitiu ao pa&iacute;s construir uma agricultura moderna a expensas da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio, impediu a constru&ccedil;&atilde;o de uma <i>agricultura nacional</i> calcada na <i>democracia rural</i>, com a incorpora&ccedil;&atilde;o do trabalho livre do ex&#45;escravo na economia nacional, como preconizou Rebou&ccedil;as (P&aacute;dua, 2002).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Com base nesse referencial te&oacute;rico, o presente artigo estrutura&#45;se em tr&ecirc;s momentos. No primeiro momento, apresenta&#45;se um breve contexto da evolu&ccedil;&atilde;o do debate em torno da quest&atilde;o agr&aacute;ria no Brasil. No segundo, interpretam&#45;se as transforma&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o rural brasileiro como conseq&uuml;&ecirc;ncia da apropria&ccedil;&atilde;o privada do territ&oacute;rio, situando o problema sob o ponto de vista ambiental. No terceiro, ilustra&#45;se a an&aacute;lise com o caso da Regi&atilde;o Sul do Brasil, a partir do caso do Estado do Paran&aacute;, discutindo por que a maior democratiza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria n&atilde;o necessariamente responde &agrave; perspectiva de transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura ambientalmente sustent&aacute;vel. Nas considera&ccedil;&otilde;es finais, resume&#45;se a principal contribui&ccedil;&atilde;o deste artigo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>1. Quest&atilde;o agr&aacute;ria como problema econ&ocirc;mico e social</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Do ponto de vista da ordena&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da propriedade privada, a Lei de Terras de 1850 no Brasil (ver <a href="#d1">Box I</a>) foi o ponto de origem das controv&eacute;rsias em torno da quest&atilde;o agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gica. Como afirmou Silva, "pode&#45;se dizer que as 'distor&ccedil;&otilde;es' sofridas pela lei de 1850 constitu&iacute;ram o processo de sua aplica&ccedil;&atilde;o" (1996: 343). Os conflitos se tornaram a ess&ecirc;ncia de sua implementa&ccedil;&atilde;o, pois as camadas sociais mais abastadas utilizaram&#45;se de diferentes meios para acomodar o ordenamento jur&iacute;dico a seus interesses. A Lei serviu de par&acirc;metro para a regulariza&ccedil;&atilde;o da propriedade da terra, por&eacute;m, sem dificultar o apossamento; orientou as a&ccedil;&otilde;es de diferentes esferas de governo na quest&atilde;o fundi&aacute;ria, por&eacute;m, sem amainar os conflitos; ampliou o acesso &agrave; terra, por&eacute;m, sem democratiz&aacute;&#45;lo; consolidou a moderna propriedade territorial, por&eacute;m, sem resolver os contrastes sociais e prevenir os impactos ambientais; e, finalmente, contribuiu para instituir o espa&ccedil;o rural brasileiro, por&eacute;m, sem estabelecer os limites ecol&oacute;gicos &agrave; expans&atilde;o da sua fronteira interna.</font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><a name="d1"></a></font></p>  	    <p align="center"><font face="verdana" size="2"><img src="/img/revistas/est/v9n31/a6d1.jpg"></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Outrossim, deve&#45;se ponderar que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel falar de institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural no Brasil a partir do estabelecimento da propriedade plena, j&aacute; que a aplica&ccedil;&atilde;o da Lei de Terras permitiu que se levasse adiante, e se intensificasse, o processo de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio n&atilde;o apenas como um mero ato formal. No termo <i>institui&ccedil;&atilde;o</i>, o que vem impl&iacute;cito &eacute;, sobretudo, <i>a consolida&ccedil;&atilde;o da nova regra de apropria&ccedil;&atilde;o territorial, que, sob o manto da Lei, condicionou as transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas das &aacute;reas rurais &agrave; aus&ecirc;ncia de limites ecol&oacute;gicos e humanos na sua explora&ccedil;&atilde;o</i>. Reitere&#45;se. N&atilde;o se trata apenas de considerar ou desconsiderar os limites ecol&oacute;gicos e humanos, os quais ganharam um lugar subalterno na forma&ccedil;&atilde;o nacional, conforme assinala Moraes (2005a), mas de justificar a expans&atilde;o econ&ocirc;mica pela consci&ecirc;ncia da aus&ecirc;ncia desses limites. Assim, para progredir economicamente, a itiner&acirc;ncia da agricultura passou a ser uma caracter&iacute;stica preponderante da pr&oacute;pria modernidade agr&iacute;cola e agr&aacute;ria.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Brasil, houve uma evolu&ccedil;&atilde;o importante no debate acerca da quest&atilde;o agr&aacute;ria no seu sentido marxista cl&aacute;ssico. Ela apresentou um quadro hist&oacute;rico com vida bastante longa, desde 1920, por meio, destacadamente, do velho Partido Comunista (PCB), findando praticamente com o <i>golpe militar</i> de 1964, com um grande n&uacute;mero de seus defensores duramente reprimidos. N&atilde;o se pretende, todavia, afirmar que houve um in&iacute;cio e um fim para a quest&atilde;o agr&aacute;ria brasileira, que ela pertence ao passado ou n&atilde;o &eacute; mais v&aacute;lida atualmente. Trata&#45;se apenas da constata&ccedil;&atilde;o de que a dire&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que tra&ccedil;ava o fio condutor desse debate foi derrotada por um regime pol&iacute;tico de exce&ccedil;&atilde;o, que imp&ocirc;s um modelo assentado em ideais liberais estritos, fazendo com que a retomada do debate se desse em novas bases.<sup><a href="#nota">4</a></sup> Aliado a isso, outros setores pol&iacute;ticos progressistas e do chamado <i>campo popular,</i> bem como a produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, deram novos encaminhamentos ao debate.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Neste texto, adotamos o crit&eacute;rio de Delgado (2001) para discernir os per&iacute;odos em que os temas <i>agricultura e desenvolvimento</i> e <i>quest&atilde;o agr&aacute;ria</i> adquiriram contornos distintos. Foram pelo menos tr&ecirc;s per&iacute;odos: do p&oacute;s&#45;guerra ao golpe militar de 1964, foi a fase &aacute;urea do desenvolvimentismo; entre 1965 a 1985, a fase da <i>moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora</i> da agricultura brasileira, dentro do contexto industrializa&ccedil;&atilde;o; e P&oacute;s&#45;1985, a fase de estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, de desmonte do padr&atilde;o de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, de convers&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas liberais e do surgimento de novos atores sociais (sem&#45;teto, sem&#45;terra, etc.).</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>1.1.</i> <i>Primeiro momento: p&oacute;s&#45;guerra a 1964</i></b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre o p&oacute;s&#45;guerra e 1964, discutia&#45;se o lugar do setor rural na economia e na sociedade em processo de franca industrializa&ccedil;&atilde;o, ora para que se ajustasse ao modelo seguido de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es, ora como promessa de um projeto expl&iacute;cito de pol&iacute;tica econ&ocirc;mica. Nesse contexto, a emerg&ecirc;ncia do tema da Reforma Agr&aacute;ria como "quest&atilde;o nacional" era disputado por tr&ecirc;s setores distintos: o Partido Comunista Brasileiro (PCB), os setores ditos progressistas da Igreja Cat&oacute;lica e a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina (CEPAL). Vindo logo atr&aacute;s, um quarto grupo, representando os n&atilde;o&#45;defensores da Reforma, e de espectro ideol&oacute;gico oposto, liderado por Delfim Netto e Roberto Campos, cujo enfoque era industrialista e liberal&#45;conservador.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Do lado dos setores politicamente progressistas da academia, destacam&#45;se ainda as an&aacute;lises de Caio Prado Jr. (1960) e Ign&aacute;cio Rangel (1961). O primeiro justifica a realiza&ccedil;&atilde;o da Reforma Agr&aacute;ria brasileira naquele momento &agrave; possibilidade de elevar os padr&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o rural (foco na inclus&atilde;o socioecon&ocirc;mica). O segundo concentrou&#45;se nos problemas da superprodu&ccedil;&atilde;o e escassez de produtos agr&iacute;colas (dificultando o com&eacute;rcio exterior) e da superpopula&ccedil;&atilde;o rural (refletindo em desemprego urbano), fazendo com que o setor agr&iacute;cola ora n&atilde;o liberasse m&atilde;o&#45;de&#45;obra em quantidade necess&aacute;ria para a expans&atilde;o dos outros setores da economia, ora liberasse em excesso, rebaixando os sal&aacute;rios. Esse debate ficou conhecido como problemas <i>propriamente</i> e <i>impropriamente agr&aacute;rios</i>.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Um pouco mais tarde, viria &agrave; tona a problem&aacute;tica estrutural cepalina que foi expressa no car&aacute;ter inel&aacute;stico da oferta de alimentos <i>vis&#45;&agrave;&#45;vis</i> as press&otilde;es da demanda urbano&#45;industrial, como parte do diagn&oacute;stico do Plano Trienal (1963&#45;1965), que justificava a necessidade de mudan&ccedil;a tanto na estrutura fundi&aacute;ria quanto nas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no campo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Completando o quadro evolutivo, chama aten&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;a de mentalidade da igreja cat&oacute;lica sobre a import&acirc;ncia da Reforma Agr&aacute;ria. Este debate ganharia corpo com a cria&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) nas d&eacute;cadas de 1950 e 1960, quando o episcopado constatou que a aplica&ccedil;&atilde;o da doutrina da igreja cat&oacute;lica contrastava com uma realidade agr&aacute;ria perversa. Foi posta em pr&aacute;tica uma nova <i>doutrina social</i>. Ocorre a den&uacute;ncia da injusti&ccedil;a e da exclus&atilde;o social, o que leva &agrave; igreja a obter importante influ&ecirc;ncia pol&iacute;tica na &eacute;poca por ter inscrito na sua Doutrina Social o princ&iacute;pio da fun&ccedil;&atilde;o social da propriedade, logo incorporado ao Estatuto da Terra (1964) e, mais tarde, &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (1988), atualmente em vigor.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Do lado dos setores politicamente conservadores, a proposi&ccedil;&atilde;o defendida por Delfim Netto considera refut&aacute;vel a tese cepalina da rigidez da oferta agr&iacute;cola. Os economistas liberais defendiam a tese da <i>resposta funcional</i> da oferta agr&iacute;cola &agrave;s press&otilde;es da demanda, j&aacute; que n&atilde;o consideravam a estrutura fundi&aacute;ria existente e nem as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho no campo como quest&otilde;es econ&ocirc;micas relevantes. Para eles, n&atilde;o era uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. Sendo assim, n&atilde;o havia raz&atilde;o para se realizar a reforma agr&aacute;ria, bastando que a agricultura cumprisse adequadamente suas fun&ccedil;&otilde;es, via o est&iacute;mulo da pol&iacute;tica agr&iacute;cola, dentro processo de desenvolvimento j&aacute; em curso, isto &eacute;, liberar m&atilde;o&#45;de&#45;obra para a ind&uacute;stria, gerar oferta de alimentos, suprir a ind&uacute;stria de mat&eacute;rias&#45;primas, elevar as exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas e transferir renda real para o setor urbano.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>1.2.</i> <i>Segundo momento: 1965 a 1985</i></b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O golpe de 1964, al&eacute;m de calar por meio da for&ccedil;a o debate agr&aacute;rio mais amplo, sentenciou que o caminho proposto pelos economistas liberais era o que seria seguido. Caminho este que ficou conhecido mais tarde na voz dos economistas cr&iacute;ticos pelas seguintes denomina&ccedil;&otilde;es: <i>moderniza&ccedil;&atilde;o sem reforma, moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora</i> ou "moderniza&ccedil;&atilde;o dolorosa". O Programa de A&ccedil;&atilde;o Econ&ocirc;mica do Governo (PAEG), elaborado ente 1964&#45;1966, pelos Ministros Roberto Campos (Planejamento) e Oct&aacute;vio Gouv&ecirc;a de Bulh&otilde;es (Fazenda), tinha como objetivo interpretar o desenvolvimento e formular uma pol&iacute;tica que eliminasse os estrangulamentos internos da economia que bloqueavam o crescimento. Para eles, a causa fundamental era a press&atilde;o inflacion&aacute;ria e somente a moderniza&ccedil;&atilde;o do setor agropecu&aacute;rio surtiria efeito e n&atilde;o uma reforma. A Reforma s&oacute; seria necess&aacute;ria se feita de modo pontual e, mesmo assim, onde a estrutura agr&aacute;ria, comprovadamente, gerasse inefici&ecirc;ncia econ&ocirc;mica, j&aacute; que a expans&atilde;o da agricultura dependia, segundo eles, de quatro fatores b&aacute;sicos: n&iacute;vel t&eacute;cnico da m&atilde;o&#45;de&#45;obra; n&iacute;vel de mecaniza&ccedil;&atilde;o; n&iacute;vel de utiliza&ccedil;&atilde;o de adubos; e de uma estrutura agr&aacute;ria eficiente.