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</front><body><![CDATA[ <p align="justify"><font face="verdana" size="4">Notas y noticias</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4"><b>III Simposio Iberoamericano de Hist&oacute;ria de la Cartografia: mundos ocultos dentro de um mapa</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="4">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>III Simposio Iberoamericano de Historia de la Cartograf&iacute;a: mundos ocultos dentro de un mapa</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2"><b>Breno Viotto Pedrosa</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="3"><b>S&atilde;o Paulo, 24&#150;30 de abril de 2010</b></font></p>     <p align="center"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2"><i>Departamento de Geografia, Universidade de S&atilde;o Paulo.</i></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Entre os dias 24 e 30 de abril ocorreu o III Simp&oacute;sio Iberoamericano de Hist&oacute;ria da Cartografia na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Ao contr&aacute;rio do que freq&uuml;entemente ocorre em eventos cient&iacute;ficos, ou da geografia, esse evento mobilizou uma s&eacute;rie de departamentos e faculdades para acontecer. Al&eacute;m do departamento de Hist&oacute;ria e Geografia (sede f&iacute;sica dos espa&ccedil;os utilizados pelo evento), o Simp&oacute;sio acabou por mobilizar a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e o Museu Paulista (MP), ambos ligados &agrave; USP. J&aacute; temos a&iacute; o ind&iacute;cio da t&ocirc;nica interdisciplinar que o evento desdobrou em toda sua extens&atilde;o.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Apesar desse evento ter a denomina&ccedil;&atilde;o de Iberoamericano, sua terceira vers&atilde;o reuniu professores norteamericanos, de institui&ccedil;&otilde;es ligadas &agrave; Fran&ccedil;a e naturalmente dos pa&iacute;ses da pen&iacute;nsula ib&eacute;rica e da Am&eacute;rica latina como um todo. As sess&otilde;es de trabalho se dividiram em mesas redondas, que geralmente envolviam tr&ecirc;s participantes, confer&ecirc;ncias com apenas um trabalho de exposi&ccedil;&atilde;o mais longa e as comunica&ccedil;&otilde;es livres para aqueles que inscrevesuas pesquisas. O encontro foi completamente gratuito para a participa&ccedil;&atilde;o e os trabalhos foram disponibilizados na internet para que houvesse a possibilidade de leitura antes do evento. Entre todas as sess&otilde;es tivemos um total da participa&ccedil;&atilde;o de 65 (62.5%) homens e 39 (37.5%) mulheres, de acordo com a programa&ccedil;&atilde;o geral. No tocante ao p&uacute;blico da assist&ecirc;ncia, o n&uacute;mero de participantes nas sess&otilde;es principais de trabalho eram cerca de 60 a 90 pessoas em m&eacute;dia. O site de divulga&ccedil;&atilde;o do evento &#151;mesma p&aacute;gina em que est&atilde;o armazenados os trabalhos apresentados&#151; obteve cerca de 4 900 visita&ccedil;&otilde;es.<sup><a href="#notas">1</a></sup> A maioria esmagadora das visitas &#151;cerca de 4 000&#151; s&atilde;o de brasileiros, por&eacute;m as demai se distribuem entre v&aacute;rios pa&iacute;ses alguns fora do mundo da cultura ib&eacute;rica. Isso pode denotar uma possibilidade de abertura para debate, com colegas de outros pa&iacute;ses que estejam interessados na constitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do mundo Ib&eacute;rico ou que estejam interessados nas metodologias de pesquisa sobre hist&oacute;ria da cartografia. </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao compararmos com a realiza&ccedil;&atilde;o dos eventos anteriores (Oliveira, 2008 e Troncoso, 2006) cabe notar