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<publisher-name><![CDATA[Instituto de Investigaciones Dr. José María Luis Mora]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[José Jobson de Andrade Arruda, Uma colônia entre dois impérios: a abertura dos portos, 1800-1808]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade Federal Fluminense  ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Rese&ntilde;as</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>Jos&eacute; Jobson de Andrade Arruda, <i>Uma col&ocirc;nia entre dois imp&eacute;rios: a abertura dos portos, 1800&#150;1808</i></b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Carlos Gabriel Guim&atilde;raes*</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>Bauru, SP, EDUSC, 2008</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>* Universidade Federal Fluminense.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na contram&atilde;o do que predominou sobre os lan&ccedil;amentos na &aacute;rea da historia acerca da comemora&ccedil;&atilde;o dos 200 anos da Abertura dos Portos, com a chegada da Corte Portuguesa no Brasil em 1808, que privilegiaram a historia pol&iacute;tica, Jos&eacute; Jobson de Andrade Arruda, atrav&eacute;s da <i>an&aacute;lise estrutural&#150;dependista, </i>e de uma historia totalizante, apresenta uma estim&aacute;vel contribui&ccedil;&atilde;o para o debate sobre o tema.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">O livro, fruto de uma intensa pesquisa prim&aacute;ria, e parte do Projeto Tem&aacute;tico Dimens&otilde;es do Imperio Portugu&ecirc;s, financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo a Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (FAPESP), est&aacute; relacionado com uma importante historiograf&iacute;a brasileira que tem como ponto de partida as an&aacute;lises do historiador marxista Caio Prado J&uacute;nior, e continuada por outros historiadores (pesquisadores e professores) como Fernando Nov&aacute;is, o pr&oacute;prio Jos&eacute; Jobson de Andrade Arruda e muitos outros, que busca explicar o evento hist&oacute;rico, a chegada da Corte portuguesa e a abertura dos portos, a partir da rela&ccedil;&atilde;o do evento (o pol&iacute;tico) com a estrutura econ&ocirc;mica e social. Combatida nos &uacute;ltimos anos, seja pelos adeptos da nova historia pol&iacute;tica, seja pelos da micro&#150;hist&oacute;ria italiana, a leitura estrutural&#150;dependentista da USP, como &eacute; conhecida no Brasil, mostra que est&aacute; bem viva e pronta para continuar o debate.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Dividido em uma introdu&ccedil;&atilde;o e mais tr&ecirc;s cap&iacute;tulos, o livro destaca que a abertura dos portos (Carta Regia de 28 de Janeiro de 1808), assim como os outros eventos anteriores e posteriores, como exemplo os tratados de 1810 (Tratado de Comercio e Navega&ccedil;&atilde;o e Tratado de Alian&ccedil;a e Amizade) "s&atilde;o partes integrantes de um mesmo <i>processo </i>em que a metr&oacute;pole portuguesa e a col&ocirc;nia brasileira s&atilde;o <i>meros figurantes </i>em que o <i>l&oacute;cus </i>(grifo nosso) de poder decisorio, das <i>determina&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas essenciais, </i>&#91;...&#93;, se aloja no <i>Foreign Office, no cora&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico do Imperio Brit&acirc;nico" </i>(cursivas nossas, p. 13), Em outras palavras, coube a Gr&atilde; Bretanha, e n&atilde;o a Portugal, a decis&atilde;o pol&iacute;tica que marcou a historia de Portugal e do Brasil, e que vai desdobrar mais tarde, em 1822, na independ&ecirc;ncia do Brasil.