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tal modelo, al&eacute;m de ter imposto uma derrota pol&iacute;tica ao movimento social pela Reforma Agr&aacute;ria, ofereceu uma resposta pol&iacute;tica que priorizava a valoriza&ccedil;&atilde;o do caf&eacute; e seu regime cambial favor&aacute;vel, que apressava a industrializa&ccedil;&atilde;o e a urbaniza&ccedil;&atilde;o ent&atilde;o em curso, diversificando e elevando consideravelmente as exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas e agroindustriais. A ado&ccedil;&atilde;o desse modelo teve ampla repercuss&atilde;o e contribuiu para a consolidar uma estrutura fundi&aacute;ria social e ambientalmente perversa, pois concentrava ainda mais a propriedade da terra e promovia a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>1.3.</i> <i>Terceiro e &uacute;ltimo momento: o p&oacute;s&#45;1985</i></b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">No p&oacute;s&#45;1985, com o fim do regime militar e a abertura pol&iacute;tica, o debate em torno da quest&atilde;o agr&aacute;ria foi retomado como dilema pol&iacute;tico. O ambiente pol&iacute;tico interno passou a ser de radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia, principalmente com as grandes manifesta&ccedil;&otilde;es da sociedade civil por elei&ccedil;&otilde;es diretas para presidente da rep&uacute;blica e, mais tarde, com os debates acerca da elabora&ccedil;&atilde;o da Nova Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira. Da parte do ambiente econ&ocirc;mico externo, consolidava&#45;se uma <i>nova ordem econ&ocirc;mica mundial,</i> com base em crescente endividamento dos pa&iacute;ses latino&#45;americanos e radicaliza&ccedil;&atilde;o das doutrinas liberalizantes. Nesse novo contexto, estavam de um lado os movimentos sociais, que voltavam a atuar com toda for&ccedil;a e de outro, aumentavam as restri&ccedil;&otilde;es ao financiamento externo da economia brasileira, agravando a situa&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os ativistas pol&iacute;ticos e estudiosos, favor&aacute;veis &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de uma ampla reforma agr&aacute;ria, consideravam que a tem&aacute;tica agr&aacute;ria poderia se impor por press&atilde;o social. Por&eacute;m, o que se constatou, segundo a vis&atilde;o de muitos deles, foi a consolida&ccedil;&atilde;o de um <i>dualismo</i> no processo de desenvolvimento brasileiro, caracterizado pelo padr&atilde;o de modernidade econ&ocirc;mica de um lado e de atraso social de outro. Esse fato contribuiu fortemente para restringir o debate agr&aacute;rio &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de alternativas ou de estrat&eacute;gias de desenvolvimento dentro do espectro da industrializa&ccedil;&atilde;o da agricultura, no que veio a ser chamado mais tarde de <i>complexos agroindustriais</i> (Graziano da Silva, 1996).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Delgado (2001), por&eacute;m, classifica os anos de 1980, no geral, como um <i>per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o</i>. Para ele, o Brasil passou do per&iacute;odo <i>modernizante&#45;conservador</i> para o <i>liberalizante&#45;conservador</i>, o qual tomaria realmente forma nos anos de 1990. Essa <i>transi&ccedil;&atilde;o</i> a que se refere representaria uma nova inflex&atilde;o no debate agr&aacute;rio. As raz&otilde;es apontadas pelo autor s&atilde;o de que: o cen&aacute;rio econ&ocirc;mico foi de relativa estagna&ccedil;&atilde;o industrial nos anos de 1980 e prosseguiu assim nos anos de 1990; a agricultura que gerou altos saldos comerciais externos, especialmente na d&eacute;cada de 1980, encontrou um clima inverso nos anos de 1990, quando as exporta&ccedil;&otilde;es em geral sofreram rev&eacute;s acentuado, particularmente com a entrada em vigor do Plano Real (1994&#45;95); o desmonte sucessivo do aparato estatal nos anos de 1980 e 1990, fez com que parte essencial das interven&ccedil;&otilde;es no setor agr&iacute;cola, que vigoraram desde 1930 e foram recicladas pelo regime militar, deixassem de existir quase por completo; a falta de prioridade na pol&iacute;tica do desenvolvimento agr&iacute;cola na agenda do Estado tornou&#45;se fato consumado, motivada que foi, sobretudo, pela perda de impulso da pr&oacute;pria industrializa&ccedil;&atilde;o; e a prioriza&ccedil;&atilde;o do setor externo da economia no per&iacute;odo recente foi, praticamente, a &uacute;nica pol&iacute;tica que restou do per&iacute;odo <i>modernizante&#45;conservador</i>.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nesse sentido, o significado do debate agr&aacute;rio, de acordo com essa sint&eacute;tica periodiza&ccedil;&atilde;o, a partir de Delgado (2001), foi bastante simplificado no que se refere ao papel do setor agropecu&aacute;rio, o que amesquinhou o car&aacute;ter nacional do desenvolvimento brasileiro. A moderniza&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria foi substancialmente robustecida, com a diversifica&ccedil;&atilde;o e aumento da produ&ccedil;&atilde;o, alterando o padr&atilde;o tecnol&oacute;gico do setor, mas, ao mesmo tempo, mantendo inalterada a heterogeneidade social. O <i>pacto agr&aacute;riomodernizante&#45;conservador</i> apoiou e defendeu o latif&uacute;ndio na sua nova estrutura fiscal e financeira, fazendo com que todos os ingredientes pol&iacute;ticos que precipitaram o debate mais amplo em torno da quest&atilde;o agr&aacute;ria ficassem em compasso de espera, prontos para re&#45;eclodir com mais for&ccedil;a ainda nos anos de 1990.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Rezende (2003) destaca que, nos anos de 1990, a desregulamenta&ccedil;&atilde;o do mercado e a nova pol&iacute;tica de pre&ccedil;os m&iacute;nimos e cr&eacute;dito agr&iacute;cola tornaram a estrutura produtiva do setor agr&iacute;cola mais competitiva, tanto do ponto de vista interno e externo, o que resultou numa tend&ecirc;ncia geral de aumento da produtividade e redu&ccedil;&atilde;o de custos. Situa&ccedil;&atilde;o esta que marcou a retirada do governo como principal comprador em v&aacute;rios mercados. Al&eacute;m do mais, a sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o cambial do per&iacute;odo 1994 a 1998 elevou o n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia do setor agr&iacute;cola em termos de competitividade, situa&ccedil;&atilde;o s&oacute; amenizada ap&oacute;s 1999, com a desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial, a qual deu&#45;lhe novo impulso ao recuperar a rentabilidade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Garcia e Palmeira (2001), por sua vez, observam que o per&iacute;odo recente &eacute; marcado pelo que chama de "dilema do enraizamento da modernidade", segundo o qual os pesos relativos do rural e do urbano para o desenvolvimento brasileiro s&atilde;o um legado da forma&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do Brasil. Estes autores chamam a aten&ccedil;&atilde;o, especificamente, para o processo em que o mundo urbano em expans&atilde;o, ao mesmo tempo em que criava novas condi&ccedil;&otilde;es de vida, tinha seu dinamismo e seus rumos dependentes, em alguma medida, da reestrutura&ccedil;&atilde;o das formas de operar <i>(fazer prosperar)</i> o universo agr&iacute;cola. Isto &eacute;, n&atilde;o se tratava simplesmente de superar uma tradi&ccedil;&atilde;o rural ou "superar seu atraso", como se diz vulgarmente, mas de como substituir um universo de rela&ccedil;&otilde;es sociais por outro sem que isso implicasse em maior empobrecimento e degrada&ccedil;&atilde;o ambiental. Ao inv&eacute;s disso, veio a justifica&ccedil;&atilde;o do atraso do mundo rural e n&atilde;o sua supera&ccedil;&atilde;o, com a acelerada urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o se constitu&iacute;do num processo civilizat&oacute;rio de fato, pelo contr&aacute;rio. As heterogeneidades sociais foram ampliadas, tanto no campo como na cidade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Durante todo o ciclo de industrializa&ccedil;&atilde;o da economia brasileira, no per&iacute;odo de 1930 a 1980, apesar de ter sido estabelecida uma rota clara guiada pelo modelo da substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es,<sup><a href="#nota">5</a></sup> o que se viu foi prevalecer um processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o como sin&ocirc;nimo de "cidades industriais", onde se criaria um <i>universo de direitos</i> e um processo de <i>ruraliza&ccedil;&atilde;o</i> identificados com um <i>universo de priva&ccedil;&otilde;es</i>. O rural passou a ser tratado de modo subsidi&aacute;rio dentro modelo de industrializa&ccedil;&atilde;o, como um setor, o agr&iacute;cola, cumprindo um papel funcional dentro da expans&atilde;o da ind&uacute;stria brasileira.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tratou&#45;se, portanto, de demonstrar nesta se&ccedil;&atilde;o como foi o encaixe do setor agropecu&aacute;rio no contexto da industrializa&ccedil;&atilde;o, a expensas do debate agr&aacute;rio e relegando o espa&ccedil;o rural &agrave; sua pr&oacute;pria sorte. Mais que uma relev&acirc;ncia estat&iacute;stica, o rural perdeu seu nexo socioespacial e, saliente&#45;se, ecol&oacute;gico. Da&iacute; a proposta de retomar a vis&atilde;o do rural como base no nexo agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gico de sua conforma&ccedil;&atilde;o socioespacial, reinterpretando a origem do problema agr&aacute;rio brasileiro.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>3. Ecologia pol&iacute;tica agr&aacute;ria no Brasil: indo &agrave; raiz do problema</b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">De acordo com o que foi dito at&eacute; o momento, considera&#45;se a hip&oacute;tese de que <i>a quest&atilde;o ambiental est&aacute; na raiz do problema agr&aacute;rio brasileiro</i>. Isto &eacute;, a natureza do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras no Brasil teve na aliena&ccedil;&atilde;o/destrui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade seu impulso econ&ocirc;mico b&aacute;sico. Nessa condi&ccedil;&atilde;o, <i>degradar para itinerar</i> tornou&#45;se a regra principal do desenvolvimento econ&ocirc;mico moderno e politicamente conservador no espa&ccedil;o rural brasileiro, como j&aacute; se afirmou anteriormente. Por esse ponto de vista, a insist&ecirc;ncia em denunciar a concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria e reivindicar a democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; terra no Brasil, como condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non</i> para se fazer justi&ccedil;a social, apesar de ser uma importante agenda dos movimentos sociais rurais na Am&eacute;rica Latina, n&atilde;o &eacute; por si mesma raz&atilde;o suficiente para garantir um verdadeira transforma&ccedil;&atilde;o nas rela&ccedil;&otilde;es sociais rurais, se n&atilde;o for levada em conta a dimens&atilde;o ecol&oacute;gica do problema agr&aacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">H&aacute; pelo menos duas interpreta&ccedil;&otilde;es tradicionais no debate agr&aacute;rio brasileiro relativamente aos seus impactos ambientais sobre o territ&oacute;rio. A primeira considera que a estrutura agr&aacute;ria brasileira foi resultado da sua condi&ccedil;&atilde;o de col&ocirc;nia e pouco mudou de l&aacute; para c&aacute;, inclusive a pr&aacute;tica da destrui&ccedil;&atilde;o dos recursos e espa&ccedil;os naturais. A segunda considera que a difus&atilde;o do modelo euro&#45;americano de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, mais conhecido como Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, foi o promotor por excel&ecirc;ncia do <i>start</i> desencadeador dos problemas ambientais no meio rural brasileiro, tais como a eros&atilde;o dos solos, a desertifica&ccedil;&atilde;o, o desmatamento, entre outros. Aqui se defende uma interpreta&ccedil;&atilde;o alternativa. Afirma&#45;se que n&atilde;o se tratou simplesmente da perman&ecirc;ncia do oligarca rural tosco do per&iacute;odo colonial, embora ele continuasse a existir como chefe pol&iacute;tico regional em firme alian&ccedil;a com o latifundi&aacute;rio empreendedor do caf&eacute;. Nem tampouco se tratou apenas do impacto da difus&atilde;o, anos mais tarde, do "pacote" tecnol&oacute;gico da chamada Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, fato que veio dar sentido &agrave; <i>moderniza&ccedil;&atilde;o conservadora</i>. Na verdade, o <i>ethos progressista</i> estava dado pelas rela&ccedil;&otilde;es de propriedade e absorveria rapidamente cada pacote tecnol&oacute;gico que surgisse, reproduzindo reiteradamente <i>a regra da degrada&ccedil;&atilde;o&#45;itiner&acirc;ncia</i>.