que h&aacute; um crescimento, tanto do n&uacute;mero de pesquisadores quanto das &aacute;reas do conhecimento envolvidas no debate acerca da hist&oacute;ria da cartografia. Alguns pesquisadores como Iris Kantor, Carla Lois e Omar Moncada<sup><a href="#notas">2</a></sup> para citar alguns, al&eacute;m de auxiliar na organiza&ccedil;&atilde;o do simp&oacute;sio, apresentaram seus trabalhos no evento demonstrando os avan&ccedil;os de suas pesquisas, seja no caso da reflex&atilde;o sobre os mapas, seja na metodologia de seu arquivamento ou tratamento dos documentos. Sendo assim, o evento organizou os trabalhos recebidos de acordo com os seguintes eixos: 1. Hist&oacute;ria da cartografia na Am&eacute;rica Latina; 2, Mapas, Expedi&ccedil;&otilde;es, Viagens e Etnocartografia; 3. Cartografias da Independ&ecirc;ncia; 4. Representa&ccedil;&atilde;o do Territ&oacute;rio e Cartografia Urbana; 5. Acervos de Cartografia e Novas Tecnologias; e 6. Cartografia Hist&oacute;rica: ensino, t&eacute;cnicas e difus&atilde;o. Todos os trabalhos enviados pelos participantes foram encaixados nesses eixos, que ao mesmo tempo conservam a agenda de pesquisa e inovam ao inserir novas perspectivas e abordagens de trabalho. Certamente, nesses eixos por um lado n&oacute;s temos uma diminui&ccedil;&atilde;o do enfoque em epistemologia &#151;no segundo encontro o termo aparecia de maneira mais expl&iacute;cita nos eixos&#151; e um maior enfoque na quest&atilde;o pol&iacute;tica e na especificidade da Am&eacute;rica Latina.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Para encerrar essa primeira apresenta&ccedil;&atilde;o, cabe ressaltar que nas comunica&ccedil;&otilde;es livres, nas confer&ecirc;ncias e nas mesas redondas, tivemos plenos e ricos debates. Na maioria dos casos o arranjo dos debates permitiu uma extens&atilde;o do tempo de discuss&atilde;o sem que isso atrapalhasse ou desorganizasse o andamento do simp&oacute;sio. Dito isso, partiremos para o debate do conte&uacute;do do evento.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Ao falarmos de hist&oacute;ria da cartografia logo vem &agrave; cabe&ccedil;a a lembran&ccedil;a de amplos comp&ecirc;ndios que misturam material etnogr&aacute;fico &#151;os mapas dos povos fora da Europa e suas t&eacute;cnicas diferenciadas&#151; e os mapas ocidentais, antes e depois do Iluminismo. O que se tentava retratar, ao que parece, em diversos desses grandes livros era uma esp&eacute;cie de evolu&ccedil;&atilde;o do pensamento cartogr&aacute;fico. A hist&oacute;ria era centrada na evolu&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas e mais marginalmente nas id&eacute;ias que auxiliavam na concep&ccedil;&atilde;o dos mapas. Os documentos eram os focos. Mas, o que se viu durante todo o simp&oacute;sio foi um debate completamente diferente. Como demonstra Gomes (2004:71) a obra de Harley se apresenta como uma ruptura dessa perspectiva. Harley inaugura uma nova agenda de pesquisa com novos referenciais metodol&oacute;gicos e com o objetivo de desconstruir os mapas que s&oacute; podem ser socialmente concebidos e constitu&iacute;dos. De uma forma geral, a impress&atilde;o &eacute; que a renova&ccedil;&atilde;o introduzida por Harley foi fundamental, no entanto, talvez o seu esquema de an&aacute;lise n&atilde;o seja adotado por inteiro &#151;at&eacute; suas &uacute;ltimas conseq&uuml;&ecirc;ncias e em seus detalhes&#151; por grande parte dos pesquisadores.