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No cap&iacute;tulo 1, o autor analise a conjuntura pr&eacute;&#150;1808, marcada por uma Europa continental em crise face ao ex&eacute;rcito Napole&atilde;o e, principalmente, a repercuss&atilde;o sobre Portugal, um reino com um imp&eacute;rio ultramarino em decl&iacute;nio, e que estava sendo pressionado para aderir ao projeto do imperador franc&ecirc;s, ap&oacute;s a queda da Espanha. Centrando sua an&aacute;lise no ano de 1807, quando George Canning, assumindo pela primeira vez o Foreign Office brit&acirc;nico (25 de mar&ccedil;o de 1807), o autor destaca, atrav&eacute;s de uma documenta&ccedil;&atilde;o primaria in&eacute;dita, o Projeto de Canning atr&aacute;s da Conven&ccedil;&atilde;o Secreta de Londres (1807), e que virou a mesa da diplomacia a favor dos brit&acirc;nicos contra os franceses: a <i>manuten&ccedil;&atilde;o da soberan&iacute;a da casa de Bragan&ccedil;a sobre um novo imperio portugu&ecirc;s com a sede no Brasil. </i>Caso n&atilde;o aceitasse, Portugal seria invadido, pois, como previsto na Conven&ccedil;&atilde;o Secreta, havia uma for&ccedil;a de 5 000 homens que desembarcariam em Lisboa.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Portante, face &agrave; press&atilde;o militar e diplom&aacute;tica, em Lisboa Canning contou com a a&ccedil;&atilde;o de seu representante e auxiliar lord Strangford junto a D, Rodrigo de Souza Coutinho (futuro conde de Linhares), um dos adeptos do partido ingl&ecirc;s na Corte portuguesa, a vit&oacute;ria foi brit&acirc;nica e as repercuss&otilde;es seriam negativas para Portugal com a progressiva perda da "j&oacute;ia da coroa": o Brasil.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No cap&iacute;tulo 2, mais extenso do que o primeiro e com uma farta documenta&ccedil;&atilde;o serial, e com muitos dos documentos tamb&eacute;m in&eacute;ditos (anexos), o autor analise a nova pol&iacute;tica de expans&atilde;o imperialista brit&acirc;nica. Face &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o industrial, a Gr&atilde; Bretanha, a primeira na&ccedil;&atilde;o industrial no dizer do historiador ingl&ecirc;s Peter Mathias, imp&ocirc;s uma nova pol&iacute;tica econ&ocirc;mica de livre cambismo, atrelada ao novo sistema econ&ocirc;mico mundial relacionado ao capitalismo industrial, contra uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica mercantilista, baseada nos monop&oacute;lios e privil&eacute;gios, como era a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica portuguesa, inserida no antigo sistema colonial (no dizer de Fernando Novais, o colonialismo mercantilista).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No entanto, antes de se tornar de fato dependente da Gr&atilde; Bretanha, Portugal, em meados do s&eacute;culo XVIII, tendo a frente Sebasti&atilde;o Jos&eacute; de Carvalho e Mel&oacute; (conde de Oeiras em 1759, marques de Pombal em 1769), secret&aacute;rio do reino (1756) do reinado de dom Jos&eacute; I (1750&#150;1777), implementou uma "nova" pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e administrativa, tanto para a m&eacute;tropole, quanto para suas col&ocirc;nias. Face ao decl&iacute;nio da minera&ccedil;&atilde;o do ouro e diamantes do Brasil, que erodiu as contas e a opul&ecirc;ncia do reino, Sebasti&atilde;o Jos&eacute; de Carvalho e Melo p&ocirc;s em pr&aacute;tica uma pol&iacute;tica de cunho fisi&oacute;crata, estimulando a diversifica&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e as exporta&ccedil;&otilde;es para novos parceiros comerciais, uma pol&iacute;tica marcadamente antibrit&atilde;nica. O Brasil tornou pe&ccedil;a chave nessa pol&iacute;tica, com o incentivo a produ&ccedil;&atilde;o de novas culturas em diversas regi&otilde;es (como anil, algod&atilde;o) e a expans&atilde;o de outras (produtos da pecu&aacute;ria como couros, atanados e outros) para a exporta&ccedil;&atilde;o. E importante destacar que, do ponto de vista administrativo, al&eacute;m do fortalecendo das Secretarias de Estado em detrimento dos antigos Conselhos, para os assuntos da fazenda, o marqu&ecirc;s de Pombal criou o Er&aacute;rio R&eacute;gio (1760).