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para o caso brasileiro, <i>a regra citada acima se materializa na aus&ecirc;ncia de limites ambientais nas diferentes frentes de expans&atilde;o da fronteira e ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio via o processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada</i>. Ocupam&#45;se terras devolutas como "vazios" territoriais ou vazios ecol&oacute;gicos e sociais, instituindo o espa&ccedil;o rural enquanto regula&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria do acesso &agrave; terra e condi&ccedil;&atilde;o de manuten&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade tais como s&atilde;o. Como discutido por Robert Brenner (1995), no seu artigo seminal "Agrarian Class Structure and Economic Development in Pr&eacute;&#45;Industrial Europe", no qual observa que a regula&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria fez parte das <i>regras de reprodu&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;sticas</i> do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras. No caso do Brasil, isso significa que a estrutura fundi&aacute;ria seria mantida pela moderniza&ccedil;&atilde;o, funcionando como sua "regra de reprodu&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica", atrav&eacute;s da qual, o v&iacute;nculo entre o agr&aacute;rio e o ecol&oacute;gico &eacute; negado.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foi nesse sentido que a <i>moderniza&ccedil;&atilde;o</i> das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade no espa&ccedil;o rural brasileiro foi poss&iacute;vel sem que se rompesse totalmente com o legado da estrutura agr&aacute;ria herdada da economia colonial. Ao desenvolver uma agricultura em larga escala, baseada nas grandes planta&ccedil;&otilde;es, o pa&iacute;s <i>precisou</i> desse legado para desenvolv&ecirc;&#45;la na forma social capitalista espec&iacute;fica, porque a situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia estrutural do agro brasileiro em rela&ccedil;&atilde;o ao mercado externo, enquanto imperativo, exigiu&#45;lhe isto. Conforme Silva (1996, 2001) e Moraes (2005a; 2005b), e este &eacute; um aspecto importante, a natureza das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade no rural brasileiro se fez constituir politicamente, ou seja, n&atilde;o foi uma esfera econ&ocirc;mica aut&ocirc;noma que comandou internamente esta exig&ecirc;ncia, foi o estabelecimento de forte alian&ccedil;a entre os grandes latifundi&aacute;rios e o Estado nacional, enquanto elite de poder, que as condi&ccedil;&otilde;es de institui&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o de uma certa ordem econ&ocirc;mica e social no campo foram criadas, com as pr&eacute;condi&ccedil;&otilde;es para a acumula&ccedil;&atilde;o interna sendo forjadas, simultaneamente, a partir de S&atilde;o Paulo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Afirma&#45;se, portanto, que a institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural brasileiro se deu com base em rela&ccedil;&otilde;es de propriedade especiais que condicionaram a valoriza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do territ&oacute;rio &agrave; explora&ccedil;&atilde;o extrema dos seus recursos e espa&ccedil;os naturais, dando a esse processo um car&aacute;ter de <i>ethos do progresso</i>, limitado &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o de uma <i>agricultura ilustrada</i> (Louren&ccedil;o, 2001) em detrimento do desenvolvimento de uma <i>agricultura nacional</i> (Rebou&ccedil;as, apud P&aacute;dua, 2002). Isso imp&otilde;e que se reveja ou reinterprete o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o do modelo agr&iacute;cola, a partir da difus&atilde;o da <i>Revolu&ccedil;&atilde;o Verde</i> no Brasil, como principal fonte de explica&ccedil;&atilde;o para a progress&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental no territ&oacute;rio. Na perspectiva adotada neste artigo, logo no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, j&aacute; havia um ambiente prop&iacute;cio &agrave; difus&atilde;o e absor&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias <i>up to date</i>, sem romper necessariamente com um legado de destrui&ccedil;&atilde;o ambiental.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&Eacute; claro, assinale&#45;se, que a ado&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, ap&oacute;s a d&eacute;cada de 1960, at&eacute; pela escala em que se deu, teve uma influ&ecirc;ncia decisiva na generaliza&ccedil;&atilde;o da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e deteriora&ccedil;&atilde;o social do espa&ccedil;o rural brasileiro. O que se chama aten&ccedil;&atilde;o, no entanto, &eacute; que, do ponto de vista das rela&ccedil;&otilde;es de propriedade vigentes, foi a perman&ecirc;ncia estrutural da <i>monocultura de fronteira aberta</i> quem, de fato, levou ao paroxismo o processo de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e deteriora&ccedil;&atilde;o social do territ&oacute;rio. Processo refor&ccedil;ado pela expuls&atilde;o de pequenos lavradores e reprodu&ccedil;&atilde;o de outras levas de pequenos e m&eacute;dios propriet&aacute;rios rurais, bem como do fracionamento de grandes propriedades nos per&iacute;odos de perda de rentabilidade das lavouras tradicionais. Ap&oacute;s o esgotamento de cada ciclo expansionista da fronteira agr&iacute;cola, e &agrave; medida que outro ia se impondo, os v&iacute;nculos entre o agr&aacute;rio e o ecol&oacute;gico iam se destruindo. Nesse sentido, a concentra&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria teve na profus&atilde;o de minif&uacute;ndios rurais com alguma alternativa de sobreviv&ecirc;ncia sua contra&#45;face, mas sem gerar ou garantir efetivamente novas oportunidades econ&ocirc;micas para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o rural.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Se a Lei de Terras de 1850 ajudou, por um lado, a pavimentar o caminho atrav&eacute;s do qual os atores sociais em conflito v&atilde;o transitar para um novo regime de propriedade, por outro lado, ela, por si s&oacute;, n&atilde;o ajuda a explicar o desencadeamento do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada. &Eacute; preciso explicitar quais especificidades geraram as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para isso. A difus&atilde;o da apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras devolutas, como algo vazio e inculto (Silva, 1996), foi uma condi&ccedil;&atilde;o, pois condicionou toda forma de apropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, produzindo <i>vazios ecol&oacute;gicos e sociais</i>. Pode&#45;se dizer que a Lei de Terras foi o ponto origem, mas somente a continuidade das formas predat&oacute;rias de explora&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os e recursos naturais no Brasil, atrav&eacute;s da <i>monocultura em fronteira aberta</i>, foi que selou o compromisso central com a moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola socioambientalmente predat&oacute;ria no pa&iacute;s. &Eacute; nesse sentido que fator ambiental adquire um car&aacute;ter estruturante nas rela&ccedil;&otilde;es de propriedade perpetuadas no espa&ccedil;o rural brasileiro, o que redefine o problema agr&aacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para argumentar, considera&#45;se que nem as mais diversas tecnologias agr&iacute;colas empregadas conseguiram promover a contento um progresso material mais amplo, tendo em vista a intensidade da explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, e nem foram um impedimento para a ocupa&ccedil;&atilde;o extensiva do espa&ccedil;o agr&aacute;rio brasileiro. Isso se deu por tr&ecirc;s raz&otilde;es b&aacute;sicas: pelo aperfei&ccedil;oamento dos mecanismos de controle pol&iacute;tico de certos grupos de interesse sobre a a&ccedil;&atilde;o do Estado, pela consolida&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia do poder econ&ocirc;mico dos <i>latifundi&aacute;rios&#45;empreendedores</i> do Estado de S&atilde;o Paulo e pela eclos&atilde;o continuada de conflitos agr&aacute;rios. Para corroborar tal argumento, pode&#45;se citar o caso da Europa, onde havia dificuldades em se praticar a <i>monocultura total</i>, devido &agrave; menor oferta de solos f&eacute;rteis e ao grau acentuado de desgaste do solo, conforme Romeiro (1998). No Brasil, a condi&ccedil;&atilde;o de fronteira aberta (ou m&oacute;vel) permitia um ajuste maior a esse sistema e anulava os efeitos do aumento dos custos da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental sobre a explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola. Da&iacute; as tecnologias e os pacotes tecnol&oacute;gicos se adequarem bem &agrave; realidade rural do pa&iacute;s sem maiores considera&ccedil;&atilde;o do fator ambiental.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">De acordo com Romeiro (1998), a monocultura foi referendada na Inglaterra por uma lei, The Agricultural Holding Act, de 1909, que "eliminou os &uacute;ltimos empecilhos legais &agrave; pr&aacute;tica da monocultura ao tornar sem efeito as antigas normas sobre o m&eacute;todo de cultura contidas nos contratos de arrendamento". Ademais, o desenvolvimento hist&oacute;rico particular que caracterizou o s&eacute;culo XX, em especial, com a realiza&ccedil;&atilde;o de duas guerras mundiais, foi decisivo nos rumos da difus&atilde;o do padr&atilde;o agr&iacute;cola dominante, sobretudo, com o advento da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, cuja caracter&iacute;stica principal foi a simplifica&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos de cultivo e sua difus&atilde;o para diversos pa&iacute;ses do globo, inclusive as regi&otilde;es tropicais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Levando&#45;se em conta apenas o car&aacute;ter da difus&atilde;o do modelo euro&#45;americano de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, pode&#45;se at&eacute; objetar o ponto de vista aqui desenvolvido, reclamando que toda a perspectiva adotada neste texto n&atilde;o definiu claramente o que de fato &eacute; o agr&aacute;rio. Este &eacute; um aspecto importante da reflex&atilde;o j&aacute; que o problema agr&aacute;rio n&atilde;o &eacute; e nem deve ser visto separadamente do fator ecol&oacute;gico. O que se argumenta, reiterando, &eacute; que o elo entre agr&aacute;rio e o ecol&oacute;gico foi negado durante muito tempo e precisa ser posto no centro do debate sobre desenvolvimento rural. Mais correto seria dizer que a an&aacute;lise das &aacute;reas ou regi&otilde;es rurais deveria levar em conta as transforma&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gicas em seu conjunto e, no plano social das lutas agr&aacute;rias, o conflito agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gico oriundo destas transforma&ccedil;&otilde;es. Chama&#45;se de <i>agrarismo ecol&oacute;gico</i> a forma como as lutas sociais agr&aacute;rias se transmutaram em lutas ecol&oacute;gicas pelo territ&oacute;rio. Portanto, n&atilde;o se trata apenas de definir o agr&aacute;rio, mas de explicitar o fator ambiental, definido pelos efeitos da degrada&ccedil;&atilde;o sobre o territ&oacute;rio e entender a dimens&atilde;o ecol&oacute;gica, definida pela valoriza&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do socioespacial e natural do territ&oacute;rio na estrutura&ccedil;&atilde;o e reconfigura&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas rurais ao longo do tempo.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pelo lado das transforma&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gicas, a abordagem da economia rural pode enriquecer&#45;se com os temas da ecologia pol&iacute;tica agr&aacute;ria, aprofundando&#45;se no estudo das transforma&ccedil;&otilde;es no acesso&#45;uso dos espa&ccedil;os, recursos e servi&ccedil;os naturais causadas associado ao avan&ccedil;o dos processos agr&aacute;rios, que se d&atilde;o via amplia&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria ou do crescimento das atividades agropecu&aacute;rias em seu conjunto.