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Na abertura no Simp&oacute;sio a exposi&ccedil;&atilde;o de Nestor Goulart Reis nos mostra o mundo escondido atr&aacute;s dos mapas. Portanto, atrav&eacute;s dos documentos cartogr&aacute;ficos Nestor busca reconstituir toda a rede de cidades brasileiras. A restitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o p&aacute;ra somente na sua distribui&ccedil;&atilde;o espacial <i>tout court, </i>mas se encaminha para o estudo das concep&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas, bem como a concep&ccedil;&atilde;o geopol&iacute;tica da topologia das cidades. Em meio a esse quadro fascinante se evidencia uma pesquisa com um vi&eacute;s arqueol&oacute;gico que tenta explorar as atividades econ&ocirc;micas arcaicas e de popula&ccedil;&otilde;es como ind&iacute;genas ou escravos alforriados. A estrutura social de alguma forma se manifesta na estrutura urbana em suas diversas escalas.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A confer&ecirc;ncia de abertura deu a t&ocirc;nica da interdisciplinaridade. O professor Nestor usou o documento cartogr&aacute;fico para transitar por v&aacute;rias &aacute;reas do conhecimento e para articular v&aacute;rias id&eacute;ias de seu objeto de pesquisa inicial.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Carla Lois se dedicou a compreender as representa&ccedil;&otilde;es acerca do desconhecido. Portanto, na &eacute;poca do descobrimento como o desconhecimento provoca a forma&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es e como estas se relacionam com o conhecimento. O desconhecido aparece ent&atilde;o como o veross&iacute;mil e &eacute; constru&iacute;do pelos homens, como continuidade do conhecido. Sendo assim, Carla retoma todos os debates acerca da forma e extens&atilde;o dos continentes descobertos, o debate da Ilha mundo &#151;a navega&ccedil;&atilde;o pelo atl&acirc;ntico chegaria &agrave;s &Iacute;ndias&#151; e sobre a verdadeira forma da Am&eacute;rica. Se refere ao continente austral e demonstra a dificuldade de sua descoberta. As escrituras sobre os novos continentes e os mapas se apresentam ent&atilde;o como um trabalho descont&iacute;nuo, formando uma geografia imaginada e uma geografia do desconhecido. Curiosamente os cart&oacute;grafos da &eacute;poca tinham uma tese sobre a simetria dos continentes desconhecidos, e quando a Austr&aacute;lia &eacute; descoberta temos uma mudan&ccedil;a no formato da Am&eacute;rica. Ao final da exposi&ccedil;&atilde;o e uma vez definido o debate sobre o formato dos continentes, cabe agora preencher com conhecimento o seu interior. Sendo assim, o branco no mapa aparece como um positivo pl&aacute;stico, ou &aacute;reas pass&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o que apresentam uma possibilidade de crescimento colonial e econ&ocirc;mico, ao mesmo tempo em que revelam um sil&ecirc;ncio acerca do <i>topos </i>em quest&atilde;o. O sentido da a&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio &eacute; ent&atilde;o o preenchi&#150;mento dos vazios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">A exposi&ccedil;&atilde;o de Carla chamou aten&ccedil;&atilde;o para um fato que pensamos ser importante. Alguns ge&oacute;grafos consideram a cartografia a linguagem pr&oacute;pria da geografia. Tendo em vista esse panorama, porque a hist&oacute;ria da cartografia caminha de maneira distante da hist&oacute;ria do pensamento geogr&aacute;fico? Certamente a hist&oacute;ria da cartografia remete muito mais a uma geografia hist&oacute;rica, no sentido que ela fornece subs&iacute;dios para a restitui&ccedil;&atilde;o de uma geografia do passado. Por que ent&atilde;o, n&atilde;o existem trabalhos sobre uma hist&oacute;ria da cartografia moderna, utilizada pelos ge&oacute;grafos mais contempor&acirc;neos e institucionalizados nas universidades? Talvez essa tem&aacute;tica n&atilde;o abra uma agenda de pesquisa t&atilde;o ampla quando os mapas muito antigos, mas sem sombra de d&uacute;vidas a cartografia dos ge&oacute;grafos modernos pode nos revelar uma s&eacute;rie de fatos interessantes, inclusive sob o ponto de vista de sua epistemologia e sociologia. Nesse sentido, observamos a influencia de Jacob que prop&otilde;e uma hist&oacute;ria da cartografia que privilegie a hist&oacute;ria e n&atilde;o somente conte&uacute;dos estritamente geogr&aacute;ficos. O predom&iacute;nio da an&aacute;lise &eacute; a dimens&atilde;o diacr&ocirc;nica (<i>Ibid.