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A pol&iacute;tica pombalina, como ficou conhecida na hist&oacute;ria, mesmo com a queda do referido marques de Pombal com a morte de dom Jos&eacute; I (e a ascens&atilde;o de sua filha dona Maria I), continuou e trouxe efeitos positivos para Portugal. Segundo Jos&eacute; Jobson, em virtude das exporta&ccedil;&otilde;es do Brasil para Portugal, e as re&#150;exporta&ccedil;&otilde;es dessas para a Europa, ocorreu uma invers&atilde;o: Portugal, que tinha d&eacute;ficits com a Gr&atilde; Bretanha, passou a ter super&aacute;vits. No dizer de Jos&eacute; Jobson Arruda: "no q&uuml;inq&uuml;&ecirc;nio seguinte, 1790&#150;1795, pela primeira vez em todo o s&eacute;culo XVIII, as exporta&ccedil;&otilde;es portuguesas para a Inglaterra superaram as importa&ccedil;&otilde;es, obrigando os ingleses a remeterem ouro para Portugal, algo absolutamente inusitado" (p. 52). Esse fluxo de com&eacute;rcio ressaltado pelo autor, com o Brasil desempenhando<i> papel chave, </i>seja nas exporta&ccedil;&otilde;es, seja na importa&ccedil;&atilde;o de produtos brit&acirc;nicos e portugueses, foi baseado no cruzamento das informa&ccedil;&otilde;es da documenta&ccedil;&atilde;o da Balan&ccedil;a Geral do Comercio do Reyno de Portugal com seus Dominios Ultramarinos e Na&ccedil;&otilde;es Estrangeiras (varios anos), elaboradas sob a dire&ccedil;&atilde;o de Maur&iacute;cio Jos&eacute; Teixeira de Moraes, com a documenta&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica (in&eacute;dita), encontrada no National Archives, PRO, Export from Great Britain by countries, customs.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Face &agrave; situa&ccedil;&atilde;o descrita, era preciso, portanto, uma a&ccedil;&atilde;o dos brit&acirc;nicos. A conjuntura do inicio do s&eacute;culo XIX reverteria &agrave; situa&ccedil;&atilde;o. A vinda da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, e os eventos suced&acirc;neos como a abertura dos portos (1808) e os tratados de 1810, favoreceram n&atilde;o s&oacute; as importa&ccedil;&otilde;es de produtos brit&acirc;nicos em detrimento dos portugueses e de outros pa&iacute;ses, como tamb&eacute;m determinaram o fim do monopolio dos portugueses, provocando uma estagna&ccedil;&atilde;o da industria portuguesa, que vinha crescendo com a pol&iacute;tica implementada desde 1750 com Pombal. O autor retorna ao debate com autores portugueses, como Valentim Alexandre e Jorge Pedreira, chamando aten&ccedil;&atilde;o de que a perda do Brasil marcou o decl&iacute;nio de Portugal, e citando o pr&oacute;prio Valentim completa: "como era de se esperar, a crise &eacute; mais intensa nos artigos mais expostos &agrave; concorr&ecirc;ncia brit&acirc;nica &#150;os t&ecirc;xteis, e dentro destes, os lanif&iacute;cios e os algod&otilde;es" (p. 81).</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No cap&iacute;tulo 3, o evento 1808 retorna. O antigo sistema colonial (ASC) portugu&ecirc;s estava em crise, e a quest&atilde;o da intensifica&ccedil;&atilde;o do contrabando no Brasil rio s&eacute;culo XVIII, apoiado na obra de Ernst Pijning, <i>Controlling Contraband: Mentality, Economy and Society in Eighteenth Century </i>(1997), j&aacute; demonstrava a fraqueza da "m&atilde;e pobre". Os Tratados de 1810 consolidaram a hegemonia brit&acirc;nica, e a preemin&ecirc;ncia inglesa no Brasil, t&iacute;tulo da famosa obra de Alan K. Manchester (1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o de 1933), era inconteste. O pr&iacute;ncipe regente, depois, com a morte da rainha m&atilde;e, dom Jo&atilde;o VI, na vis&atilde;o de Jos&eacute; Jobson Andrade Arruda foi bastante l&uacute;cido, pois Portugal estava espremido entre dois gigantes na Europa, e a &uacute;nica sa&iacute;da, "embora for&ccedil;ada", era de vir para o Brasil. A chegada da corte no Brasil, ao mesmo tempo em que deu sobrevida &agrave; dinastia de Bragan&ccedil;a, fez com que o Brasil desse adeus a Portugal, e ganhava uma "madrasta rica". Em outras palavras, o significado de 1808 pode ser sintetizado para o autor, parafraseando Sergio Buarque de Holanda: "o galho (Brasil) era pesado e o tronco gasto (Portugal), mas decisivo foi o corte afiado do machado de Sheffield (Gr&atilde; Bretanha)".</font></p>     ]]></body>
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