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Muitos dos conflitos sociais podem ser expressos como lutas ecol&oacute;gicas e para que isso ocorra &eacute; preciso tornar vis&iacute;vel seu conte&uacute;do. Nos territ&oacute;rios engendrados pela agricultura camponesa s&atilde;o reveladas as mais diversas linguagens da consci&ecirc;ncia ecol&oacute;gica radical, que se traduz em simbologias pr&oacute;prias dos problemas concretos. Cabe aos movimentos sociais rurais tornar vis&iacute;veis muitas das "externalidades ambientais" causadas pelo funcionamento do sistema econ&ocirc;mico. Sintomas de problemas ambientais s&atilde;o observados em situa&ccedil;&otilde;es sociais nas quais, por exemplo, o homem e a mulher camponesa s&atilde;o privados das condi&ccedil;&otilde;es materiais e subjetivas de intera&ccedil;&atilde;o entre o territ&oacute;rio e a natureza. Quando tais condicionantes estruturais e subjetivos n&atilde;o lhes proporcionam melhores condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento, ent&atilde;o, emergem conflitos destruidores dessa intera&ccedil;&atilde;o. O movimento social, por&eacute;m, n&atilde;o deve apenas denunciar essa situa&ccedil;&atilde;o, ele deve estabelecer o <i>front</i> de sua luta em torno de uma quest&atilde;o espec&iacute;fica: a luta pelo acesso &agrave; terra passa a n&atilde;o ser somente uma luta por um ativo econ&ocirc;mico, mas uma luta ecol&oacute;gica pelo territ&oacute;rio.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A discuss&atilde;o acima ajuda a entender como as lutas s&oacute;ciais no campo podem ser definidas pela participa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o de uma territorialidade espec&iacute;fica camponesa (ruralidade), indo mais al&eacute;m da ocupa&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho familiar pura e simplesmente. Isso n&atilde;o quer dizer que esta ocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seja importante. &Eacute;. S&oacute; que ela, sozinha, n&atilde;o define a filia&ccedil;&atilde;o social do agricultor com o territ&oacute;rio, como dado cultural e muito menos como quest&atilde;o pol&iacute;tica nacional. Os movimentos sociais rurais favor&aacute;veis &agrave; agroecologia, por exemplo, buscam refor&ccedil;ar as <i>caracter&iacute;sticas simbi&oacute;ticas do conservacionismo ecol&oacute;gico</i> das popula&ccedil;&otilde;es rurais (Toledo, 2002), como defesa de direitos ancestrais atualizados e atualiz&aacute;veis. Segundo Toledo:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Tras tres d&eacute;cadas de investigaci&oacute;n agroecol&oacute;gica y etnoecol&oacute;gica, existe ya un respetable repertorio de ejemplos mostrando c&oacute;mo el minifundio familiar (campesino o ind&iacute;gena) resulta mucho m&aacute;s eficiente desde el punto de vista del uso y conservaci&oacute;n de los recursos naturales (suelo, agua, biodiversidad, energ&iacute;a, ecosistemas). La explicaci&oacute;n es bastante simple y puede seguir varios caminos. Una propiedad grande no permite de entrada el manejo meticuloso y fino que requiere un uso ecol&oacute;gicamente apropiado (por ejemplo, la delicada variaci&oacute;n de los suelos queda suprimida en las grandes extensiones o la manipulaci&oacute;n de cultivos m&uacute;ltiples o el control biol&oacute;gico de las plagas). (2002: 30).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Assim, em sua intera&ccedil;&atilde;o primordial com a natureza, as popula&ccedil;&otilde;es realizam a reposi&ccedil;&atilde;o e recomposi&ccedil;&atilde;o intergeracional da base de conhecimentos locais sobre o manejo de espa&ccedil;os e recursos naturais e isso explica o por qu&ecirc; de a <i>agrobiodiversidade</i> camponesa n&atilde;o separar o agr&iacute;cola e o silvestre, pois o <i>input</i> de genes silvestres &eacute; cont&iacute;nuo dentro da agricultura tradicional; e n&atilde;o separar a diversidade cultural e a diversidade natural, pois o sistema tradicional de variedades de sementes encerra ao mesmo tempo, em si mesmo, valor de uso, de op&ccedil;&atilde;o e de exist&ecirc;ncia (Martinez&#45;Alier, 1994).</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As&iacute; pues, el incipiente movimiento ecologista popular relacionado con la biodiversidad agr&iacute;cola plantea dos cuestiones: el reconocimiento (y discutiblemente el pago) de los derechos de los agricultores sobre los recursos gen&eacute;ticos por ellos conservados y mejorados <i>in situ</i>; en segundo lugar, el acceso en condiciones faborables, posiblemente gratis, a las variedades conservadas y mejoradas <i>ex situ</i>, con el argumento de que los materiales gen&eacute;ticos originarios provienen de la agricultura tradicional y que nada se ha pagado por ellos (Martinez&#45;Alier, 1994: 135&#45;136).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O que se entende aqui por <i>agrarismo ecol&oacute;gico</i> s&atilde;o as percep&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das pelos agricultores na luta pela reapropria&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, inclu&iacute;da a reapropria&ccedil;&atilde;o da Natureza (Leff, 2006). Quando o que est&aacute; em jogo s&atilde;o os direitos dessas popula&ccedil;&otilde;es sobre os recursos gen&eacute;ticos que mantiveram durantes anos, com ou sem melhoras <i>in situ</i> e <i>ex situ</i>, deve&#45;se considerar as condi&ccedil;&otilde;es materiais em que muitas delas se encontram, especialmente as rurais, ou seja, privadas das condi&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento pleno.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O problema fundamental dos sistemas de produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;rio em grande escala &eacute; sua redund&acirc;ncia em termos do uso de materiais e energia, ou seja, a depend&ecirc;ncia quase obrigat&oacute;ria de insumos qu&iacute;micos para manter a fertilidade do solo e o controle de pragas acaba por elevar ao m&aacute;ximo o duplo custo econ&ocirc;mico&#45;ecol&oacute;gico de mant&ecirc;&#45;lo, resultando em inefici&ecirc;ncia energ&eacute;tica e em custos sociais perversos e duradouros. As estrat&eacute;gias da agricultura familiar fortemente vinculadas ao mercado de commodities tradicionais criam um risco s&eacute;rio &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o dos sistemas agr&aacute;rios onde perdura a <i>agrobiodiversidade</i> camponesa.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>4. Apropria&ccedil;&atilde;o de terras e democratiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural no Sul do Brasil</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No contexto da Am&eacute;rica Latina, o texto cl&aacute;ssico de Chonchol (1996), <i>Sistemas agr&aacute;rios em Am&eacute;rica Latina</i>, j&aacute; chamava aten&ccedil;&atilde;o para o tratamento marginal dado, at&eacute; ent&atilde;o, &agrave; agricultura camponesa ou familiar pelos estudos hist&oacute;ricos e econ&ocirc;micos, especialmente no que concernia &agrave;s lutas por terra dos camponeses e &agrave;s caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias da economia camponesa. Uma primeira caracter&iacute;stica &eacute; a de que a economia camponesa baseia&#45;se fundamentalmente no trabalho familiar, sendo a fam&iacute;lia o n&uacute;cleo essencial de produ&ccedil;&atilde;o e consumo. Outra caracter&iacute;stica fundamental &eacute; a sua forma variada de posse da terra:</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Las formas de tenencia de la tierra, estas familias muestran una grande variedad de situaciones: propietarios individuales de peque&ntilde;as extensiones, arrendatarios, aparceros o medieros, colonos poseedores de tierras de frontera, miembros de comunidades ind&iacute;genas, ocupantes precarios sin t&iacute;tulos de dominio, asignatarios beneficiados por reformas agrarias, etc. (Chonchol, 1996: 410)</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O autor salienta que estas caracter&iacute;sticas refor&ccedil;aram os elementos que diferenciavam a agricultura campesina ou familiar, tanto no que se refere &agrave; variedade de tamanhos da propriedade ou da unidade familiar, &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o maior ou menor da for&ccedil;a de trabalho familiar, &agrave; riqueza de seus recursos naturais e seu potencial produtivo, aos seus padr&otilde;es tecnol&oacute;gicos pr&oacute;prios e ao grau de integra&ccedil;&atilde;o com o mercados. Tais elementos d&atilde;o uma territorialidade especial &agrave; agricultura familiar, permitindo&#45;lhe localizar suas unidades pr&oacute;ximo aos grandes centros urbanos, zonas mais distantes de fronteira, regi&otilde;es montanhosas, vales de rios, regi&otilde;es semi&#45;&aacute;ridas, etc. Todavia, as estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia da agricultura familiar &#150;as quais foram historicamente constitu&iacute;das&#150; buscaram enfrentar, tamb&eacute;m de forma original, o processo de moderniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, o qual cria limites &agrave; sua reprodu&ccedil;&atilde;o social e sustentabilidade dos seus recursos naturais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O contexto no qual despontou a agricultura familiar da Regi&atilde;o Sul do Brasil &eacute; um exemplo desse enfretamento que se d&aacute;, mesmo prevalecendo uma outra l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o privada terras no territ&oacute;rio nacional. As circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas engendradas naquela regi&atilde;o possibilitaram uma diferen&ccedil;a essencial na estrat&eacute;gia de reprodu&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica do agricultor familiar brasileiro: sua resist&ecirc;ncia social, a luta pela terra, fez com que ele <i>forjasse a si mesmo</i> e &agrave;s suas condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia e reprodu&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica tornando&#45;se um ator social relevante na institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural da Regi&atilde;o Sul do Brasil.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Delimita&#45;se, ao menos, em quatro per&iacute;odos o processo de institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural na Regi&atilde;o Sul do Brasil: desenho territorial, desempenho agropecu&aacute;rio, combate &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o dos solos e consolida&ccedil;&atilde;o dos principais atores sociais. O primeiro per&iacute;odo &eacute; marcado pela organiza&ccedil;&atilde;o social e produtiva do territ&oacute;rio a partir dos n&uacute;cleos coloniais em resposta ao desabastecimento regional, decorrente da desestrutura&ccedil;&atilde;o do sistema colonial, nos anos de 1870 e 1900; o segundo per&iacute;odo &eacute; marcado pelos conflitos entre posseiros e empresas colonizadoras, pela pol&iacute;tica oficial de coloniza&ccedil;&atilde;o e pela ascens&atilde;o de um novo ator, o agricultor familiar, nos anos de 1910 e 1950; o terceiro per&iacute;odo &eacute; marcado pela intensifica&ccedil;&atilde;o do processo mecaniza&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria, forte crescimento agr&iacute;cola, &ecirc;xodo rural e agravamento da degrada&ccedil;&atilde;o dos solos, nos anos de 1960 e 1980; o quarto per&iacute;odo &eacute; marcado pela pol&iacute;tica de combate &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o dos solos e de fortalecimento da agricultura familiar, nos anos de 1990 e 2000.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O advento da Rep&uacute;blica no Brasil em 1889 deixou indefinida a participa&ccedil;&atilde;o do governo federal no processo de coloniza&ccedil;&atilde;o interna e os governos estaduais e municipais deixaram o movimento de ocupa&ccedil;&atilde;o com a iniciativa privada. J&aacute; os interesse da agricultura de exporta&ccedil;&atilde;o continuaram nas m&atilde;os da aristocracia a&ccedil;ucareira (Regi&atilde;o Nordeste) e dos cafeicultores (Regi&atilde;o Sudeste) e em estreito v&iacute;nculo com o desempenho do Estado, que se esmerou em atender os interesses destes setores. Nesse contexto, o Rio grande do Sul, prov&iacute;ncia localizada na regi&atilde;o Sul do Brasil, constituiu&#45;se uma exce&ccedil;&atilde;o.</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O fato de ser uma prov&iacute;ncia que atra&iacute;a mais a aten&ccedil;&atilde;o das correntes imigrat&oacute;rias levou os possuidores de terras a se interessarem mais pela legaliza&ccedil;&atilde;o de suas propriedades. Naturalmente, a diferen&ccedil;a com S&atilde;o Paulo reside no fato de que ali a imigra&ccedil;&atilde;o se dirigia para os n&uacute;cleos de pequenas propriedades e n&atilde;o para a chamada coloniza&ccedil;&atilde;o particular (Silva, 1996: 200).