</i>:72). Aparentemente a id&eacute;ia de representa&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental na hist&oacute;ria da cartografia. N&atilde;o somente na representa&ccedil;&atilde;o isolada, mas a sua reverbera&ccedil;&atilde;o enquanto vis&atilde;o e apreens&atilde;o de mundo como demonstra Carla Lois. O mapa, representa&ccedil;&atilde;o documental constru&iacute;da, descortina um mundo a ser explorado sobre v&aacute;rios aspectos e que freq&uuml;entemente &eacute; acompanhado de uma pesquisa hist&oacute;rica &#151;ou mesmo sob uma vis&atilde;o antropol&oacute;gica. O mapa &eacute; sempre um documento hist&oacute;rico datado e &eacute; uma representa&ccedil;&atilde;o de uma realidade concreta aos olhos de uma determinada sociedade. Obviamente o mapa &eacute; sempre uma simplifica&ccedil;&atilde;o da realidade.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No entanto, o congresso mostrou que as metodologias de ambas &aacute;reas possuem algumas similitudes. Na hist&oacute;ria do pensamento geogr&aacute;fico, o conhecimento muitas vezes n&atilde;o &eacute; visto como representa&ccedil;&atilde;o e alguns pesquisadores preferem ver o desenvolvimento epistemol&oacute;gico <i>per se </i>desligado dos contextos e das repercuss&otilde;es sociais. &Eacute; exatamente como uma hist&oacute;ria da cartografia que observa apenas as renova&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas sem analisar as transforma&ccedil;&otilde;es sociais.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A similitude das metodologias entre a hist&oacute;ria do pensamento geogr&aacute;fico e hist&oacute;ria da cartografia fica clara no trabalho apresentando por Rafael Moreira sobre os cart&oacute;grafos africanos na corte de Dom Manuel I de Portugal. Rafael se preocupou em delimitar todo um contexto da arte africana e a sua rela&ccedil;&atilde;o colonial com Portugal. Ap&oacute;s isso, demonstrou como Pedro e Jorge Reinel, oriundos de Serra Leoa foram levados a Portugal e educados na arte da cartografia. Os dois africanos negros se tornaram fundamentais na corte trabalhando como cart&oacute;grafos e confeccionando mapas que teriam amplas repercuss&otilde;es. Rafael desvela a partir desses contextos uma corte portuguesa cosmopolita e relativamente livre de preconceitos. Outro fato importante &eacute; que os cart&oacute;grafos ao representarem os lugares se utilizaram da informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, mas tamb&eacute;m se utilizaram dos relatos de viagem. &Eacute; interessante notar que o mapa feito por Reinel comp&ocirc;s o Atlas Miller e apresenta cerca de 150 topon&iacute;mias al&eacute;m de um rico conte&uacute;do iconogr&aacute;fico. Sendo assim, o mapa delimita os lugares ao mesmo tempo em que a iconografia tenta trazer um conte&uacute;do de s&iacute;ntese acerca de terras quase inc&oacute;gnitas. Nesse sentido, nos parece que a representa&ccedil;&atilde;o usa um recurso qualitativo para tentar se libertar de uma limita&ccedil;&atilde;o quantitativa e t&eacute;cnica da cartografia do desconhecido. A iconografia demonstra como o mapa n&atilde;o pode estar descolado completamente de outros textos &#151;ou de uma semiologia.