</font></p> 	</blockquote>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mas, tal exce&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o significava um rompimento com a regra geral do processo de apropria&ccedil;&atilde;o territorial. Apesar da pol&iacute;tica de terras ser implementada a partir de mecanismos e instrumentos estaduais, s&atilde;o as regularidades do processo que interessam. Havia, segundo Silva, tr&ecirc;s fen&ocirc;menos que imprimiam caracter&iacute;sticas fundamentais &agrave; apropria&ccedil;&atilde;o de terras no Brasil: <i>1)</i> a r&aacute;pida adapta&ccedil;&atilde;o da Lei de Terras aos interesses dos posseiros, que pressionavam pela dilata&ccedil;&atilde;o dos prazos de legitima&ccedil;&atilde;o da posse da terra, com a anu&ecirc;ncia de praticamente todos os governos estaduais at&eacute; o final da Primeira Rep&uacute;blica, em 1930; <i>2)</i> o agravamento da apropria&ccedil;&atilde;o de terras p&uacute;blicas, por meio da ocupa&ccedil;&atilde;o e invas&atilde;o, promovida por posseiros, sem que houvesse qualquer tipo de coer&ccedil;&atilde;o por parte dos poderes p&uacute;blicos; e <i>3)</i> a emerg&ecirc;ncia do <i>coronelismo</i> &#150;e seu corol&aacute;rio, a viol&ecirc;ncia no campo&#150; como caracter&iacute;stica principal da passagem das terras de dom&iacute;nio publico (devolutas) para o dom&iacute;nio privado. Dadas regularidades do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada, pode&#45;se entender a especificidade da din&acirc;mica de ocupa&ccedil;&atilde;o territorial de um dos tr&ecirc;s estados (Rio Grande do Sul, Paran&aacute; e Santa Catarina) da Regi&atilde;o Sul do Brasil, o Estado do Paran&aacute;, que internalizou no seu territ&oacute;rio boa parte do processo de expans&atilde;o da cafeicultura de S&atilde;o Paulo.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>4.1.</i> <i>Economia rural do territ&oacute;rio paranaense</i></b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Observando o ciclo madereiro&#45;cafeeiro no Sul do pa&iacute;s n&atilde;o se ter&aacute; d&uacute;vidas sobre as marcas indel&eacute;veis, t&atilde;o profundas quanto duradouras, deixadas no espa&ccedil;o rural paranaense, desequilibrando o balan&ccedil;o econ&ocirc;mico&#45;ecol&oacute;gico do territ&oacute;rio. Entrando pela regi&atilde;o Norte do Paran&aacute;, o caf&eacute; paulista ocupa toda a regi&atilde;o nordeste do estado, o <i>Norte Velho,</i> l&aacute; pela segunda metade do s&eacute;culo dezenove, come&ccedil;ando pelas terras ocupadas pela Companhia de Terras Norte do Paran&aacute;, seguindo pelas margens do rio Paran&aacute;, onde se localizavam as terras mais f&eacute;rteis. Essa regi&atilde;o era praticamente um prolongamento da economia cafeeira paulista.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A expans&atilde;o da economia cafeeira paulista atingiria importante &aacute;rea do Paran&aacute; somente ap&oacute;s 1930. Nesse momento, algumas condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas j&aacute; estavam dadas. Segundo Cano (1998):</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">De 1886 a 1913 &#150;descontados 1897 a 1904, de crise&#150; nasce a ind&uacute;stria em SP. Altas margens de lucro no auge cafeeiro e moderadas na crise (devidas &agrave; alta produtividade das zonas pioneiras) permitiram alta taxa de invers&atilde;o na ind&uacute;stria, superando largamente a do restante da na&ccedil;&atilde;o. Em 1900 compreendia 13% da popula&ccedil;&atilde;o nacional e em 1907 abarcava 16% da produ&ccedil;&atilde;o industrial, cifra que saltaria para 31% em 1919 e para 45% em 1939 (Cano, 1998: 58).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A tend&ecirc;ncia do desenvolvimento nacional &eacute; de concentra&ccedil;&atilde;o industrial no Sudeste do pa&iacute;s, especialmente em S&atilde;o Paulo, onde as rela&ccedil;&otilde;es de propriedade politicamente constitu&iacute;das entre o <i>latifundi&aacute;rio&#45;empreendedor</i> e o Estado bancaram os servi&ccedil;os de migra&ccedil;&atilde;o. Havia amainado o fluxo de migra&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea para os Estados Unidos e Argentina e uma parte substancial de imigrantes, a maioria de italianos, instalou&#45;se naquele estado; outra, em menor contingente, foi para os estados do Sul trabalhar com agricultura. Todavia, n&atilde;o era estritamente a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola que diferenciava o Sul. Na verdade, ap&oacute;s 1850, os efeitos da transi&ccedil;&atilde;o para o trabalho livre geraram desabastecimento regional de alimentos.</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No Paran&aacute;, a popula&ccedil;&atilde;o dedicava&#45;se preferencialmente &agrave; extra&ccedil;&atilde;o da erva&#45;mate e ao criat&oacute;rio nos Campos Gerais, Guarapuava e Palmas. Com a compra de in&uacute;meros escravos por parte dos cafeicultores de S&atilde;o Paulo, o Paran&aacute;, tradicional esportador de farinha de mandioca, passou a ser importador. A partir de 1852, os pre&ccedil;os dos alimentos chegam a subir 200%. (Wachowicz, 1995: 143).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As col&ocirc;nias de Blumenau e Joinville tiraram proveito da subida dos pre&ccedil;os obtendo uma valoriza&ccedil;&atilde;o no pre&ccedil;o dos seus produtos, o que estimulou os paranaenses a apostarem em projetos de coloniza&ccedil;&atilde;o eles mesmos. Na regi&atilde;o do Vale do Ribeira, ainda no Paran&aacute;, foi criada em 1859 a col&ocirc;nia Assungui, organizada em regime de pequena propriedade, distante dos caminhos dos tropeiros e da capital, Curitiba.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">As terras da regi&atilde;o do Assungui eram realmente f&eacute;rteis, mas a col&ocirc;nia n&atilde;o foi dotada de uma infra&#45;estrutura adequada. Nos primeiros anos, os celeiros encheram&#45;se de cereais colhidos. Mas, nem uma estrada razo&aacute;vel foi providenciada para comunicar a col&ocirc;nia com algum centro urbano, no caso Curitiba ou Antonina. Para a capital apenas um caminho de tropas foi providenciado. Em conseq&uuml;&ecirc;ncia, os cereais produzidos deterioravam&#45;se nos celeiros por falta de transportes para os grandes centros consumidores (Wachowicz, 1995: 144).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Esse fato amea&ccedil;ava a perman&ecirc;ncia dos colonos, a &uacute;nica for&ccedil;a de trabalho dispon&iacute;vel na regi&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Assim, em 1875, a necessidade de investimentos em infra&#45;estrutura (estradas, principalmente) fez o ent&atilde;o governador do Paran&aacute;, Adolfo Lamenha Lins, investigar as raz&otilde;es do fracasso da col&ocirc;nia Assungui e avaliar o funcionamento de outras. Isso permitiu que se delineasse toda uma estrat&eacute;gica econ&ocirc;mica baseada na cria&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos coloniais com vistas ao abastecimento regional. Segundo a proposta do governador: as col&ocirc;nias deveriam ser situadas pr&oacute;ximas aos centros consumidores e localizadas em terrenos cont&iacute;guos &agrave;s estradas principais, e, em alguns trechos, &agrave;s vicinais; o poder p&uacute;blico evitaria falsas promessas aos imigrantes e facilitaria o acesso ao transporte; os lotes de terra ficariam na vizinhan&ccedil;a de centros populosos e comunic&aacute;veis entre si por rodagens; o poder p&uacute;blico garantiria o acesso facilitado &agrave; terra e daria um aux&iacute;lio financeiro para compra de utens&iacute;lios e sementes; depois de fixado &agrave; terra, o colono seria empregado na constru&ccedil;&atilde;o de estradas para manter a fam&iacute;lia; a col&ocirc;nia mais afastada da capital teria escola e capela; haveria facilidade de escoamento da produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola pela proximidade do mercado urbano, contribuindo para que incrementasse a renda e assim quitasse o valor da terra com o governo; e as novas gera&ccedil;&otilde;es seriam orientadas a ocupar o interior para evitar que se urbanizassem rapidamente. Com isso se resolveria o problema do abastecimento interno. A conseq&uuml;&ecirc;ncia imediata foi a cria&ccedil;&atilde;o, de 1875&#45;1876, de mais n&uacute;cleos coloniais no entorno de Curitiba e inclusive no litoral, contribuindo para atra&ccedil;&atilde;o de imigrantes.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Dez anos mais tarde, entre 1885 e 1886, Alfredo d'Escragnolle Taunay, ent&atilde;o presidente da prov&iacute;ncia, deu um passo ainda mais largo, constituiu in&uacute;meras Sociedades de Imigra&ccedil;&atilde;o nos munic&iacute;pios do interior, a fim de estimular as correntes migrat&oacute;rias e colonizadoras para o Estado. Ao lado disso, explodiram os conflitos em torno de disputas territoriais <i>(Quest&atilde;o de Palmas)</i> entre Brasil e Argentina que iriam mudar processo de funda&ccedil;&atilde;o e localiza&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos coloniais. Come&ccedil;aram a fundar col&ocirc;nias militares e a nacionalizar a organiza&ccedil;&atilde;o e o ordenamento territorial daquele espa&ccedil;o. Outros conflitos (revolu&ccedil;&atilde;o federalista ga&uacute;cha, em 1885) e disputas por por&ccedil;&otilde;es do territ&oacute;rio <i>(Quest&atilde;o do Contestado)</i> entre os estados do Paran&aacute; e Santa Catarina influ&iacute;ram tamb&eacute;m, acentuando a cria&ccedil;&atilde;o de novos n&uacute;cleos coloniais federais.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Foi nos primeiros anos s&eacute;culo XX que houve a concess&atilde;o de terras devolutas governo do Estado a companhias inglesas e argentinas, a fim de explorarem tanto a erva&#45;mate quanto a madeira. Elas <i>organizaram a coloniza&ccedil;&atilde;o</i> utilizando&#45;se dessa popula&ccedil;&atilde;o existente, que conhecia a mata e servia&#45;lhes de m&atilde;o&#45;de&#45;obra barata. Como n&atilde;o era necess&aacute;rio assalariar uma popula&ccedil;&atilde;o que j&aacute; tinha por h&aacute;bito consumir a erva&#45;mate, o pagamento era feito por cotas&#45;parte proporcionando bons lucros &agrave;s companhias. Com a vinda dos capitais de origem inglesa e norte&#45;americana vincula&#45;dos ao setor ferrovi&aacute;rio para o Sudoeste do Paran&aacute;, uma forte economia madeireira local foi estruturada e sua produ&ccedil;&atilde;o industrial para exporta&ccedil;&atilde;o foi facilitada, a partir dos anos de 1940. Esta &eacute; uma caracter&iacute;stica marcante de uma economia que atende a ciclos de fronteiras agr&iacute;colas de expans&atilde;o, com a produ&ccedil;&atilde;o de erva&#45;mate sendo sucedida pela de caf&eacute;.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O mercado externo impele, dessa forma, a expans&atilde;o da fronteira e transforma as &aacute;reas rurais paranaenses. O ciclo madereiro&#45;cafeeiro deixar&aacute; marcas indel&eacute;veis t&atilde;o profundas quanto duradouras no espa&ccedil;o rural paranaense. Da regi&atilde;o Norte do Paran&aacute;, o caf&eacute; paulista ocupa toda a regi&atilde;o nordeste do estado (o <i>Norte Velho</i>) l&aacute; pela segunda metade do s&eacute;culo XIX, come&ccedil;ando pelas terras ocupadas pela Companhia de Terras Norte do Paran&aacute;, seguindo pelas margens do rio Paran&aacute;, onde se localizavam as terras mais f&eacute;rteis. Esta regi&atilde;o era praticamente um prolongamento da economia cafeeira paulista.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ocorre uma outra ruptura nesse processo de ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica na primeira metade do s&eacute;culo XX. A coloniza&ccedil;&atilde;o era dirigida por duas companhias, uma japonesa e outra inglesa, que se associam &agrave; a&ccedil;&atilde;o do governo do estado para ocupar terras devolutas, dividindo a terra em pequenos lotes, o que permitiu receber n&uacute;mero acentuado de migrantes. A produ&ccedil;&atilde;o estadual que era de 1,1 milh&atilde;o de sacas de caf&eacute; em 1946&#45;1947 passa para 20.7 milh&otilde;es em 1959&#45;1960, superando S&atilde;o Paulo como maior produtor. Em que pese esse salto econ&ocirc;mico do Paran&aacute; na economia cafeeira, vale dizer que S&atilde;o Paulo, nesse momento, tem na ind&uacute;stria pesada sua maior pujan&ccedil;a, dando a esse fato import&acirc;ncia relativa, pois ser&aacute; sua renda urbana que absorver&aacute; parte consider&aacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o paranaense, fato que sem d&uacute;vida contribuiu para sua expans&atilde;o cafeeira. Vemos, assim, que o Paran&aacute; se enquadra perfeitamente na din&acirc;mica econ&ocirc;mica dominante do centro&#45;sul do pa&iacute;s, correspondendo &agrave;s regularidades do processo de moderniza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na d&eacute;cada de 1960, o Grupo Executivo de Terras para o Sudoeste do Paran&aacute; (GESOP) regulariza a titula&ccedil;&atilde;o das terras e passa a controlar as serrarias clandestinas, cobrando taxas para iniciarem um horto florestal e o reflorestamento (Steca e Flores, 2002: 87). O novo processo de ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o se imp&ocirc;s, resistindo ao poder das colonizadoras, que eram favor&aacute;veis &agrave; continuidade do latif&uacute;ndio rural. A institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural paranaense, diferentemente de outras regi&otilde;es, vai contar com a participa&ccedil;&atilde;o de novos atores, que ajudam a democratizam o acesso a terra. Podese dizer tamb&eacute;m que toda uma extens&atilde;o territorial que vai do Oeste de Santa Catarina ao Sudoeste e parte do Oeste do Paran&aacute; experimentou, de 1900 a 1960, toda sorte de transforma&ccedil;&otilde;es: demogr&aacute;fica, social, pol&iacute;tica, ambiental e territorial. Criou&#45;se uma popula&ccedil;&atilde;o homog&ecirc;nea com base no regime de m&eacute;dia e pequena propriedade.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Pela l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o privada dos territ&oacute;rios rurais do Sul, os interesses associados do Estado com os do capital estrangeiro prevaleceram e visavam a ocupa&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es de fronteira. Depois de receberem terra como doa&ccedil;&atilde;o, muitas empresas colonizadoras ocupavam, desmatavam, loteavam e vendiam as terras aos colonos trazidos pelos governos estaduais. Legitimouse a mesma l&oacute;gica de preencher 'territ&oacute;rios vazios', baseada numa concep&ccedil;&atilde;o de fronteira que exclui o elemento nativo, tanto o homem quanto a natureza, mesmo diferenciando&#45;se no que concerne ao papel da pequena agricultura. E o fato de se ter um acesso mais democr&aacute;tico &agrave; terra nessa regi&atilde;o n&atilde;o significou que houve um grau menor de degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, o que se discutir&aacute; a seguir.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>4.2.</i> <i>Processo de coloniza&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o territorial no Sudoeste do Paran&aacute;</i></b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os interesses capitalistas estrangeiros entre 1900 e 1920 fizeram com que houvesse um r&aacute;pido crescimento populacional nas &aacute;reas compreendidas entre as prov&iacute;ncias de Santa Catarina e Paran&aacute; devido &agrave; atra&ccedil;&atilde;o exercida pelas companhias Brazil Railway Co. e pela Southern Brazil Lamber &amp; Colonization, concession&aacute;rias de amplas extens&otilde;es de terra.</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A Lumber constru&iacute;a ramais ferrovi&aacute;rios que adentravam as grandes matas, onde grandes locomotivas com guindastes e correntes gigantescas de mais de 100 metros arrastavam para as composi&ccedil;&otilde;es de trem as toras, que jaziam abatidas por equipes de turmeiros que anteriormente haviam passado pelo local. A explora&ccedil;&atilde;o industrial da madeira criou s&eacute;rios preju&iacute;zos para a coleta da erva&#45;mate e a subsist&ecirc;ncia de muitas fam&iacute;lias caboclas. Quando o guindaste arrastava as grandes toras em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; composi&ccedil;&atilde;o de trem, os ervais nativos e devolutos do interior das matas eram 'talados' por este deslocamento (Machado, 2004: 151).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Vale mencionar que a implementa&ccedil;&atilde;o do empreendimento ferrovi&aacute;rio na regi&atilde;o requereu uma explora&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica rent&aacute;vel da madeira, a fim de garantir o retorno dos investimentos privados. O problema foi o modo como isso ocorreu, descrito acima por Machado, perpetuando o legado da deteriora&ccedil;&atilde;o socioambiental do territ&oacute;rio. A Companhia Lamber, por exemplo,</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Deixou como <i>herdeira</i> a empresa Cia. Brasileira de Via&ccedil;&atilde;o e Com&eacute;rcio (Braviaco). Os neg&oacute;cios da Brazil Railway tamb&eacute;m inclu&iacute;am explora&ccedil;&atilde;o de madeira, assim como a Southern Brazil Lamber and Colonization Company, que a partir de 1908, atuava na coloniza&ccedil;&atilde;o (explora&ccedil;&atilde;o de terras) e extra&ccedil;&atilde;o de madeira. (Wachowicz, 1984 apud Steca e Flores, 2002: 68&#45;69).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A Braviaco era ligada aos grandes propriet&aacute;rios de terras que, por sua vez, pertenciam ao grupo pol&iacute;tico dominante que governava o Paran&aacute;. Com o intuito de construir um ramal que ligaria Guarapuava &agrave; linha S&atilde;o Paulo&#45;Rio Grande do Sul, o Estado cedeu imensas glebas de terra. Uma delas, a gleba de Miss&otilde;es, chegou a ter 425,731 hectares. Ap&oacute;s 1930, o novo governo torna nulos e sem efeito os t&iacute;tulos de dom&iacute;nio expedidos. Em 1943 foi criada a Col&ocirc;nia Nacional General Oz&oacute;rio (Cango) nas terras da gleba das Miss&otilde;es. Segundo Wachowicz (1995: 182), o objetivo da cria&ccedil;&atilde;o da Cango foi atrair o excedente de m&atilde;o&#45;de&#45;obra agr&iacute;cola do Rio Grande do Sul para o Sudoeste do Paran&aacute;, em fun&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o do Territ&oacute;rio Nacional do Igua&ccedil;u naquele mesmo ano. O n&uacute;mero de fam&iacute;lias que a Cango abrigou foi de 467 em 1947 e 2,725 em 1956.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Disputas judiciais surgiram de disputas pol&iacute;ticas em torno das glebas, envolvendo tanto o Estado do Paran&aacute; quanto a Uni&atilde;o e as empresas Citla e Pinho e Terras. Ao mesmo tempo, a press&atilde;o demogr&aacute;fica aumentou &agrave; medida que um grande n&uacute;mero de colonos, vindos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, chegava &agrave; regi&atilde;o Sudoeste do Paran&aacute; em busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. O aumento populacional elevou tamb&eacute;m a tens&atilde;o pol&iacute;tica. O surgimento de mais duas companhias colonizadoras, a Companhia Comercial e Agr&iacute;cola Paran&aacute; (Comercial) e a Companhia Colonizadora Apucarana Ltda. (Apucarana), ligada ao grupo pol&iacute;tico vencedor das elei&ccedil;&otilde;es de 1955, acirrou a concorr&ecirc;ncia com a Citla, atraindo mais migrantes sulistas. "Em novembro de 1950, o governo da Uni&atilde;o vendeu &agrave; Citla &#91;Clevel&acirc;ndia Industrial e Territorial Ltda.&#93; toda a gleba das Miss&otilde;es e parte da gleba Chopim. Poucos dias ap&oacute;s vendia &agrave; Pinho e Terras 11,500 alqueires da pr&oacute;pria gleba Miss&otilde;es. Vendia tamb&eacute;m 300,000 pinheiros &agrave; Companhia de Madeiras do Alto Paran&aacute;" (Wachowicz, 1995: 216).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Novas estradas foram abertas pela Citla e a Cango fazendo aumentar o fluxo de imigrantes sulistas que eram assentados, por um lado e surgir serrarias clandestinas, por outro. Os serradores, instalados como colonos, invadiam terras de pinheiral, retiravam a madeira e vendiam a terra, o que comprometeu as reservas nativas existentes. Era com tais reservas que a Citla contava para instalar uma ind&uacute;stria de celulose com capitais franceses. O projeto logo foi abandonado. Para recuperar o capital j&aacute; investido, puseram terras &agrave; venda para os colonos atrav&eacute;s das imobili&aacute;rias Comercial e Apucarana.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Os colonos se viram em meio a disputas, amea&ccedil;ados de perder as terras que haviam comprado e for&ccedil;ados a assinar notas promiss&oacute;rias como garantia de pagamento. Na inexist&ecirc;ncia de escritura legal, a <i>posse insegura</i> fazia com que desconfiassem da lisura do contrato, j&aacute; que muitos acabaram tendo que pagar novamente pela mesma terra a sucessivos posseiros. Diante da recusa de muitos deles em assinar o contrato de compra e venda da terra, come&ccedil;a, em 1957, um conflito armado entre os colonos e os jagun&ccedil;os das companhias. Somente os comerciantes deram apoio direto &agrave; revolta dos colonos, uma alian&ccedil;a que praticamente selou a vit&oacute;ria destes &uacute;ltimos. De acordo com Brandenburg,</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O levante decisivo envolveu 6 mil colonos na cidade de Francisco Beltr&atilde;o, local onde o movimento adquiriu maior express&atilde;o. Os agricultores tomaram a cidade e exigiram "substituir o delegado de pol&iacute;cia, exonerar o promotor, transferir o juiz, retirar imediatamente as companhias da regi&atilde;o e que aqueles que tivessem participado do movimento n&atilde;o fossem v&iacute;timas de persegui&ccedil;&atilde;o" (Gomes, 1986: 100). Pressionado, o governador atendeu todas as condi&ccedil;&otilde;es dos revoltosos, entregando o comando da delegacia a um dos l&iacute;deres locais mais expressivos e que dera apoio ao movimento. (Brandenburg, 1998: 81&#45;82).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na d&eacute;cada de 1960, o Grupo Executivo de Terras para o Sudoeste do Paran&aacute; (GESOP) regulariza a titula&ccedil;&atilde;o das terras e passa a controlar as serrarias clandestinas, cobrando taxas para iniciarem um horto florestal e o reflorestamento, segundo Steca e Flores (2002: 87). O territ&oacute;rio passar&aacute; sentir, a partir dos anos de 1950, particularmente em 1953 e 1955, os sintomas perversos da expans&atilde;o.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A ocorr&ecirc;ncia de fortes geadas abalou a economia e a sociedade paranaense, devido &agrave; queda acentuada da produ&ccedil;&atilde;o do caf&eacute; e, conseq&uuml;entemente, com a diminui&ccedil;&atilde;o das receitas dele provenientes. A queda do emprego e da renda gera inseguran&ccedil;a para a maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Cabe ressaltar ainda que a demanda por servi&ccedil;os p&uacute;blicos nos munic&iacute;pios rec&eacute;m ocupados aumentou consideravelmente, depois que foram atingidos pelas geadas. O problema se acentuou em per&iacute;odos posteriores, agravando o quadro de vulnerabilidades ambientais. Como aponta Souza:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Al&eacute;m das dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o entre as regi&otilde;es norte e sul do estado (e o conseq&uuml;ente esfor&ccedil;o por parte do governo estadual no sentido de super&aacute;&#45;las, ampliando, dessa forma, as possibilidades de escoamento da produ&ccedil;&atilde;o), nos anos posteriores alguns elementos novos contribuir&atilde;o para colocar a economia cafeeira em crise e adentrar uma fase de decad&ecirc;ncia. Dentre eles Wachowicz (1995: 262) ressalta os seguintes: <i>a)</i> a ocorr&ecirc;ncia de geadas em 1963, 1964, 1966 e 1969; <i>b)</i> a pol&iacute;tica de erradica&ccedil;&atilde;o de cafeeiros, com finalidade de diminuir a produ&ccedil;&atilde;o nacional; <i>c)</i> o incipiente desenvolvimento de um novo produto de grande aceita&ccedil;&atilde;o internacional, a soja; <i>d)</i> o receio de ocorr&ecirc;ncia de novas geadas que prejudicassem a produ&ccedil;&atilde;o cafeeira, o que de fato, veio a ocorrer alguns anos mais tarde. (Souza, 2000: 21).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em meio a esses acontecimentos, resistindo ao poder das colonizadoras, que se articularam com o latif&uacute;ndio rural, um novo processo de ocupa&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o se imp&ocirc;s. A ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do espa&ccedil;o rural paranaense, diferentemente de outras regi&otilde;es, vai contar com a participa&ccedil;&atilde;o de um novo ator, que ajuda a democratizar o acesso &agrave; propriedade da terra: o agricultor familiar. Por&eacute;m, o processo de degrada&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio se agrava.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><i>4.3.