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Em um dos epis&oacute;dios dessa hist&oacute;ria dos cart&oacute;grafos, Jorge Reinel chega at&eacute; mesmo a trabalhar como espi&atilde;o para a corte portuguesa. Em um dos seus servi&ccedil;os realiza a confec&ccedil;&atilde;o de um mapa com localiza&ccedil;&otilde;es erradas. Denota&#150;se a&iacute; a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica do conhecimento e a liga&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre cartografia e geopol&iacute;tica. Portanto, al&eacute;m da hist&oacute;ria da cartografia se remeter a uma geografia hist&oacute;rica, ela tamb&eacute;m na grande maioria dos casos se refere a uma geopol&iacute;tica hist&oacute;rica que tem repercuss&otilde;es na ocupa&ccedil;&atilde;o e coloniza&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">&Eacute; exatamente isso que se evid&ecirc;ncia no trabalho apresentado por Omar Moncada. Seu objeto de estudo s&atilde;o os engenheiros cart&oacute;grafos do ex&eacute;rcito espanhol. Portanto ele demonstra nas cartas produzidas a estrat&eacute;gia de ocupa&ccedil;&atilde;o e defesa do territ&oacute;rio colonial mexicano. Demonstra como no final das contas os colonizadores tinham um dom&iacute;nio muito fr&aacute;gil das terras conquistadas. A exemplo da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa, a preocupa&ccedil;&atilde;o maior era com as &aacute;reas de litor&acirc;neas. Destacase a presen&ccedil;a de miss&otilde;es que de uma maneira mais ou menos isolada foram capazes de gerar n&uacute;cleos ocupacionais. Paralelamente temos a forma&ccedil;&atilde;o dos <i>Presidios </i>em que muitos dos seus destinados chegam j&aacute; mortos. A ocupa&ccedil;&atilde;o e o comando dos l&iacute;deres locais tinham portando um car&aacute;ter administrativo e militar. As condi&ccedil;&otilde;es ambientais eram dific&iacute;limas devido &agrave; morte de uma grande quantidade de colonizadores. Por fim devido &agrave; escassez de m&atilde;o&#150;de&#150;obra os soldados acabavam trabalhando nas minas. A proposta de coloniza&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas mexicanas era ensinar as popula&ccedil;&otilde;es locais a trabalharem devido ao baixo n&uacute;mero de espanh&oacute;is dispon&iacute;veis para a coloniza&ccedil;&atilde;o. E os engenheiros cart&oacute;grafos tinham um papel muito importante no manejo e nas representa&ccedil;&otilde;es desses territ&oacute;rios. Nos debates sobre esse trabalho, aparece a pol&ecirc;mica se a pen&iacute;nsula da baixa Calif&oacute;rnia seria uma ilha ou uma pen&iacute;nsula.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Cabe ressaltar, portanto, que v&aacute;rios outros trabalhos apresentados tinham por tema as controv&eacute;rsias acerca da forma e extens&atilde;o territorial de conjuntos regionais. Alguns trabalhos sobre cartografia urbana tamb&eacute;m se debru&ccedil;am sobre a forma e extens&atilde;o da malha urbana. A dificuldade maior nesse caso &eacute; identificar a "verdade" da representa&ccedil;&atilde;o de cidades que foram quase inteiramente transformadas. A exemplo do trabalho de Moncada, a forma&ccedil;&atilde;o territorial tamb&eacute;m foi um outro tema muito comum, como por exemplo, a partir de quais caminhos ou marcos geogr&aacute;ficos as regi&otilde;es foram colonizadas. As controv&eacute;rsias sobre os lugares, como hav&iacute;amos ditos tamb&eacute;m foi um tema recorrente, sendo que v&aacute;rios autores buscaram explorar a rela&ccedil;&atilde;o entre as expedi&ccedil;&otilde;es e a confec&ccedil;&atilde;o de mapas &#151;seja para a feitura de marcos no territ&oacute;rio ou para a confirma&ccedil;&atilde;o de fronteiras entre col&ocirc;nias.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Um trabalho que nos pareceu inovador foi o de Jean&#150;Marc Besse acerca da obra de Abraham Ortelius. Besse demonstrou como Ortelius, um importante colecionador de objetos da antiguidade de sua &eacute;poca &#151;s&eacute;culo XVI&#151; tentou restituir as topon&iacute;mias de v&aacute;rias obras e relatos da antiguidade. Atrav&eacute;s de viagens e de cadernos de campo, Ortelius tentou sobrepor mapas dos tempos antigos com os mapas de sua &eacute;poca, verificando as possibilidades de coincid&ecirc;ncia ou de discord&acirc;ncia acerca dos lugares. Sua produ&ccedil;&atilde;o cartogr&aacute;fica tamb&eacute;m marca os lugares que n&atilde;o existem na realidade concreta ou lugares que possivelmente tiveram sua topon&iacute;mia alterada. Outro aspecto de sua obra de compara&ccedil;&atilde;o &eacute; a desmistifica&ccedil;&atilde;o da explica&ccedil;&atilde;o acerca topon&iacute;mia de alguns lugares a partir da verifica&ccedil;&atilde;o err&ocirc;nea de alguns relatos da antiguidade.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">No mesmo sentido de desmistifica&ccedil;&atilde;o de certas id&eacute;ias constru&iacute;das, Dante Martins Teixeira partindo dos mapas produzidos por Marcgrave tenta lan&ccedil;ar um outro olhar sobre o ecossistema brasileiro da mata atl&acirc;ntica. Marcgrave foi um dos cart&oacute;grafos oficiais do governo de Maur&iacute;cio de Nassau, na &eacute;poca em que os holandeses invadiram o Brasil e estabeleceram base na cidade de Olinda, no atual estado de Pernambuco. A mata atl&acirc;ntica &eacute; uma dos principais ecossistemas de florestas brasileiras que cobre quase toda a extens&atilde;o de sua costa atl&acirc;ntica. Dante fez o trabalho de comparar os mapas de Marcgrave com as pinturas paisag&iacute;sticas de artistas contratados por Nassau e demonstrou como a mata atl&acirc;ntica era intermeada por campos de &aacute;reas abertas com fauna e fora, em alguns casos, diferenciadas do que se encontra na floresta. Sua hip&oacute;tese baseada nos mapas e nas imagens &eacute; que talvez a mata atl&acirc;ntica fosse naturalmente composta por zonas de mata fechada e zonas de campos abertos. O que certamente muda completamente a id&eacute;ia acerca dessa forma&ccedil;&atilde;o florestal. Historicamente a floresta sempre foi vista como um cont&iacute;nuo de mata fechada e exuberante. Sua cr&iacute;tica vai no sentido de chamar aten&ccedil;&atilde;o acerca do que vem sendo preservado at&eacute; os dias de hoje, e sobre o fato de que as ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas t&ecirc;m dificuldade de ter um racioc&iacute;nio hist&oacute;rico. No caso, falta explorar mais a hist&oacute;ria ambiental e suas transforma&ccedil;&otilde;es frente &agrave; a&ccedil;&atilde;o do homem. Mais uma vez a floresta aparece como uma representa&ccedil;&atilde;o, ligada na atualidade &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e a conserva&ccedil;&atilde;o de uma biodiversidade que h&aacute; muito pode estar perdida. Outro aspecto que pode cair por terra, &eacute; a id&eacute;ia de equil&iacute;brio do ecossistema: se os campos eram parte integrante da mata, como haveria equil&iacute;brio ambiental sem essa parte do meio&#150;ambiente?