</i> <i>O processo de degrada&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio paranaense</i></b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A <i>geada negra,</i> de 1975, foi a maior j&aacute; ocorrida no Paran&aacute; e op&ocirc;s forte restri&ccedil;&atilde;o ao padr&atilde;o de <i>ocupa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica via fronteira aberta</i> no espa&ccedil;o rural, dizimando grande parte das planta&ccedil;&otilde;es de caf&eacute; da regi&atilde;o norte do Paran&aacute;, provocando dispensa numerosa de m&atilde;o&#45;de&#45;obra e, conseq&uuml;entemente, forte &ecirc;xodo rural. Segundo Relat&oacute;rio do Ipardes (1993), foi reduzida em aproximadamente 1 milh&atilde;o e 300 mil os residentes no espa&ccedil;o rural das &aacute;reas mais degradadas pela eros&atilde;o, enquanto que no Estado do Paran&aacute; como um todo, no mesmo per&iacute;odo, entre final dos 1970 e todo os 1980, a popula&ccedil;&atilde;o residente no espa&ccedil;o rural reduziu em 1 milh&atilde;o e 200 mil. Sai de cena o caf&eacute;, entra a soja e a carne nos anos de 1970, a partir da implanta&ccedil;&atilde;o de <i>corredores de exporta&ccedil;&atilde;o,</i> o que levou &aacute; especializa&ccedil;&atilde;o do Estado em algumas <i>commodities</i> agr&iacute;colas. Ao perder as condi&ccedil;&otilde;es anteriores de sustentabilidade, um novo ciclo de fronteira agr&iacute;cola come&ccedil;a a surgir, com o plantio comercial da soja, e depois, com as crescentes perdas dos produtores de caf&eacute;, foram priorizados outros cultivos, como o do trigo, e a explora&ccedil;&atilde;o pecu&aacute;ria.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar de possuir uma estrutura agr&aacute;ria mais democr&aacute;tica, a desigualdade no acesso a espa&ccedil;os e recursos naturais &eacute; refor&ccedil;ada pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio. Isto porque, ao se orientar a economia paranaense para o mercado externo, os imperativos do mercado passam a exigir permanentemente maiores n&iacute;veis de produtividade e rentabilidade agropecu&aacute;ria para que os agricultores se reproduzam enquanto tais, de acordo com as <i>regras de reprodu&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;sticas</i> do capitalismo agr&aacute;rio brasileiro. Situa&ccedil;&atilde;o esta que dificultou sobremaneira o desenvolvimento da agricultura familiar em bases sustent&aacute;veis, fazendo com que o ritmo da expans&atilde;o econ&ocirc;mica nesse espa&ccedil;o rural condicionasse fortemente a rela&ccedil;&atilde;o da agricultura familiar com o meio ambiente.</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nas regi&otilde;es Oeste, Sudoeste e Norte, que s&atilde;o as mais f&eacute;rteis, desenvolveu&#45;se rapidamente o cultivo da soja, com um manejo baseado na mecaniza&ccedil;&atilde;o intensiva, que agravou dramaticamente os problemas de eros&atilde;o e degrada&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais. Isto levou os agricultores &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o mais intensiva de insumos para suprir a fertilidade natural, assim acarretando desequil&iacute;brios acentuados no meio ambiente. Esta l&oacute;gica produtiva com maiores &iacute;ndices de mecaniza&ccedil;&atilde;o, por sua vez, intensificou a degrada&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais. As perdas m&eacute;dias de solo, devido aos processos de eros&atilde;o h&iacute;drica mais expressivos, t&ecirc;m sido observados nos cultivos de batata (180 ton/ha/ano), caf&eacute; (25.6 ton/ha/ano), sucess&atilde;o trigo/soja (13.7 ton/ha/ano), algod&atilde;o (13 ton/ha/ano) e milho (11 ton/ha/ano). Por sua vez, as perdas m&eacute;dias por eros&atilde;o laminar nas terras agr&iacute;colas do Paran&aacute; chegam a 15.6 ton/ha/ano, o que pode significar 250'000.000 de toneladas de solos anuais erodidos em todo o Estado (Saban&eacute;s, 2002: 89).</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Baseado nessa situa&ccedil;&atilde;o pode&#45;se considerar que, apesar de possuir uma estrutura agr&aacute;ria mais democr&aacute;tica, a desigualdade no acesso a espa&ccedil;os e recursos naturais &eacute; refor&ccedil;ada pela degrada&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio paranaense. O ritmo da expans&atilde;o econ&ocirc;mica nesse espa&ccedil;o rural revela o problema agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gico em sua dupla dimens&atilde;o, primeiro, na sua dimens&atilde;o econ&ocirc;mica: os agricultores familiares se v&ecirc;m obrigados a internalizar os custos ambientais e s&atilde;o permanentemente, por isso, impelidos a aumentar produtividade e rentabilidade agr&iacute;cola. E em toda sua dimens&atilde;o ambiental: obrigando o agricultor familiar do Paran&aacute; implementar pr&aacute;ticas conservacionistas dos solos e das &aacute;guas, mesmo com o foco da a&ccedil;&atilde;o visando t&atilde;o&#45;somente a recupera&ccedil;&atilde;o do rendimento e a rentabilidade das lavouras. A salvaguarda dos limites agroecossistemos tornou&#45;se uma equa&ccedil;&atilde;o de altos custos sociais e ambientais face &agrave; perpetuidade como se reproduz a explora&ccedil;&atilde;o intensiva via mecaniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Evidenciou&#45;se, ent&atilde;o, um <i>trade&#45;off</i> entre os custos ambientais a serem internalizados e as necessidades de reprodu&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica imediata dos agricultores familiares daquela regi&atilde;o, por causa da estreita vincula&ccedil;&atilde;o com o mercado de <i>commodities</i>, que os impele a <i>degradar ainda que sem itinerar</i>. A explora&ccedil;&atilde;o intensiva dos sistemas agr&iacute;colas convencionais aprofundou esse <i>trade&#45;off</i> e, por conseguinte, leva a questionar se de fato ocorrer&aacute; a transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura ambientalmente mais sustent&aacute;vel na Regi&atilde;o Sul do Brasil. Isto porque, do ponto de vista agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gico, novos conflitos surgem evidenciando a dist&acirc;ncia entre a maior democracia rural e a menor sustentabilidade ambiental do territ&oacute;rio. Resumidamente, em rela&ccedil;&atilde;o ao Paran&aacute;, podese se afirmar que:</font></p>  	    <blockquote> 		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; A descentraliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de terras e a&ccedil;&atilde;o das empresas colonizadoras. Conflitos: Palmas (1857&#45;1895), Contestado (1912&#45;1916) e Revolta dos Colonos (1957).</font></p>  		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; A organiza&ccedil;&atilde;o das col&ocirc;nias, a partir de 1875, pelo poder p&uacute;blico, como empreendimentos de produtores associados, a fim de resolver problemas de abastecimento econ&ocirc;mico regional.</font></p>  		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; A l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e ocupa&ccedil;&atilde;o social do territ&oacute;rio sucumbiu aos poucos aos interesses do Estado nacional associados com os do capital estrangeiro, com vista a ocupar a regi&atilde;o de fronteira.</font></p>  		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; O capital estrangeiro, depois de receber terras em doa&ccedil;&atilde;o, ocupava o territ&oacute;rio, desmatava&#45;o, loteava&#45;o e vendia os lotes aos colonos atra&iacute;dos pelo governo estadual&#45;federal.</font></p>  		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; Tratou&#45;se da l&oacute;gica de preencher <i>territ&oacute;rios vazios</i> coadunada a uma concep&ccedil;&atilde;o de fronteira baseada na exclus&atilde;o do elemento nativo, tanto o homem quanto a mata, promovendo uma exclus&atilde;o tanto social como ambiental.</font></p>  		    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; Na agricultura familiar mais desenvolvida do pa&iacute;s, a da regi&atilde;o Sul, continuou a predominar atividades agropecu&aacute;rias que ficaram a reboque das oportunidades econ&ocirc;micas dominantes dispon&iacute;veis, como a produ&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o de gr&atilde;os (milho e soja), apesar daquela regi&atilde;o possuir um bom discernimento sobre os problemas ambientais ocasionados pela mecaniza&ccedil;&atilde;o das lavouras.</font></p>  		    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&bull; Por exigirem custos cada vez mais eficientes, os <i>imperativos do mercado</i> acabam limitando as alternativas em prol da sustentabilidade territorial &#150;que possivelmente gerariam mais emprego e renda no longo prazo&#150; e favorecendo a busca de maior produtividade e rentabilidade no curto prazo, o que enfraquece a <i>agrobiodiversidade</i> camponesa.</font></p> 	</blockquote>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A manuten&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras e a eleva&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua da produtividade dos solos a n&iacute;veis jamais vistos s&atilde;o fatores que fazem com que o estabelecimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas <i>self&#45;specific</i> de feitio agroambiental ou agroecol&oacute;gico n&atilde;o surta o efeito desejado no longo prazo e nem necessariamente seja pass&iacute;vel de total &ecirc;xito mesmo numa estrutura agr&aacute;ria mais democr&aacute;tica. Diante disso, considera&#45;se imprescind&iacute;vel o aux&iacute;lio de novas estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica p&uacute;blica voltadas ao fortalecimento da capacidade da agricultura familiar em superar problemas ambientais, levando em conta que a quest&atilde;o ambiental est&aacute; na raiz do problema agr&aacute;rio brasileiro.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A natureza do processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada da terra no Brasil teve na aliena&ccedil;&atilde;o&#45;destrui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade sua fun&ccedil;&atilde;o principal, porque, primeiro, atendeu exclusiva e plenamente aos interesses dos grandes propriet&aacute;rios rurais em detrimento dos interesses da sociedade e, segundo, mais importante ainda, porque fez da <i>monocultura de fronteira aberta (ou m&oacute;vel)</i> o elo b&aacute;sico de acumula&ccedil;&atilde;o capitalista. Dessa maneira, a institui&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o rural brasileiro n&atilde;o foi fruto de um processo cl&aacute;ssico de expropria&ccedil;&atilde;o camponesa como o europeu, j&aacute; que as condi&ccedil;&otilde;es institucionais estavam dadas pela heran&ccedil;a escravista e reiteradas pela alian&ccedil;a entre os propriet&aacute;rios de terras e o Estado nacional, isto &eacute;, prop&ocirc;s aqui neste texto que ela fosse entendida como uma motiva&ccedil;&atilde;o original: o processo de <i>expropria&ccedil;&atilde;o ambiental do territ&oacute;rio</i>.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Nesse sentido, algumas das id&eacute;ias expostas neste artigo podem ser resumidas para demarcar novos caminhos da agenda de pesquisas em torno das transforma&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gicas em &aacute;reas ou regi&otilde;es rurais n&atilde;o apenas do Brasil, mas da Am&eacute;rica Latina como um todo. Primeiro, considerou&#45;se a itiner&acirc;ncia como principal forma <i>ad perpetua</i> de obten&ccedil;&atilde;o de rentabilidade agr&iacute;cola, fazendo com que a degrada&ccedil;&atilde;o fa&ccedil;a parte da l&oacute;gica de apropria&ccedil;&atilde;o territorial e o rentismo, da l&oacute;gica de manuten&ccedil;&atilde;o do <i>status quo</i>. Assim, a <i>expropria&ccedil;&atilde;o ambiental</i> revela o modo como foram imprecisa e difusamente constitu&iacute;dos os la&ccedil;os entre o agr&aacute;rio e o ecol&oacute;gico no meio rural. Segundo, considera&#45;se que muitas destas transforma&ccedil;&otilde;es redundaram em dificuldades para se entender o rural al&eacute;m do agr&iacute;cola (enfoque setorial), cabendo vislumbrar um novo papel para a quest&atilde;o agr&aacute;ria, <i>ecologizar o rural</i> e redefinir sua cr&iacute;tica para a an&aacute;lise mais realista do desenvolvimento de uma agricultura sustent&aacute;vel. Terceiro, considerase que esta fun&ccedil;&atilde;o problematizadora das transforma&ccedil;&otilde;es agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gicas no espa&ccedil;o rural prop&otilde;e um olhar socioespacial particular acerca do velho antagonismo social entre pequena e grande propriedade e um olhar cr&iacute;tica sobre a transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura sustent&aacute;vel, que n&atilde;o se resume a ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas conservacionistas dos recursos naturais. &Eacute; nesse contexto que se discute uma ecologia pol&iacute;tica para o agr&aacute;rio como uma quest&atilde;o agr&aacute;rio&#45;ecol&oacute;gica, uma quest&atilde;o pol&iacute;tica radical.