</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">Finalmente, dois pesquisadores portugueses apresentaram um trabalho sobre a obra de Jaime Cortes&atilde;o. Francisco Roque de Oliveira e Jo&atilde;o Carlos Garcia buscaram explorar aspectos biogr&aacute;ficos de Jaime Cortes&atilde;o, culminando suas exposi&ccedil;&otilde;es na organiza&ccedil;&atilde;o de suas obras acerca do Brasil e dos mapas sobre o territ&oacute;rio brasileiro. Assim nos foi apresentando Jaime Cortes&atilde;o que n&atilde;o era cart&oacute;grafo, mas tentou de uma maneira muito rigorosa reconstituir a hist&oacute;ria do territ&oacute;rio brasileiro atrav&eacute;s das cartas antigas. Seu trabalho foi desenvolvido dentro de um curso de forma&ccedil;&atilde;o de diplomatas, o que remonta a import&acirc;ncia hist&oacute;rica e geopol&iacute;tica da cartografia.</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2">A marca do simp&oacute;sio foi o debate franco, detido e envolvendo intelectuais de v&aacute;rias &aacute;reas. N&atilde;o podemos negar que em alguns momentos os debates se sobrepuseram e que a discuss&atilde;o entre especialistas nos encaminhou para sendas que reportavam a detalhes sobre documentos ou sobre controv&eacute;rsias do passado. Isso n&atilde;o ofuscou em nenhum momento a import&acirc;ncia dos temas e refletiu a discuss&atilde;o aprofundada. Lamentamos apenas o fato de uma baixa freq&uuml;&ecirc;ncia de participantes se compararmos a diversidade e import&acirc;ncia dos temas. Ao final de tudo, o simp&oacute;sio mostrou que h&aacute; muito a fazer na &aacute;rea de hist&oacute;ria da cartografia, seja no desdobramento dos temas de pesquisa, seja na cataloga&ccedil;&atilde;o e disponibilidade de novos documentos. Frente todo esse panorama &eacute; interessante pensar como a hist&oacute;ria da cartografia se desprende da hist&oacute;ria da geografia a partir do momento que um mundo de temas de pesquisa se revela atrav&eacute;s dos mapas. A pr&oacute;xima edi&ccedil;&atilde;o do evento seguir&aacute; na Universidade de Lisboa, Portugal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Gomes, M. do C. A. (2004), "Velhos mapas, novas leituras: revistando a hist&oacute;ria da cartografia" em <i>Geousp, </i>no. 16, S&atilde;o Paulo, pp. 67&#150;79.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4695928&pid=S0188-4611201000020001700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Oliveira, F. R. de (2008), "II Simposio Iberoamericano de Hist&oacute;ria de la Cartograf&iacute;a. La cartograf&iacute;a y el conocimiento del territorio en los pa&iacute;ses iberoamericanos, Ciudad de M&eacute;xico, 21&#150;25 de abril de 2008", en <i>Investigaciones Geogr&aacute;ficas</i>, <i>Bolet&iacute;n</i>, n&uacute;m. 66, Instituto de Geograf&iacute;a, UNAM, M&eacute;xico, pp. 167&#150;171.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4695929&pid=S0188-4611201000020001700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">Troncoso, C. A. (2006), "I Simposio Iberoamericano de Hist&oacute;ria de la Cartograf&iacute;a. Im&aacute;genes y lenguajes cartogr&aacute;ficos en las representaciones del espacio y del tiempo, Buenos Aires, 20, 21 y 22 de abril de 2006", en <i>Investigaciones Geogr&aacute;ficas, Bolet&iacute;n</i>, n&uacute;m. 60, Instituto de Geograf&iacute;a, UNAM, M&eacute;xico, pp. 171&#150;174.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4695930&pid=S0188-4611201000020001700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p align="justify"><font face="verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><b><a name="notas"></a>NOTAS</b></font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"><sup>1 </sup>Os dados da revista se refere a uma visita&ccedil;&atilde;o feita no dia 15 de maio de 2010. Endere&ccedil;o do site: <a href="http://3siahc.wordpress.com/" target="_blank">http://3siahc.wordpress.com/</a> </font></p>     <p align="justify"><font face="verdana" size="2"> <sup>2 </sup>Autores inclusive que tiveram suas obras comentadas nas outras resenhas.</font></p>      ]]></body><back>
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