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A presen&ccedil;a mais constante da agricultura familiar na estrutura agr&aacute;ria da Regi&atilde;o Sul do Brasil abriu o horizonte de a&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Por&eacute;m, este horizonte deve ficar menos restrito &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica agr&iacute;cola e fundi&aacute;ria convencionais e passar a calcar&#45;se em pol&iacute;ticas territoriais re&#45;configuradoras do agr&aacute;rio pelo ecol&oacute;gico. No caso da Regi&atilde;o Sul do Brasil, mesmo com as rela&ccedil;&otilde;es de propriedade resultando de um processo diferenciado de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, o problema da degrada&ccedil;&atilde;o ambiental n&atilde;o foi contornado e os limites da transi&ccedil;&atilde;o para uma agricultura sustent&aacute;vel est&atilde;o colocados pelos imperativos do mercado exportador de gr&atilde;os, que tornam as estrat&eacute;gias de reprodu&ccedil;&atilde;o socioecon&ocirc;mica da agricultura familiar ecologicamente redundantes. Em s&iacute;ntese, a quest&atilde;o ambiental &eacute; interpretada aqui como um fator estruturante do espa&ccedil;o rural &agrave; medida que o processo de apropria&ccedil;&atilde;o privada de terras e a competi&ccedil;&atilde;o por espa&ccedil;os produtivos criam limites determinantes para o futuro agr&aacute;rio e ecol&oacute;gico dos territ&oacute;rios.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Brandebburg, Alfio (1998), "Colonos: subservi&ecirc;ncia e autonomia", en Angela Ferreira, Damasceno Duarte y Alfio Brandenburg (org.), <i>Para pensar: outra agricultura</i>, UFPR, Curitiba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858207&pid=S1405-8421200900030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Brenner, Robert (1995), "Agrarian Class Structure and Economic Development in Pre&#45;Industrial Europe", en T. H. Aston y C. H. E. Philpin (eds.), <i>The Brenner Debate: Agrarian Class Structure and Economic Development in Pre&#45;Industrial Europe</i>, Cambridge University Press, Cambridge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858209&pid=S1405-8421200900030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cano, Wilson (1998), <i>Desequil&iacute;brios regionais e concentra&ccedil;&atilde;o industrial no Brasil</i>, 1930&#45;1995, 2&ordf; ed. rev. y aum., Unicamp, Campinas, SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858211&pid=S1405-8421200900030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cano, Wilson (2002), <i>Ensaios sobre a forma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica regional do Brasil</i>, Editora da Unicamp, Campinas, SP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858213&pid=S1405-8421200900030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Checchia, Cristiane (2007), <i>Terra e capitalismo: a quest&atilde;o agr&aacute;ria na Col&ocirc;mbia, 1848&#45;1853,</i> Alameda, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858215&pid=S1405-8421200900030000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Chonchol, Jaques (1996), <i>Sistemas agrarios en Am&eacute;rica Latina: de la etapa prehisp&aacute;nica a la modernizaci&oacute;n conservadora,</i> Fondo de Cultura Econ&oacute;mica, M&eacute;xico.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858217&pid=S1405-8421200900030000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Delgado, Guilherme C. (2001), "Expans&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o do setor agropecu&aacute;rio no p&oacute;s&#45;guerra: um estudo de reflex&atilde;o agr&aacute;ria", <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i>, 15 (43), Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados&#45;USP, S&atilde;o Paulo, pp. 157&#45;172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858219&pid=S1405-8421200900030000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Garcia, Afr&acirc;nio y Moacir Palmeira (2001), "Transforma&ccedil;&atilde;o agr&aacute;ria", en Ignacy Sachs <i>et al.</i> (orgs.), <i>Brasil: um s&eacute;culo de transforma&ccedil;&otilde;es</i>, Cia das Letras, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858221&pid=S1405-8421200900030000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Graziano da Silva, Jos&eacute; (1996), <i>A nova din&acirc;mica da agricultura brasileira</i>, Unicamp, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858223&pid=S1405-8421200900030000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social) (1993), "Avalia&ccedil;&atilde;o da estrat&eacute;gia global do Paran&aacute;&#45;Rural", Relat&oacute;rio, Curitiba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858225&pid=S1405-8421200900030000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Leff, Enrique (2006), <i>Racionalidade ambiental: a reapropria&ccedil;&atilde;o social da natureza,</i> Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858227&pid=S1405-8421200900030000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Louren&ccedil;o, F. A. (2001), <i>Agricultura ilustrada: liberalismo e escravismo nas origens da quest&atilde;o agr&aacute;ria brasileira,</i> Unicamp, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858229&pid=S1405-8421200900030000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Machado, Paulo P. (2004). <i>Lideran&ccedil;as do Contestado</i>: <i>a forma&ccedil;&atilde;o e a atua&ccedil;&atilde;o das chefias caboclas (1912&#45;1916)</i>, Editora da Unicamp, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858231&pid=S1405-8421200900030000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mart&iacute;nez&#45;Alier, Joan (1994), <i>De la econom&iacute;a ecol&oacute;gica al ecologismo popular,</i> Icaria, Barcelona.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858233&pid=S1405-8421200900030000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Mart&iacute;nez&#45;Alier, Joan (2007), <i>O ecologismo dos pobres: conflitos ambientais e linguagens de valora&ccedil;&atilde;o,</i> Contexto, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858235&pid=S1405-8421200900030000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Moraes, Ant&ocirc;nio Carlos Robert de (2005a), <i>Meio ambiente e ci&ecirc;ncias humanas,</i>4&ordf; ed. ampl., Annablume, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858237&pid=S1405-8421200900030000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Moraes, Ant&ocirc;nio Carlos Robert de (2005b), <i>Territ&oacute;rio e hist&oacute;ria no Brasil,</i> Annablume, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858239&pid=S1405-8421200900030000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">P&aacute;dua, Jos&eacute; Augusto de (2002), <i>Um sopro de destrui&ccedil;&atilde;o: pensamento pol&iacute;tico e cr&iacute;tica ambiental no Brasil escravista (1786&#45;1888),</i> Jorge Zahar Ed., Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858241&pid=S1405-8421200900030000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Rezende, Gerv&aacute;zio Castro de (2003), <i>Estado, macroeconomia e agricultura</i>, UFRGS&#45;IPEA, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858243&pid=S1405-8421200900030000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Romeiro, Ademar Ribeiro (1998), <i>Meio ambiente e din&acirc;mica de inova&ccedil;&otilde;es na agricultura</i>, Annablume, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858245&pid=S1405-8421200900030000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Saban&eacute;s, Leandro (2002), Manejo s&oacute;cio&#45;ambiental de recursos naturais e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: um estudo comparativo dos projetos "Paran&aacute;&#45;Rural" e "Microbacias", tesis de maestr&iacute;a, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858247&pid=S1405-8421200900030000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silva, L&iacute;gia Os&oacute;rio (2001), A fronteira e outros mitos, tese Livre&#45;Doc&ecirc;ncia, Departamento de Pol&iacute;tica e Hist&oacute;ria Econ&ocirc;mica do Instituto de Economia, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858249&pid=S1405-8421200900030000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Silva, L&iacute;gia Os&oacute;rio (1996), <i>Terras devolutas e latif&uacute;ndio: efeitos da Lei de 1850,</i> Unicamp, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858251&pid=S1405-8421200900030000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Souza, Marcelino (2000), <i>Atividades n&atilde;o&#45;agr&iacute;colas e desenvolvimento rural no Estado do Paran&aacute;,</i> tesis de doctorado, Unicamp, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858253&pid=S1405-8421200900030000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Steca, Lucin&eacute;ia Cunha y Maril&eacute;ia Dias Flores (2002)<i>, Hist&oacute;ria do Paran&aacute;: do s&eacute;culo</i> <i>XVI</i> <i>&agrave; d&eacute;cada de 1950</i>, UEL, Londrina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858255&pid=S1405-8421200900030000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Toledo, V&iacute;ctor M. (2002), "Agroecolog&iacute;a, sustentabilidad y reforma agraria: la superioridad de la peque&ntilde;a producci&oacute;n familiar, <i>Agroecologia y Desenvolvimento Rural Sustent&aacute;vel,</i> 3 (2), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, pp. 27&#45;36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858257&pid=S1405-8421200900030000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Wachowicz, Ruy C. (1995), <i>Hist&oacute;ria do Paran&aacute;</i>, Vicentina, Curitiba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2858259&pid=S1405-8421200900030000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><a name="nota"></a>Notas</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1</sup> Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (PNAD&#45;IBGE, 2006).</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>2</sup> A id&eacute;ia de anomia deve ser entendida aqui mais como uma discricionariedade na aplica&ccedil;&atilde;o das leis do que da aus&ecirc;ncia de leis.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>3</sup> Isso gerou o que se pode chamar de uma antinomia entre o propriamente agr&iacute;cola e o propriamente agr&aacute;rio, de acordo com o pensamento de In&aacute;cio Rangel.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>4</sup> No campo da luta pol&iacute;tica propriamente dita, a quest&atilde;o agr&aacute;ria sofreu um forte rev&eacute;s em 1964 com a imposi&ccedil;&atilde;o da derrota &agrave;s Ligas Camponesas, mas o debate volta nos anos de 1980 e permanece vivo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem&#45;Terra (MST).</font></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>5</sup> Oriundo da CEPAL, tal modelo foi concebido como um processo interno de desenvolvimento, estimulado por desequil&iacute;brio externo, diversifica&ccedil;&atilde;o e crescimento do setor industrial.</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Informaci&oacute;n sobre el autor:</b></font></p>  	    <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>Humberto Miranda Do Nascimento</b>. &Eacute; doutor em Economia Aplicada pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Estado de S&atilde;o Paulo, Brasil. Atualmente &eacute; Professor Doutor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE.Unicamp), Campinas, Brasil. Pesquisador do Centro de Estudos do Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (CEDE), no IE.Unicamp. Sua &aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o &eacute;: desenvolvimento econ&ocirc;mico, espa&ccedil;o e meio ambiente, com &ecirc;nfase no desenvolvimento rural e territorial y sua linha de investiga&ccedil;&atilde;o atual &eacute; Din&acirc;mica regional da agricultura brasileira. Seus &uacute;ltimos artigos publicados s&atilde;o: en coedici&oacute;n, "Geo&#45;environmental Characterization and Occupation of the Beaches on the Islands of Tinhar&eacute; and Boipeba, South Coast of the State of Bahia, Brazil", in: ICS2009&#45;10th International Coastal Symposium, 2009, Lisboa, <i>Journal of Coastal Research</i>, SI 56, Lisboa, Proceedings of the 10th International Coastal Symposium, 2009. v. SI 56, pp. 1297&#45;1300; en coedici&oacute;n, "Geo&#45;environmental Characterization and Occupation of the Beaches on the Islands of Tinhar&eacute; and Boipeba, South Coast of the State of Bahia, Brazil", in ICS2009 &#45;10th International Coastal Symposium, 2009, Lisboa, <i>Journal of Coastal Research</i>, SI 56, Lisboa; Proceedings of the 10th International Coastal Symposium, 2009. v. SI 56, p. 1297&#45;1300; "A conviv&ecirc;ncia com o semi&#45;&aacute;rido e as transforma&ccedil;&otilde;es socioprodutivas na regi&atilde;o do Sisal&#45;Bahia: por uma perspectiva territorial do desenvolvimento rural", <i>Campo&#45;Territ&oacute;rio</i>, 6 (3), Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia, Uberl&acirc;ndia, pp. 22&#45;44 (2008).</font></p>      ]]></body><back>
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